Agostinho Fernandes

Agostinho Fernandes
Nome completoJoaquim Agostinho Fernandes
Nascimento
2 de Outubro de 1886

Morte
1972 (86 anos)

NacionalidadePortuguesa
OcupaçãoEmpresário

Joaquim Agostinho Fernandes, igualmente conhecido como Agostinho Fernandes CvIP (Mexilhoeira Grande, 2 de Outubro de 1886 — Lisboa, 1972), foi um empresário e coleccionador de arte português.

Biografia

Infância e educação

Agostinho Fernandes nasceu em 2 de Outubro de 1886, na vila da Mexilhoeira Grande, numa família de origens modestas, sendo o seu pai um cavador de enxada.[1] Começou a trabalhar ainda muito novo, tendo sido um autodidacta.[2]

Carreira

Alcançou uma elevada posição como empresário, ligado à indústria e às finanças, tendo sido um importante industrial no ramo das conservas e na pesca.[2] Neste sentido, foi o fundador da empresa Algarve Exportador.[2] A empresa teve um grande sucesso financeiro, possuindo unidades fabris em Lagos, Setúbal, Lisboa, Peniche, Nazaré e Matosinhos.[3] Tinha várias marcas próprias que se tornaram muito famosas entre o público português, como as Nice, de conservas e atum e sardinhas, os chocolates Favorita, e as bolachas e biscoitos Confiança.[3]

Vestígios da Fábrica de Conservas de peixe Algarve Exportador, em Lagos.

Agostinho Fernandes exerceu como presidente do Grémio dos Industriais de Conservas do Centro, e foi procurador na Câmara Corporativa.[1]

Falecimento e família

Faleceu em 1972, aos 86 anos de idade, na cidade de Lisboa,[2] tendo sido enterrado no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.[1] O jornal Correio do Sul publicou uma nota de pesar, onde destacou Agostinho Fernandes como «um industrial de grande envergadura, [...] um notabilíssimo e invulgar coleccionador de arte e editor, autêntico Mecenas a quem muitos escritores e artistas ficaram devendo a sua legítima projecção no mundo.».[1]

Teve quatro filhos: Eurico Fernandes, Filipe Fernandes, Alice Fernandes e Helena Fernandes Ferry Borges, e foi avô do compositor Nuno Nazareth Fernandes e do editor Dinis Fernandes.[2]

Actividades culturais

Teve um importante papel como um patrocinador das artes, tendo-se destacado principalmente no impulso que deu às carreiras de vários artistas plásticos e escritores, como Almada Negreiros, Stuart Carvalhais, Jorge Barradas[2] e Jaime Cortesão.[4] Ao longo da sua vida, reuniu um rico e importante conjunto de obras de pintura e de desenho, da autoria de artistas nacionais.[2]

Como amigo e testamenteiro de José Malhoa, colaborou na fundação do museu dedicado a este artista[5][6], tendo, igualmente, cedido vários quadros.[carece de fontes?] José Malhoa pintou igualmente um retrato de Agostinho Fernandes.[1]

Entre 1922 e 1923, editou a revista Contemporânea, que foi uma publicação de relevo na cultura nacional.[2][1] Em 1942 funda a Portugália Editora,[3] que se tornou numa das mais importantes casas deste ramo em território nacional.[1] Como gerente da Portugália Editora, foi responsável pela edição de vários trabalhos de autores nacionais de renome, como as obras completas de Jaime Cortesão,[4] Manuel Teixeira Gomes e José Régio.[2]

Devido às suas boas relações com o Estado Novo, pôde visitar o exilado Manuel Teixeira Gomes, na Argélia, e publicar as suas obras na Portugália Editora. Também fundou a empresa cinematográfica Cinelândia, que posteriormente deu lugar à Rádio Televisão Portuguesa.[3]

Placa toponímica da Rua Joaquim Agostinho Fernandes, na cidade de Lagos.

Homenagens

Foi condecorado com o grau de cavaleiro da Ordem da Instrução Pública em 15 de Janeiro de 1945.[7]

O nome de Agostinho Fernandes foi colocado em ruas nas localidades de Lagos,[8] Portimão e Mexilhoeira Grande.

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 «Agostinho Fernandes» (PDF). Correio do Sul. Ano LIII (2826). Faro. 2 de Novembro de 1972. p. 1-4. Consultado em 8 de Agosto de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 «Morreu o editor algarvio Agostinho Fernandes» (PDF). Comércio de Portimão. Ano 27 (2343). Portimão. 16 de Novembro de 1972. p. 1-4. Consultado em 9 de Agosto de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve
  3. 1 2 3 4 VALAGÃO et al 2018:37
  4. 1 2 ««Introdução à história das bandeiras» nas «Obras Completas» de Jaime Cortesão» (PDF). Diário de Angola. 16 de Outubro de 1964. p. 3. Consultado em 9 de Agosto de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa
  5. ↑ «José Malhoa, "Retrato de Agostinho Fernandes"». Museu José Malhoa. 3 de Dezembro de 2007. Consultado em 17 de Setembro de 2010. Arquivado do original em 10 de março de 2012
  6. ↑ «Uma justa consagração» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 63 (1511). Lisboa. 1 de Dezembro de 1950. p. 437. Consultado em 9 de Agosto de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa
  7. ↑ «Entidades Nacionais agraciadas com Ordens Portuguesas». Presidência da República Portuguesa. 2011. Consultado em 11 de Dezembro de 2018
  8. ↑ «Freguesia de São Sebastião» (PDF). Câmara Municipal de Lagos. Consultado em 11 de Dezembro de 2018. Arquivado do original (PDF) em 23 de Setembro de 2015

Bibliografia

  • FERRO, Silvestre Marchão (2002). Vultos na Toponímia de Lagos. Lagos: Câmara Municipal de Lagos. 358 páginas. ISBN 972-8773-00-5 
  • VALAGÃO, Maria; BRAZ, Nídia; CÉLIO, Vasco (2018). Vidas e Vozes do Mar e do Peixe 1.ª ed. Lisboa: Tinta-da-China. ISBN 978-989-671-461-1 

ligações externas