Guerras Angolanas
Guerras Angolanas
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| Data | 1579 - 1683 | ||
| Local | Angola | ||
| Desfecho | Vitória Portuguesa
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| Beligerantes | |||
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| Comandantes | |||
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As Guerras Angolanas foram uma longa série de conflitos travados em território que hoje faz parte de Angola, envolvendo principalmente o Portugal e o Reino do Dongo, o Reino do Congo, o Reino de Matamba, o Reino de Cassange, o Reino de Libolo e a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, de 1579 a 1683.
Paulo Dias de Novais fundou a cidade de Luanda em 1576 e três anos depois estalaram as hostilidades com o Reino do Dongo, após ter o rei Quiacassenda massacrado a comunidade de mercadores portugueses na sua capital. Os portugueses eram pouco numerosos mas dispunham de equipamento mais pesado e, sobretudo, associaram à sua causa grande número de guerreiros africanos, cujo apoio foi vital para o sucesso das armas lusas no difícil sertão africano.[1] A Rainha Ginga notabilizou-se ao forjar "a maior coligação de estados angolanos no séc. XVII" contra os portugueses que, não obstante, superaram todas as adversidades e emergiram como a principal potência na região.[2]
As hostilidades envolveram Portugal e o Reino do Dongo sobretudo, de 1579 a 1622. Após negociar um tratado de paz entre Portugal e o Dongo, a Rainha Ginga usurpou o poder e estalou a guerra-civil entre os seus partidários e os de um pretendente rival ao trono, Aire Quiluanje, que procurou apoio junto dos portugueses.[3][4] A Rainha Ginga, por sua vez, associou-se aos controversos Imbangalas. A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais conquistou Luanda e Benguela em 1641 e firmou uma aliança com a Rainha Ginga e o Congo, entre outros. Após um período de isolamento no interior, em que os portugueses combateram rodeados contra a Rainha Ginga, os holandeses, o Congo, as tribos da Quissama, Salvador Correia de Sá restaurou Angola ao domínio português, em 1648. A Rainha Ginga assinou então a paz, em 1656 e assumiu uma postura de subordinação a Portugal, ao mesmo tempo que promoveu o Catolicismo no seu reino.[5] Os últimos 27 anos ficaram marcados pela derrota do Congo na Batalha de Ambuíla, a conquista do Dongo pelos portugueses e, por fim, a definitiva vassalização da Matamba, que para todos os efeitos encerrou as Guerras Angolanas.
Estes conflitos, que alteraram radicalmente o equilíbrio de poder na região e marcaram-na profundamente, ficaram registadas principalmente na obra de António de Oliveira Cadornega, História Geral das Guerras Angolanas, uma narrativa épica em três volumes que segue o mesmo estilo das crónicas portuguesas da conquista da Índia e do Brasil.[6]
Contexto
Os portugueses alcançaram Angola em 1482, no reinado de D. João II, quando Diogo Cão subiu o Rio Congo e entrou em contacto com o Reino de Congo. A partir de então foram estabelecidas relações amigáveis entre os dois reinos e em 1491 o rei do Congo converteu-se ao Catolicismo, passando então o reino a ser frequentado por numerosos embaixadores, missionários e mercadores portugueses que se estabeleceram no país.
