Bujarda
A bujarda (do francês boucharde) é uma ferramenta de percussão fundamental no ofício da cantaria e na construção civil, utilizada especificamente para o tratamento e acabamento de superfícies pétreas ou de betão.[1][2][3][4][5][6]
Descrição e morfologia
Tradicionalmente, a bujarda assemelha-se a um martelo ou maço metálico pesado com duas cabeças quadradas. A sua característica distintiva reside nas faces de impacto, que são revestidas por dentes piramidais em bico, conhecidos como "pontas de diamante". Estes dentes, geralmente feitos de aço ou metal duro, são responsáveis por picar a pedra uniformemente.
Existem diversas variantes da ferramenta, adaptadas ao nível de detalhe pretendido:
- Bujarda Manual: Utilizada diretamente pelo mestre canteiro para acabamentos precisos e artesanais.
- Bujardas Permutáveis: Modelos onde as placas dentadas podem ser substituídas de acordo com o desgaste ou a granulometria desejada.
- Bujarda de Máquina: Acessórios acoplados a martelos pneumáticos ou máquinas industriais, permitindo a execução do acabamento em grandes áreas de forma rápida.
O processo de bujardagem
A técnica, denominada bujardagem, consiste em golpear a face da pedra repetidamente para criar uma textura rugosa e granulada. Este processo cumpre três funções principais:
- Uniformização: Regulariza a superfície de blocos de pedra brutos (silhares), eliminando as marcas deixadas por ferramentas de corte mais grosseiras.
- Estética: Confere um aspeto rústico e fosco à pedra (mármore, granito ou calcário), sendo muito comum em fachadas de edifícios, monumentos e mobiliário urbano.
- Segurança: Ao tornar a superfície rugosa, a bujardagem aumenta a aderência, sendo essencial para pavimentos exteriores e escadarias para evitar que se tornem escorregadios quando molhados.
Importância na arquitetura
Na história da construção, a bujarda permitiu elevar a qualidade estética das obras de cantaria. Enquanto a alvenaria comum era frequentemente rebocada, a pedra bujardada era deixada à vista como sinal de riqueza e durabilidade. Atualmente, embora a mecanização tenha facilitado o trabalho, o uso da bujarda manual continua a ser uma marca de mestria artesanal na restauração de património histórico.
Referências
- ↑ https://backend.museusemonumentos.pt/uploads/Normas_de_inventario_para_escultura_Artes_Plasticas_e_Artes_Decorativas_23df8bc1b5.pdf
- ↑ https://satae.pt/wp-content/uploads/2022/04/Diversos_Trabalhos_Fasc-30.pdf
- ↑ https://www.ordemdosengenheiros.pt/fotos/editor2/especializacoes/02_000129162.pdf
- ↑ https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/60255/1/000077238.pdf
- ↑ https://fenix.tecnico.ulisboa.pt/downloadFile/1970719973967341/Dissertacao_Andre_Jardim_revisto.pdf
- ↑ https://run.unl.pt/bitstreams/d6169757-c119-4edd-bd49-7a20a24b736c/download