Funil de vendas

Diagrama (em inglês) do funil de vendas. De cima par a baixo: percepção, opinião, consideração, preferência e compra.

Origem e história

O conceito de funil de vendas tem origem no modelo AIDA (Attention, Interest, Desire, Action), proposto pelo publicitário norte-americano Elias St. Elmo Lewis em 1898.[1] Lewis descreveu o processo pelo qual um anúncio deveria conduzir o consumidor desde a atenção inicial até a ação de compra, estabelecendo as bases para os modelos de jornada do cliente que se seguiriam.

A associação do modelo AIDA com a metáfora visual do funil foi formalizada por William W. Townsend na obra Bond Salesmanship, publicada em 1924.[2] Townsend observou que o número de pessoas diminuía a cada etapa do processo de compra — muitos tomavam conhecimento do produto, mas apenas uma fração efetivamente concluía a aquisição —, dando origem à representação gráfica em formato de funil.

Na década de 1960, o modelo foi aprofundado por teóricos da área de psicologia do consumo e gestão de vendas. E. K. Strong Jr., em The Psychology of Selling and Advertising, já havia contribuído para a compreensão dos estágios mentais do comprador, influenciando gerações de profissionais de vendas.[3] Posteriormente, o funil passou a ser adotado como ferramenta de gestão comercial, permitindo que equipes de vendas acompanhassem a progressão dos potenciais clientes desde o primeiro contacto até o fechamento do negócio.[4]

O funil de vendas é um modelo estratégico separado por estágios, estruturando de forma visual toda a jornada de compra de um cliente em potencial.

A classificação do funil de vendas é a seguinte:

  • Aprendizagem/descoberta
  • Reconhecimento do problema
  • Decisão
  • Ação.

Cada etapa ilustra um momento na jornada de compra: descoberta, interesse, decisão e ação. Ou seja, para cada um deles é preciso ter uma comunicação diferente com o possível comprador. Assim, você oferece a informação certa, na hora certa para o potencial cliente, aumentando sua relevância e - consequentemente - suas chances de vender mais.

Além de criar um relacionamento mais estreito de confiança com o seu possível comprador, criando uma conexão que pode torná-lo um embaixador da sua marca.

Resumidamente, o funil de vendas envolve as seguintes fases:

  • Prospectar o cliente - Escolher o público alvo através de ferramentas para geração de leads
  • Apresentar o produto - Seja por ligação ou através de e-mail
  • Quebrar as objeções - Tirar todas as dúvidas que impedem o cliente de tomar a decisão de compra
  • Fechar o negócio - Realizar a venda para todos os clientes que chegaram até a etapa final.

Esse modelo tem se mostrado muito eficiente, pois gera uma aproximação grande entre o cliente e vendedor

Isso possibilita um relacionamento que permite a aplicação de um processo de venda chamado upsell,[5] onde o vendedor assim que realiza a venda faz a oferta de um novo produto por ter conhecimento do cliente, devido ao relacionamento proporcionado pelo funil de vendas.

Etapas do Funil de Vendas

Descoberta

A primeira etapa do funil de vendas é a descoberta (awareness), onde se busca atrair clientes e gerar leads.

Por isso, nesse primeiro estágio do funil de vendas, o objetivo da equipe comercial é justamente conscientizar os potenciais clientes de que eles possuem um problema (que esteja relacionado com a sua solução).

Você não necessariamente precisa do marketing digital para conseguir o contato dos possíveis compradores. A prospecção ativa pode começar desde o início, tranquilamente.

Basta se basear no seu público-alvo, perfil de cliente ideal e/ou persona para descobrir os perfis das pessoas que compram seu produto/serviço. Então, fazer a compra de lista com contatos de pessoas dentro desse perfil e ligar para elas ou enviar e-mails para apresentar sua solução.

É comum que, nessa apresentação do produto, alguns vendedores ou pré-vendedores cometam muitos erros na abordagem, seja nos e-mails ou nas ligações.