As relações entre os dois países permaneceram estáveis e em 1568 os portugueses ajudaram o rei D. Álvaro I a rechaçar uma revolta ou invasão dos jagas, o que lhes valeu elevada consideração por parte do rei congo.[7] Como forma de agradecimento, a partir de então o Congo pagou um quinto das conchas de zimbo pescadas na Ilha de Luanda como tributo a Portugal.[8]
A sul do Congo, o reino do Dongo procurara entrar em contacto directo com Portugal em 1518.[9] O reino do Dongo parece ter sido criado a partir do Congo e os reis do Congo reclamavam suzerania sobre o reino mas detinham pouco poder sobre o mesmo.[9] Em 1520 os portugueses enviaram uma missão diplomática ao Dongo que não vingou mas em 1549 o Dongo enviou outra missão diplomática a Portugal e desta resultou o envio de Paulo Dias de Novais à cabeça de uma nova missão diplomática.[9] Regressado à Europa, Paulo Dias obteve autorização do rei D. Sebastião para fundar uma colónia em Angola.[9] O Dongo enviou outra embaixada a Lisboa em 1575 chefiada por Dom Pedro da Silva Manuel, um congo criado em Portugal.[10] Levou presentes de cobre, prata, pau-quicongo e escravos.[10] Foi bem recebido e admitido na prestigiosa Ordem de Santiago, entre outras benesses que recebeu.[10]
Em 1576 Paulo Dias de Novais fundou a cidade de Luanda e o seu objectivo era obter acesso às minas de prata que se dizia existir em Cambambe mas tinha ordens para seguir uma política de contactos bilaterais.[11] Firmou, por isso, tratados de comércio e de aliança militar com o angola ("rei") do Dongo, Ginga Angola Quilombo Quiacassenda.[12] Paulo Dias ofereceu os seus serviços ao rei Quiacassenda e combateu várias vezes a favor do angola contra súbditos rebeldes.[13] Em troca desta ajuda, o rei vendia aos portugueses os rebeldes, prisioneiros de guerra e súbditos condenados à morte por adultério e furto como escravos, auferindo assim grandes lucros.[14][15][12]
Tão amistosas eram as relações com o Dongo que o angola pediu um embaixador para a sua capital de Cabassa e o donatário enviou-lhe Pero da Fonseca com uma comitiva ou guarda de 20 homens.[16][17]
As guerras do Dongo, 1579-1622

Não obstante as boas relações de Paulo Dias de Novais com Quiacassenda, a fundação de Luanda foi mal vista pelos negociantes portugueses e são-tomenses que já viviam na região há muito.[18] Alguns procuraram sabotar as relações entre os dois.[18]
Um experiente mercador português em Cabassa desavindo com Pero da Fonseca, Francisco Barbudo, convenceu o rei Quiacassenda de que Paulo Dias de Novais pretendia conquistar-lhe o reino, que o embaixador era um espião e a sua comitiva uma quinta coluna.[19][20][21][22] Quiacassenda mandou a comunidade portuguesa em Cabassa reunir diante de si no dia seguinte para ouvirem as alegações de Francisco Barbudo, que repudiaram com perplexidade mas o rei desprezou os seus argumentos.[20][22] Após consultar os seus conselheiros, o angola decidiu mandar massacrar todos os portugueses em Cabassa.[21][23][24][25] Barbudo foi também executado, por acreditar o rei que "não era correcto que quem causara a morte dos seus compatriotas vivesse".[20][21] O mesmo sucedeu aos mercadores portugueses espalhados pelo país e os seus bens foram confiscados. Quase mil congos que se encontravam então em Cabassa foram também massacrados por ordens do rei Quiacassenda, o que apenas contribuiu para deteriorar ainda mais as relações com o reino do Congo.[26]
O despoletar da guerra entre Portugal e o Dongo deveu-se a este incidente que ficou doravante conhecido como "a traição" do rei do Dongo.[22][21] O rebentar das hostilidades também deixou o embaixador D. Pedro da Silva Manuel preso em Lisboa, ao passo que o Dongo deixou de ter contacto diplomático directo com a Europa.[26]
A primeira guerra do Dongo

Após o massacre de Cabassa, Quiacassenda começou a reunir um exército para expulsar os portugueses da região e destruir Luanda.[23][21] Paulo Dias de Novais encontrava-se por então acampado perto do Cuanza com as suas tropas e recebeu um mensageiro do angola com um aviso para não avançar mais para o interior do Dongo.[21][27] O donatário deslocou-se para Anzele, na província da Ilamba, e ali levantou um forte de madeira, equipado com dois canhões, a meio caminho entre os rios Cuanza e Bengo, a 50 quilómetros de Luanda.[21][22][27] Só vinte dias mais tarde chegaram a Anzele notícias do massacre e da aproximação do exército do Dongo.[22][21] Paulo Dias de Novais não se deixou intimidar pelas circunstâncias mas encorajou os seus soldados ao combate com a esperança de vingarem o massacre.[27] O forte de Anzele foi cercado por 12,000 guerreiros mas o fogo de artilharia dispersou-os quando tentaram tomá-lo de assalto e por fim uma bem-executada surtida pelos portugueses obrigou os ambundos a retirarem-se.[22][21][23][28] O rei Quiacassenda pediu a paz após o cerco de Anzele, mas Paulo Dias de Novais repudiou-a e o angola mandou depois executar os seus conselheiros que o haviam exortado à guerra.[27][28]
