Choeroniscus minor

Choeroniscus minor
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Chiroptera
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Glossophaginae
Gênero: Choeroniscus
Espécie: C. minor
Nome binomial
Choeroniscus minor
(Peters, 1868)
Distribuição geográfica
Distribuição de Choeroniscus minor na América do Sul
Distribuição de Choeroniscus minor na América do Sul
Sinónimos[2]
  • [Choeroniscus] inca O. Thomas, 1928a
  • [Choeroniscus] intermedia O. Thomas, 1928a
  • Choeroniscus intermedius Cabrera, 1958
  • Choeroniscus minor O. Thomas, 1928a
  • Choeronycteris inca O. Thomas, 1912f
  • Choeronycteris intermedia J. A. Allen and Chapman, 1893
  • Choeronycteris minor W. Peters, 1868b

Choeroniscus minor[3] é uma espécie de morcego nectarívoro da família dos filostomídeos (Phyllostomidae). O gênero Choeroniscus foi descrito em 1928, separando essa e mais 4 espécies do antigo gênero Choeronycteris.[4] Pode ser encontrada na Bolívia, Brasil, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.[1]

Descrição

São morcegos de tamanho pequeno para médio que apresentam um pequeno dimorfismo sexual;[5] as fêmeas apresentam uma média de massa corporal de 9,8 gramas e comprimento total de 69,1 milímetros, enquanto machos apresentam uma media de oito gramas de massa corporal e 63,8 milímetros de comprimento total. O comprimento do antebraço varia entre 33 e 38 milímetros tanto em machos quanto em fêmeas.[6]

A pelagem é densa e sua coloração varia de preto a marrom escuro, com uma diferença bem leve entre dorso e ventre. Possuem um nariz pequeno, bem desenvolvido e em formato de triangulo, orelhas arredondadas no topo e de trago curto. A mandíbula é fina e alongada, apresentando um pequeno sulco na frente do focinho do animal, que permite a passagem da lingua com a mandíbula ainda fechada. A dentição do animal, curiosamente, apresenta grande variação entre indivíduos, sem apresentar algum padrão ou influencia no tamanho corporal.[6][7]

A partir do sulco em forma de V presente na ponta de sua mandíbula, o C. minor é capaz de projetar sua língua para fora da boca mesmo com a mandíbula fechada, graças aos incisivos reduzidos ou ausentes. A língua pode se estender em até cerca de 50% do comprimento total do animal e sua ponta possui papilas em forma de cerdas, direcionadas para trás, desenvolvidas para o maior consumo de néctar.[6][8]

Distribuição

C. minor está presente restritamente no norte da América do Sul. Ocorre no Cerrado brasileiro, assim como na porção sudeste da floresta amazônica (Roraima, Rondônia, Acre, Amazonas, Amapá, Pará) e em parte da Mata Atlântica (Minas Gerais e Espírito Santo).[9] Em termos hidrológicos, ocorre nas sub-bacias do Madeira, do Negro, do Purus, do Tapajós, do Baixo Tocantins e do Xingu.[2] Fora do território brasileiro, sua distribuição se estende à Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Equador, ao sul da Venezuela e Colômbia, o oeste do Peru e ao norte da Bolívia.[6]

Apesar de ser caracterizada como espécie da floresta amazônica, um ambiente de baixa altitude, sua distribuição geográfica alcança uma ampla variedade de elevações; ela habita o Cerrado brasileiro, onde existe uma variação de 600 a 1 400 metros de altitude, e pode ser encontrada em elevações de até 3 860 metros no Peru.[6] Habita florestas tropicais úmidas e prefere territórios próximos de lagos ou rios. No entanto, já foi registrada em áreas de floresta secundária, plantações e áreas urbanas.[2]

Ecologia

Choeroniscus minor costuma se abrigar em troncos ocos ou caídos em áreas ribeirinhas, se pendurando em alturas de 50 a 70 centímetros acima do chão. Ocupa-os solitariamente ou em grupos de até oito indivíduos.[2] Habita o mesmo abrigo ao longo de vários meses. Se alimenta primariamente de pólen e néctar, mas também podem consumir insetos. Não existe informações suficientes sobre sua reprodução para inferir padrões reprodutivos.[6] Uma fêmea gestante (feto = 22 milímetros) foi capturada em agosto no Xingu, no Pará.[2]

Conservação

De acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN / IUCN), essa espécie se encontra classificada como Pouco Preocupante (LC ou Least Concern) desde agosto de 2016. Tal classificação significa que a espécie é abundante na natureza e não há maiores riscos de ameaça no futuro próximo.[1] No Brasil, foi listado em 2005 como vulnerável na Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo;[10] em 2010, como em perigo na Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais;[11] e em 2018, como pouco preocupante na Lista Vermelha do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).[12][13] Em sua área de distribuição, ocorre em algumas áreas de conservação: a Reserva Biológica do Tajapós-Arapiuns (Resex Tapajós-Arapiuns), a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus (RSD Piagaçu-Purus), a Reserva Particular de Patrimônio Natural Fazenda Pioneira (RPPN Fazenda Pioneira) e a Reserva Particular de Patrimônio Natural Lote Cristalino (RPPN Lote Cristalino).[2]

