Caninha

Caninha
Nome completoJosé Luiz de Morais
Nascimento6 de julho de 1883
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Morte16 de junho de 1961 (77 anos)
Rio de Janeiro, GB, Brasil
Nacionalidadebrasileiro
Gênero(s)Samba, maxixe
OcupaçãoCompositor e cantor
Instrumento(s)Cavaquinho, voz
Período em atividade1900–1954
Afiliação(ões)Donga, Pixinguinha, Sinhô, João da Baiana

José Luiz de Morais, mais conhecido pelo pseudônimo Caninha (Rio de Janeiro, 6 de julho de 1883 — Rio de Janeiro, 16 de junho de 1961), foi um compositor e cantor brasileiro. É reconhecido historicamente como um dos pioneiros da primeira geração de compositores do samba e do maxixe urbano carioca.

Biografia

Nascido no bairro de Jacarepaguá, Caninha era filho de um carpinteiro e, ainda na infância, mudou-se para a região da Cidade Nova. Órfão aos oito anos de idade, passou a viver com uma prima de seu pai, de onde fugiu aos 12 anos. Para se sustentar, trabalhou numa padaria no Méier e, posteriormente, atuou como vendedor de roletes de cana-de-açúcar na estação da Central do Brasil, ofício que lhe rendeu inicialmente o apelido de "Caninha Doce" e, mais tarde, apenas "Caninha".[1]

Na juventude, inseriu-se na sociabilidade negra carioca, frequentando as residências das "tias baianas" da Cidade Nova, incluindo a casa de Tia Ciata. Estudou cavaquinho com o músico Adolfo Freire e atuou ativamente nos antigos ranchos carnavalescos. Ajudou a fundar o rancho Dois de Ouro, no bairro da Saúde, e integrou agremiações pioneiras como Balão de Rosa, Rosa Branca, União dos Amores e Reinado das Fadas, além de atuar como diretor de canto no Recreio das Flores.[1][2]

O seu primeiro grande êxito popular ocorreu na Festa da Penha de 1918, quando compôs e lançou o maxixe "Gripe Espanhola". A obra foi criada no contexto da pandemia homônima que assolava o Rio de Janeiro na época. Nos anos seguintes, consolidou o seu prestígio no mercado musical com composições como "Ninguém Escapa do Feitiço", "Quem Vem Atrás Feche a Porta" (1920) e "Até Parece Coisa Feita".[1]

Durante a década de 1920, protagonizou uma notória rivalidade musical com o compositor Sinhô (José Barbosa da Silva) pela disputa do título de "Rei do Samba" na imprensa e nas rodas boêmias. Em 1933, em parceria com Visconde de Picohyba, compôs o samba "É Batucada", com o qual venceu o Primeiro Concurso de Sambas e Marchas, instituído pela Prefeitura do Rio de Janeiro. O seu repertório foi registrado fonograficamente por intérpretes de grande popularidade, como Francisco Alves, Mário Reis e Moreira da Silva.[1]

Paralelamente à música, Caninha ingressou no serviço público como operário de carpintaria na Alfândega do Rio de Janeiro. Posteriormente, trabalhou na Recebedoria do Distrito Federal, aposentando-se em 1945. Casou-se em 1942 com Edméia Franco, não deixando descendentes.[1]

Após anos afastado do cenário musical, fez uma de suas últimas aparições públicas de destaque em 1954, quando integrou o Festival da Velha Guarda, espetáculo histórico organizado pelo radialista Almirante, que reuniu pioneiros do samba como Pixinguinha, Donga e João da Baiana.[1]

Caninha faleceu em sua residência, no bairro de Olaria, às vésperas de completar 78 anos de idade. Ironicamente, a prefeitura carioca já havia batizado uma rua com o seu nome anos antes, presumindo equivocadamente que o compositor já estivesse falecido.[1]

Obras de destaque

  • "Apanhando o Papel"
  • "Até Parece Coisa Feita"
  • "É Batucada" (com Visconde de Picohyba)
  • "Essa Nega Que Me Dá"
  • "Gripe Espanhola"
  • "Me Sinto Mal"
  • "Ninguém Escapa do Feitiço"
  • "O Kaiser em Fuga"
  • "Que Vizinha Danada"
  • "Quem Vem Atrás Feche a Porta"

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 «Caninha - Biografia». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 3 de março de 2026
  2. ↑ «Caninha (José Luiz de Morais)». Discografia Brasileira - Discos do Brasil. Consultado em 3 de março de 2026