Entretanto, a 23 de Fevereiro de 1580 chegou a Luanda uma frota com reforços enviados de Portugal.[22][21] Entre eles contavam-se dois padres Jesuítas e um deles, o padre Baltasar Barreira, partiu imediatamente para o Congo a solicitar apoio militar.[22][21] Dotado agora com 1200 homens entre europeus e africanos, Paulo Dias de Novais subiu o Cuanza em duas galiotas, uma pequena caravela e dois batéis e passou dois meses sob a chuva tropical a combater contra sobas hostis ao longo das margens do rio, tendo reduzido vários à vassalagem.[22][21] O Dongo dividia-se em centenas de pequenos distritos governados por chefes tribais chamados sobas.[29] Paulo Dias de Novais fundou um acampamento fortificado em Mocumbe a 16 de Novembro e passou ali os oito meses seguintes, a explorar a região, a combater contra sobas hostis e a baptizar outros que se aliaram a Portugal.[22][21]
Em 1581, o soba Songa da Quissama converteu-se ao Catolicismo com mais 400 pessoas após ter sido derrotado em batalha e adoptou o nome de Dom Paulo de Novais, em deferência a Paulo Dias de Novais.[22] Como resultado dos esforços do padre Baltasar Barreira, ainda em 1581 o Congo partiu em auxílio de Paulo Dias de Novais com um exército de 60,000 homens, entre os quais se contavam 120 Portugueses que por então vivam no reino mas a batalha que travaram contra as tropas do Dongo nas margens do rio Bengo revelou-se indecisiva.[30] Chegados a Julho daquele ano, as provisões já escasseavam a Paulo Dias de Novais e muitos dos seus camaradas tinham sido dizimados por doenças tropicais mas o padre Barreira convenceu os residentes de Luanda a organizar uma expedição de socorro, que alcançou Mocumbe a 24 daquele mês.[22][21]

Nos oito anos seguintes, Paulo Dias de Novais prosseguiu com a guerra contra o Dongo, travou várias batalhas, vassalizou ou converteu numerosos sobas e fundou a fortaleza de Massangano.[22][21] A crueldade do rei Quiacassenda empurrou muitos sobas para o lado de Portugal.[31] A 25 de Agosto de 1585, o capitão André Ferreira Pereira conseguiu uma importante vitória contra o Dongo na Batalha de Casicola, com 130 soldados e 8,000-10,000 guerreiros auxiliares.[32][33][34][35] Isto permitiu aos portugueses pacificar as terras da Ilamba em redor de Luanda pois no rescaldo do combate muitos sobas hostis passaram para o lado de Portugal.[36] Ainda naquele ano, o rei Quiacassenda partiu contra os portugueses à cabeça do seu exército em pessoa mas foi emboscado e derrotado na Primeira Batalha do Lucala, que confirmou a vitória de Casicola.[37]

Paulo Dias de Novais faleceu a 9 de Maio de 1589 e foi enterrado num túmulo simples diante da igreja de Massangano.[22][21] O donatário financiara a empresa de Angola do seu próprio bolso e morreu falido.[38] Os seus sucessores decidiram prosseguir com a guerra até terem capturado as míticas minas de prata de Cambambe. Nos quinze anos que se seguiram, os portugueses levaram a cabo várias campanhas contra o Dongo, apoiados por milhares de auxiliares ambundos e, não obstante grandes perdas por doenças devido ao clima, fundaram os presídios de Muxima e por fim de Cambambe.[22][21] As minas de prata que se dizia existir em Cambambe, porém, revelaram só conter chumbo.[22][21]
Pouco após a fundação de Cambambe, a 70 quilómetros apenas da capital do Dongo, o sucessor do rei Quiacassenda, Bande Angola, enviou um pedido de paz e também solicitava missionários Jesuítas para evangelizar o seu povo.[21] O então governador, Manuel Cerveira Pereira, pretendia restabelecer relações comerciais com o angola e procedeu a uma votação entre os seus oficiais, na qual foi deliberado não se prosseguir mais com as hostilidades, encerrando-as em 1604.[22][21] Os sobas que entretanto reconheceram a autoridade portuguesa ficaram sob a tutela de Luanda.
