Absorvente

Absorventes, sem e com abas.

O absorvente (português brasileiro) ou penso higiénico (português europeu) é um produto de higiene íntima externo feminino, utilizado durante a menstruação. A sua função é absorver o mênstruo e/ou sangramento eliminado durante o período menstrual, quando a parede uterina é eliminada por não ter ocorrido a fecundação do óvulo. Esse período tem uma duração de três dias a uma semana, em ciclos de aproximadamente vinte e oito dias, e o absorvente é usado para coletar o mênstruo, de modo a permitir uma interação normal da mulher enquanto dure o seu fluxo. Recomenda-se que os absorventes sejam trocados a cada 3–4 horas para evitar certas bactérias que possam apodrecer no sangue; esse tempo também pode diferir dependendo do tipo usado, do fluxo e do tempo em que é usado.[1]

Tipos de absorventes

Atualmente existem vários tipos de absorventes disponíveis, que podem ser divididos entre descartáveis e reutilizáveis, de uso interno ou externo. Entre os reutilizáveis encontram-se as calcinhas, coletores e absorventes de tecidos, que podem ser lavados.[2]

Segundo pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), os produtos menstruais de uso externo são geralmente constituídos por materiais como algodão, poliéster, poliamida, elastano, poliuretano laminado ou combinações desses tecidos. Já os coletores menstruais são produzidos predominantemente em silicone, um material conhecido por sua durabilidade.[2]

De acordo com os pesquisadores, o modo de uso não difere significativamente entre produtos descartáveis e reutilizáveis, sendo a principal distinção relacionada ao tratamento após o uso. Enquanto os produtos descartáveis são destinados ao descarte em resíduos sólidos urbanos, os reutilizáveis requerem processos específicos de higienização antes de nova utilização.[2]

História

Desde a Antiguidade, diferentes culturas desenvolveram métodos variados para a absorção do fluxo menstrual. Na Grécia Antiga, há registros de que mulheres utilizavam pequenos pedaços de material fibroso, como fiapos de tecido ou lã, enrolados em suportes de madeira, inseridos internamente para conter o fluxo.[3][4]

Entre povos indígenas da América do Norte, especialmente algumas comunidades nativas americanas, eram utilizados materiais naturais disponíveis no ambiente, como musgo seco e pele de búfalo, adaptados para funcionar como absorventes externos.[3]

Já na Europa, durante os séculos XVIII e XIX, era comum que mulheres confeccionassem seus próprios absorventes reutilizáveis. Esses itens eram geralmente feitos de tecido ou flanela, moldados em formato de almofadas e lavados após o uso para reutilização em ciclos menstruais posteriores.[5]

O avanço para produtos industrializados ocorreu no final do século XIX. Em 1896, foi lançado comercialmente um dos primeiros produtos descartáveis voltados à higiene menstrual, descrito como “guardanapos higiênicos para mulheres”. Esses itens eram produzidos com materiais como algodão e gaze, marcando o início da comercialização em larga escala de absorventes descartáveis.[3][4]

Durante a Primeira Guerra Mundial, enfermeiras observaram que materiais à base de celulose utilizados em curativos apresentavam maior capacidade de absorção em comparação aos tecidos de pano tradicionalmente empregados durante o período menstrual. A partir dessa constatação, produtos derivados desse material passaram a ser desenvolvidos comercialmente no período pós-guerra, destacando-se os absorventes descartáveis introduzidos pela marca Kotex no início do século XX.[6][7]

Ao longo do século XX, novas inovações contribuíram para o desenvolvimento desses produtos. Em 1957, Mary Beatrice Davidson Kenner patenteou o chamado cinto higiênico, um dispositivo composto por uma cinta elástica com presilhas na parte frontal e traseira, destinado a fixar absorventes externos no lugar e evitar vazamentos. Esse tipo de acessório foi amplamente utilizado até a década de 1970.[8][9]

Posteriormente, em 1969, surgiram os primeiros absorventes com adesivo, que podiam ser fixados diretamente à roupa íntima, eliminando a necessidade de cintos ou suportes adicionais e tornando o uso mais prático.[4]

Paralelamente, o desenvolvimento de absorventes internos também avançou. Em 1931, o médico osteopata Earl Haas criou um modelo de absorvente interno com aplicador, que viria a ser patenteado. Alguns anos depois, Gertrude Tendrich adquiriu os direitos dessa patente e passou a produzir comercialmente o produto, dando origem a uma das primeiras marcas de absorventes internos disponíveis no mercado.[4]

Ver também

Referências

  1. ↑ «14 Important Questions about Hygiene During Your Period». flo.health (em inglês). Consultado em 26 de fevereiro de 2021
  2. 1 2 3 Nicole Molle; Ruth Marlene Campomanes Santana (2020). «Influência do processo de lavagem nas propriedades físicas e térmicas de produtos íntimos femininos reutilizáves». Instituto Venturi. Consultado em 21 de dezembro de 2023. Cópia arquivada em 11 de agosto de 2022
  3. 1 2 3 «História do absorvente feminino». Intimus. Consultado em 1 de maio de 2026
  4. 1 2 3 4 Kijowska, Wiktoria (5 de janeiro de 2026). «Sanitary suspenders to Mooncups: a brief history of menstrual products». Victoria and Albert Museum. Consultado em 1 de maio de 2026
  5. ↑ «Como fazíamos absorvente antes dos modelos atuais». Aventuras na História. Consultado em 1 de maio de 2026
  6. ↑ Bela Lobato (18 de julho de 2025). «Desde quando existem absorventes?». Superinteressante. Consultado em 1 de maio de 2026
  7. ↑ «Absorvente, zíper e outras invenções surgiram graças à Primeira Guerra Mundial». BBC Brasil. 14 de abril de 2014. Consultado em 1 de maio de 2026
  8. ↑ Victória Gearini (7 de abril de 2021). «Mary Beatrice, a mulher negra que criou o absorvente». Aventuras na História. Consultado em 1 de maio de 2026
  9. ↑ «Mary Beatrice, a campeã no registro de patentes». Primeiros Negros. Consultado em 1 de maio de 2026

Ligações externas

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