Castelo de Pedras Altas

Castelo de Pedras Altas
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Estatuto patrimonial
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O castelo pode ser visto na bandeira de Pedras Altas.

O Castelo de Pedras Altas está localizado no município brasileiro de Pedras Altas, no estado do Rio Grande do Sul.

Castelo de Pedras Altas ou Castelo de Assis Brasil.

Erguido entre 1909 e 1913, em estilo medieval, o castelo foi construído pelo diplomata Joaquim Francisco de Assis Brasil, em homenagem a sua segunda esposa, Dona Lydia Pereira Felício de São Mamede, descendente da nobreza portuguesa e brasileira. Para que ela tivesse todo o conforto a qual estava acostumada na Europa.

Lydia Pereira Felício de São Mamede

Além do mais, Joaquim Francisco de Assis Brasil, desejaria atribuir nobreza a vida no campo e, transformar a sua granja em uma moderna propriedade, desempenhando importante papel na agropecuária gaúcha.

Foi o palco principal da assinatura do Pacto de Pedras Altas, assinado em 14 de dezembro de 1923. Este tratado encerrou a Revolução de 1923, pondo fim ao conflito armado entre ximangos e maragatos no Rio Grande do Sul. Com a conciliação, houve o fim das sucessivas reeleições para governador do estado, resultando no último mandato do então governador Borges de Medeiros, que ficou 25 anos consecutivos no poder.


Antes do castelo ficar pronto, foi construído ao seu lado um chalé, chamado de cottage, com estilo norte-americano e montado com madeiras vindas da Noruega; para que sua família residisse no período das obras. É considerado a primeira casa pré-fabricada do Rio Grande do Sul e permanece preservado e funcional até os dias atuais.[1]

Cottage

A fortaleza de pedra conta com 44 cômodos e 12 lareiras. Grande parte de seu mobiliário veio da Europa e Estados Unidos. O seu revestimento com pedras de granito rosa foi todo retirado da própria região de Pedras Altas. Assis Brasil implantou soluções de engenharia à frente de seu tempo no castelo:

  • Gestão de Recursos: Instalou uma cisterna elevada para aproveitar a água das chuvas.
  • Conforto Térmico e Energia: Criou um gasômetro próprio para iluminar a residência e utilizava carbureto para o aquecimento da água.
  • Higiene Pioneira: A residência contava com banheiros internos e a primeira suíte do país no meio rural, equipada com mobiliário originário da França, em uma época em que tais comodidades eram inexistentes nas fazendas brasileiras.[2]


Na entrada do castelo há um verso gravado na pedra de entrada, que resumia sua filosofia: “Bem-vindo à mansão que encerra / Dura lida e doce calma / O arado que educa a terra / O livro que amânha a alma”. Ou seja, para Assis Brasil, a vida no campo, além de nobre, deveria também conter um equilíbrio entre o trabalho braçal e a elevação intelectual.[3]


Na parte produtiva, ele estruturou aos arredores, uma granja-modelo com estrebarias e galpões modernos, além de uma leitaria dedicada à produção de queijos e manteigas. Assis Brasil não queria isolar o castelo no pampa gaúcho. Estrategicamente, procurou um local onde uma linha ferroviária passasse em frente ao castelo, facilitando o acesso de visitantes vindos de Bagé, Pelotas, Porto Alegre. Ou até mesmo de diversas partes do mundo, de navio, pelo Porto de Rio Grande[4]


A granja funcionava como um verdadeiro centro cultural, onde o próprio anfitrião recebia todos que lá chegassem. Muitos hóspedes ilustres registraram sua visita assinando num fragmento de couro pirogravado, que se encontra até hoje, no formato de um grande biombo, no hall de entrada do castelo. Assinaturas de Santos Dumont, Barão de Rio Branco, dentre vários outros.[5]

O paisagismo ao redor do castelo também fora todo estrategicamente pensado. Suas calçadas e alamedas, em estilo português, foram feitas pelo renomado artista Roberto Burle Marx, o mesmo que idealizou o famoso calçadão de copacabana. Burle Marx utilizou um mosaico com figuras geométricas. Além da figura de trevos, que homenageiam as filhas mulheres de Assis Brasil, há na entrada um trevo de quatro folhas para que, quem lá chegasse, trouxesse e levasse sorte.


Nos entornos, há uma vasta variedade de vegetação de espécies frutíferas ou ornamentais; introduzidas no país por Assis Brasil e, que compõem o cenário. Também no jardim, o nome “Lydia” está eternizado em homenagem à esposa.

O “coração” intelectual do castelo conta com um tesouro literário, sua biblioteca com cerca de 15 mil volumes, possui diversas obras raras e valiosas, assim como documentos históricos.


Esse acervo é considerado a maior biblioteca particular da América Latina, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo gaúcho, com obras além da língua portuguesa; mas também em latim, alemão, inglês, francês e até mesmo em árabe; além de 22 volumes completos da edição inaugural da maior enciclopédia do mundo, Diderot e d’Alenbert, de 1751. Cuja coleção completa só existem três no mundo.[6]

Também há um carro da marca “Ford”, da época de criação dos primeiros carros no mundo, presente do próprio idealizador, Henry Ford a Assis Brasil.

Por essas raridades e mais diversas outras, foi que, em 1999, Pedras Altas fora tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado e, posteriormente, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.[7]

Em outubro de 2009, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) decidiu arrecadar recursos para a restauração do prédio, estimada em 5,6 milhões de reais.

Diante da necessidade de urgentes reparos, ameaçando o acervo do castelo,[8]a família de Assis Brasil decidiu vende-lo em 2022.

Os novos proprietários- a família Segat- são agora os “guardiões” do castelo.

Luiz Carlos Segat, junto de sua esposa e filhos, mantém, em conjunto com parcerias público-privadas, um projeto para transformá-lo em um centro cultural no futuro.[9]

As visitações já se encontram abertas e podem ser agendadas na página das redes sociais do castelo. A restauração teve o início em 26 de agosto de 2023. Após a conclusão das intervenções, deve receber um Ecomuseu para valorizar o território, a paisagem cultural e a memória local.[8]

Ver também

Referências

  1. ↑ «O exemplo de Assis Brasil.». Site do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Consultado em 28 de Janeiro de 2026
  2. ↑ «O castelo de um visionário gaúcho». Site: Imagina Conteúdo. 22 de novembro de 2010. Consultado em 31 de março de 2025
  3. ↑ «Castelo no RS é monumento fundador do moderno agronegócio brasileiro.». Site de Notícias “Os Divergentes”. Consultado em 29 de Janeiro de 2026
  4. ↑ «O castelo de um visionário gaúcho». Site: Imagina Conteúdo. 22 de novembro de 2010. Consultado em 31 de março de 2025
  5. ↑ «Em visita ao Castelo de Pedras Altas, secretária destaca importância da preservação do patrimônio histórico.». Site da Secretaria do Estado do Rio Grande do Sul. Consultado em 28 de Janeiro de 2026
  6. ↑ «Bem tombado -Granja de Pedras Altas.». Site do Iphae-Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul. Consultado em 30 de Janeiro de 2026
  7. ↑ ​Lista de bens tombados e processos em andamento. IPHAN, 2018
  8. 1 2 «Cerimônia no sábado (26) marcou início das obras de restauro no Castelo de Pedras Altas». Portal do Estado do Rio Grande do Sul. 28 de agosto de 2023. Consultado em 28 de agosto de 2023
  9. ↑ Apoio da Farsul traz novo alento para recuperar o Castelo de Pedras Altas - Zero Hora

Ligações externas