Baquenconsu
Baquenconsu
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![]() Estátua-bloco de Bakenkhonsu em Munique | |||||||
| Morte | Sepultado na tumba TT35 em Tebas | ||||||
| Cônjuge | Meretseger | ||||||
| Filho(a)(s) | Paser, Amenmesse e Nefertari | ||||||
| Cargo | Sumo Sacerdote de Amon Período: XIX Dinastia Monarca: Ramsés II Sucessor: Roma chamado Roy | ||||||
Baquenconsu ("Servo de Cónsu") foi um Sumo Sacerdote de Amon no Antigo Egito durante o reinado do Faraó Ramsés II.[3] Informações sobre a sua vida foram encontradas nas costas da sua estátua-bloco (que se encontra atualmente em Munique). As informações na estátua fornecem detalhes sobre a educação dos jovens nobres egípcios daquela época e sobre a carreira dos sacerdotes.
Bakenkhonsu recebeu o seu nome em homenagem ao deus Cónsu (escrito com o hieróglifo da peneira e do tecido dobrado), o viajante, um deus lunar do Antigo Egito e filho de Amon.
Vida
De acordo com as informações inscritas na sua estátua, Bakenkhonsu era filho de Ipui, um sacerdote de Amon (outras fontes sugerem que ele era filho de Roma, cuja esposa também se chamava Roma).[4] Os seus dois irmãos mais novos eram Roma-Roi e Ipui. Passou quatro anos na escola, começando aos quatro anos de idade, como era costume na época. Trabalhou então nos estábulos do Faraó Seti I durante onze anos. Lá ele aprendeu a atirar com arco e a conduzir um carro. É possível que também tenha servido no exército do Faraó.
A carreira de Bakenkhonsu como sacerdote começou quando ele se juntou ao sacerdócio de Amon em Tebas, onde o seu pai já servia como sacerdote (Ipui mais tarde tornou-se Segundo Profeta de Amon). Bakenkhonsu serviu como um sacerdote-wab (a patente sacerdotal mais baixa) durante quatro anos. Foi então promovido ao posto de profeta e, doze anos depois, já era o Terceiro Profeta de Amon, o terceiro sacerdote de mais alta patente no sacerdócio mais poderoso daquela era. Mais tarde, foi promovido a segundo, e depois a primeiro profeta ou sumo sacerdote, posição que ocupou durante vinte e sete anos. Morreu no último ano de reinado de Ramsés II, aos noventa anos de idade, e foi sucedido como Sumo Sacerdote pelo seu irmão Roma-Roi.
Bakenkhonsu foi responsável por vários projetos de construção para o Faraó, incluindo o templo oriental no complexo do Templo de Carnaque.
Bakenkhonsu foi casado com Meretseger, que detinha o título de Chefe do Harém de Amon.[5] Dois dos seus filhos, Paser e Amenmesse, tornaram-se governadores de Tebas. A filha deles, Nefertari, casou-se com Tjanefer, o Terceiro Profeta de Amon, e três dos seus filhos e um neto tornaram-se sacerdotes de alta patente (quarto, terceiro ou segundo profetas de Amon). A família está relacionada a outra importante família de sacerdotes que incluía Ramessesnakht, que foi Sumo Sacerdote de Amon durante a XX dinastia, visto que o filho de Nefertari, Amenemopet, casou-se com a filha de Ramessesnakht, Tamerit/Aatmerit.