Referências

  1. 1 2 3 Sampaio, E.; Lim, B.; Peters, S. (2008). Choeroniscus minor (em inglês). IUCN 2014. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. 2014. Página visitada em 18 de fevereiro de 2015..
  2. 1 2 3 4 5 6 Bernard, Enrico; da Gama, Adriana Ruckert; E Gomes, Augusto Milagres; dos Santos, Ciro Líbio Caldas; Fischer, Erich Arnold; Schmidt, Eugenia de Jesus Cordero; de Andrade, Fernanda Atanaena Gonçalves; Falcão, Fábio de Carvalho; Terra Garbino, Guilherme Siniciato; Vargas Mena, Juan Carlos; Luz, Júlia Lins; Trevelin, Leonardo Carreira; Aguiar, Ludmilla; da Costa Ramos Pereira, Maria João Veloso; Delgado, Mariana; Zortéa, Marlon; da Rocha, Patricio Adriano; Bobrowiec, Paulo Estefano Dineli; Novaes, Roberto Leonan Morim; da Cunha Tavares, Valéria; de Carvalho, William Douglas; Uieda, Wilson (2023). «Choeroniscus minor (Peters, 1868)». Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). doi:10.37002/salve.ficha.20465. Consultado em 22 de junho de 2025. Cópia arquivada em 3 de maio de 2025
  3. ↑ Simmons, N. B.; Wilson, D. E.; Reeder, D. M. (2005). «Choeroniscus minor». Mammal Species of the World 3.ª ed. Baltimore: Imprensa da Universidade Johns Hopkins. pp. 312–529. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494
  4. ↑ Thomas, Oldfield (janeiro de 1928). «VIII.—A new genus and species of Glossophagine bat, with a subdivision of the genus Chœronycteris». Annals and Magazine of Natural History (1): 120–123. ISSN 0374-5481. doi:10.1080/00222932808672753. Consultado em 14 de fevereiro de 2021
  5. ↑ Brosset, A.; Charles-Dominique, P. (1990). «The bats from French Guiana: a taxonomic, faunistic and ecological approach». Mammalia (4). ISSN 0025-1461. doi:10.1515/mamm.1990.54.4.509. Consultado em 14 de fevereiro de 2021
  6. 1 2 3 4 5 6 Solmsen, Ernst-Hermann; Schliemann, Harald (9 de outubro de 2008). «Choeroniscus Minor (Chiroptera: Phyllostomidae)». Mammalian Species: 1–6. ISSN 0076-3519. doi:10.1644/822.1. Consultado em 14 de fevereiro de 2021
  7. ↑ Voss, Robert S.; Lunde, Darrin P.; Simmons, Nancy B. (junho de 2001). «The Mammals of Paracou, French Guiana: A Neotropical Lowland Rainforest Fauna Part 2. Nonvolant Species» (PDF). Boletim do Museu Americano de História Natural [Bulletin of the American Museum of Natural History]: 3–236. ISSN 0003-0090. Consultado em 16 de abril de 2022
  8. ↑ Verfasser, Goodwin, George G., (1961). A review of the bats of Trinidad and Tobago descriptions, rabies infection, and ecology. Nova Iorque: Museu Americano de História Natural. OCLC 1067673203
  9. ↑ Aguiar, Ludmilla Moura de Souza; Marinho-Filho, Jader (junho de 2004). «Activity patterns of nine phyllostomid bat species in a fragment of the Atlantic Forest in southeastern Brazil». Revista Brasileira de Zoologia (2): 385–390. ISSN 0101-8175. doi:10.1590/s0101-81752004000200037. Consultado em 14 de fevereiro de 2021
  10. ↑ «Lista de Espécies da Fauna Ameaçadas do Espírito Santo». Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), Governo do Estado do Espírito Santo. Consultado em 7 de julho de 2022. Cópia arquivada em 24 de junho de 2022
  11. ↑ «Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna do Estado de Minas Gerais» (PDF). Conselho Estadual de Política Ambiental - COPAM. 30 de abril de 2010. Consultado em 2 de abril de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 21 de janeiro de 2022
  12. ↑ «Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção» (PDF). Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. 2018. Consultado em 3 de maio de 2022. Cópia arquivada (PDF) em 3 de maio de 2018
  13. ↑ «Choeroniscus minor (Peters, 1868)». Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Consultado em 16 de abril de 2022. Cópia arquivada em 9 de julho de 2022