1719 no Brasil
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| Ver também: | Outros eventos de 1719 Anos no Brasil Cronologia da história do Brasil | ||||
1719 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado por três eventos de grande importância: a descoberta do ouro do Cuiabá pelo bandeirante Pascoal Moreira Cabral, que inaugurou o ciclo minerador do Mato Grosso; a publicação da Carta Régia de 11 de fevereiro que estabelecia o quinto real como mecanismo obrigatório de tributação do ouro nas minas — embrião direto da crise que causaria a Revolta de Vila Rica no ano seguinte —; e a criação da Diocese de Belém do Pará pelo papa Clemente XI, que expandiu a estrutura eclesiástica para o coração da Amazônia.
Eventos
Descoberta do ouro do Cuiabá
- Em 1719, o bandeirante Pascoal Moreira Cabral, liderando uma expedição que partira de São Paulo no ano anterior, verificou a existência de imensas reservas de ouro às margens do rio Cuiabá, no atual estado de Mato Grosso. A descoberta desencadeou uma nova corrida aurífera, desta vez em direção ao extremo oeste do território colonial. A distância entre as minas do Cuiabá e São Paulo — mais de 3.000 quilômetros por rios e matas — tornava o abastecimento da nova região extraordinariamente difícil e custoso, o que não impediu uma migração em massa nos anos seguintes. A exploração do ouro cuiabano levaria, décadas depois, à criação da Capitania do Mato Grosso (1748) e ao fortalecimento da presença portuguesa no coração da América do Sul.[1]
A Carta Régia e a criação do quinto
- Em 11 de fevereiro de 1719, o rei dom João V expediu a Carta Régia que regulamentava de forma mais rigorosa o quinto real — o imposto de 20% sobre toda a produção aurífera da colônia. A carta determinava que o ouro extraído deveria ser obrigatoriamente levado às Casas de Fundição, onde seria fundido em barras, selado e tributado, antes de circular como meio de pagamento. Qualquer circulação de ouro em pó fora desse sistema seria considerada contrabando e punida com degredo para a África. A medida foi recebida com profunda indignação pelos mineradores das minas de Minas Gerais, que viam no ouro em pó o principal meio de troca do cotidiano colonial.
- O anúncio do governador Conde de Assumar de que as Casas de Fundição seriam efetivamente instaladas no ano seguinte gerou o início da organização da resistência que culminaria na Revolta de Vila Rica (junho-julho de 1720). Grandes mineradores como Pascoal da Silva Guimarães e líderes populares como Filipe dos Santos começaram a articular a oposição à medida, reunindo desde os mais abastados senhores de lavras até os tropeiros e comerciantes dos arraiais.
Criação da Diocese de Belém do Pará
- Em 1719, o papa Clemente XI criou a Diocese de Belém do Pará, desmembrada da Diocese de São Luís do Maranhão, em resposta às demandas de missionários e administradores coloniais pela presença episcopal no coração da Amazônia. A nova diocese tinha sede em Belém e jurisdição sobre o imenso território que hoje corresponde ao Pará, ao Amazonas e a partes do Amapá. Era a quinta diocese criada no Brasil, depois das de Salvador (1555), Rio de Janeiro (1676), Olinda (1676) e Maranhão (1677).[2]
- A criação da Diocese do Pará foi precedida por décadas de atividade missionária dos jesuítas e dos carmelitas ao longo do Rio Amazonas e de seus afluentes. O padre Samuel Fritz, jesuíta alemão radicado na Amazônia desde 1686, havia percorrido e cartografado o curso do Amazonas com precisão notável, produzindo mapas que foram usados pelas negociações diplomáticas de Utrecht e que demonstravam a soberania portuguesa sobre a maior bacia hidrográfica do mundo. Sua obra missionária junto aos povos Omágua, Juri e Omagua foi fundamental para a presença portuguesa no alto Amazonas.[3]
Quadro político
| Cargo | Titular |
|---|---|
| Rei de Portugal | Dom João V (reinado: 1706–1750) |
| Governador-Geral do Estado do Brasil | Vasco Fernandes César de Meneses (1720–1735, chegada em 1720; interinamente Sancho de Faro até 1719) |
| Governador da Capitania de SP e MG | Pedro de Almeida Portugal e Vasconcelos, Conde de Assumar (1717–1721) |
Ver também
Referências
- ↑ EDUCABRAS. Mineração no Brasil Colonial. Disponível em: https://www.educabras.com/aula/mineracao-no-brasil-colonial. Acesso em: 2026.
- ↑ PORTAL DA CIDADE MARIANA. Mariana celebra 275 anos da criação da sua diocese. Disponível em: https://mariana.portaldacidade.com. Acesso em: 2026.
- ↑ FRITZ, Samuel. Diario del P. Samuel Fritz sobre el Rio Marañon o Amazonas. Edição moderna: Leipzig, 1922.