A segunda guerra do Dongo
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Em 1611, o rei Bande Angola começou a atacar as feiras no sertão e os mercadores portugueses que tomavam parte nelas. Ao saber disto, o governador Bento Banha Cardoso preparou-se para levar a cabo uma nova guerra contra o Dongo e firmou uma aliança com os jagas imbangalas, que passariam a servir os portugueses como mercenários.[39][40] Entre eles contava-se Culaxingo do Cassange, que atravessou o rio Cuanza com a ajuda dos portugueses e estabeleceu-se com a sua tribo na periferia de Angola.[41] A tribo do Cassange era a mais poderosa de entre os imbangalas.[42] As campanhas de Bento Banha Cardoso naquele ano pacificaram temporariamente a região, elevaram de 14 para 78 os sobas vassalos a Portugal e ainda fundou o presídio de Ambaca.[39]
Após a campanha contra o Dongo, Bento Banha Cardoso defendeu Luanda de um ataque do dembo Nambuangongo, que quase alcançou a cidade à procura de comida.[43] Seguiu-se um período de paz na região, que Bento Banha considerou conveniente pois a pólvora quase esgotara em Angola.[43]
A Bento Banha Cardoso sucedeu-lhe no governo de Angola o governador Manuel Cerveira Pereira, que persuadira o rei Filipe III (II de Portugal) a fundar uma nova colónia em Benguela.[44] Enquanto organizava a expedição Cerveira Pereira pacificou alguns sobas revoltosos no interior e, passados dezoito meses desde que regressara a Luanda, partiu em direcção ao sul, deixando a cidade a cargo de António Gonçalves Pita.[44] O governador alcançou a região de Benguela mas ali descobriu que o Reino de Benguela havia sido aniquilado pelos imbangalas e toda aquela zona encontrava-se de tal maneira despovoada e falha de vida económica que seguiu imediatamente mais para sul.[45] Por então já toda a terra a sul do Cuanza fora "destruída e demolida pela actividade dos imbangalas".[45]
A guerra contra o Dongo assumiu maiores proporções em 1617. Em inícios deste ano faleceu o rei Bande Angola e sucedeu-lhe no trono o filho, Angola Bande, que lançou uma violenta perseguição contra rivais políticos: matou um meio irmão, a mãe deste e os irmãos e irmãs desta, o tendala da Corte, muitos funcionários e as suas famílias, esterilizou violentamente as suas três irmãs, Quifunge, Mucambo e Jinga, a quem, na verdade, pertencia o trono de direito e matou o filho desta última.[46][47][48] Também repudiou a diplomacia com os portugueses e reuniu tropas para atacá-los.[48] Em Luanda, entretanto, desembarcou o novo governador Luís Mendes de Vasconcelos, que se propusera ligar Angola à contra-costa e conquistar o Dongo, para o qual tinha o apoio de numerosos sobas insatisfeitos com Angola Bande, incluindo um pretendente rival, e que se colocaram voluntariamente sob as suas ordens.[48][47]
O presídio de Ambaca foi cercado pelas tropas do Dongo comandadas por Caita Calabalanga, o último soba poderoso ainda leal a Angola Bande mas com a ajuda das tropas imbangalas, o governador desbaratou o exército ambundo em batalha e depois alcançou a capital do Dongo, Cabassa, praticamente sem oposição.[47][46][49] As campanhas no Dongo continuaram nos quatro anos seguintes e causaram grande devastação, tendo os portugueses logrado capturar importantes pessoas associadas a Angola Bande, que se refugiou com a sua Corte nas ilhas de Quindonga, no Cuanza.[47][46][48] A segunda guerra do Dongo coincidiu com uma seca devastadora.[50] O governador Luís Mendes de Vasconcelos também conquistou os Dembos, muito disputados entre o Dongo e o Congo e cujos chefes passaram para o lado de Portugal.[51]
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A segunda guerra do Dongo resultou, entre outras coisas, na vassalização de 190 sobas a Portugal.[49][47] Não obstante, Luís Mendes de Vasconcelos reuniu abrangentes críticas devido a irregularidades, a excessos cometidos no Dongo e também porque as tropas imbangalas assaltaram terras portuguesas.[47][46] O seu sucessor, João Correia de Sousa prendeu-o e entabulou negociações de paz com o Dongo.[47] Para representá-lo em Luanda, Angola Bande escolheu a sua irmã Ginga que, em Luanda, converteu-se ao catolicismo, adoptando o nome de D. Ana de Sousa.[46] Com esta conversão, Ginga ou D. Ana obteve dos o apoio que necessitava para as suas ambições pessoais no Dongo.[52][53]
