Anemopsis

Anemopsis
Anemopsis californica
Estado de conservação
G5 [1]
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Piperales
Família: Saururaceae
E. Mey., 1827
Género: Anemopsis
Hook. & Arn., 1840
Espécie: A. californica
Nome binomial
Anemopsis californica
(Nutt.) Hook. & Arn.
Sinónimos[2]
Yerba mansa (inflorescência)
Detalhe da planta
No seu habitat

Anemopsis é um género monotípico de plantas com flor, pertencente à família das Saururaceae,[3] cuja única espécie validamente descrita é Anemopsis californica, nativa do sudoeste da América do Norte, onde é conhecida pelo nome comum de yerba mansa, uma planta perene que prefere solos muito húmidos ou águas pouco profundas.[4]

Descrição

Anemopsis californica é uma espécie perene que à medida que amadurece, desenvolve manchas vermelhas na sua parte visível, acabando por ficar vermelho-vivo no outono.[5]

A inflorescência é vistosa na primavera quando está em flor. As icónicas "flores" brancas (na verdade inflorescências reduzidas, ou pseudantos) nascem no início da primavera e estão rodeadas por 4-9 grandes brácteas brancas.[6]

Semelhante à família Asteraceae, o que parece ser uma única flor é, na realidade, um denso aglomerado de pequenas flores individuais suportadas numa inflorescência. Nesta espécie, a inflorescência é cónica e tem cinco a dez grandes brácteas brancas apontadas por baixo, de modo que, juntamente com as pequenas flores brancas, toda a estrutura é bastante vistosa quando floresce na primavera. A estrutura cónica desenvolve-se num fruto único e resistente que pode ser transportado pelas águas para espalhar as pequenas sementes, semelhantes a grãos de pimenta.[7]

Para além doss caracteres gerais da família Saururaceae, a famíia tem a seguinte morfologia:

  • Ervas perenes, co até 80 cm de altura, estoloníferas, com rizoma rastejante, densamente pubescentes a subglabras.
  • Folhas geralmente basais, exceto uma no escapo floral, dimórficas, pinatinervadas, as basais 5-60 cm com pecíolo 2-40 cm; lâmina foliar elíptico-oblonga, 1-25 × 1-12 cm, base cordada a obtusa, ápice arredondado, a lâmina caulinar primária séssil, mais ou menos amplamente ovada, 1-9 × 1-4 cm, apertada na base, ápice arredondado a agudo.
  • Caules nodosos, simples, com 1(-2) nós.
  • Inflorescências em espiga terminal compacta, cónica, de 1-4 cm, com 4-9 brácteas petalóides basais brancas a avermelhadas, de 5-35 × 5-15 mm, formando um pseudanto.
  • Flores 75-150, brancas, pequenas, cada uma com uma bractéola branca orbicular, unguiculada e soldada ao ovário, ausente nas inferiores; estames 6(-8), solitários em relação ao ovário, epígeos, gineceu semi-infinito, paracárpico, carpelos 3(-4), afundados na ráquis, com 4-10 óvulos em cada placenta, estiletes 3.
  • Fruto coalescente com a ráquis, em cápsula apicalmente deiscente. Sementes 18-40, castanhas, 1-1,5 × 0,8-1 mm, reticuladas.
  • Número cromossómico: 2n = 44.

A espécie é nativa do sudoeste da América do Norte, no noroeste do México e no sudoeste dos Estados Unidos, da Califórnia ao Oklahoma, do Texas ao Kansas e ao Oregon, onde ocorre até aos 2000 m de altitude. Cresce em pântanos parcialmente inundados e alcalinos e nas margens de riachos.[8] Comum em áreas pantanosas costeiras, mais ou menos salinas.

O nome comum yerba mansa encontra-se generalizada na região de distribuição natural da espécie. No seu livro sobre ervas do sudoeste dos Estados Unidos, Jacqueline A. Soule discute o nome comum e considera que yerba mansa é um daqueles nomes que confundem os linguistas. Yerba é a palavra espanhola para erva e, portanto, poder-se-ia pensar que mansa também vem do espanhol, mas todas as indicações apontam para o facto de não ser. Mansa significa manso, pacífico, calmo em espanhol, e a planta não tem qualquer efeito sedativo, nem a população local alguma vez a utilizou como calmante. O seu principal uso é como antimicrobiano, antibacteriano e antifúngico. A explicação mais provável é que mansa é uma alteração espanhola da palavra nativa original para a planta, agora perdida nas profundezas do tempo.[9] Karl Theodor Hartweg, que a recolheu plantas em León, Guanajuato em 1837, registou o nome local como yerba del manso.[10] É também conhecida como yerba del manso no norte da Baixa Califórnia. A palavra "manso" poderia ser a abreviatura de "remanso", o que estaria de acordo com as áreas onde a planta se desenvolve.

