Cicero Matos

Cícero Matos Oliveira
Nascimento
5 de abril de 1957

Jacobina, Bahia, Brasil
Nacionalidadebrasileiro
Movimento(s)Papagaísmo

Cícero Matos Oliveira (Jacobina, 5 de abril de 1957), conhecido artisticamente como CMatos, é um artista plástico brasileiro autodidata. Sua produção transita entre pintura, escultura, estamparia e desenho, com ênfase em temas ligados à cultura popular nordestina, à religiosidade e ao cotidiano do interior da Bahia. Ao longo de sua carreira, participou de diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior.[1]

Trajetória

Nascido em Jacobina, no sertão da Bahia, Cícero Matos cresceu em um ambiente familiar ligado ao ofício artesanal: filho de um comerciante de pedras preciosas e de uma artesã, teve na prática da mãe seus primeiros estímulos artísticos. Viveu a infância em cidades do interior baiano como Caém e Campo Formoso, o que influenciou profundamente seu repertório estético.[2]

Aos 17 anos, mudou-se para Brasília, onde iniciou sua atividade profissional como artista, expondo seus trabalhos na tradicional Feira de Arte da Torre de TV. Posteriormente, transferiu-se para Salvador, onde ingressou na Faculdade de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e também teve uma breve passagem pela Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), em Minas Gerais.[2]

Na capital baiana, integrou o grupo "Baldeação", coletivo formado por artistas, poetas, fotógrafos e estudantes que atuavam com intervenções gráficas nos espaços urbanos, sendo apontado como uma das iniciativas precursoras do grafite em Salvador.[2]

Povos indígenas - Cícero Matos - Muro da UNEB (Jacobina/BA)

Durante os anos 1990, viveu por seis meses na Suíça, período em que intensificou sua produção artística. De volta ao Brasil, instalou-se novamente em Salvador, onde fundou um ateliê/galeria no Pelourinho, espaço que abrigou exposições, apresentações musicais e encontros culturais. Foi nesse contexto que concebeu o movimento artístico "Papagaísmo", uma crítica irônica à tendência de rotular estilos por meio dos tradicionais “ismos” das vanguardas europeias.[3]

Atualmente, reside e trabalha em Jacobina, onde continua a desenvolver sua obra.[4]

Estilo e obra

A arte de Cícero Matos é marcada por uma linguagem visual vibrante e simbólica, com destaque para a representação de paisagens urbanas, elementos arquitetônicos, festas religiosas e personagens do cotidiano nordestino. Seus trabalhos combinam técnicas diversas — como pintura acrílica, pirogravura e escultura em pedra-sabão — e exploram uma estética que mescla expressão popular, imaginação simbólica e crítica social sutil.[5]

Embora suas composições frequentemente evoquem cenários e figuras da cidade de Jacobina, suas obras não se limitam ao retrato literal da realidade. Ao contrário, Matos constrói uma espécie de universo paralelo — uma “cidade poética” — onde memórias afetivas, referências religiosas e arquétipos populares se entrelaçam em uma narrativa visual própria.[5]

Entre suas exposições de destaque está a mostra Sertão Forte, na qual apresentou 26 obras em acrílica sobre tela, refletindo sobre identidade, resistência e pertencimento regional.[6]

Legado

Cícero Matos é considerado um dos nomes relevantes da produção artística contemporânea do interior da Bahia. Sua obra é valorizada por integrar tradição e experimentação, combinando o imaginário popular a uma linguagem plástica autoral. Ao longo de sua carreira, também atuou como articulador cultural, promovendo iniciativas artísticas e contribuindo para a valorização da arte fora dos grandes centros urbanos.[2]

Referências

  1. ↑ BARBOSA, Núbia Regina Freire (21 de maio de 2015). «Acerca do Artista – CMatos». Pinturas CMatos. Consultado em 21 de maio de 2025
  2. 1 2 3 4 SAMPAIO, Alan S. (2006). «Conversas com pintores de Jacobina»
  3. ↑ MENEZES, Adriano (2006). «O papagaismo na pintura». EDUNEB. Consultado em 11 de julho de 2025
  4. ↑ TRILHA DAS ARTES (30 de agosto de 2014). «Sertão Forte, do artista plástico Cícero Matos». Rádio Câmara. Câmara dos Deputados. Consultado em 6 de maio de 2025
  5. 1 2 MATOS, Luciana Vilela D. As cidades de Cícero Matos. [S.l.: s.n.]
  6. ↑ «Artista plástico mostra suas obras espalhadas pelas ruas de Jacobina». Conexão Bahia – Rede Globo. 4 de dezembro de 2008. Consultado em 6 de maio de 2025