1719 no Brasil

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Décadas:
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  • década de 1720
  • década de 1730
Ver também: Outros eventos de 1719
Anos no Brasil
Cronologia da história do Brasil

1719 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado por três eventos de grande importância: a descoberta do ouro do Cuiabá pelo bandeirante Pascoal Moreira Cabral, que inaugurou o ciclo minerador do Mato Grosso; a publicação da Carta Régia de 11 de fevereiro que estabelecia o quinto real como mecanismo obrigatório de tributação do ouro nas minas — embrião direto da crise que causaria a Revolta de Vila Rica no ano seguinte —; e a criação da Diocese de Belém do Pará pelo papa Clemente XI, que expandiu a estrutura eclesiástica para o coração da Amazônia.

Eventos

Descoberta do ouro do Cuiabá

  • Em 1719, o bandeirante Pascoal Moreira Cabral, liderando uma expedição que partira de São Paulo no ano anterior, verificou a existência de imensas reservas de ouro às margens do rio Cuiabá, no atual estado de Mato Grosso. A descoberta desencadeou uma nova corrida aurífera, desta vez em direção ao extremo oeste do território colonial. A distância entre as minas do Cuiabá e São Paulo — mais de 3.000 quilômetros por rios e matas — tornava o abastecimento da nova região extraordinariamente difícil e custoso, o que não impediu uma migração em massa nos anos seguintes. A exploração do ouro cuiabano levaria, décadas depois, à criação da Capitania do Mato Grosso (1748) e ao fortalecimento da presença portuguesa no coração da América do Sul.[1]

A Carta Régia e a criação do quinto

  • Em 11 de fevereiro de 1719, o rei dom João V expediu a Carta Régia que regulamentava de forma mais rigorosa o quinto real — o imposto de 20% sobre toda a produção aurífera da colônia. A carta determinava que o ouro extraído deveria ser obrigatoriamente levado às Casas de Fundição, onde seria fundido em barras, selado e tributado, antes de circular como meio de pagamento. Qualquer circulação de ouro em pó fora desse sistema seria considerada contrabando e punida com degredo para a África. A medida foi recebida com profunda indignação pelos mineradores das minas de Minas Gerais, que viam no ouro em pó o principal meio de troca do cotidiano colonial.

Criação da Diocese de Belém do Pará

  • A criação da Diocese do Pará foi precedida por décadas de atividade missionária dos jesuítas e dos carmelitas ao longo do Rio Amazonas e de seus afluentes. O padre Samuel Fritz, jesuíta alemão radicado na Amazônia desde 1686, havia percorrido e cartografado o curso do Amazonas com precisão notável, produzindo mapas que foram usados pelas negociações diplomáticas de Utrecht e que demonstravam a soberania portuguesa sobre a maior bacia hidrográfica do mundo. Sua obra missionária junto aos povos Omágua, Juri e Omagua foi fundamental para a presença portuguesa no alto Amazonas.[3]

Quadro político

CargoTitular
Rei de PortugalDom João V (reinado: 1706–1750)
Governador-Geral do Estado do BrasilVasco Fernandes César de Meneses (1720–1735, chegada em 1720; interinamente Sancho de Faro até 1719)
Governador da Capitania de SP e MGPedro de Almeida Portugal e Vasconcelos, Conde de Assumar (1717–1721)

Ver também

Referências

  1. ↑ EDUCABRAS. Mineração no Brasil Colonial. Disponível em: https://www.educabras.com/aula/mineracao-no-brasil-colonial. Acesso em: 2026.
  2. ↑ PORTAL DA CIDADE MARIANA. Mariana celebra 275 anos da criação da sua diocese. Disponível em: https://mariana.portaldacidade.com. Acesso em: 2026.
  3. ↑ FRITZ, Samuel. Diario del P. Samuel Fritz sobre el Rio Marañon o Amazonas. Edição moderna: Leipzig, 1922.