Dacryodes edulis
Safu | |||||||||||||||||||
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O Dacryodes edulis, vulgarmente conhecido como safu, pera-africana ou fruta-manteiga, é uma árvore frutífera perene pertencente à família Burseraceae, nativa das florestas tropicais húmidas da África Central e Ocidental. O seu nome genérico deriva do grego dakruon («lágrima»), em referência às gotas de resina que exsuda do seu tronco, enquanto o epíteto específico edulis destaca a natureza comestível dos seus frutos. Esta espécie desempenha um papel socioeconómico e nutricional fundamental na região do Golfo da Guiné, sendo amplamente cultivada desde a Nigéria e os Camarões até a Angola e o Uganda, devido à sua capacidade de adaptação a diversos tipos de solo e condições climáticas, embora prefira ambientes de sombra e solos profundos de origem vulcânica ou ferralítica.[1][2][3][4][5][6][7][8]
Morfologicamente, o Dacryodes edulis caracteriza-se como uma árvore de médio a grande porte, podendo atingir entre 18 e 40 metros de altura no seu habitat natural, apresentando uma copa densa e um tronco ligeiramente canelado que exala uma resina esbranquiçada e aromática. As suas folhas são compostas e pinadas, com folíolos coriáceos, enquanto o fruto é uma drupa elipsoidal cuja cor varia entre o azul-escuro, o violeta e o cor-de-rosa conforme o grau de maturação. A polpa, que constitui a parte comestível, é extremamente rica em lípidos — representando cerca de 50 a 70% da sua matéria seca —, o que lhe confere uma textura amanteigada e um elevado valor calórico, sendo também uma fonte significativa de proteínas, vitaminas (especialmente vitamina C e E), minerais e ácidos gordos essenciais como o palmítico, o oleico e o linoleico.
O aproveitamento do safu vai muito além do consumo alimentar direto; a planta é considerada multiúsos, integrando-se em sistemas de agrofloresta para fornecer sombra a culturas como o café e o cacau. Na medicina tradicional africana, diversas partes da árvore, incluindo a casca, as folhas e a resina, são utilizadas para tratar uma vasta gama de patologias, desde febres e feridas até doenças de pele, disenteria e malária, devido às suas propriedades antimicrobianas, antioxidantes e anti-inflamatórias conferidas pela presença de compostos fitoquímicos como flavonoides, taninos e saponinas. Economicamente, o comércio local e internacional dos frutos de Dacryodes edulis constitui uma fonte de rendimento vital para as comunidades rurais, embora a elevada perecibilidade do fruto após a colheita continue a ser um desafio logístico que limita a sua plena exploração comercial em larga escala.
Referências
- ↑ «Kengue, J. (2002). Safou (Dacryodes edulis (G. Don) H.J. Lam): Promoting the conservation and use of underutilized and neglected crops. International Plant Genetic Resources Institute (IPGRI).» (PDF)
- ↑ «Silou, T. (1996). Le safoutier (Dacryodes edulis): un arbre mal connu. Fruits, 51(1), 47-60.» (PDF)
- ↑ Ajibesin, K. K. (14 de julho de 2010). «Dacryodes edulis (G. Don) H.J. Lam: A Review on its Medicinal, Phytochemical and Economical Properties». Research Journal of Medicinal Plants (em inglês). 5 (1): 32–41. doi:10.17311/rjmp.2011.32.41
- ↑ Onocha, Patricia A.; Ekundayo, Olusegun; Oyelola, Oyeleye; Laakso, Into (março de 1999). «Essential oils ofDacryodes edulis (G. Don) H. J. Lam (African pear)». Flavour and Fragrance Journal (em inglês). 14 (2): 135–139. ISSN 0882-5734. doi:10.1002/(SICI)1099-1026(199903/04)14:2<135::AID-FFJ788>3.0.CO;2-L
- ↑ Obasi, N (1993). «Nutritional constituents of the seeds of the African pear, Dacryodes edulis». Food Chemistry (em inglês). 46 (3): 297–299. doi:10.1016/0308-8146(93)90123-W
- ↑ Okolo, Chidinma A.; Ejere, Vincent C.; Chukwuka, Christian O.; Ezeigbo, Ihechiluru I.; Nwibo, Daniel D.; Okorie, Augustine N (3 de julho de 2016). «HEXANE EXTRACT OF DACRYODES EDULIS FRUITS POSSESSES ANTI-DIABETIC AND HYPOLIPIDAEMIC POTENTIALS IN ALLOXAN DIABETES OF RATS.». African Journal of Traditional, Complementary and Alternative Medicines. 13 (4): 132–144. ISSN 2505-0044. PMC 5566136
. PMID 28852729. doi:10.21010/ajtcam.v13i4.18 - ↑ Tchoundjeu, Z.; Kengue, J.; Leakey, R. R.B. (janeiro de 2002). «DOMESTICATION OF DACRYODES EDULIS : STATE-OF-THE-ART». Forests, Trees and Livelihoods (em inglês). 12 (1-2): 3–13. ISSN 1472-8028. doi:10.1080/14728028.2002.9752407
- ↑ Schreckenberg, K.; Degrande, A.; Mbosso, C.; Baboule, Z. Boli; Boyd, C.; Enyong, L.; Kanmegne, J.; Ngong, C. (janeiro de 2002). «THE SOCIAL AND ECONOMIC IMPORTANCE OF DACRYODES EDULIS (G.DON) H.J. LAM IN SOUTHERN CAMEROON». Forests, Trees and Livelihoods (em inglês). 12 (1-2): 15–40. ISSN 1472-8028. doi:10.1080/14728028.2002.9752408
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