Campanha contra o Cassange
Entre os termos de paz negociados por Ginga contava-se uma expedição militar contra os imbangalas do reino de Cassange, que entretanto tinham declarado a independência.[46] Agora davam guarida a guerreiros que atacavam as caravanas e os sobas vassalos tanto do Dongo como de Portugal. Já em Dezembro de 1620, alguns guerreiros tinham assaltado o caminho que ligava Luanda a Tombo e refugiaram-se depois na "ensaca" de Cassange.[54] Ali, reuniram em seu torno numerosos sobas para continuarem a pilhar fazendas, gado e escravos.[54] O governador João Correia de Sousa entregou esta missão ao capitão-mor Pedro de Sousa Coelho que partiu à cabeça de um "quilombo" ou exército misto de portugueses e guerra preta, divididos em sete "lucanzos" ou destacamentos.[54] Contou com a participação dos capitães espanhóis Roque de São Miguel, João da Vilória e o genro deste último, o sargento-mor António Bruto, que coordenaram as acções no terreno.[54]

A infantaria portuguesa desbaratou os imbangalas e incendiou as suas povoações à medida que avançava em direcção à capital ao passo que a cavalaria ficou em alerta em Luanda, pronta para perseguir quaisquer fugitivos.[54] O cerco à ensaca de Cassange foi duro mas, depois do capitão-mor Pedro de Sousa Coelho ter colocado o sargento-mor António Bruto a barrar o acesso a uma lagoa próxima, muitos sitiados renderam-se, tendo o quinguri ou líder imbangala vindo a ser capturado no decorrer das operações.[54]
Culaxingo foi levado para Luanda e degolado publicamente a 22 de Maio de 1622.[54] Os sobreviventes do ataque elegeram Calunga como novo líder, fugiram para sul e estabeleceram-se num território entre os rios Cuango e Liu, que ficaria conhecido como Baixa de Cassange.[55] O angola tentou convencer o governador a expurgar esta ensaca também mas sem sucesso.[55]
Primeira campanha contra o Congo
Após a campanha do Cassange, o governador João Correia de Sousa exigiu ao rei do Congo D. Álvaro III que substituísse o duque de Ambamba Pedro Afonso, por roubar gado aos portugueses e de albergar escravos e prisioneiros de guerra fugidos.[56] Como o rei se recusava a dar resposta às queixas de Luanda, o governador português declarou guerra ao Congo, não obstante os protestos tantos dos missionários como dos residentes de Luanda.[57] O capitão-mor Pedro Sousa Coelho foi enviado para o Congo com um exército de 30,000 homens, entre os quais se contavam 130 soldados europeus, auxiliares ambundos e os temidos mercenários Imbangalas.[56][58] Era provavelmente a maior força reunida pelos portugueses em Angola até então.[56]
O exército português dirigiu-se a Nambu-Andongo, nos Dembos ocidentais, cujo soba foi derrotado e a região ocupada.[58][56]
O rei D. Álvaro III morreu pouco depois a 4 de Maio e deixou um jovem filho incapaz de governar mas, quando se esperava uma guerra civil entre facções rivais de aristocratas que defendiam candidatos diferentes ao trono, a aristocracia do Congo concordou em eleger o mais afastado duque D. Pedro Afonso.[56] É provável que o momento de crise aliado às capacidades militares e de formar compromissos de D. Pedro tenham ajudado à sua eleição.[56]

Entretanto, as tropas portuguesas já tinham marchado sobre Bamba e quando o novo duque de Bamba Paulo Afonso acorreu com um exército de 3,000 homens, não fazia ideia que defrontava uma hoste dez vezes maior.[56] Na Batalha de Bumbi a 18 de Dezembro de 1622, o duque de Bamba D. Paulo Afonso atacou com ânimo e dispersou os arqueiros ambundos aliados dos portugueses mas os guerreiros congos revelaram-se incapazes de fazer frente à infantaria portuguesa, cujas armas de fogo penetravam os seus escudos.[56] O exército do duque foi então desbaratado por um grande contra-ataque dos imbangalas, morrendo no combate tanto D. Paulo Afonso como o marquês D. Cosme de Pemba.[56] No rescaldo da batalha, muitos foram devorados pelos imbangalas.[59]
Os portugueses avançaram então por Bamba mas em Janeiro de 1623 foram desbaratados em Ambanda Cassi pelo exército real do Congo, que provavelmente contabilizava 20,000 homens.[56] O rei D. Pedro depois avançou com o exército real para uma campanha nos Dembos e recuperou para a sua autoridade os sobas que se haviam entretanto aliado aos portugueses.[56] Em Bumbi e por toda a região os negociantes portugueses foram atacados, espoliados e alguns deles assassinados, não obstante os esforços do rei D. Pedro II para protegê-los.[56][59]
