Assucena

Assucena
Nascimento1988 (38 anos)
Vitória da Conquista
CidadaniaBrasil
Ocupaçãocantora, cantautora, atriz

Assucena Halevi Assayag Santos Araújo (Vitória da Conquista, 1988[1]) é uma cantora, atriz e artista transgênero brasileira,[2] de ascendência judaica marroquina.[3] Durante seis anos, fez parte do grupo musical As Baías, desfeito em 2021. Em 2019 e 2020, recebeu indicações para o Grammy Latino, estando entre as primeiras pessoas trans indicadas para a premiação. Em 2023, lançou seu primeiro álbum solo, "Lusco-Fusco".[4]

Assucena é colunista da Vogue Brasil,[5] e integra a bancada do programa "Precisamos Conversar", do Instituto Conhecimento Liberta.[6]

Biografia

Nascida em Vitória da Conquista, Bahia, informa ter começado a cantar por volta dos "três ou quatro anos" de idade. Embora sua família não tivesse nenhum relação direta com a música, por influência paterna ouvia em casa cantores da Jovem Guarda, como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, e posteriormente, Gal Costa, bem como cantores populares nordestinos, como Luiz Gonzaga, Elomar Figueira e Edigar Mão Branca. Pela origem judaico-marroquina da sua família, também ouviu a cantora israelense de origem iemenita Ofra Haza. Outra de suas influências musicais foi Whitney Houston, que descobriu aos nove anos de idade assistindo em fita alugada ao filme O Guarda-Costas (1992).[3][7]

Na adolescência, Assucena mudou-se para São Paulo, e foi estudar História na Universidade de São Paulo (USP). Ali, em 2011, conheceu Raquel Virgínia e Rafael Acerbi, ao lado dos quais criou a banda universitária "Preto por Preto", posteriormente "As Bahias e a Cozinha Mineira" (que se tornaria "As Baías" em sua fase final). Embora não tenha concluído a graduação, Assucena declara que "o curso de História foi fundamental na minha trajetória e na produção da sujeita que eu sou hoje". Em 2015, durante a produção do primeiro álbum do trio ("Mulher"), ela começou o seu processo de transição. A decisão não foi bem aceita em sua família, cujo núcleo ela classifica como "religioso e conservador", e a cantora conta que recebeu apoio principalmente da mãe, da irmã, e da avó, a qual usou um argumento judaico para convencê-la de que ela poderia ser o que quisesse, tomando o profeta Samuel como exemplo: "Deus não quer saber o que você veste ou o batom que você usa, quer saber do seu caráter, ela me disse".[3]

Assucena nem sempre teve uma relação fácil com o judaísmo, com o qual rompeu na juventude. O seu reencontro com a religião se deu em São Paulo, e teve influência da música, particularmente do seu contato com o repertório sefardita da cantora Fortuna. Acolhida pela comunidade judaica paulistana, em 2020 ela integrava a comissão LGBTQ+ da Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo) e colaborava com o IBI (Instituto Brasil-Israel). Assucena via sua atuação institucional como uma forma de combater o que considerava um discurso mal informado e uma "crença preguiçosa", de que a comunidade judaica apoiava Jair Bolsonaro.[3]

Carreira artística

Musical

Assucena iniciou sua carreira musical em 2011, enquanto estudava na USP. Com os amigos Raquel Virgínia e Rafael Acerbi, formou a banda universitária Preto por Preto (posteriormente As Bahias e a Cozinha Mineira, e As Baías), com os quais gravou quatro álbuns ("Mulher", 2015; "Bixa", 2017; "Tarântula", 2019 e "Enquanto estamos distantes", 2020).[3] Em 2021, ela deixou o grupo para seguir carreira solo.[2]

