Filip Mișea

Filip Mișea
Mișea, por volta de 1908
Nascimento
Chroupista, Império Otomano (atualmente Argos Orestiko, Grécia)
Morte
16 de maio de 1944 (71 anos)
CônjugeVirginia Mustață
Alma materRomanian High School of Bitola [en]
Universidade de Medicina e Farmácia Carol Davila [en]
OcupaçãoAtivista, médico e político

Filip Mișea (1873 – 16 de maio de 1944; em turco: Filip Mişa ou Filip Mise Efendi) foi um ativista, médico e político arromeno. Mișea tornou-se deputado do Império Otomano, sendo ele e Nicolae Constantin Batzaria [en] os únicos arromenos que conseguiram entrar na Assembleia Geral do Império Otomano. Mais tarde, mudou-se para a Romênia e dedicou-se à medicina no país.[1]

Biografia

Mișea nasceu em 1873 em Chroupista (em aromeno: Hrupishte), então no Império Otomano e hoje na Grécia, conhecida como Argos Orestiko. Seu pai era professor e sua mãe, dona de casa. Após concluir o ensino médio na Romanian High School of Bitola [en], Mișea migrou para a Romênia em 1893, formando-se na Universidade de Medicina e Farmácia Carol Davila [en] em 1899. Durante os estudos, Mișea precisou trabalhar para arcar com as despesas.[1] Mișea escreveu artigos em várias publicações arromenas sobre a história do assentamento da aldeia de Gramos (Gramosta) e lendas locais da região. Os mais importantes são um artigo publicado na Gazeta Macedoniei ("Gazeta da Macedônia") em 1897, no qual Mișea inclui lendas que explicam a despovoação e a ruína de Gramos; e outro na Lumina ("Luz") de 1907, em que explica a história da aldeia. Mișea usava o pseudônimo "Ciuma alu Penți" ao escrever nessas publicações.[2] Após concluir estágios e externatos, foi pressionado por seu professor Thoma Ionescu, cirurgião romeno, a retornar ao Império Otomano para cumprir sua “missão” junto aos irmãos arromenos, o que acabou fazendo junto com sua esposa Virginia Mustață, de Ploiești.[1]

Lá, Mișea integrou os Jovens Turcos e tornou-se deputado do Sanjaco de Görice [en] (Korçë; Curceaua, Curceauã, Curceau ou Curciau) nas legislaturas de 1908 e 1912. Foi o único arromeno a entrar na Assembleia Geral do Império Otomano além de Nicolae Constantin Batzaria, que se tornou senador otomano [en].[3] Os únicos grupos populacionais não muçulmanos do Império Otomano recrutados pelos Jovens Turcos do Comitê União e Progresso (CUP) foram os arromenos e os judeus. A estratégia de Batzaria e Mișea era encontrar uma causa comum com as autoridades otomanas, que buscavam a revitalização do status quo, para ter um aliado contra organizações nacionalistas de outras comunidades dentro do Império Otomano que ameaçavam o movimento nacional arromeno. Por outro lado, o CUP se beneficiava de aliados cristãos que podiam servir de exemplo para outras minorias cristãs do império, como os búlgaros ou os gregos. Uma aliança arromeno-otomana foi formada após negociações entre o CUP e a Sociedade Cultural Macedo-Romena, nas quais o próprio Mișea participou como diretor de propaganda.[4]

Em dezembro de 1913, Mișea retornou à Romênia pressionado por sua esposa e pelo político romeno Take Ionescu, irmão de seu antigo professor Thoma, mas também por considerar sua missão pela causa arromena cumprida e para criar seus três filhos recém-nascidos. Mișea decidiu abandonar a política e estabeleceu-se em Buzău após trabalhar em vários hospitais rurais em outras localidades romenas. Durante a Primeira Guerra Mundial, atuou como médico em um hospital em Bacău, sendo depois transferido para um hospital militar em Negrești, onde tratou muitos soldados feridos. Nesse período, contraiu tifo epidêmico, mas recuperou-se rapidamente. Nos anos de 1920 e 1921, Mișea tornou-se uma das figuras principais do recém-criado Hospital de Doenças Infecciosas e Contagiosas de Buzău, onde trabalhou até se aposentar em 1938.[1] Além disso, a linguista arromena Matilda Caragiu Marioțeanu afirma em sua obra de 2003 Toma Caragiu – Ipostaze que Mișea ajudou Toma Caragiu [en], que mais tarde se tornaria um famoso ator, a superar uma enterocolite quando tinha um ano e oito ou nove meses de idade em Chroupista. Ela também escreve que Mișea era chamado de "Fil'io" pela família Caragiu e que foi padrinho de sua mãe.[2] Em 1929, sua esposa Virginia faleceu, deixando-o viúvo; ele nunca mais se casou. Ambos tiveram seis filhos no total, alguns dos quais também se dedicaram à medicina. Mișea faleceu em 16 de maio de 1944.[1]

Referências

  1. 1 2 3 4 5 Tudor, Anghel C. (10 de abril de 2019). «Celebrități medicale buzoiene / Doctor Mișea Filip, creatorul secției de contagioase a Spitalului Gârlași». Opinia Buzău (em romeno)
  2. 1 2 Gica, Alexandru (2007). «DIARO: o relectură în cheie biografică» (PDF). Studii și cercetări lingvistice (em romeno). 58 (1): 105–112
  3. ↑ Emanuil, Ineuan (2020). «The new regime of the Young Turks from the Ottoman Empire in the perception of some Romanian diplomats from 1908». Etnosfera. 36 (2): 111–122
  4. ↑ Hanioğlu, M. Şükrü (2001). Preparation for a Revolution: The Young Turks, 1902-1908. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 9780199771110