Ao chegarem a Luanda as notícias do desaire de Ambanda-Cassi, o governador foi deposto pelos portugueses e substituído pelo bispo de Luanda, Simão Mascarenhas, que favorecia a conciliação com o Congo.[56] D. Pedro, porém, escreveu cartas à República dos Países Baixos, propondo-lhes uma aliança para expulsar os portugueses de Angola, a troco de marfim e prata.[56] No entanto, morreu pouco depois e foi sucedido no trono por pelo rei D. Garcia I.[56]
A era da Rainha Ginga, 1624-1656
No Dongo, diversos grupos de Imbangalas renegados ainda se mantinham no activo a saquear o reino.[60] Lopo Soares Lasso foi enviado com um contingente de tropas para ajudar a escorraçá-los.[60] Dois líderes imbangalas foram capturados pelos portugueses mas o Cassange manteve-se fora de controlo.[60]
Após a assinatura da paz com os portugueses em 1622, o rei do Dongo Angola Bande caiu numa depressão profunda. Morreu em circunstâncias suspeitas e alguns alegaram que se suicidara, outros que fora assassinado pela popular D. Ana Ginga.[61] A versão do assassínio viria mais tarde a ser corroborada pela própria.[62] D. Ana assumiu então a regência em nome do filho e herdeiro de Angola Bande. O rei entregara-o ao jaga Caza, um líder imbangala que fora instruído a proteger o jovem e oferecer-lhe uma instrução militar.[63] No entanto, D. Ana convenceu o Caza a entregá-lo mediante um suborno.[61] O herdeiro foi então assassinado e D. Ana usurpou o poder em 1624, passando então a perseguir violentamente quem não aceitasse a sua autoridade, bem como os membros das linhagens reais com direitos ao trono.[64][65][66]
A legitimidade da Rainha Ginga era, porém, precária, pois tratava-se apenas de uma meia-irmã de Angola Bande, filha de uma escrava da Corte.[67] Tinha pouca relação com qualquer uma das linhagens reais e a maioria das suas ligações eram a pessoas nascidas fora delas.[67] As leis tradicionais do Dongo excluíam do trono mulheres e qualquer pessoa que se tivesse mostrado hostil ao angola.[67] A sucessão da Rainha Ginga representou em parte um golpe palaciano contra as leis do reino.[67] Ginga ofereceu aos portugueses livre acesso ao Dongo, sacrificou os interesses das linhagens nobres e substituiu a política de oposição a Portugal por uma de "relações harmoniosas" em troca de se retirarem os portugueses de Ambaca, fortaleza tornada supérflua pelo livre acesso.[68] A tomada do poder pela Rainha Ginga criou uma divisão entre os seus apoiantes e os apoiantes de um parente afastado de Angola Bande, o senhor das Pedras Negras de Pungo Andongo, Aire Quiluange, soba vassalo de Portugal.[69]

Em Junho daquele ano desembarcou em Luanda o novo governador, Fernão de Sousa, que passou os primeiros seis meses do seu mandato a defender a cidade de ataques da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.[55] Uma frota holandesa comandada por Piet Heyn atacou a cidade a 30 de Outubro mas a 6 de Novembro fora obrigada a retirar-se.[70] Vários nobres congos poderosos simpatizavam com os holandeses, nomeadamente o conde do Sonho, que os acolhia no seu porto de Pinda.[55] Os holandeses partiram então para o Sonho à espera de encontrarem o exército real do Congo pronto para partir contra Luanda mas, ao chegarem, grande foi a sua surpresa quando o conde do Sonho António Manuel lhes declarou então ser um amigo dos portugueses, um fiel católico e recusou-se a reconhecer as cartas escritas por Piet Hein ou a apoiá-lo.[70]
As relações entre Luanda e Quindonga então agravaram-se, pois o governador Fernão de Sousa exigia que a rainha parasse de incitar as populações de quimbares a mudarem-se para o seu reino, ameaçando-a de guerra, ao passo que a rainha exigia que os portugueses abandonassem a fortaleza de Ambaca e que devolvessem os seus súbditos aprisionados no tempo do governador Luís Mendes de Vasconcelos.[55] Paralisadas as negociações, a Rainha Ginga procurou apoio entre os vizinhos imbangalas, pois estes também não pertenciam a linhagens nobres, reservavam elevadas posições a mulheres e tinham um historial de hostilidade não só aos portugueses como também aos próprios ambundos.[71]
