Gabinete Waldeck-Rousseau

Gabinete Waldeck-Rousseau
França
Terceira República Francesa
1899-1902
Início22 de junho de 1899
Fim03 de junho de 1902
Duração2 anos, 11 meses e 12 dias
Organização e Composição
TipoGoverno de coalizão
Presidente do Conselho de MinistrosPierre Waldeck-Rousseau
Presidente da RepúblicaÉmile Loubet
ColigaçãoAliança Republicana Democrática (ARD), Partido Radical (PR), Radicais Independentes (RI), Socialistas Independentes (SI) e Partido Socialista Francês (PSF)

O Gabinete Waldeck-Rousseau foi o ministério formado por Pierre Waldeck-Rousseau em 22 de junho de 1899 e dissolvido em 03 de junho de 1902. Foi o 42º gabinete da Terceira República Francesa, sendo antecedido pelo Gabinete Dupuy V e sucedido pelo Gabinete Combes.

Contexto

Com duração de quase três anos, o gabinete organizado por Pierre Waldeck-Rousseau detém o recorde de longevidade dos gabinetes da Terceira República Francesa. Waldeck-Rousseau constituiu um governo de "Defesa Republicana" em meio ao "Caso Dreyfus", integrando no mesmo ministério o general Gaston de Galliffet, o "executor da Comuna de Paris", e o socialista Alexandre Millerand, além de alguns republicanos moderados (agora "progressistas") e radicais, embora confinados a tarefas secundárias. Esta foi a primeira vez que um socialista participou do governo.[1]

O gabinete decidiu, finalmente, pela revisão completa do julgamento de Alfred Dreyfus e realizou um grande expurgo contra os reacionários no serviço público, além de políticas anticlericais. Enquanto isso, em Paris, ele reprimiu a agitação nacionalista, prendendo os líderes de diversos grupos reacionários, como a "Liga dos Patriotas". O julgamento desses agitadores visou demonstrar a firmeza da política de defesa republicana adotada pelo novo Presidente do Conselho de Ministros.[2] Após a nova condenação de Dreyfus com circunstâncias atenuantes (por traição), Waldeck-Rousseau sugeriu apelar para um perdão presidencial: o Presidente da República, Émile Loubet, assinou o decreto de perdão em setembro. Esta medida foi complementada por um projeto de lei de anistia, que absolveu todos os envolvidos.[3]

Em novembro de 1899, o governo organizou um "Festival Republicano" para a inauguração do monumento O Triunfo da República, na Place de la Nation. Nas eleições municipais de maio de 1900, o campo nacionalista já se mostrava em declínio, nomeadamente graças às coligações entre radicais e socialistas.[2] Após a fundação do Partido Radical em junho de 1901, a Aliança Republicana Democrática (ARD), formada por apoiadores do waldeckismo, foi fundada em outubro.[2] O governo também alcançou popularidade em sua política externa, uma vez que a questão colonial deixou de ser objeto de debate, tendo a opinião pública aderido ao império colonial francês, embora o governo se abstivesse de levantar o assunto de modo geral.[2]

Economicamente, o gabinete seguiu uma política liberal clássica, demonstrando preocupação com o equilíbrio orçamentário, defendendo a redução dos gastos do Estado e o aumento das receitas, conseguindo, assim, apresentar orçamentos superavitários. Embora tivesse se declarado, poucos meses antes de chegar ao poder, favorável ao projeto de um imposto de renda, o governo desistiu de apresentar tal projeto perante a Assembleia Nacional Francesa, julgando que não conseguiria obter a maioria.[4]

Na questão social, Waldeck-Rousseau navegava entre a direita (moderados e patrões) e a esquerda (socialistas e radicais). Após a greve geral em Le Creusot, em setembro-outubro de 1899, e do envio de tropas para reprimir a greve em Chalon-sur-Saône e Montceau-les-Mines, o Presidente do Conselho já havia imposto uma prefiguração de conselhos operários aos trabalhadores e, em março de 1901, foi fundada a União das Indústrias e Ofícios Metalúrgicos. Ao mesmo tempo, os trabalhadores dos correios contornaram a proibição de sindicalização do setor público, fundando a Associação Geral de Agentes dos Correios e Telégrafos, e o cofundador da Associação Internacional para a Proteção Legal dos Trabalhadores foi nomeado "Diretor do Trabalho" e seria a força motriz por trás da criação da Organização Internacional do Trabalho após a Primeira Guerra Mundial.[5]

Waldeck-Rousseau, sofrendo de um câncer no pâncreas que o mataria poucos anos depois, renunciou em 03 de junho de 1902. Seguindo seu conselho, o Presidente Émile Loubet apelou a Émile Combes para formar um governo, nomeando-o Presidente do Conselho de Ministros.[2]

Composição

O Gabinete Waldeck-Rousseau em ilustração de 1899.
  • Presidente da República: Émile Loubet
  • Presidente do Conselho de Ministros: Pierre Waldeck-Rousseau
  • Ministro dos Estrangeiros: Théophile Delcassé
  • Ministro da Justiça: Ernest Monis
  • Ministro do Interior e Cultos: Pierre Waldeck-Rousseau
  • Ministro da Guerra: Gaston de Galliffet (1899-1900); Louis André (1900-1902)
  • Ministro das Finanças: Joseph Caillaux
  • Ministro da Marinha: Jean-Marie de Lanessan
  • Ministro da Instrução Pública e Belas Artes: Georges Leygues
  • Ministro das Obras Públicas: Pierre Baudin
  • Ministro da Agricultura: Jean Dupuy
  • Ministro do Comércio, Indústria, Correios e Telégrafos: Alexandre Millerand
  • Ministro das Colônias: Albert Decrais

Realizações

Bibliografia

  • LEYRET, Henry. Waldeck-Rousseau et la Troisième République (1869-1889). Paris; Librairie Charpentier et Fasquelle, 1908.

Referências

  1. ↑ Universalis, Encyclopædia (29 de janeiro de 2025). «Biographie de PIERRE MARIE RENÉ WALDECK-ROUSSEAU (1846-1904)». Encyclopædia Universalis (em francês). Consultado em 18 de abril de 2025
  2. 1 2 3 4 5 Agulhon, Maurice (1976). «Madeleine Rebérioux, La République radicale ? 1898-1914, t. XI». Annales (4): 37-41; 63; 106. Consultado em 18 de abril de 2025
  3. ↑ «Clémenceau de Michel Winock - Livro - WOOK». www.wook.pt. p. 283. Consultado em 18 de abril de 2025
  4. ↑ «Dictionnaire historique de la France contemporaine (Bibliothèque Complexe) (French Edition) - Berstein, Gisèle: 9782870275498 - AbeBooks». www.abebooks.com (em inglês). pp. 112–115. Consultado em 18 de abril de 2025
  5. ↑ «Le Creusot 1898-1900: La naissance du syndicalisme et les mouvements sociaux à l aube du XXe siècle - Parize, René-Pierre: 9782952105187 - AbeBooks». www.abebooks.fr (em francês). pp. 197–201. Consultado em 18 de abril de 2025
  6. ↑ Geslin, Claude; Rébillon, Armand; Sorel, Patricia (14 de novembro de 2022). «COMMEUREC Honoré, François». Paris: Maitron/Editions de l'Atelier. Le Maitron (em francês). Consultado em 21 de abril de 2025
  7. ↑ «Loi du 1er juillet 1901 relative au contrat d'association». www.legifrance.gouv.fr. Consultado em 21 de abril de 2025. Cópia arquivada em 10 de março de 2025