1704 no Brasil
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| Ver também: | Outros eventos de 1704 Anos no Brasil Cronologia da história do Brasil | ||||
1704 foi um ano bissexto do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela intensificação das tensões entre paulistas e forasteiros nas regiões mineradoras de Minas Gerais, precursoras da Guerra dos Emboabas que eclodiria em 1707. A capitania do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais vivia crescente instabilidade administrativa diante do fluxo incontrolável de migrantes em direção ao ouro. Nas missões do sul, os jesuítas consolidavam suas reduções guaraníticas. Em Portugal, o rei dom Pedro II, já debilitado, cedia progressivamente os assuntos de governo ao príncipe herdeiro, futuro dom João V.
Eventos
Tensões nas regiões auríferas
- Em 1704, as regiões de Sabará, Ouro Preto e do Rio das Mortes (atual região de São João del-Rei) concentravam as maiores populações de mineradores da colônia. A tensão entre os bandeirantes paulistas — que se consideravam os legítimos descobridores e donos das minas — e os emboabas (forasteiros vindos de Portugal e do Nordeste) era crescente e documentada em cartas do governador ao rei. Os paulistas, liderados pelo guarda-mor das minas Manuel de Borba Gato, sobrinho por afinidade do bandeirante Fernão Dias Pais Leme, exigiam a exclusividade na exploração das lavras.[1]
- O governador da capitania do Rio de Janeiro, Álvaro da Silveira e Albuquerque, tentou mediar os conflitos crescentes entre os dois grupos por meio de cartas régias que estabeleciam a distribuição equitativa das datas (lotes auríferos). As medidas foram insuficientes para conter a hostilidade acumulada, e os arraiais continuavam a ser palco de disputas violentas por lavras, rotas de abastecimento e contratos de fornecimento de mantimentos.[2]
A Companhia de Jesus e a publicação de Cultura e Opulência
- O jesuíta André João Antonil (Giovanni Antonio Andreoni) concluiu por volta de 1704–1705 a versão final de seu manuscrito Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas. A obra descrevia em detalhe as quatro riquezas principais da colônia — açúcar, tabaco, couro e ouro —, constituindo-se no mais completo inventário econômico do Brasil colonial do período. Antonil documentou a condição dos escravizados nas minas, a organização do trabalho mineral e a ausência quase total de assistência eclesiástica sistemática nas regiões auríferas, registros que permanecem como fonte primária insubstituível para os historiadores do período.[3]
Irmandades religiosas nas minas
- Com o crescimento dos arraiais de Minas Gerais, multiplicavam-se as irmandades religiosas como forma de organização social e assistencial da população mineradora. As irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos surgiram nesse período como expressão da vida religiosa dos escravizados e libertos nas minas, associando a devoção mariana a formas concretas de auxílio mútuo, compra de alforrias e enterramento digno dos seus membros. A Igreja Católica tolerou e incentivou essas irmandades como instrumento de evangelização das populações negras.[4]
Quadro político
| Cargo | Titular |
|---|---|
| Rei de Portugal | Dom Pedro II (reinado: 1683–1706) |
| Governador-Geral do Estado do Brasil | Rodrigo da Costa (1702–1705) |
| Governador da Capitania do Rio de Janeiro, SP e MG | Álvaro da Silveira e Albuquerque (1702–1705) |
Ver também
Referências
- ↑ BOXER, Charles Ralph. The Golden Age of Brazil, 1695–1750. Berkeley: University of California Press, 1962, p. 79–82.
- ↑ ROMEIRO, Adriana. "Guerra dos Emboabas: balanço histórico". In: Revista do Arquivo Público Mineiro, jan./jun. 2009, p. 106–117.
- ↑ ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas. Lisboa: Oficina Real Deslandesiana, 1711. Reedição: São Paulo: Edusp, 2007, introdução de Andrée Mansuy Diniz Silva.
- ↑ BOSCHI, Caio César. Os leigos e o poder: irmandades leigas e política colonizadora em Minas Gerais. São Paulo: Ática, 1986, p. 87–92.
