Forum Dança
Forum Dança é uma estrutura independente, fundada em 1990, que promove a dança contemporânea através da formação, documentação e produção.[1]
A criação da estrutura Forum Dança – Associação Cultural esteve associada ao movimento da Nova Dança Portuguesa, constituindo uma alternativa às formações de dança em Portugal em relação com os novos valores estéticos.[2] A estrutura foi co-fundada pelo coreólogo e programador Gil Mendo, a coreógrafa e professora Madalena Victorino, o produtor Miguel Abreu, a advogada Catarina Vaz Pinto[3]. Faziam ainda parte dos órgãos fundadores Maria Helena Fernandes, José João Henriques, José Manuel Pinto Correia e a bailarina Cristina Santos.[4] A criação do Forum Dança está directamente relacionada com o afastamento de Madalena Victorino e António Pinto Ribeiro da Escola Superior de Dança, em 1989, pelas pedagogias alternativas que adoptavam e que escapavam ao alinhamento da direcção.[2] Apesar do envolvimento próximo do crítico de dança António Pinto Ribeiro no Forum Dança, este não se associou oficialmente por ser crítico do Expresso.[4]
O Forum Dança teve como primeira sede uma divisão do Ateneu Comercial de Lisboa, na rua da Alcolena e os seus estatutos definem como objectivo “promover a divulgação, a investigação e o desenvolvimento da dança através da produção de espectáculos e videos, edição de publicações, organização de cursos e seminários destinados a formação e actualização na área da dança”.[4]
Nos seus primeiros anos de existência o Forum Dança funciona apenas com escritório e alugava esporadicamente salas de ensaios e estúdios de trabalho. Apenas a partir de 2003 terá espaço próprio na Interpress, no Bairro Alto, em 2008 muda-se para o LxFactory e, desde 2014, ocupa o Espaço da Penha.[5]
Um dos primeiros cursos organizados pelo Forum Dança foi o Curso de Monitores de Dança para a Comunidade[6], financiado pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, cujo objectivo era “formar animadores, monitores, professores com uma sólida formação cultural e artística, com vista à sua integração em escolas, clubes, associações e outros centros comunitários”.[4] De acordo com Gil Mendo, "eram cursos voltados simultaneamente para o pensar, o experimentar, o fazer e o transmitir, para o que concitámos a colaboração de muitos criadores e pedagogos, não só da área da dança mas também do teatro, da música, do vídeo, etc."[7] Por este curso passaram alguns dos que viriam a ser chamados a "segunda geração da Nova Dança Portuguesa, como João Galante, Margarida Mestre, Teresa Prima, Paulo Henrique, Ezequiel Santos, Paula Castro". [7]
Além da formação, o Forum teve um papel de produtor de peças de dança da geração da Nova Dança Portuguesa, e fortalecer contactos internacionais com redes da dança contemporânea europeia e americana e lançou uma revista Revista Forum Dança, que teve quatro números.[4]
Em 2001, o Forum Dança lança uma edição conjunta com a companhia Re.Al, intitulada Dez Mais Dez, em 2000, celebrando 10 anos de existência de cada estrutura, [8] no qual é publicado o "Manifesto 29 de Abril" , reclamando condições para a produção de dança contemporânea em Portugal. De acordo com a historiadora e antropóloga Maria José Fazenda, essas reinvidicações "reverberarão no Decreto-Lei n.º 225/2006, pelo qual são “introduzidos apoios complementares às actividades de criação que visam colmatar algumas das fragilidades apontadas pelos agentes culturais, nomeadamente ao nível da edição, formação artística, internacionalização e reequipamento”.[9]
Referências
- ↑ «Home PT». Forum Dança. Consultado em 27 de fevereiro de 2026
- 1 2 Tudela de Azevedo, Eunice; Martins, Rita. "Madalena Victorino: La danse est un acte d'amour". Sinais de Cena I, Nº. 22, Porto: Húmus, 2014.
- ↑ Canelas, Isabel Salema, Lucinda (6 de agosto de 2017). «"A câmara é muito mais cansativa do que o governo"». PÚBLICO. Consultado em 27 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 4 5 Bénard, Duarte (2016). "Os Novos Portugueses — O ensino da dança à luz da Nova Dança Portuguesa 1986 – 1995" in TEMAS E PROBLEMÁTICAS DA HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA EM PORTUGAL— Trabalhos realizados pelos alunos da Escola Secundária de Camões no âmbito do Laboratório de História do IHC 2015/2016 (PDF). Lisboa: IHC, Escola Secundária de Camões, Universidade Nova de Lisboa. p. 87
- ↑ «Apresentação». Forum Dança. Consultado em 27 de fevereiro de 2026
- ↑ Folheto informativo sobre Curso de Monitores de Dança para a Comunidade, Forum Dança, 1993
- 1 2 Mendo, Gil (março 2023). «Testemunho» (PDF). Circular Associação Cultural. Coreia (8, série II): 13. Consultado em 27 de fevereiro de 2026
- ↑ Santos & et al. (2001). Dez Mais Dez - [Documento] - Contributos para uma cartografia da Dança Contemporânea de Portugal. Lisboa: Edição Fórum Dança / RE.AL/Resposta Alternativa.
- ↑ Fazenda, M. J. (2024). Participar na construção do mundo, aos cinquenta anos da Revolução dos Cravos. In Revista Estud(i)os de Dança, 2 (2), pp. 1-8. DOI: https://doi.org/10.53072/RED202402/00101