A Ginga aliou-se ao jaga Caza, um dos mais poderosos líderes imbangalas a sul do Cuanza e em troca assegurou para si o título de tempaza, reservado a mulheres de elevado estatuto e que conferia abrangentes poderes tanto na guerra como na política.[72] Uniam-nos interesses mútuos, pois o Caza procurava uma "primeira mulher" que servisse de tempaza e executasse os rituais associados.[73] A Rainha Ginga, por sua vez, procurou apresentar-se como a reincarnação de Tembandumba, uma lendária rainha guerreira a quem se atribuia a criação das leis e rituais imbangalas.[73] Ela selou a sua aliança e casamento com o Caza sacrificando num almofariz uma recém-nascida, de cujos restos mortais triturados fez um unguento sagrado, chamado maji a samba.[73] Os ossos do falecido Angola Bande foram por sua vez mantidos num cofre de prata na Ilha de Imbilas ("túmulos" em quimbundo) para serem usados em rituais de xinguila ("espiritismo" em quimbundo), nos quais a rainha levou a cabo sacrifícios humanos sob o pretexto de saciar a fome do espírito do falecido rei, e através de uma rede de espiões ou informadores a rainha promoveu a crença entre os seus súbditos que era uma poderosa vidente capaz de metamorfose.[74]
Em Luanda, entretanto, o governador português também se preparava para a guerra.[75] Por então já todos os aliados imbangalas recrutados pelo governador Fernão Mendes de Vasconcelos tinham desertado, pelo que Fernão de Sousa recrutou os guerreiros do jaga Kinda e do jaga Zanza, que foi instruído a atacar o soba Cafuxi Cambari, na Quissama, e conquistar as suas minas de sal.[75] O governador, porém, descartou a ideia de anexar o Dongo e antes ofereceu o seu apoio a Aire Quiluange, com quem se encontrou em Ambaca mas a Rainha Ginga usou isto como pretexto para enviar um exército a sitiar Pungo Andongo em inícios de 1626.[55]
Guerra entre a rainha Ginga e Portugal 1626-1641

O Pungo Andongo foi socorrido por um exército comandado pelo ex-governador Bento Banha Cardoso, que marchou depois sobre o Reino do Dongo e entregou-o a Aire Quiluange, para além de que avassalou vários sobados a sul do Cuanza.[55] As ilhas de Quindonga foram então sitiadas em Abril mas rebentou a peste e a rainha Ginga logrou fugir ao fim de dois meses e partir em direcção ao reino do jaga Caza.[55]
Aire Quiluange faleceu vítima da epidemia mas a 12 de Outubro de 1626, o governador Fernão de Sousa coroou em pessoa em Pungo Andongo, como novo rei do Dongo, um irmão de Aire Quiluange, que adoptou o nome de D. Filipe de Sousa.[55]
Entre 1626 e 1629, a Rainha Ginga viveu praticamente a monte e perseguida pelos portugueses, mudando frequentemente a sua Corte de sítio para não ser capturada.[76] Neste entretanto, o Congo reconheceu a Rainha Ginga como legítima soberana do Dongo e enviou-lhe presentes, em 1627.[77] O capitão-mor Bento Banha Cardoso faleceu em Agosto de 1628 e foi substituído por Paio de Araújo de Azevedo que, a 29 de Maio de 1629, renunciou à perseguição quando soube que a Rainha havia fugido pelo penhasco da Quina Grande das Ganguelas com a ajuda do povo songo.[76] Estes penhascos rodeavam o vale do Lui-Cuango.[78] A aliança da Rainha Ginga com o jaga Caza revelou-se tão breve quanto a sua aliança com os portugueses, pois ele passou para o lado de Portugal.[79] Abandonada pelos imbangalas do Caza, procurou refúgio entre os imbangalas do Cassange para leste, porém também aqui a rainha foi repudiada.[78] A partir de então o Cassange e a Rainha Ginga passaram a ser ferozes rivais.[80]
Rejeitada no Cassange mas por então já partidas as tropas portuguesas do Dongo, a Rainha Ginga regressou às ilhas de Quindonga com os seus seguidores.[81] No entanto, ela percebeu que devia afastar-se o mais possível de Luanda e dos portugueses, agora que se encontrava sem aliados.[81] Para nova base de operações escolheu a grande região baixa para nordeste, onde se situava o reino de Matamba, que lançara na região o excepcional precedente de ter mulheres reinantes.[81] As rainhas de Matamba haviam recentemente sido obrigadas a aceitar a suzerania do Dongo mas a guerra com os portugueses desestabilizara a região.[81] A Rainga Ginga aproveitou a situação para conquistar a Matamba.