Taxonomia

Anemopsis californica foi descrita por (Nutt.) Hook. & Arn. e publicada em The Botany of Captain Beechey's Voyage 390, pl. 92. 1841[1840].[11] A espécie tem a seguinte sinonímia taxonómica:

Etnobotânica

Medicina tradicional

A espécie é utilizada como antimicrobiano, antibacteriano e para tratar candidíase vaginal.[5][13]

A Anemopsis californica é utilizada para tratar a inflamação das membranas mucosas, gengivas inchadas e dores de garganta. Uma infusão da raiz pode ser tomada como diurético para tratar doenças reumáticas e para a a gota, livrando o corpo do excesso de ácido úrico, que causa a inflamação dolorosa das articulações. A erva mansa previne a acumulação de cristais de ácido úrico nos rins, que podem causar cálculos renais se não forem tratados. Um pó de raiz seca pode ser polvilhado em áreas infectadas para aliviar o pé de atleta ou assaduras.[14][15] Nas doenças respiratórias, é utilizada para o catarro, a febre e a constipação. É também utilizada para a flatulência, aftas, postemia, disenteria, problemas de estômago e para purificar o sangue.[16]

A yerba-mansa é versátil. Pode ser tomada por via oral sob a forma de tisanas, tinturas, infusão ou seca sob a forma de cápsulas. Pode ser usada externamente para embeber áreas inflamadas ou infectadas. Pode ser moída e utilizada como pó para polvilhar. Algumas pessoas em Las Cruces, Novo México, usam as folhas para fazer um cataplasmas para aliviar o inchaço muscular e a inflamação.[17] As folhas e raízes também têm sido usadas para curar e desinfetar feridas e chagas.[18]

Em uso externo, a decocção da planta é utilizada para queimaduras, arranhões, hemorragias, pés inchados e doridos. Para remover o veneno da picada de escorpiões ou aranhas, as folhas são torradas e colocadas como cataplasma quente sobre a picada. Para as borbulhas, lavam-se com as folhas cozidas e depois coloca-se um pedaço de folha sobre elas. No caso das borbulhas, utiliza-se a decocção de toda a planta para limpar a zona onde se encontram as borbulhas.

A cura de feridas é o uso mais comum dado a esta espécie. Em Durango, faz-se uma decocção com a planta inteira para lavar a área afetada. Em Baja California e Baja California Sur, a água das folhas fervidas também é utilizada para lavar e depois as folhas secas e em pó são aplicadas na ferida.

Outros usos

As estruturas florais secas são utilizadas em arranjos secos.[19] As partes secas da planta (folhas, estrutura floral) emitem uma fragrância picante e são utilizadas em potpourri.[19]

Na Califórnia, a yerba-mansa está a ser utilizada como planta ornamental em parques públicos e jardins.[20]

Referências

  1. ↑ NatureServe (2023). «Anemopsis californica». NatureServe Explorer. Arlington, Virginia: NatureServe. Consultado em 4 de Maio de 2023
  2. ↑ The Plant List
  3. ↑ «Anemopsis — World Flora Online». www.worldfloraonline.org. Consultado em 19 de agosto de 2020
  4. ↑ Flowering Plants of the Santa Monica Mountains, Nancy Dale, 2nd Ed., 2000, p. 175.
  5. 1 2 Medicinal Plants of the SW - Anemopsis californica Arquivado em 2007-08-04 no Wayback Machine, retrieved on July 17, 2007.
  6. ↑ Boufford, D. E. (1997). «Anemopsis californica». In: Flora of North America Editorial Committee. Flora of North America North of Mexico. 3. New York and Oxford: Oxford University Press. 9780195112467
  7. ↑ http://ucjeps.berkeley.edu/cgi-bin/get_JM_treatment.pl?7085,7086,7087 Jepson Manual Treatment
  8. ↑ «Lady Bird Johnson Wildflower Center - The University of Texas at Austin». www.wildflower.org. Consultado em 20 de dezembro de 2021
  9. ↑ Soule, J. A. 2011. Father Kino's Herbs: Growing and Using Them Today. Tierra del Sol Press, Tucson, AZ.
  10. ↑ G. Bentham. Plantas Hartwegianas.(1839)p. 30
  11. ↑ «Anemopsis californica». Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. Consultado em 28 de dezembro de 2012
  12. ↑ Anemopsis californica en The Plant List
  13. ↑ Anemopsis californica - Plants For A Future database report, retrieved on July 17, 2007
  14. ↑ Kay, M.A. Healing with Plants in the American and Mexican West. University of Arizona Press, Tucson, AZ, 1996.
  15. ↑ Sencoval, Annette. Home Grown Healing Traditional Home Remedies from Mexico. Berkley Books, New York, NY, 1998.
  16. ↑ «En medicina tradicional mexicana». Consultado em 28 de dezembro de 2012. Cópia arquivada em 3 de março de 2016
  17. ↑ Moore, Michael. Medicinal Plants of the Desert and Canyon West [Plantas Medicinais do Deserto e do Canyon Oeste]. Museum of New Mexico Press, Santa Fe, NM, 1989.
  18. ↑ Raymond, Nevissa. «Yerba mansa». inaturalist.org. Consultado em 11 de novembro de 2021
  19. 1 2 Soule, J. A. 2011. Father Kino's Herbs: Growing and Using Them Today. Tierra del Sol Press, Tucson, AZ.
  20. ↑ Bakker, Elna. "Yerba Mansa as Ground Cover." Pacific Horticulture 49 (4): 47-49. Pacific Horticultural Foundation, San Francisco, CA, 1988.

Ligações externas