Caverna de El Castillo

Caverna de El Castillo
Apresentação
Tipo
gruta com arte pré-histórica (d)
show cave
Parte de
Estatuto patrimonial
parte do Património Mundial (d) ()
Bem de Interesse Cultural ()
Website
Logotipo do Patrimônio Mundial Património mundial
Identificador
Localização
Localização
Coordenadas
Localização do monte El Castillo em Cantábria

A Caverna de El Castillo é uma caverna situada na comunidade de Cantábria, no Norte da Espanha. Contém um conjunto de arte rupestre das mais importantes de toda a arte do Paleolítico superior.

Situação

A caverna de El Castillo faz parte de um conjunto de grutas sitas no monte homônimo, perto da localidade de Puente Viesgo, cerca de 28 km da capital Santander.[1] O monte ergue-se sobre o vale do rio Pas, que flui nas suas proximidades, e no mesmo penedo montanhoso situam-se também as cavernas de La Pasiega, de Las Chimeneas e a de Las Monedas.

História

O rio Pas, perto de Puente Viesgo, ao fundo, o monte Castillo

A caverna de El Castillo foi a que primeiro se descobriu deste conjunto. Foi feito por Hermilio Alcalde del Río em 1903, que registrou a caverna minuciosamente e escavou nela; os resultados dos seus estudos, tanto aqui como em outros hipogeus, foram publicados em 1906 sob o título de "Pinturas y grabados de las cavernas de Santander: Altamira, Cavernalanas, Hornos de la Peña, Castillo" (Santander. Imprensa de Blanchard y Arce).

Nos anos posteriores, a elite dos pré-historiadores europeus estudou e escavou El Castillo, entre eles os padres Henri Breuil, Hugo Obermaier e Pierre Teilhard de Chardin, etc.

O conjunto de pesquisas efetuadas na caverna puseram de relevo sua utilização pelo homem pré-histórico desde finais do Paleolítico inferior até à Idade do Bronze.

As últimas cavernas do grupo foram descobertas ainda em 1953 (Las Chimeneas e La Pasiega).

No centro silueta do mamute de El Castillo

Arte rupestre

A caverna de El Castillo possui um dos melhores e ricos conjuntos de pinturas rupestres pré-históricas. As melhores pertencem ao período Magdaleniano do Paleolítico superior. Ao todo, para esta época, contabilizam-se 184 figuras identificadas como animais na sua maioria (com 1 antropomorfo e 2 máscaras) e 56 marcas de mãos e 52 signos. Entre os primeiros predominam as cervas (54), os cavalos (26) e os bisãos (24); há um mamute. Entre os signos chamam a atenção os símbolos quadrangulares e as figuras de pontos. Sua datação oscila entre 13500 a.C. e 11500 a.C.[2]

O estilo e disposição das figuras parietais evidenciam um grande paralelismo com a vizinha caverna de La Pasiega. O trabalho de determinadas peças evidencia paralelos com Altamira, no caso do denominado bisão bicromo, e as duas máscaras conhecidas mostram analogias de elaboração também com Altamira e com a caverna de La Garma.[3]

A figura mais famosa é o bisão vertical pintado aproveitando uma estalagmite, a qual forneceu o perfil do animal de um jeito natural, e que amostra, como em Altamira, a preocupação dos artistas do Paleolítico pela terceira dimensão. O fato de o artista usar uma superfície vertical indica que a independência da direção era um princípio básico da arte pré-histórica. O artista esculpiu em parte os cascos traseiros do animal e outras partes. A pintura, apenas um pouco de cor preta, só esboça algumas partes, de modo que, bem entendida, é uma obra mais escultórica que pictórica.[4]

Por outro lado, a abundância de representações de mãos humanas, na sua maioria mãos esquerdas, em negativo e em cor vermelha, tornam El Castillo numa caverna singular, com a qual podem ser comparadas apenas a caverna francesa de Gargas e a espanhola de Maltravieso (Estremadura). Formam o que Breuil denominou "friso das mãos".

Porém, as obras de acomodação efetuadas para as visitas turísticas, danificaram o estado originário do conjunto, tornando atualmente impossível recuperar a perspectiva que puderam ter os primitivos que a visitaram.

Bibliografia

  • GARCIA GUINEA, Miguel Ángel, Altamira y otras cuevas de Cantabria. Sílex. Madrid. 1979
  • GIEDEON, Sigfried, El presente eterno: los comienzos del arte: una aportación al tema de la constancia y el cambio. Alianza. Madrid. 1981, trad. espanhola do inglês The Eternal Present: The Beginnings of Art. 1958.

Referências

  1. ↑ em direção Sudoeste saindo desde a mesma para Burgos. A cidade mais próxima é Torrelavega
  2. ↑ cfr. GONZÁLEZ SANZ, César e CACHO TOCA, Roberto, El Castillo Cave, in www.muse.or.jp/spain/eng/cantabria/castillo/castillo_top.html
  3. ↑ GONZÁLEZ SANZ e CACHO TOCA, op. cit.
  4. ↑ GIEDEON, Sigfried, El presente eterno: los comienzos del arte. Alianza. Madrid. 1981, trad. espanhola do inglês, p. 592

Ver também

Ligações externas

  • GONZÁLEZ SANZ, César e Cacho Toca, Roberto, El Castillo Cave, in