No caso dos e-mails, não se deve confundir jamais com o e-mail marketing, que é uma abordagem específica para pessoas que informaram seus endereços de e-mails para receber mensagens, permitindo esse contato.

Os e-mails em que você apresenta seu produto a alguém que ainda não teve interação com sua empresa e não informou seus dados se chama cold mail. Ou seja, você precisa ter uma comunicação totalmente diferente com ela. Deve seguir esta estrutura:

  1. Apresentar-se;
  2. Informar por que você acredita que seu produto/serviço pode ajudá-la;
  3. Solicitar um contato.

Já ao ligar para esse potencial cliente, é preciso ter todo um cuidado para se preparar para essa ligação, levando algo realmente relevante para ele.

Uma ótima ferramenta para te ajudar nesse momento é o CRM. Com ele, você pode organizar todas as informações do cliente e ainda automatizar processos.

Reconhecimento do problema

Nessa etapa do funil de vendas, seu potencial cliente já descobriu que tem um problema e quer resolvê-lo.

Nesse momento, você passa a nutrir esse prospect (possível comprador), mostrando a ele como ele pode solucionar esse problema.

Essa nutrição pode ser feita através de e-mails, enviando material rico como whitepapers,[6] podcasts, e-books e webinários.

Você também pode usar as redes sociais e até o Whatsapp[7] para fornecer esse conteúdo rico, que irá educar seu prospect.

Lembre-se de estabelecer um cronograma para fazer essas interações com o possível comprador. Além de considerar o volume certo de mensagens que você irá enviar para ele.

Para não se perder, novamente é indicado o uso de uma boa plataforma de CRM. Você pode configurá-la para te avisar sobre as datas de interação com o cliente para te ajudar a não perder nenhum contato.

Consideração da solução

Agora o possível comprador já sabe que tem um problema e descobriu que existe uma solução prática para ele.

Então, o que você precisa demonstrar agora é o quanto a sua solução é a mais indicada para esse problema. Ou seja, apresentar cases de sucesso[8] e depoimentos para o potencial cliente, validando a eficiência do seu produto/serviço.

Outra boa ideia é demonstrar ao cliente as diferentes formas como a sua solução pode ajudá-lo e trazer dados como o retorno sobre o investimento que seu produto/serviço trará.

Ação

O cliente já decidiu fechar negócio com a sua empresa. Agora, você deve apresentar a sua proposta - muito bem estruturada e, de preferência, com uma plataforma que automatize esse envio, tornando o processo mais prático e simples.

A proposta comercial no ciclo de vendas

No contexto dos funis de vendas business-to-business (B2B), a proposta comercial constitui o documento formal que sintetiza a oferta do vendedor ao comprador, representando a transicao entre as etapas de consideracao e decisao do ciclo de vendas.[9] Diferentemente de vendas transacionais, em que a decisao de compra recai sobre um unico individuo, as vendas complexas B2B envolvem em media 6,8 decisores por transacao, cada um com criterios de avaliacao distintos — financeiros, tecnicos e operacionais.[10]

A literatura em gestao comercial indica que propostas comerciais eficazes em vendas B2B seguem uma estrutura orientada ao problema do comprador, e nao a descricao do produto ou servico oferecido.[11] Essa abordagem prioriza a identificacao do problema de negocios do cliente, a quantificacao do impacto financeiro da solucao proposta e a apresentacao de evidencias de resultados obtidos em contextos semelhantes.[12]

Estudos sobre o processo decisorio em compras organizacionais demonstram que a proposta comercial desempenha um papel critico como instrumento de comunicacao interna na empresa compradora, uma vez que decisores que nao participaram das reunioes de vendas baseiam sua avaliacao exclusivamente no documento recebido.[13] Por essa razao, especialistas recomendam que cada secao da proposta seja redigida considerando os diferentes perfis de decisores envolvidos no processo de aprovacao.[14]


Tipos de Funil de vendas

Funil de aquisição em Y

Nesse modelo de funil de vendas, tanto a prospecção ativa como a passiva trabalham em conjunto para potencializar suas vendas.

