Canisca III

 Nota: Para outros significados, veja Canisca.
Canisca III
Canisca segundo seu dinar
Rei do Império Cuchana
Reinado265-270
Antecessor(a)Vasisca
Sucessor(a)Vasudeva II
Dados pessoais
Morte270

Canisca III (em bactriano: Kanēške; em brami: Kā-ṇi-ṣka; em sânscrito: कनिष्क; m. 270) foi um rei (basileu) do Império Cuchana de 265 a 270, em sucessão de Vasisca (r. 245–265). Foi sucedido por Vasudeva II.[1] Governou em áreas no noroeste da Índia.[2]

Inscrições

Numa inscrição datada do "Ano 41" (provavelmente do segundo século da era de Canisca) e descoberta nas margens do rio Ara, no Punjabe, ele se intitula Maharaja rajadhiraja Devaputra Kaisara Kanishka ("grão-rei, rei de reis, filho de Deus, César, Canisca"), o que sugere algum conhecimento do Império Romano, já que Kaisara parece representar "César"; além disso, declara-se filho de Vajesca, identificado com o governante cuchana Vasisca.[3][4] A inscrição, porém, encontra-se bastante desgastada, e a leitura Kaisara tem sido contestada, sobretudo porque nenhuma outra menção desse título é conhecida em fontes cuchanas.[5]

Inscrição de Ara do Ano 41
Estampagem da inscrição. A escrita em caroste lê-se da direita para a esquerda.
Transliteração e tradução inglesa.[6]
O trecho muito danificado correspondente a "César" e sua leitura proposta
A inscrição de Ara de Canisca III, em escrita caroste, empregando o título Maharaja Rajatiraja Devaputra Kaisara Kanishka ("grão-rei, rei de reis, filho de Deus, César, Canisca").[6]

Cunhagem

Inicialmente acreditava-se que não existiam moedas seguramente atribuíveis a ele, uma vez que o nome "Canisca" presente nas moedas não era diferenciado. Apenas a execução artística e o estilo gráfico, em comparação com outros soberanos conhecidos, tendiam a sugerir a atribuição a este Canisca tardio.[7] Contudo, essa hipótese foi abalada pela descoberta de tesouros monetários no Tajiquistão, nos quais moedas de dele foram encontradas e identificadas em grande quantidade. Todos esses achados ao norte do Oxo parecem indicar que elas circularam efetivamente como moeda corrente durante certo período.[2]

Referências

  1. ↑ Rezakhani 2017a, p. 69.
  2. 1 2 Frye 1984, p. 344.
  3. ↑ Chopra et al. 2003, p. 134.
  4. ↑ Rezakhani 2017b, p. 203.
  5. ↑ Rosenfield 1967, p. 58.
  6. 1 2 Konow 1929, p. 163.
  7. ↑ Rosenfield 1967, p. 113.

Bibliografia

  • Chopra, P. N.; Puri, B. N.; Das, M. N.; Pradhan, A. C. (2003). A Comprehensive History of Ancient India. Nova Déli: Sterling Publishers Private Limited 
  • Frye, Richard Nelson (1984). The history of ancient Iran. Munique: C.H. Beck. ISBN 978-3-406-09397-5 
  • Konow, Sten (1929). Kharoshṭhī Inscriptions with the Exception of Those of Aśoka. Corpus Inscriptionum Indicarum. II, Parte I. Calcutá: Governo da Índia, Ramo Central de Publicação 
  • Rezakhani, Khodadad (2017a). ReOrienting the Sasanians: East Iran in Late Antiquity. Edimburgo: Imprensa da Universidade de Edimburgo 
  • Rezakhani, Khodadad (2017b). «From the Kushans to the Western Turks». In: Daryaee, Touraj. King of the Seven Climes: A History of the Ancient Iranian World (3000 BCE - 651 CE). Irvine: Centro Jordan para Estudos Persas 
  • Rosenfield, John M. (1967). The Dynastic Arts of the Kushans. Santa Bárbara: University of California Press