Cycloramphus semipalmatus

Cycloramphus semipalmatus
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Classificação científica edit
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Amphibia
Ordem: Anura
Família: Cycloramphidae
Gênero: Cycloramphus
Espécies:
C. semipalmatus
Nome binomial
Cycloramphus semipalmatus
Sinónimos

Iliodiscus semipalmatus Miranda-Ribeiro, 1920

Cycloramphus semipalmatus é uma espécie de anfíbio anuro da família Cycloramphidae, endêmica do Brasil.[1] Foi descrita originalmente por Alípio de Miranda Ribeiro em 1920, na Revista do Museu Paulista, sob o nome Iliodiscus semipalmatus.[2]

Taxonomia

A espécie foi descrita por Alípio de Miranda Ribeiro em 1920 com base em síntipos depositados no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (lotes MZUSP 737 e MZUSP 317), provenientes de duas localidades no estado de São Paulo: "Campo Grande" e "Alta da Serra" (atual Alto da Serra de Paranapiacaba, em Santo André), ambas na região da Serra do Mar.[2] O nome semipalmatus (do latim, "semipalmado") refere-se à membrana interdigital parcialmente desenvolvida presente nos pés da espécie, que a distingue da maioria das demais espécies do gênero, as quais possuem dedos livres.[3]

Na descrição original, Miranda-Ribeiro reportou pela primeira vez a presença do menisco esbranquiçado na margem superior da íris de adultos de C. semipalmatus e de C. dubius — estrutura que Heyer (1983) sugeriu como sinapomorfia do gênero Cycloramphus, presente em adultos, e que Verdade (2005) reconheceu como sinapomorfia de um clado mais amplo que inclui Cycloramphus + Zachaenus. Mais recentemente, Colaço et al. (2020) a reconheceram como sinapomorfia de toda a família Cycloramphidae, inclusive nas larvas.[4]

Com base na morfologia e no modo reprodutivo, Heyer (1983) classificou as espécies do gênero em dois grupos ecológicos. C. semipalmatus integra o grupo saxícola (associado a corredeiras), caracterizado por corpo achatado, pele granulosa e membrana interdigital nos pés — em contraste com o grupo terrícola, cujas espécies possuem pele lisa, dedos livres e larvas endotróficas.[3] Uma filogenia molecular posterior, de Sá et al. (2020), recuperou o ancestral comum do gênero como saxícola de pequeno porte, indicando que o modo reprodutivo terrícola evoluiu independentemente múltiplas vezes a partir de linhagens saxícolas.[5]

Morfologia

Cycloramphus semipalmatus é uma espécie de porte médio, com corpo achatado dorsoventralmente e pele granulosa no dorso — morfologia típica das espécies saxícolas do gênero.[3] Os pés apresentam membrana interdigital parcialmente desenvolvida, característica diagnóstica que a distingue da maioria das espécies congêneres de dedos livres.[3] A musculatura adutora da mandíbula é visivelmente desenvolvida e os membros são curtos e robustos, conferindo ao animal um aspecto compacto característico das espécies associadas a corredeiras.[3] A pupila é horizontal e a íris apresenta um menisco esbranquiçado na margem superior, compartilhado com as demais espécies do gênero.[4]

Distribuição e habitat

Cycloramphus semipalmatus é endêmica do Brasil, com distribuição restrita à Mata Atlântica do estado de São Paulo.[1] Seus habitats naturais incluem florestas úmidas subtropicais ou tropicais de baixa altitude e cursos d'água, especialmente rios e riachos de correnteza rápida associados a afloramentos rochosos na Serra do Mar.[1]

Reprodução

Como as demais espécies saxícolas do gênero, C. semipalmatus apresenta o modo reprodutivo associado a corredeiras: as fêmeas depositam os ovos sobre superfícies inclinadas de rochas umedecidas pelos respingos de cachoeiras ou riachos de correnteza rápida.[3] Os girinos são exotróficos e semiterrestres, desenvolvendo-se sobre filmes d'água que escorrem pelas faces rochosas onde os ovos foram depositados, sem submergir completamente.[4] Esse modo reprodutivo, descrito por Lutz (1929) e sistematizado por Heyer (1983), é compartilhado com espécies como C. boraceiensis, C. dubius e outras espécies saxícolas da família Cycloramphidae, todas restritas à Mata Atlântica brasileira.[6]

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica C. semipalmatus como quase ameaçada (NT) desde 2004.[1] A principal ameaça à espécie é a perda e degradação do habitat decorrente do desmatamento da Mata Atlântica e da alteração de cursos d'água na sua área de ocorrência.[1]

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 Verdade, Vanessa; Heyer, Ronald (2004). Cycloramphus%20semipalmatus 'Cycloramphus semipalmatus' (em inglês). IUCN 2004. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN. 2004. Página visitada em 18 de novembro de 2021..
  2. 1 2 Frost, Darrel R. (2021). «Cycloramphus semipalmatus (Miranda-Ribeiro, 1920)». Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 6.1. New York: American Museum of Natural History. doi:10.5531/db.vz.0001. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  3. 1 2 3 4 5 6 Heyer, W. R. (1983). «Variation and systematics of frogs of the genus Cycloramphus (Amphibia, Leptodactylidae)». Arquivos de Zoologia (em inglês). 30: 235–339. doi:10.11606/issn.2176-7793.v30i4p235-339
  4. 1 2 3 Nunes-de-Almeida, Carlos Henrique Lisboa (2021). «The tadpole of an insular population of Cycloramphus boraceiensis Heyer, 1983 (Anura: Cycloramphidae) with a review of larval descriptions for species in the genus». Papéis Avulsos de Zoologia (em inglês). 61. doi:10.11606/1807-0205/2021.61.30
  5. ↑ de Sá, Rafael O.; Haddad, Célio F. B.; Gray, Leo N. (2020). «Terrestrial breeding is a derived condition in frogs, with multiple transitions from an aquatic ancestor». Evolution (em inglês). 74: 459–475. doi:10.1111/evo.13915
  6. ↑ Colaço, Guilherme; Silva, Hélio Ricardo da (2022). «Finding a pathway through the rocks: the role of development on the evolution of quasi-terrestriality and the origin of endotrophism in cycloramphids (Anura)». Biological Journal of the Linnean Society (em inglês). doi:10.1093/biolinnean/blac059