Nele, temos de um lado a prospecção ativa, onde os estágios se dividem entre prospectar, conectar, qualificar, maturar e vender. Já do outro está a prospecção passiva, onde as etapas se classificam entre converter e relacionar.

É a forma mais completa e indicada de estruturar seu processo comercial, unindo duas excelentes estratégias.

Funil AIDA

A ideia de associar o modelo de funil com o conceito AIDA foi proposto pela primeira vez em Bond Salesmanship por William W. Townsend em 1924.[15]

Neste modelo de funil de vendas, cada estágio ilustra um momento e uma comunicação com o potencial cliente. Para isso, divide-se em 4 estágios: reconhecimento, interesse, decisão e ação.[16]

Para usá-lo, você vai precisar se basear na metodologia AIDA, primeiramente captando a atenção do possível comprador. Em seguida, alimentando e aumentando seu interesse. O que levará o cliente a avançar para uma decisão em relação ao seu problema e, por fim, à ação (comprar de você).

Modelo circular de aquisição

Este modelo não considera um caminho linear até a compra, se limitando a entender que toda a compra passar por determinados estágios até ser concretizada.

São eles:

  • Alvo: onde são identificados os decisores que influenciam na aquisição do seu produto/serviço
  • Pesquisa: onde o comprador faz várias buscas procurando solucionar sua dor
  • Consideração e avaliação: onde o comprador está pesquisando sobre as marcas que atendem melhor à sua necessidade
  • Proposta formal: quando o cliente recebe sua proposta comercial formalmente para conhecer melhor as funcionalidades do seu produto/serviço e decidir se vai ou não fechar negócio
  • Compra: onde o contrato é assinado
  • Recompra: onde o cliente pode adquirir mais dos seus produtos/serviços.

O funil de vendas gera ações

Acompanhar as porcentagens de conversões de visitantes para leads, para oportunidades e para clientes é importante para entender as etapas da venda. Mas somente isso não traz ações realmente disruptivas e inovadoras. Você precisa olhar para seu produto e principalmente ouvir seus clientes[17] para gerar as ações de melhoria mais efetivas, principalmente depois da compra (e não somente antes dela). Após alguns meses de uso seu cliente poderá gerar ideias mais próximas do que ele realmente necessita, e, além disso, a percepção dele sobre sua empresa muda ao longo do tempo, por isso é importante continuar seu acompanhamento mesmo após a venda, garantindo sua satisfação.

Estratégias contemporâneas: a transição para modelos circulares

A partir de 2025, o modelo de funil linear passou a ser questionado devido às mudanças no comportamento do consumidor na era da Inteligência Artificial. Estudos indicam que cerca de 80% da jornada de compra é realizada de forma independente antes do contato com a equipe de vendas, e aproximadamente 60% das buscas em motores de pesquisa terminam sem cliques (zero-click searches),[18] com as respostas sendo entregues diretamente por assistentes de IA . Nesse cenário, a estratégia de marketing evoluiu para modelos de crescimento circular[19] que buscam mitigar as limitações do funil tradicional. Uma das abordagens que fundamenta o futuro do marketing é o Loop Marketing. Proposto pela autora brasileira Mariana Pavan Saito na obra "Loop Marketing: O funil de vendas morreu. O crescimento agora é em loop" (2026),[20] o conceito define o crescimento não como uma progressão linear, mas como um sistema empresarial integrado onde a experiência do cliente, a retenção e a recomendação retroalimentam a atração de novos leads. Diferente do funil, que termina na conversão, o sistema de loop estabelece que cada interação pós-venda deve gerar energia para o início de um novo ciclo, transformando clientes satisfeitos em promotores ativos e fontes de dados para a otimização contínua da estratégia. Paralelamente, frameworks táticos como o adotado pela HubSpot em 2025[21] complementam essa visão ao focar na aplicação de IA para personalizar e amplificar a presença da marca em canais fragmentados, como comunidades e redes sociais, visando a descoberta por algoritmos de resposta (Answer Engine Optimization).[22]

