Abwehr

Serviço secreto de rádio na OKW (Amt Ausland/Abwehr).

A Abwehr (termo alemão para "resistência" ou "defesa", embora a palavra geralmente signifique "contrainteligência" em um contexto militar) foi o serviço de inteligência militar alemão do Reichswehr e da Wehrmacht de 1920 a 1944.[1] Embora o Tratado de Versalhes de 1919 proibisse a República de Weimar de estabelecer uma organização de inteligência própria, eles formaram um grupo de espionagem em 1920 dentro do Ministério da Defesa, chamando-o de Abwehr.[2] O objetivo inicial da Abwehr era a defesa contra a espionagem estrangeira — um papel organizacional que posteriormente evoluiu de forma considerável.[3] Sob o general Kurt von Schleicher (figura de destaque na condução da Reichswehr a partir de 1926), as unidades de inteligência dos diferentes ramos militares foram reunidas e, em 1929, centralizadas sob o Ministeramt de Schleicher dentro do Ministério da Defesa, formando a base da manifestação mais conhecida da Abwehr.[4]

Cada posto da Abwehr em toda a Alemanha era baseado no distrito militar local (Wehrkreis); mais escritórios foram abertos em países neutros favoráveis e (à medida que o Grande Reich se expandia) nos territórios ocupados.[5] Em 4 de fevereiro de 1938, o Ministério da Defesa — renomeado Ministério da Guerra em 1935 — foi dissolvido e transformado no Oberkommando der Wehrmacht (OKW), com Hitler no comando direto.[6] O OKW passou a fazer parte da "equipe de trabalho" pessoal do Führer a partir de junho de 1938, e a Abwehr tornou-se sua agência de inteligência sob o vice-almirante Wilhelm Canaris.[7] A Abwehr tinha sua sede na Tirpitzufer 76/78 (atual Reichpietschufer), em Berlim, adjacente aos escritórios do OKW.[8]

Muitos historiadores afirmam que, em geral, a Abwehr tinha uma má reputação pela qualidade do seu trabalho e pela sua organização invulgarmente descentralizada.[9][10] Parte da imagem e do desempenho pouco estelares da Abwehr devia-se à intensa rivalidade que mantinha com a SS, a RSHA e com a SD.[11][2] Outros fatores que contribuíram para as falhas da Abwehr podem ter incluído o sucesso dos Aliados na decifração dos códigos da máquina Enigma alemã, através dos decifradores de códigos em Bletchley Park.[12] Durante os combates de agosto e setembro de 1942 no Norte de África contra Erwin Rommel, esta capacidade dos Aliados foi um elemento crucial para o sucesso de Montgomery, uma vez que a inteligência de sinais britânica (SIGINT) era superior à dos alemães.[13] Outro fator foi o fato de Wilhelm Canaris, chefe da organização de 1935 a 1944, não fosse um nazista entusiasmado, assim como vários de seus comandados. Canaris ativamente trabalhou para tornar a Abwehr não muito eficiente no seu trabalho. Mas isso não significa que a organização em si era anti-nazista, com Allen Dulles afirmando que a maioria dos seus empregados era leal a Hitler,[14] algo que o historiador militar John Wheeler-Bennett concorda, afirmando que a falta de sucesso da Abwehr era atribuída principalmente a incompetência.[15]

Referências

  1. ↑ Holmes 2009, p. 2.
  2. 1 2 Zentner & Bedürftig 1991, p. 2.
  3. ↑ Dear & Foot 1995, p. 1.
  4. ↑ Gerwarth 2012, p. 85.
  5. ↑ Taylor & Shaw 1997, p. 11.
  6. ↑ Newsome 2014, pp. 950–951.
  7. ↑ Taylor 1995, p. 165.
  8. ↑ Kahn 1978, pp. 243–248.
  9. ↑ Leverkuehn 1954, p. 37.
  10. ↑ Howard 1990, p. 49.
  11. ↑ Davies 2008, p. 251.
  12. ↑ Andrew 2018, pp. 616–617.
  13. ↑ Andrew 2018, p. 640, 644–645.
  14. ↑ Dulles 2000, pp. 75–76.
  15. ↑ Wheeler-Bennett 1980, p. 597.

Bibliografia

  • Andrew, Christopher (2018). The Secret World: A History of Intelligence. New Haven and London: Yale University Press. ISBN 978-0-30023-844-0 
  • Dear, Ian; Foot, M.R.D., eds. (1995). The Oxford Guide to World War II. Oxford; New York: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-534096-9 
  • Dulles, Allen (2000) [1947]. Germany's Underground: The Anti-Nazi Resistance. New York: Da Capo Press. ISBN 978-0-30680-928-6 
  • Höhne, Heinz (1979). Canaris: Hitler's Master Spy. New York: Doubleday. ISBN 978-0-385-08777-3 
  • Zentner, Christian; Bedürftig, Friedemann (1991). The Encyclopedia of the Third Reich. New York: MacMillan Publishing. ISBN 978-0-02-897500-9 
  • Gerwarth, Robert (2012). Hitler's Hangman: The Life of Heydrich. New Haven, CT: Yale University Press. ISBN 978-0-30018-772-4 
  • Taylor, James; Shaw, Warren (1997). The Penguin Dictionary of the Third Reich. New York: Penguin Reference. ISBN 978-0-14051-389-9 
  • Taylor, Telford (1995) [1952]. Sword and Swastika: Generals and Nazis in the Third Reich. New York: Barnes & Noble. ISBN 978-1-56619-746-5 
  • Newsome, Bruce (2014). «Oberkommando der Wehrmacht (OKW) (1938–1945)». In: David T. Zabecki. Germany at War: 400 Years of Military History. III, N–T. Santa Barbara, CA: ABC-CLIO. ISBN 978-1-59884-980-6 
  • Kahn, David (1978). Hitler's Spies: German Military Intelligence in World War II. New York: Macmillan. ISBN 978-0-02560-610-4 
  • Leverkuehn, Paul (1954). German Military Intelligence. New York: Frederick A. Praeger Inc. ASIN B0000CIU8I 
  • Howard, Michael (1990). British Intelligence in the Second World War: Strategic Deception. 5. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 978-0-52140-145-6 
  • Davies, Norman (2008). No Simple Victory: World War II in Europe, 1939–1945. New York: Viking. ISBN 978-0-67001-832-1 
  • Wheeler-Bennett, John W. (1980) [1954]. Nemesis of Power: The German Army in Politics 1918–1945. Basingstoke: Palgrave Macmillan. ISBN 978-0-333-06864-9 
  • Zentner, Christian; Bedürftig, Friedemann (1991). The Encyclopedia of the Third Reich. New York: MacMillan Publishing. ISBN 978-0-02-897500-9 

Ver também