Asia Motors
| Asia Motors | |
|---|---|
![]() | |
| Atividade | Indústria automobilística |
| Fundação | 2 de julho de 1965 |
| Destino | Extinta |
| Encerramento | 2000 |
| Sede | |
| Proprietário(s) | Kia Motors (1976-1998) Hyundai (1998-2000) |
| Produtos | Automóveis |
| Subsidiárias | Ásia Motors do Brasil |
| Website | asia |
.jpg)
A Asia Motors foi uma montadora de automóveis fundada pelo governo sul coreano em 2 de julho de 1965 com objetivo de criar veículos pesados (ônibus e caminhões) e militares. Sob licença da Fiat, produziu o Fiat 124 entre 1969 a 1975.
Foi adquirida pela Kia Motors em 1976. O mercado externo onde a Asia Motors obteve maior êxito comercial provavelmente foi o Brasil, sobretudo com a importação dos modelos Towner e Topic nos anos 90. Além destes modelos, também foram importados o micro-ônibus AM-825, o jipe Rocsta e SUV Galloper (*). A montadora coreana apresentou 3 veículos conceituais no Seoul Motor Show, a minivan Neo Mattina e o jipe Retona em 1995 e o monovolume ARV em 1997.
Brasil
Entre 1993 e 1999, comercializou a van Topic com motor 2.7 Diesel de 16 lugares, a microvan Towner de 7 lugares e um motor a gasolina 0.8 3 cilindros, o micro-ônibus AM-825 4.0 diesel, o jipe Rocsta e o SUV Galloper mas por problemas tributários, deixou uma dívida bilionária aos cofres do tesouro nacional, descontinuando suas revendas.[1]
Fábrica na Bahia
O anúncio da vinda da Ásia Motors ao país, em 1996, deu-se por meio de uma medida provisória de incentivos fiscais para montadoras de automóveis, instituída no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, destinada à instalação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.[2]
Em 23 de dezembro foi realizada uma solenidade no Palácio do Planalto na presença da diretoria executiva da Asia no país, do então presidente da república e de diversos políticos baianos, como o a época governador Paulo Souto acompanhado de seu vice César Borges além de dois senadores do estado, Antônio Carlos Magalhães e Waldeck Ornelas bem como do então presidente da Câmara dos Deputados do Brasil Luís Eduardo Magalhães, onde fora anunciado o investimento de 500 milhões de dólares em uma nova fábrica que seria construída em Camaçari.[2][3]
Apesar de o Grupo Kia, do qual a empresa era uma subsidiária brasileira, entrar em concordata e, à época, dever 10,4 bilhões de reais à receita do país, assegurou ao chefe do executivo, por meio de seu então presidente, Washington Armênio Lopes, que o projeto seria executado, alegando que o grupo obteve “segurança por documentos e informações” de que o imbróglio da dívida não afetaria a construção da nova fábrica.[4]
No ano seguinte, em agosto de 1997, Fernando Henrique chegou a lançar uma pedra fundamental que marcava o que poderia ser o início da obra em Camaçari, prometida para iniciar em três meses, segundo o presidente do grupo. A cerimônia contou com um trio elétrico que levava o nome da empresa bem como uma distribuição de 6.000 camisetas brancas e bonés vermelhos, que levavam o nome da fábrica, brindes custeados por políticos locais.[4][5]
Recebeu uma punição do então Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo em junho de 1998 onde teve os incentivos fiscais suspensos até que fossem comprovados os investimentos do grupo na planta da Bahia. A importação de 2000 unidades realizada pela empresa no mês anterior já não contemplou nenhum abatimento, enquanto com o incentivo a empresa pagaria somente 24,5% em impostos sob importação, arcou com os 49% previsto sem descontos.[6]
De acordo com o cronograma previsto e anunciado pela empresa, os primeiros carros feitos na filial baiana deveriam ficar prontos até outubro do referido ano, contudo, em julho de 1999 nenhum veículo havia sido produzido nem mesmo a fábrica havia sido construída e o terreno havia sido repassado da prefeitura de Camaçari para a implantação de uma fábrica da montadora Ford.[7][5]
O descumprimento do acordo comercial por parte da empresa, que foi beneficiada com sucessivos descontos para importação de automóveis enquanto não havia investido nada no país levou o grupo a aumentar o débito com a receita brasileira que inicialmente era de 210 milhões de dólares e que com passar dos anos passou a ser de mais de 2 bilhões de reais.[8]
Ver também
Referências
- ↑ Conheça dez montadoras que tiveram de pegar o caminho de volta para casa - Asia Motors Caderno automóveis da Gazeta do Povo
- 1 2 Londrina, Folha de (29 de dezembro de 1996). «Asia Motors decide montar sua fábrica em Camaçari, na Bahia». Folha de Londrina. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ «Estado da Bahia cobra da Asia Motors dívida de R$36 milhões». www.correio24horas.com.br. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
- 1 2 «Folha de S.Paulo - FHC lança fábrica da Asia Motors no país - 9/8/1997». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
- 1 2 «Folha de S.Paulo - Asia descumpre acordo com o Estado - 14/07/99». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ «Folha de S.Paulo - Asia Motors foi única montadora que recebeu punição - 21/6/1998». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ «Folha de S.Paulo - Direção da Ford diz que lamenta tumulto político - 14/07/99». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ Teles, Bruno (25 de dezembro de 2025). «As vans baratas da Asia Motors dominaram ruas do Brasil, prometeram fábrica que nunca saiu, sumiram em menos de dez anos e deixaram uma dívida bilionária em impostos que ninguém assume até hoje sem solução». CPG Click Petróleo e Gás. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
