Asinaria
Asinaria (ou A comédia do asno) é uma peça de Plauto, um dos mais antigos textos do latim. Nela se encontra a famosa citação Homo homini lupus ("O homem é o lobo do homem"), muito atribuída ao filósofo Thomas Hobbes que, apesar de ter realmente popularizado a frase, não foi seu criador.
A sinopse é a seguinte: um pai tenta ajudar o filho apaixonado fornecendo-lhe dinheiro para que este pague duzentas minas de prata à mãe de sua futura esposa. Para isso, o velho faz com que o pagamento pela venda de um asno seja entregue não ao mercador Saurea, mas ao escravo Leonida, que se faz passar por ele. O dinheiro vai parar nas mãos da futura sogra, que autoriza a união, mas o velho se aproveita disso para desfrutar por uma noite da esposa do filho. Um rival do rapaz, sentindo-se lesado porque já estava negociando a moça, vinga-se: por meio de seu parasita, informa à esposa do velho sobre o caso. Ela então vai até o bordel e arrasta o marido de lá.
Cena a cena
PRÓLOGO
O Prólogo pede atenção aos espectadores e diz que a peça é a tradução de uma comédia grega.
ATO 1
CENA 1
Libano, escravo de Demêneto, quer saber de seu senhor o que está acontecendo com ele. Após hesitar, Demêneto, que diz querer o amor do filho, tornando-se um bom pai para ele, critica a esposa por ela ser rude e inconveniente e acrescenta que o filho, Argripo, está precisando de duzentas minas de prata prometidas a Filênia, uma prostituta por quem o jovem está apaixonado. Demêneto pede que Libano, junto com Leonida, consiga esse valor de qualquer forma.
CENA 2
(Canto.) Diábolo, amante de Filênia, diz que vai se vingar de ter sido expulso da casa de Clereta, mãe da moça, mesmo tendo feito benesses para ela. A porta se abre, e Clereta aparece.
CENA 3
Clereta diz que ele só verá de novo Filênia se ela receber duzentas minas, caso contrário ela não aparecerá mais. Diábolo questiona o que ela fez com o que ele já havia lhe dado, e ela responde que gastou. Diábolo aceita pagar o valor, mas com a condição de que ele seja o único a desfrutar dela por um ano. Clereta propõe que eles façam um contrato, mas primeiro precisa vir o dinheiro. Diábolo sai para o mercado, disposto a tudo para conseguir o que precisa.
ATO 2
CENA 1
Libano reflete sobre como conseguirá o dinheiro. Ele olha o ambiente e percebe bons auspícios na movimentação de pássaros como o pica-pau e o corvo. Leonida, o outro escravo de Demêneto, chega esbaforido.
CENA 2
Leonida diz a Libano que encontrou na barbearia um comerciante de Pella que comprou um asno usado de Saurea, o administrador da casa onde eles moram. Leonida tentou convencer o homem de que era Saurea para receber o dinheiro restante da venda, mas sem sucesso. O comerciante pede que ele chame Demêneto, seu conhecido, para que o montante possa ser entregue diante dos dois. Libano combina de Leonida se fazer passar por Saurea mais uma vez para tentar enganar o sujeito.
CENA 3
O comerciante chega perguntando por Dêmeneto, que está ausente, e por Saurea. Libano afirma que este último está na barbearia. O comerciante pede, então, que o administrador seja descrito, e Libano dá as características de Leonida. Leonida chega.
CENA 4
Leonida começa a brigar com Libano como se fosse seu patrão (perguntando inclusive coisas de negócios relacionadas a dinheiro) e dá bordoadas nele. Os dois tentam em vão convencer o comerciante a entregar o dinheiro de várias formas. Mas este está decidido a só entregar o valor na frente de Demêneto, que o conhece.
ATO 3
CENA 1
Clereta reclama que a filha, Filênia, a desobedece. Ela proíbe que ela se encontre com Argripo, filho de Demêneto.
CENA 2
Depois de comemorarem as próprias capacidades de enganação, Libano e Leonida conversam sobre o plano de enganar o comerciante de Pella, que foi bem-sucedido: participando da tramoia, Demêneto fingiu que Leonida era Saurea, e o homem entregou a Leonida o dinheiro, que agora ele traz. Nesse momento, chegam Argripo e Filêna abraçados e chorando pela situação de separação imposta pela mãe.
CENA 3
Libano e Leonidas avisam que estão com o dinheiro necessário para o contrato, mas começam a fazer exigências para o casal Argripo e Filênia: pedem abraços e beijos a Filênia, que os acaricia e os elogia, e Libano senta-se nas costas de Argripo como se montasse um cavalo. No fim, os escravizados dizem que o dinheiro foi enviado por Demêneto, que demanda uma noite com Filênia. Argripo aceita ceder a mulher ao próprio pai e entra com Filênia na casa de Clereta.
ATO 4
CENA 1
O Parasita de Diábolo lê as cláusulas absurdas do contrato que ele impôs a Clereta para ter Filênia: elas não devem receber ninguém em casa; caso haja uma máscara de cera, ela será queimada; se Filênia tossir, ela não pode mostrar a língua; Filênia tem de dividir a taça de vinho com Diábolo etc. Eles entram na casa de Clereta.
CENA 2
Após um intervalo com música, o Parasita e Diábolo voltam revoltados. O Parasita convence Diábolo a ir no lugar dele à casa de Demêneto para contar à mulher deste o que está acontecendo entre Filênia e Demêneto.
ATO 5
CENA 1
Demêneto diz que quer o amor do filho e pergunta se Argripo está chateado, uma vez que está se aproveitando de Filênia na frente dele. Argripo finge que está tudo bem.
CENA 2
O Parasita leva Artêmona, mulher de Demêneto, à festa. Os dois ouvem escondidos as ofensas que Demêneto desfere contra a esposa (diz que ela tem mau hálito e que roubará o casaco dela para dar a Filênia, por quem se diz agora apaixonado). Artêmona desmascara o marido e o leva arrastado para casa.
EPÍLOGO
Todos pedem que o público aplauda se não quiser que o velho apanhe no final.[1]