Referências

  1. ↑ Barry, Thomas E. (1987). The Development of the Hierarchy of Effects: An Historical Perspective. 10. [S.l.]: Current Issues and Research in Advertising. pp. 251–295
  2. ↑ Townsend, William W. (1924). Bond Salesmanship. Nova Iorque: Henry Holt and Company
  3. ↑ Strong, Edward K. (1925). The Psychology of Selling and Advertising. Nova Iorque: McGraw-Hill
  4. ↑ Patterson, Laura (2008). Marketing Metrics in Action: Creating a Performance-Driven Marketing Organization. [S.l.]: Racom Communications. ISBN 978-1933199153
  5. ↑ «Upsell: O Que É, Como Aplicar e Exemplos Práticos Para Se Inspirar». Neil Patel. 19 de julho de 2019. Consultado em 21 de agosto de 2020
  6. ↑ «White papers no marketing de conteúdo como estratégia vencedora - Avanti Tecnologia & Marketing». blog.penseavanti.com.br. Consultado em 21 de agosto de 2020
  7. ↑ Ferraz, Vinicius (23 de junho de 2020). «Vendas pelo Whatsapp: Como fazer a abordagem certa». Leads2b. Consultado em 27 de julho de 2020
  8. ↑ «Case de sucesso: o que é e 3 cases para se inspirar - Métrica Ninja». 10 de julho de 2023. Consultado em 3 de agosto de 2023
  9. ↑ Holden, Jim (2012). The New Power Base Selling: Master the Politics, Create Unexpected Value and Higher Margins, and Outsmart the Competition. [S.l.]: John Wiley & Sons. p. 142-148. ISBN 978-1118206676
  10. ↑ Toman, Nicholas; Adamson, Brent; Gomez, Cristina (2017). «The New Sales Imperative». Harvard Business Review. 95 (2): 118-125. ISSN 0017-8012
  11. ↑ Sant, Tom (2012). Persuasive Business Proposals: Writing to Win More Customers, Clients, and Contracts 3 ed. [S.l.]: AMACOM. p. 67-84. ISBN 978-0814417850
  12. ↑ «Proposta comercial: modelo, estrutura e como fazer». CNPJ.biz. Consultado em 18 de abril de 2026
  13. ↑ Bosworth, Michael T.; Holland, John R. (2010). CustomerCentric Selling 2 ed. [S.l.]: McGraw-Hill. p. 195-210. ISBN 978-0071637084
  14. ↑ Konrath, Jill (2006). Selling to Big Companies. [S.l.]: Kaplan Publishing. p. 156-163. ISBN 978-1419515620
  15. ↑ Proo, W (24 de fevereiro de 2020). «Como funciona um funil de vendas». WProo Marketing Digital. Consultado em 27 de julho de 2020
  16. ↑ Donald Miller, J.J. Peterson (2020). Marketing Made Simple. [S.l.]: HarperCollins Leadership. ISBN 978-1400203796
  17. ↑ «Venda consultiva: 5 princípios para o seu sucesso». Leads2b. 3 de junho de 2020. Consultado em 27 de julho de 2020
  18. ↑ MOCK, Austin. «What Is HubSpot's Loop Marketing and Does It Work With Endless Customers?». IMPACT. Consultado em 31 de março de 2026
  19. ↑ VAZIRANI, Kiran; JAIWANT, Sunanda Vincent. «The Flywheel: A New Digital Marketing Model». Ushus-Journal of Business Management. 22 (3): 63-77. doi:10.12725 Verifique |doi= (ajuda)
  20. ↑ SAITO, Mariana Pavan (2026). Look Marketing. O funil de vendas morreu. O futuro agora é em Loop. Nova Mutum, MT: CBL. ISBN 978-65-01-99770-4
  21. ↑ HUBSPOT. «Understand Loop Marketing. Knowledge Base». Consultado em 31 de março de 2026
  22. ↑ PROBERT, Clwyd. «B2B Inbound Marketing Trends 2026: What's Actually Changed». Whitehat SEO. Consultado em 31 de março de 2026