1701 no Brasil

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Milênios:
Séculos:
  • Século XVI
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Décadas:
  • década de 1680
  • década de 1690
  • década de 1700
  • década de 1710
  • década de 1720
Ver também: Outros eventos de 1701
Anos no Brasil
Cronologia da história do Brasil

1701 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela crise de abastecimento nas recém-descobertas regiões auríferas de Minas Gerais, pelo crescimento desordenado dos arraiais mineradores e pela intensificação das missões jesuíticas junto aos povos indígenas do interior. Em Portugal, o rei dom Pedro II assinou um tratado de aliança com a Inglaterra e a Holanda, inserindo o reino luso na coalizão que se formava contra a França no contexto da Guerra de Sucessão Espanhola (1701–1714), cujos reflexos alcançariam a colônia brasileira ao longo da década seguinte.

Eventos

Contexto colonial: a febre do ouro

  • As descobertas de ouro realizadas no final do século XVII nas regiões de Ouro Preto, Sabará e Caeté por bandeirantes paulistas como Antônio Dias de Oliveira e Manuel de Borba Gato haviam desencadeado uma corrida aurífera sem precedentes na história colonial. Em 1701, a afluência de aventureiros, comerciantes, escravizados e reinóis gerava uma crise aguda de abastecimento nos arraiais mineradores de Minas Gerais. O jesuíta André João Antonil, que percorreu a região nesse período, deixou detalhado relato dessa carestia, descrevendo como os mantimentos chegavam a preços exorbitantes e muitos trabalhadores morriam de fome nos acampamentos.[1]
  • O rei dom Pedro II expediu carta régia regulamentando o número máximo de escravizados que poderiam ser enviados anualmente do Rio de Janeiro para a região das minas — medida destinada a conciliar os interesses dos fazendeiros açucareiros do litoral, que temiam perder sua mão de obra, com as crescentes demandas dos mineradores do interior. A limitação imposta foi de 200 escravizados anuais saindo do Rio de Janeiro com destino a Minas Gerais.[2]

A Igreja Católica na crise do abastecimento

  • Em meio à carestia que assolava os arraiais de Minas Gerais em 1700–1701, as Santas Casas de Misericórdia e as enfermarias dos colégios jesuíticos nas cidades costeiras — sobretudo em Salvador e no Rio de Janeiro — funcionavam como o principal sistema de assistência médica e alimentar disponível à população pobre. A botica do Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro, instalada no morro do Castelo, distribuía medicamentos gratuitamente aos necessitados, funcionando desde 1567 como referência de cuidados médicos na capitania.[3]
  • No sul do Brasil, os jesuítas continuavam a administrar os Sete Povos das Missões na região do atual Rio Grande do Sul, complexo de reduções que abrigava dezenas de milhares de indígenas guaranis e que contava com igrejas, hospitais, escolas, oficinas e impressora própria. Em 1700, havia sido instalada a primeira gráfica missioneira na Missão de Loreto, do lado argentino da fronteira, marco do desenvolvimento intelectual das Missões.[4]

Criação do Estado do Maranhão e Grão-Pará

  • Em 1701, o governo português reorganizou administrativamente os territórios do extremo norte do Brasil, consolidando o Estado do Maranhão e Grão-Pará como entidade autônoma em relação ao Estado do Brasil, com sede em São Luís do Maranhão. Nessa região, os jesuítas da Vice-Província do Maranhão atuavam nas missões do rio Amazonas e de seus afluentes sob a liderança dos missionários da Companhia de Jesus, que eram praticamente a única presença institucional do Estado português junto às populações indígenas do interior.[5]

Quadro político

Cargo Titular
Rei de Portugal Dom Pedro II (reinado: 1683–1706)
Governador-Geral do Estado do Brasil João de Lencastre (1694–1702)
Governador da Capitania do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais Artur de Sá e Meneses (1697–1702)

Nascimentos

  • Ano — Silvestre Ferreira da Silva, cronista e vereador de Vila Rica, autor do Discurso do Descobrimento do Ouro de Sabarabuçu, obra fundamental para o estudo da formação dos arraiais auríferos de Minas Gerais no início do século XVIII. Morreu após 1755.[6]

Mortes

  • 1702 — Domingos Jorge Velho (?–c.1705), bandeirante paulista responsável pelo destruição do Quilombo dos Palmares em 1694, viveu ainda pelos anos iniciais do século XVIII antes de morrer na capitania de São Paulo. Sua data exata de morte é controversa, com fontes indicando datas entre 1702 e 1706.[7]

Ver também

Referências

  1. ↑ ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas. Lisboa: Oficina Real Deslandesiana, 1711. Ed. fac-similada: São Paulo: Melhoramentos, 1923.
  2. ↑ BOXER, Charles Ralph. The Golden Age of Brazil, 1695–1750: Growing Pains of a Colonial Society. Berkeley: University of California Press, 1962, p. 52.
  3. ↑ CALAINHO, Daniela Buono. "Jesuítas e medicina no Brasil colonial". In: Tempo, Rio de Janeiro, n. 19, p. 61–75, 2005.
  4. ↑ KERN, Arno Alvarez. Missões: uma utopia política. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982.
  5. ↑ DOMINGUES, Ângela. Quando os índios eram vassalos: colonização e relações de poder no Norte do Brasil na segunda metade do século XVIII. Lisboa: CNCDP, 2000.
  6. ↑ FIGUEIREDO, Luciano; CAMPOS, Maria Verônica (org.). Códice Costa Matoso. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1999.
  7. ↑ VAINFAS, Ronaldo (org.). Dicionário do Brasil Colonial (1500–1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.