Textos autobiográficos
Bakenkhonsu deixou inscrições autobiográficas em estátuas de Carnaque, uma das quais se encontra atualmente num museu em Munique.[6]
Bakenkhonsu descreve a sua vida da seguinte forma:
- Passei 4 anos como um jovem promissor
- Passei 11 anos como jovem, quando era um Mestre dos Estábulos estagiário do Rei Menmare
- Fui um sacerdote-wab de Amon durante 4 anos
- Fui um Pai Divino de Amon durante 12 anos
- Fui um Terceiro Profeta de Amon durante 15 anos
- Fui um Segundo Profeta de Amon durante 12 anos
- Ele demonstrou-me favor, pois reconheceu o valor do meu caráter. Ele nomeou-me Sumo Sacerdote de Amon durante 27 anos (já).[7]
Noutra estátua – do Cairo (CGC 42155) – Bakenkhonsu menciona que veio de Tebas e que os seus pais também eram tebanos. Ele passou alguns anos na escola de escribas no Templo da Senhora dos Céus, e foi ensinado a ser um sacerdote-wab pelo seu próprio pai na Casa de Amon.
Sepultamento
Bakenkhonsu foi sepultado na TT35 em Tebas. No corredor há várias representações de Bakenkhonsu e da sua esposa Meretseger. Um nicho contém estátuas sentadas de Bakenkhonsu e da sua esposa. A tumba também tinha uma pirâmide associada a ela.
O sarcófago de Bakenkhonsu encontra-se atualmente no World Museum de Liverpool (M13864). Outros achados do túmulo incluem uma paleta de escriba de madeira na forma de um vaso hes, que agora se encontra no Louvre (N 3018), e uma estátua-bloco, que se encontra agora na Coleção Estatal de Arte Egípcia de Munique.[4] A estátua-bloco[3] está inscrita com quatro colunas verticais de hieróglifos egípcios relatando a sua história de vida. O plinto da estátua-bloco também está gravado com hieróglifos.
O seu nome Alma (de) Cónsu, Alma do Viajante pode relacionar-se com o título dado na sua estátua-bloco:[8] Vitória Eterna para a Alma, usando o ramo (hieróglifo) para 'vitória', n-khet; Eterna, h-Ra-h, (o hieróglifo do pavio), estando num bloco hieroglífico para 'Eternidade', e a 'Alma', noutro bloco para: "para a alma de", ou "para o espírito de", resultando em: Vitória Eterna para a Alma.
Ver também
Referências
- ↑ Freed, 1987. Ramses II; The Great Pharaoh And His Time, (2ª impressão: uma exposição na cidade de Denver), Rita E. Freed, c 1987, Denver Museum of Natural History, Catálogo da Exposição, 235 pp, c/ Índice, Índice Analítico, 3 Partes-(mais 3 subcapítulos); foto de página inteira da estátua-bloco de Bakenkhonsu com o seu nome. p. 82. O último hieróglifo (o determinativo, em dois lugares), é o reverenciado "homem" de autoridade numa cadeira, segurando um mangual de dignidade e poder.
- ↑ Hermann Ranke: Die ägyptische Persönennamen. Verlag von J. J. Augustin in Glückstadt, 1935, p.91
- 1 2 Dodson, Aidan (2001). The Hieroglyphs of Ancient Egypt. New York: Barnes & Noble. Capa dura: ISBN 978-0-7607-2664-8, p. 30.
- 1 2 Moss, Rosalind; Porter, Bertha (2004). «Part 1: The Theban Necropolis. Private Tombs». In: Malek, Jaromir. Topographical Bibliography of Ancient Egyptian Hieroglyphic Texts, Reliefs, and Paintings. I 2ª ed. [S.l.]: Griffith Institute. ISBN 0-900416-81-5
- ↑ Jansen-Winkeln, K. (1993). «The Career of the Egyptian High Priest Bakenkhons» (PDF). Journal of Near Eastern Studies. 52 (3): 221–225. doi:10.1086/373624
- ↑ Frood, Elizabeth (2007). Biographical Texts from Ramessid Egypt. [S.l.]: Society of Biblical Lit. ISBN 978-1-58983-210-7
- ↑ Kitchen, K. A. (1996). Ramesside Inscriptions, Translated & Annotated, Translations. III. [S.l.]: Blackwell Publishers
- ↑ Freed, 1987, p. 82.
Ligações externas
- Sarcófago de Bakenkhonsu; 22.0 dm (2,20 m)
