General Film Company
| General Film Company | |
|---|---|
| Sociedade anônima | |
| Atividade | Distribuição cinematográfica |
| Fundação | 1909 |
| Encerramento | 1920 |
| Sede | Nova Iorque, Estados Unidos |
| Produtos | Distribuição de filmes do cinema mudo |
| Empresa-mãe | Motion Picture Patents Company |
A General Film Company foi uma empresa americana de distribuição cinematográfica fundada em 1909 como subsidiária da Motion Picture Patents Company (MPPC), também conhecida como o Edison Trust. Criada para monopolizar a distribuição de filmes nos Estados Unidos, consolidou as redes regionais de distribuidores em uma única corporação nacional, eliminando a concorrência no setor. Em 1915, um tribunal federal concluiu que suas práticas constituíam restrição ilegal ao comércio nos termos da Lei Sherman Antitruste, e a empresa foi dissolvida em 1918.
Formação e contexto
A Motion Picture Patents Company foi constituída em dezembro de 1908 como um truste reunindo os principais estúdios cinematográficos americanos e sucursais de produtoras europeias com atuação nos Estados Unidos, entre eles a Edison Manufacturing Company, a Biograph, a Vitagraph, a Essanay e a Pathé Frères, além da fornecedora exclusiva de película virgem, a Eastman Kodak.[1] O truste detinha patentes sobre câmeras cinematográficas, projetores e perfurações de película, utilizando-as para licenciar produtores, distribuidores e exibidores e impedir a atuação de empresas independentes.
À medida que as patentes de câmera e projetor começaram a expirar a partir de 1911 e 1913, a MPPC perdeu progressivamente a capacidade de controlar a indústria pelo licenciamento de equipamentos. Para manter o domínio sobre a distribuição, o truste constituiu em 1909 a General Film Company, subsidiária dedicada a centralizar o escoamento comercial dos filmes de seus membros.[2]
Operações e controle da distribuição
Ao ser fundada, a General Film Company encontrou um mercado de distribuição pulverizado em cerca de 116 intermediários regionais licenciados pela MPPC para repassar filmes aos exibidores.[3] A empresa procedeu à absorção sistemática dessas distribuidoras, eliminando 115 dos 116 intermediários e reunindo suas operações em uma única rede nacional — a primeira do gênero nos Estados Unidos.[1]
O modelo de negócios era rigidamente vertical: apenas distribuidores autorizados podiam alugar filmes da MPPC, e esses filmes só podiam ser exibidos em salas licenciadas pelo truste, que pagavam royalties pelo uso dos projetores. Qualquer exibidor que contratasse filmes de produtoras independentes perdia imediatamente a licença.[4] O controle sobre a Eastman Kodak assegurava que somente membros do truste obtivessem película virgem de qualidade, inviabilizando tecnicamente a produção independente.
Resistência independente e Hollywood
Produtoras independentes responderam à criação da General Film Company constituindo organizações rivais de distribuição, entre elas a Motion Picture Distributing and Sales Company, a National Independent Moving Picture Alliance e a Film Service Association, todas fundadas para escoar filmes fora do controle do truste.[5] Muitos produtores independentes, que detinham entre um quarto e um terço do mercado doméstico, transferiram suas operações para Hollywood, na Califórnia, onde a distância geográfica em relação à base de Thomas A. Edison em Nova Jérsei dificultava a execução das patentes, e onde o 9.º Circuito Federal era menos propenso a acatá-las.[6]
A recusa da MPPC em adotar o sistema de estrelas e em produzir longas-metragens — cujos filmes eram limitados a uma ou duas bobinas (10 a 20 minutos) por decisão administrativa — favoreceu ainda mais os independentes, que se apropriaram do formato e da promoção de atores como estratégia comercial diferenciada.[4]
Processo antitruste e dissolução
Em 1912, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ajuizou ação civil contra a MPPC e a General Film Company com base na Lei Sherman Antitruste, arguindo que o controle sobre patentes, película, câmeras e projetores constituía conspiração para monopolizar o comércio interestadual de filmes e equipamentos cinematográficos.[3]
Em 1.º de outubro de 1915, o tribunal federal da Pensilvânia proferiu sentença no caso United States v. Motion Picture Patents Co., concluindo que as práticas das empresas excediam em muito o necessário para proteger os direitos de patente e constituíam restrição ilegal ao comércio, ordenando a dissolução do truste.[3][7] A MPPC recorreu, mas em janeiro de 1918 a patente do Latham Loop — peça central do mecanismo de câmera — foi declarada inválida pela Suprema Corte dos Estados Unidos, esvaziando a base jurídica do controle sobre equipamentos.[2]
Em 30 de março de 1918, os ativos da General Film Company foram vendidos à Lincoln & Parker Film Company, de Worcester, Massachusetts. Com a falência desta, Thomas A. Edison recomprou os ativos e os revendeu ao produtor Robert L. Giffen em outubro de 1919, encerrando definitivamente as operações da empresa em 1920.[2]
Estúdios distribuídos
A General Film Company distribuiu a produção dos seguintes estúdios membros da MPPC:
| Estúdio | Período aproximado |
|---|---|
| Biograph Company | 1910–1916 |
| Edison Manufacturing Company | 1910–1911 |
| Essanay Film Manufacturing Company | 1910–1914 |
| Kalem Company | 1910–1916 |
| Lubin Manufacturing Company | 1910–1914 |
| Pathé Frères | 1910–1916 |
| Selig Polyscope Company | 1910–1914 |
| Thomas A. Edison, Incorporated | 1911–1918 |
| Vitagraph Company of America | 1910–1914 |
| Vim Comedy Film Company | 1916 |
Legado
A General Film Company é reconhecida como a primeira empresa de distribuição cinematográfica de alcance nacional nos Estados Unidos.[1] Sua atuação como instrumento de controle do truste foi, paradoxalmente, um dos principais fatores na consolidação de Hollywood como capital mundial do cinema: ao forçar os independentes a migrar para a Califórnia, contribuiu decisivamente para a formação do sistema de estúdios que dominaria a indústria cinematográfica ao longo do século XX.[6]
O acervo documental da empresa e da MPPC, compreendendo registros de 1908 a 1918, é custodiado pela Margaret Herrick Library da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, em Los Angeles.[2]
Referências
- 1 2 3 «Timeline: The Harry & Roy Aitken Papers». Wisconsin Center for Film and Theater Research, University of Wisconsin–Madison. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 3 4 «Motion Picture Patents Company and General Film Company collection, 1908–1918». Margaret Herrick Library, Academy of Motion Picture Arts and Sciences. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 3 «United States v. Motion Picture Patents Co., 225 F. 800 (E.D. Pa. 1915)». Justia US Law. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 «Motion Picture Patents Company». Encyclopædia Britannica. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ Max Joseph Alvarez (2007). «The Motion Picture Distributing and Sales Company». Indiana University Press. Film History: An International Journal. 19 (3): 247–270
- 1 2 «Film History Before 1920». Filmsite.org. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- ↑ «Orders Movie Trust to be Broken Up» (PDF). The New York Times. 2 de outubro de 1915. Consultado em 17 de janeiro de 2026