Cervejaria Amazonense

Cervejaria Amazonense de Miranda Correa & Cia, também conhecida como Cervejaria Miranda Corrêa, foi uma cervejaria amazonense fundada pela família Miranda Corrêa,[1] marcando história sobre a primeira indústria do Amazonas.[2]
Funcionou até ser atingida pelos concorrentes e pelo desenvolvimento da capital amazonense, passando para a propriedade da Brahma em 1972.[1]
Histórico
Fábrica de Gelo Crystal
A Fábrica de Gelo Crystal foi fundada em 21 de fevereiro de 1905,[3] por meio da empresa Miranda Corrêa & Cia., com capital de 1.600 contos de réis.[4] A primeira fábrica de gelo no Amazonas[4][5] possuía capacidade de produzir 50 toneladas de gelo por dia. Com mais investimentos, teve sua capacidade ampliada para 100 toneladas por dia.[2]
O local da construção da fábrica escolhido era a orla do Rio Negro, para absorver a água para a fabricação do gelo.[2][3] O transporte do gelo era feito até a mercearia que ficava na região central da cidade, na Avenida Eduardo Ribeiro,[3] que nesse período, possuía comércios e hotéis luxuosos.[2]
Após a abertura da Cervejaria Paraense no início do século XX, o engenheiro Antonino Carlos de Miranda Corrêa propôs aos irmãos a oferta de fundarem uma fábrica em Manaus. Antonio viajou para a Alemanha para estudar o mercado cervejeiro, os produtos para a exportação e o maquinário utilizado na época.[1][2][5]
Com o comércio intensificado pela economia gomífera no final do século XIX, e o aumento do consumo da cerveja na cidade, a família planejou a construção de uma cervejaria em 1905, buscando expandir a Fábrica de Gelo Crystal.[3] Os irmãos tiveram que lidar com dificuldades políticas, já que as concorrentes de outros Estados não queriam dividir o mercado cervejeiro, principalmente a Cervejaria Paraense, que dificultou as aprovações necessárias para fundar a fábrica em Manaus.[2]
Cervejaria Miranda Corrêa
A Cervejaria Miranda Corrêa surgiu a partir de uma fábrica de gelo.[1][5] Antes da fundação da primeira fábrica de cerveja no Norte do país, a cerveja[4] era importada de outros estados brasileiros e países. Com a atividade extrativista em expansão no final do século, a família Miranda Corrêa foi para Manaus em busca de investimentos que aumentassem seu patrimônio financeiro. A família já possuía certos recursos financeiros, mas buscava investir em empreendimentos que somassem seu capital. Naturais de Belém, Pará, logo instalaram a sua residência no bairro Nossa Senhora Aparecida,[1] na Zona Sul da capital amazonense.[2]
As construções iniciaram-se em fevereiro de 1910,[1] já em 12 de outubro de 1912, foi realizada a inauguração oficial da fábrica, marcando história sobre a primeira indústria do Amazonas, por meio do extrativismo econômico da borracha. O projeto da construção foi realizado na França.[2]
O primeiro produto da cervejaria se baseava na Escola Alemã, levando como ingredientes água, lúpulo e cevada. Para a criação de variações da cerveja, a indústria adicionou o modo de fabricação das demais escolas, sendo elas a Escola Britânica e Franco-belga. A água utilizada na fabricação era extraída do Rio Negro, por esse motivo o edifício necessitava estar o mais próximo do rio. A extração e o processo de purificação da água eram realizados na própria cervejaria. A purificação da água era considerada na época “de ótima qualidade”, pois não encontrava-se nenhum vestígio de insalubridade. De acordo com a análise de Carlos Chagas, o sabor da água era doce, possuindo um gosto “magnífico”, trazendo uma singularidade para a cerveja.[2]
As cervejas engarrafadas possuíam um público na cidade e municípios próximos e, em poucos anos, passaram a fornecer em outros Estados e internacionalmente, transportando para a Europa, por meio de navios a vapor. A fábrica possuía inicialmente quatro rótulos. A mais popular na cidade era a X.P.T.O.,[1] mas também ofereciam a Cerveja Amazonense, Cerveja Sublime e a Cereja Yankee, essa última lançada após a Primeira Guerra Mundial.[2]
Em 1967, a direção da fábrica passou a J. Macedo, que em 1970 adquiriu o controle da cervejaria,[3][6] encerrando sua produção, continuando, porém, com a produção de gelo.[1][2][3][7] Dois anos depois foi adquirida pela Brahma.[3][6][7] Com a fusão entre Brahma e Antarctica, e a posterior aquisição das instalações pela Heineken em 2010, a fábrica produziu as cervejas Brahma, Bavaria e Kaiser.[1][8] Em 2017, a antiga fábrica pegou fogo.[9]
De acordo com a obra ‘Miranda Corrêa – Histórias e Memórias’, publicado em 1996 pelo historiador Abrahim Baze, a fabricação da cerveja levava como base a cevada e lúpulo. Como matéria prima utilizavam produtos açucarados (para criar-se o teor em álcool), amido (de milho), lúpulo, fermento, ácido carbônico (para criar o gás) e água purificada.[2]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 «Cervejaria Amazonense de Miranda Correa & Cia». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 30 de abril de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 «Conheça a história da Cervejaria Amazonense, o "castelo abandonado" à beira do rio em Manaus». Portal Amazônia. 13 de fevereiro de 2022. Consultado em 30 de abril de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 «Descubra, com o nosso historiador Marcelo Freitas, a fascinante história por trás deste edifício icônico!». Arquivo Público do Estado do Amazonas (APEAM). 28 de novembro de 2024. Consultado em 30 de abril de 2026 – via Instagram
- 1 2 3 «Miranda Corrêa: uma história que marcou época». Academia Amazonense de Letras. 9 de abril de 2025. Consultado em 30 de abril de 2026
- 1 2 3 Lloyd, Reginald (1913). Impressões do Brazil no seculo vinte: Sua historia, seo povo, commercio, industrias e recursos. [S.l.]: Lloyd's greater Britain publishing Company, Limited. Consultado em 30 de abril de 2026
- 1 2 «A cerveja no Brasil de 1951 a 1975 (Século XX)». Cervesia. Consultado em 30 de abril de 2026
- 1 2 «Histórias e Memórias da Cervejaria Amazonense». Portal Amazônia. 11 de maio de 2020. Consultado em 30 de abril de 2026
- ↑ Mendonça, Rosanna Lima de (21 de abril de 2021). «Turismo e Patrimônio Industrial: Analise do potencial turístico da cervejaria Miranda Corrêa através do olhar dos moradores». REVISTA ACADÊMICA OBSERVATÓRIO DE INOVAÇÃO DO TURISMO: 43–57. ISSN 1980-6965. doi:10.17648/raoit.v15n1.5793
- ↑ «Fogo atinge antigo prédio de cervejaria no Centro de Manaus». G1. 15 de agosto de 2017. Consultado em 30 de abril de 2026