Abies procera

Abies procera
Abetos nobres na Floresta Nacional de Gifford Pinchot, Washington.
Abetos nobres na Floresta Nacional de Gifford Pinchot, Washington.
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante [1]
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Pinophyta
Clado: Tracheophyta
Clado: Gymnospermae
Ordem: Pinales
Família: Pinaceae
Género: Abies
Espécie: A. procera
Rehder
Distribuição geográfica
Distribuição natural da espécie.
Distribuição natural da espécie.
Sinónimos[2]
  • Abies nobilis (Douglas ex D.Don) Lindl., nom. illeg.
  • Picea nobilis (Douglas ex D.Don) Loudon
  • Pseudotsuga nobilis (Douglas ex D.Don) W.R.McNab

Abies procera, conhecido no inglês como "noble fir" ou "red fir", que traduz-se para abeto nobre ou abeto vermelho,[3] é uma espécie de abeto nativa da Cordilheira das Cascatas e das cadeias montanhosas da costa do Pacífico do noroeste da costa oeste dos Estados Unidos. Ocorre em altitudes entre 300 e 1.500 metros.

Descrição

A. procera é uma conífera perenifólia de grande porte com uma copa cônica estreita, podendo atingir até 70 m de altura e 2 m de diâmetro do tronco, raramente alcançando 90 m de altura e 2,7 m de espessura.[4] A casca em árvores jovens é lisa e cinzenta com bolhas de resina, tornando-se vermelho-acastanhada, áspera e fissurada em árvores mais velhas, geralmente com menos de 5 cm de espessura; a casca interna é avermelhada.[5]

As folhas são aciculadas, com 1-3.5 cm de comprimento, glaucas azul-esverdeadas na face superior e inferior com bandas estomáticas fortes, e ponta romba a entalhada. Estão dispostas em espiral no ramo, mas levemente torcidas em forma de "S" para se curvarem acima do ramo. Os estróbilos são eretos, com 11-22 cm de comprimento e 6 cm de espessura, com escamas púrpuras quase completamente escondidas por longas escamas bractéolas amarelo-esverdeadas;[5] amadurecem marrons e desintegram-se para liberar as sementes aladas no outono. Sementes viáveis são produzidas apenas a cada poucos anos.[5]

A espécie pode viver até 200 anos.[5]

Taxonomia

David Douglas descobriu a espécie na Cordilheira das Cascatas no início do século XIX, chamando-a de "abeto nobre".[5]

O epíteto específico procera significa "alto".[6] É o abeto verdadeiro mais alto do mundo.[5]

Distribuição

A espécie é nativa da Cordilheira das Cascatas e das cadeias montanhosas da costa do Pacífico do oeste de Washington e Oregon, bem como do extremo noroeste da Califórnia. É uma árvore de alta altitude, geralmente encontrada entre 300-1.500 m, frequentemente acima de 600 m,[5] e raramente atingindo a linha das árvores.

Ecologia

A espécie é estreitamente relacionada ao abeto A. magnifica, que a substitui mais ao sudeste no sul de Oregon e Califórnia, sendo melhor distinguida pelas folhas com uma ranhura ao longo da nervura central na face superior; A. magnifica não apresenta essa característica. A espécie irmã também tende a ter folhas menos densamente agrupadas, com a casca do ramo visível entre as folhas, enquanto no abeto nobre o ramo é amplamente escondido. Os estróbilos de A. magnifica também têm brácteas geralmente mais curtas, exceto na A. magnifica var. shastensis; esta variedade hibridiza com o abeto nobre[5]. O abeto nobre é intolerante à sombra, deixando o tronco inferior sem ramos.[5]

A. procera ocorre com Pseudotsuga menziesii e Tsuga heterophylla em altitudes médias, e com Abies amabilis e Tsuga mertensiana em altitudes mais elevadas.[5] Ocorre em áreas frescas e úmidas.[5] Embora beneficie-se de distúrbios ocasionais (por exemplo, a erupção do Monte Santa Helena em 1980), é muito suscetível ao fogo, mas geralmente protegido pelo seu ambiente úmido.[5] É relativamente resistente a danos por vento, insetos ou doenças.[5] Embora as raízes cresçam lentamente, pode sobreviver em solos rochosos, desde que úmidos.[5]

Usos

Os Paiute usavam a folhagem para tratar tosses e resfriados.[5]

A madeira leve e resistente foi reconhecida cedo por madeireiros, que a chamavam de "lariço" para evitar confundi-la com abetos inferiores.[5] A madeira é usada para aplicações especializadas, como escadas,[5] fins estruturais gerais e fabricação de papel. Pode ter sido usada para as armações dos bombardeiros Mosquito da Royal Air Force durante a Segunda Guerra Mundial.[5]

David Douglas enviou sementes de abeto nobre para a Grã-Bretanha em 1830, introduzindo-o aos horticultores.[5] É uma popular e apreciada árvore de Natal.[5] O cultivar cinza prostrado A. procera (Grupo Glauca) 'Glauca Prostrata' recebeu o Prêmio de Mérito em Jardinagem da Royal Horticultural Society.[7][8]

O abeto nobre tornou-se naturalizado na Grã-Bretanha (especialmente na Escócia)[9][10] e na Dinamarca.[11]

Galeria

Referências

  1. ↑ Farjon, A. (2013). «Abies procera». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2013: e.T42296A2970458. doi:10.2305/IUCN.UK.2013-1.RLTS.T42296A2970458.enAcessível livremente. Consultado em 12 de novembro de 2021
  2. ↑ «The Plant List: A Working List of all Plant Species»
  3. ↑ «Abies procera». Agricultural Research Service (ARS), United States Department of Agriculture (USDA). Germplasm Resources Information Network (GRIN). Consultado em 17 de dezembro de 2017
  4. ↑ «Gymnosperm Database - Abies procera». Consultado em 6 de setembro de 2013
  5. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Arno, Stephen F.; Hammerly, Ramona P. (1977). Northwest Trees: Identifying & Understanding the Region's Native Trees (em inglês) field guide ed. Seattle: Mountaineers Books (publicado em 2020). pp. 143–149. ISBN 978-1-68051-329-5. OCLC 1141235469
  6. ↑ Harrison, Lorraine (2012). RHS Latin for Gardeners. United Kingdom: Mitchell Beazley. ISBN 978-1845337315
  7. ↑ «Abies procera (Glauca Group) 'Glauca Prostrata'». RHS. Consultado em 14 de agosto de 2019
  8. ↑ «AGM Plants - Ornamental» (PDF). Royal Horticultural Society. Julho de 2017. p. 1. Consultado em 14 de agosto de 2019
  9. ↑ «PlantAtlas». PlantAtlas. Consultado em 12 de fevereiro de 2025
  10. ↑ «Managing invasive and non-native forestry species». Consultado em 12 de fevereiro de 2025
  11. ↑ «Sølvgran (Abies procera)». Naturbasen - Danmarks Nationale Artsportal (em dinamarquês). Consultado em 12 de fevereiro de 2025

Leitura adicional

Ligações externas