Boris Tabacof

Boris Tabacof
Chefe da Casa Civil da Bahia
Período11 de abril de 1966 até
15 de março de 1971
GovernadoresLomanto Júnior (1966-1967)
Luís Viana Filho (1967-1971)
Antecessor(a)Cargo Criado
Secretário Estadual da Fazenda da Bahia
Períodoaté 15 de março de 1971
GovernadoresLomanto Júnior (1966-1967)
Luís Viana Filho (1967-1971)
Dados pessoais
Nome completoBoris Tabacof
Nascimento28 de julho de 1929
Salvador, Bahia, Brasil
Morte15 de junho de 2021 (91 anos)
Nacionalidadebrasileiro
PartidoPCB (1946-1956)

Boris Tabacof (Salvador, 28 de julho de 1929 - 15 de junho de 2021), foi um empresário e engenheiro brasileiro que foi preso durante o governo de Getúlio Vargas devido o seu envolvimento com o comunismo no Brasil.[1][2]

Militância e prisão

Nascido na Bahia, filho de judeus imigrantes russos, Tabacof estava cursando o primeiro ano de engenharia na Escola Politécnica da Bahia quando iniciou sua militância ainda jovem, aos 16 anos, no Partido Comunista do Brasil (PCB), em seu próprio estado, tornando-se dirigente do Comitê Estadual do partido.[3] Ele apoiava um grupo de militares comunistas e nacionalistas que atuavam dentro das Forças Armadas. Devido ao seu envolvimento, foi preso em 20 de outubro de 1952 enquanto estava num ônibus, junto de outro civil e mais 28 militares, todos presos, e foi confinado no Forte do Barbalho, em Salvador, permanecendo preso por 400 dias, até o final de 1953, quando um habeas corpus permitiu que respondesse pelo processo em liberdade.[3] Durante sua prisão foi torturado e privado de sono sob ameaça de uma baioneta.[4][5] Saiu do PCB em 1956, após as revelações dos crimes cometidos por Josef Stalin.[4][6]

Tabacof tornou pública a sua prisão e a tortura sofrida somente em novembro de 2013, quando fez seu depoimento para a Comissão Nacional da Verdade (CNV), sendo o primeiro caso registrado pela comissão em período ocorrido fora da Ditadura Militar.[4]

Vida após prisão

Foi Chefe da Casa Civil e secretário da Fazenda da Bahia, nos governos de Lomanto Júnior e Luiz Viana Filho, entre 1966 e 1971. Foi professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Católica de Salvador. No início dos anos 1970 foi contratado pelo Banco Safra, sendo responsável pela expansão e consolidação do banco no mercado financeiro. Em 1975 passou a trabalhar para empresas do Grupo Suzano.[1] Presidiu o Banco do Estado de São Paulo (Banespa) entre 1988 e 1989,[4] e logo após retornou ao Grupo Suzano, onde presidiu o Conselho de Administração da empresa.[1]

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 «BORIS TABACOF». CPDOC FGV. Consultado em 29 de novembro de 2019
  2. ↑ «Morre, aos 92 anos, Boris Tabacof, que teve uma longa ligação com Grupo Suzano». Valor Econômico. Consultado em 29 de junho de 2021
  3. 1 2 «Após 60 anos de silêncio, empresário revela prisão e tortura sofrida no governo Vargas». Jusbrasil. Consultado em 29 de novembro de 2019
  4. 1 2 3 4 «Empresario relata tortura sob Vargas à Comissão da Verdade». Estado de S. Paulo. Consultado em 29 de novembro de 2019
  5. ↑ «Empresário Boris Tabacof sofria tortura na era Vargas». Correio Braziliense. Consultado em 29 de novembro de 2019
  6. ↑ «Após 60 anos de silêncio, empresário revela à Comissão da Verdade prisão e tortura sofrida no governo Vargas - CNV - Comissão Nacional da Verdade». cnv.memoriasreveladas.gov.br. Consultado em 21 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 19 de abril de 2024