Casa da Fazendinha

Fazendinha Dona Izabel
Apresentação
Fundação
Localização
Localização

A Fazendinha Dona Izabel, também conhecida como Casa da Fazendinha ou Casarão da Barragem Santa Lúcia, é uma construção histórica da cidade de Belo Horizonte, capital do estado brasileiro de Minas Gerais, localizada na Avenida Artur Bernardes.[1] Foi tombada como bem histórico no ano de 1992, a pedido da comunidade do Aglomerado Santa Lúcia[2][3], onde está localizada - fato inédito na história das políticas patrimoniais da cidade[4], à época. Após um processo de restauração de três anos promovido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, o imóvel foi reaberto ao público em 17 de dezembro de 2022 e passou a ser gerido pela Associação Cultural Casa do Beco.[5][6] Desde então, o antigo casarão passou a ser denominado Fazendinha Dona Izabel, em homenagem a Izabel Rocha de Magalhães, uma das matriarcas negras que o habitaram ao longo do século XX. No espaço, agora equipado com telecentros e salas multiuso, são desenvolvidas atividades artísticas, formativas e culturais diversas, tendo como público principal as moradoras e os moradores da comunidade.[5][6]

História

A Fazendinha Dona Izabel é uma das construções mais antigas de Belo Horizonte. O casarão foi construído nos primeiros anos do século XX (estimado entre 1900 e 1919)[7][6], e fazia parte da Colônia Agrícola Afonso Pena, em terras anteriormente pertencentes à antiga Fazenda do Capão, de propriedade de Ilídio Ferreira da Luz, desapropriada em 1894 pela CCNC para a construção da nova capital mineira.[5][6] A edificação, situada na região Centro-Sul de Belo Horizonte, foi ainda sede dos escritórios da Cerâmica Santa Maria, fechada após a desapropriação das terras para a construção da Barragem Santa Lúcia, ocorrida por volta de 1950. Em 1972, o casarão foi adquirido por Maria Izabel Rocha Magalhães e seu marido, família que se tornou a responsável por sua preservação nas décadas seguintes.[5]

O casarão foi tombado pelo Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Belo Horizonte devido a um processo de mobilização dos moradores do Aglomerado Santa Lúcia, que compunham a União Comunitária da Barragem Santa Lúcia.[8] Tais moradores tinham o desejo de que fosse construído no local um centro cultural com biblioteca e espaço para atividades formativas para os moradores do aglomerado.[9]

Casa da Fazendinha no aglomerado Santa Lúcia, 2013.

No dia 3 de outubro de 1992, estes moradores apresentaram ao Conselho do Patrimônio Histórico de Belo Horizonte um ofício solicitando o tombamento deste antigo casarão. Assim, em 22 de outubro de 1992, a até então conhecida como Casa da Fazendinha tornou-se patrimônio histórico de Belo Horizonte.[8]

Incêndio e promessas de revitalização

Em 2012 o Ministério Público de Minas Gerais recomendou que obras de contenção e restauração fossem realizadas diante de eminente risco de desabamento atestado por laudo da defesa civil.[10] Para isso seriam removidas as famílias que viviam no local.[11] O último morador do casarão, Orlando Josias Rodrigues Magalhães, que morreu no incêndio que deteriorou ainda mais o local, mudou-se com aluguel pago pela prefeitura. Mas Orlando voltou passados oito meses, com medo de perder a casa.[12]

Restauração e Reabertura

Após três anos de intensas obras de restauração promovidas pela Prefeitura de Belo Horizonte — com o envolvimento de diversos órgãos e secretarias —, a Casa da Fazendinha foi reinaugurada no dia 17 de dezembro de 2022,[13] data que integrou as comemorações dos 125 anos da capital mineira.[5][1] A cerimônia de entrega contou com a presença do prefeito Fuad Noman e foi marcada pela abertura da exposição "De Fazenda a Casarão: Trajetórias de Preservação", voltada para a história do imóvel, as lutas sociais e o seu processo de tombamento e revitalização.[5][6]

A gestão do novo espaço cultural comunitário foi atribuída à Associação Cultural Casa do Beco, liderada por Nil César, instituição com forte presença na região. O espaço foi requalificado para receber shows musicais, exposições, espetáculos, oficinas e cursos de formação profissional. Como parte dessa renovação, a Prodabel instalou no local duas salas equipadas com telecentros de última geração, sendo uma voltada para a inclusão digital de idosos e outra destinada à formação e profissionalização da juventude.[5][6] Segundo representantes da comunidade e agentes culturais envolvidos, o restauro e a reabertura do casarão simbolizam uma conquista decorrente de décadas de resistência pelo reconhecimento e pela valorização da história da comunidade da Barragem Santa Lúcia.[5]

Referências

  1. 1 2 «Exposição marca a reabertura da Casa da Fazendinha, na Barragem Santa Lúcia». O Tempo. 16 de dezembro de 2022. Consultado em 24 de maio de 2024
  2. ↑ Pereira, Josemeire Alves (2012). «O tombamento do &quote;Casarão da Barragem&quote; e as representações da favela em Belo Horizonte». Consultado em 3 de outubro de 2023
  3. ↑ Gomes, Juvenal Lima (2011). «As lutas das associações comunitárias do Aglomerado Santa Lúcia» (PDF). Dissertação (Mestrado em Sociologia). Coimbra (PT). 94 páginas. Consultado em 3 de outubro de 2023
  4. ↑ «Por que políticas de produção de memória histórica negligenciam favelas». Nexo Jornal. Consultado em 3 de outubro de 2023
  5. 1 2 3 4 5 6 7 8 Werneck, Gustavo (17 de dezembro de 2022). «BH: restaurada, Casa da Fazendinha é aberta com exposição». Estado de Minas. Consultado em 24 de maio de 2024
  6. 1 2 3 4 5 6 «Conheça a Casa da Fazendinha, considerada a mais antiga de Belo Horizonte». Estado de Minas. 5 de setembro de 2023. Consultado em 24 de maio de 2024
  7. ↑ BORSAGLI, Alessandro (2019). Arraial de Bello Horizonte: a ruralidade da nova capital de Minas. São Paulo: Clube de Autores. p. 89. ISBN 978-85-920509-8-6
  8. 1 2 Pereira, Josemeire Alves. «O tombamento do "Casarão da Barragem" e as representações da favela em Belo Horizonte». Consultado em 8 de fevereiro de 2022
  9. ↑ Cruz, Márcia (2009). Morro do Papagaio. Belo Horizonte: Conceito. OCLC 751872092
  10. ↑ TEMPO, O. (25 de abril de 2013). «Promotoria quer casa da Fazendinha restaurada». Cidades. Consultado em 8 de fevereiro de 2022
  11. ↑ TEMPO, O. (27 de abril de 2013). «Prefeitura de BH e Urbel são obrigadas a retirar famílias do aglomerado Santa Lúcia». Cidades. Consultado em 8 de fevereiro de 2022
  12. ↑ TEMPO, O. (25 de junho de 2016). «Casa mais antiga de BH sofre com o descaso e o abandono». Cidades. Consultado em 7 de fevereiro de 2022
  13. ↑ Após restauração, Casa da Fazendinha é reaberta com exposição, Prefeitura de Belo Horizonte, 14 de dezembro de 2022