Também em 2021, de volta à Bahia, apresentou o show "Rio e também posso chorar – Fatal 50", uma homenagem aos 50 anos do álbum "Fa-tal – Gal a Todo o Vapor" (1971), de Gal Costa.[8] Em 2022, lançou seu primeiro single autoral, "Partido alto", e realizou o show "Minha voz e eu", acompanhada de Rafael Acerbi no violão, com repertório de Elis Regina e Gal Costa.[2]

Em 2023, levou o show "Rio e também posso chorar – Um tributo a Gal Costa" para o Rio de Janeiro, e lançou seu primeiro álbum solo, "Lusco-Fusco", com dez faixas autorais, incluindo os singles "Menino da pele cor de jambo", "Nu" e "A última quem sabe".[2][4]

Artes cênicas

Em 2022, Assucena interpretou Medeia na peça "Mata teu pai, ópera-balada", adaptação da obra clássica de Eurípedes. Por sua interpretação, foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro, na categoria Melhor Atriz.[2]

Discografia

Filmografia

Cinema

Ano Título Personagem Ref.
2018 Bixa Travesty Ela mesma [9]

Prêmios e indicações

Grammy Latino 2019
Categoria Indicação Resultado
Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa Tarântula (com As Bahias e a Cozinha Mineira) Indicada[10]
Grammy Latino 2020
Categoria Indicação Resultado
Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa EP Enquanto estamos distantes (com As Baías) Indicada[11]
Prêmio Shell 2022
Categoria Indicação Resultado
Melhor atriz Medea (em Mata Teu Pai — Ópera Balada) Indicada[12]

Referências

  1. ↑ Chico Pinheiro Entrevista Assucena. dur: 51.44. YouTube. 27 de outubro de 2025. No minuto 28:43. Consultado em 28 de outubro de 2025
  2. 1 2 3 4 5 Coelho, Renato (25 de julho de 2025). «Assucena: uma obra de coragem, talento e respeito aos mestres da música brasileira». Jornal da Unesp. Consultado em 27 de outubro de 2025
  3. 1 2 3 4 5 Capelhuchnik, Laura (26 de junho de 2020). «Navegar além da dor». Gama Revista. Consultado em 27 de outubro de 2025
  4. 1 2 3 Ramos, Carolina (28 de setembro de 2023). «Assucena lança o álbum solo 'Lusco-fusco' e se diz 'filha de Gal Costa'». Estado de Minas. Consultado em 27 de outubro de 2025
  5. ↑ «Assucena». Vogue Brasil. Consultado em 27 de outubro de 2025
  6. ↑ Godoy, Omar (27 de agosto de 2025). «Marcia Tiburi e ex-paquita comandam talk show patrocinado por banqueiro de esquerda». Gazeta do Povo. Consultado em 27 de outubro de 2025
  7. ↑ Kas, Ligia (18 de novembro de 2022). «Assucena dá o pontapé para sua carreira solo». Harper's Bazaar Brasil. Consultado em 27 de outubro de 2025
  8. ↑ Correa, Ademir (5 de abril de 2024). «A festa de quem nunca viu Assucena». Rolling Stone. Consultado em 27 de outubro de 2025
  9. ↑ Kazbek, Katya (2 de julho de 2020). «Trans Body as a Weapon: The Personal and the Political In Gender Insurgency—'Bixa Travesty/Tranny Fag', dir. Claudia Priscilla & Kiko Goifman, 2018». Supamodu (em inglês). Consultado em 28 de outubro de 2025
  10. ↑ Tolipan, Heloisa (9 de outubro de 2019). «Com As Bahias e a Cozinha Mineira, Mahmundi e Liniker, Grammy Latino mostra a força da arte ativista». Consultado em 28 de outubro de 2025
  11. ↑ «Pabllo Vittar e As Baías são indicados ao Grammy Latino de 2020». Melina Tavares Comunicação. Consultado em 28 de outubro de 2025
  12. ↑ «Pela primeira vez, Prêmio Shell tem artistas trans entre finalistas». Diadorim. 2 de fevereiro de 2023. Consultado em 28 de outubro de 2025

Ligações externas