Bandurria

A bandurria é um instrumento musical de cordas dedilhadas que ocupa um lugar central na organologia ibérica, distinguindo-se pelo seu timbre agudo e brilhante que lhe confere um papel de destaque em agrupamentos tradicionais espanhóis, como as Tunas e as Rondallas. Geneticamente inserida na família do alaúde, a bandurria moderna caracteriza-se por um corpo de madeira pequeno e em forma de pera, com um fundo plano que evoluiu a partir de modelos anteriores de fundo abaulado. A sua configuração contemporânea mais comum apresenta doze cordas metálicas organizadas em seis ordens duplas, afinadas em uníssono e separadas por intervalos de quartas justas, uma disposição que facilita a execução melódica rápida e a agilidade nos dedos através de um dedilhado uniforme ao longo do braço. Tradicionalmente, o instrumento é tocado com um plectro ou palheta curta e dura, recorrendo frequentemente à técnica do trémolo para sustentar notas e conferir à música uma sonoridade vibrante e ressonante que é a marca registada do folclore espanhol e filipino.[1][2][3][4][5][6][7]
As raízes históricas da bandurria remontam à Idade Média, com teorias que sugerem a sua descendência da pandura romana ou de influências orientais que entraram na Península Ibérica. Originalmente, o instrumento possuía apenas três cordas, número que se expandiu para quatro durante o Renascimento e para cinco ordens duplas (totalizando dez cordas) durante o Período Barroco, antes de consolidar as atuais seis ordens no século XVIII. Ao longo desta evolução, a bandurria deixou de ser apenas um instrumento rústico para se tornar uma peça fundamental em orquestras de pulso y púa, onde partilha frequentemente o palco com o alaúde espanhol e a guitarra clássica. A menção mais célebre do seu nome antigo, «mandurria», encontra-se no Libro de Buen Amor de Juan Ruiz no século XIV, evidenciando a sua longa presença na cultura literária e musical espanhola.
Com a expansão colonial espanhola, a bandurria viajou para além da Europa, estabelecendo raízes profundas na América Latina e no Sudeste Asiático, onde sofreu adaptações locais significativas. Nas Filipinas, o instrumento evoluiu para a bandurya filipina, que normalmente possui catorze cordas agrupadas em seis ordens e uma afinação ligeiramente diferente da versão espanhola, servindo como a «voz» principal nas orquestras de rondalla locais. Na América do Sul, a bandurria influenciou a criação de instrumentos derivados, como a bandola, mantendo-se presente em géneros tradicionais em países como o Peru. Esta dispersão geográfica sublinha a versatilidade do instrumento, que consegue adaptar o seu timbre incisivo tanto a peças eruditas adaptadas de compositores clássicos como a serenatas populares e festividades académicas.
Referências
- ↑ Bordas, Cristina (1993). Bandurria, cítola y “laúdes españoles”. Madrid: Alianza.
- ↑ Cervantes, Biblioteca Virtual Miguel de. «El Libro de Buen Amor». Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes (em espanhol). Consultado em 11 de abril de 2026
- ↑ «[Declaración de instrumentos musicales] | Biblioteca Nacional de España». www.bne.es (em espanhol). Consultado em 11 de abril de 2026
- ↑ global.oup.com https://global.oup.com/academic/product/the-classical-mandolin-9780195173376. Consultado em 11 de abril de 2026 Em falta ou vazio
|título=(ajuda) - ↑ «Documentos - Associação Gaita de Foles». www.gaitadefoles.net. Consultado em 11 de abril de 2026
- ↑ Reglas y advertencias generales que ensenan el modo de taner todos los instrumentos mejores, y mas usuales como son la guitarra, triple, vandola, cythara, clavicordio, organo, harpa, psalterio, bandurria, violin, flauta traversera, flauta dulce, y la flautilla, con varios tanidos, danzas, contradanzas, y otras cosas semejantes, demonstradas y figuradas en diferentes laminas finas, por musica, y cifra, el estilo castellano, italiano, catalan y frances, para que qualquier aficionado las pueda comprehende con mucha facilidad y sin maestro: con una breve explicacion de como el autor los aprendio, que esta al bolver de esta hoja. [S.l.: s.n.] 1754. Consultado em 11 de abril de 2026
- ↑ Santos, Ramon P. (2004). La Musique Traditionnelle aux Philippines.