Após conquistar a Matamba, a rainha forjou a maior aliança de estados angolanos do séc. XVII, formada inicialmente pela Matamba, pelo Dongo e pelo reino de Cassange, vindo depois a incluir os sobados de Quiassama, alguns nos Dembos e também o Congo.[2] Os portugueses agora enfrentavam ataques da Rainha Ginga a partir do leste, do Congo a norte, os holandeses a ocidente vindos do mar e das tribos quissamas a sul, que começaram a atacar os presídios portugueses no corredor entre o Cuanza e o Bengo com crescente persistência a partir de 1635.[76] Em 1639, porém, os portugueses alcançaram um acordo de paz e aliança com o reino de Cassange.[82]
Ocupação Holandesa de Luanda 1641-1648
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A 2 de Fevereiro de 1641, a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais ocupou Benguela, mas os seus moradores refugiaram-se em Caconda, mais para o interior.[76] Dois meses mais tarde, Luanda rejubilou com a chegada da notícia da Restauração da Independência e D. João IV foi aclamado mas, não obstante Portugal já não fazer parte de Espanha, a cidade foi atacada por uma armada comandada por Cornelis Jol entre 22 e 23 de Agosto.[76]
O governador Pedro César de Menezes mandou evacuar a cidade a 26 de Agosto e liderou a maioria dos moradores portugueses para um acampamento nas margens do rio Bengo primeiro, para depois seguirem para a Vila Vitória de Massangano, que alcançaram em Dezembro ao fim de uma perigosa caminhada.[76] Em Massangano, o governador obteve ainda a aliança de vários chefes africanos, como o jaga Cabuco mas os portugueses contavam também com o apoio de outro aliado fiel, o rei D. Filipe do Dongo.[83] Auxiliados pelo rei D. Filipe do Dongo e pelos mercenários imbangalas, os portugueses continuaram a combater e resistir a partir de Massangano, mas também de Ambaca e Muxima, aos ataques dos holandeses, da Rainha Ginga e do Congo, entre outros reinos africanos hostis.[84] Renovaram ainda a aliança com o Cassange, e o governador encorajou ataques dos imbangalas à Rainha Ginga.[85] .[76]

Ocupada Luanda pelos holandeses, a Rainha Ginga assinou uma aliança com a Companhia. Em troca recebeu armas de fogo.[86] De forma a abrir um caminho até ao mar, a Rainha Ginga enviou o seu braço-direito, o general imbangala Ginga Amona a conquistar os Dembos.[87] A maioria dos dembos reconheceram a autoridade da Rainha mas um chefe dembo foi esmagado quando tentou resistir ao avanço das tropas de Ginga Amona.[87] O rei D. Garcia do Congo também assinou uma aliança com os holandeses a 28 de Março de 1642.[88] Avançou então com o seu exército para sul e, com a ajuda dos holandeses, derrotou os portugueses em batalha a 24 de Setembro daquele mesmo ano.[88] A Rainha Ginga também avançou com as suas tropas para Sengas Cavanga, em cuja localidade assentou arraial e pouco depois encontrava-se em contacto directo com o Congo.[89] De Cavanga a Rainha pôde assegurar o eficaz controlo dos Dembos e ameaçar a fortaleza portuguesa de Ambaca.[90]
Não obstante o estado de guerra com os holandeses, muitos portugueses deslocavam-se a Luanda para negociar, ao passo que os holandeses viam-se incapazes de avançar para o interior, em grande medida devido à pertinácia dos capitães dos rios Fernão Rodrigues e Gaspar Gonçalves Ensadeira.[91] O rei do Congo e a rainha Ginga, por sua vez, tinham dificuldade em aceder às rotas comerciais do interior e fornecer aos holandeses escravos em números suficientes, o que lhes causava enormes prejuízos, ao passo que os portugueses mantinham-se em contacto com os sobas seus aliados e com o Brasil através dos rios Bengo e Cuanza, em cujas barras os navios ancoravam.[91] Porém as condições em Massangano não deixavam de ser precárias também, devido à falta de comida e de roupa.[92] A 30 de Janeiro de 1643, portanto, o director Cornélio Nieulant assinou uma trégua com o governador Pedro César de Meneses, mediante a qual permitia que várias famílias de negociantes portugueses se instalassem numa povoação construída perto de Luanda, apelidada de "Arraial do Gango".[91] Esta trégua, porém, indignou o rei Garcia, que imediatamente abandonou a aliança com os holandeses para se focar na política interna do reino, que ameaçava a guerra civil com o conde do Sonho.[93]
A trégua não durou quatro meses pois a 17 de Maio de 1643 o Arraial do Gango foi pilhado por soldados holandeses, que suspeitavam que o governador Pedro César de Meneses se preparava para atacar Luanda.[94][91][95] Mais de 30 pessoas morreram e foram capturadas 300.[91] Entre os prisioneiros, contava-se o próprio governador, que logrou fugir em Dezembro.[91] As reservas de alimentos por então escasseavam tanto aos portugueses como aos holandeses, por isso a 1 de Julho a trégua foi restabelecida para permitir que o comércio continuasse.[95]
Em inícios de 1644 a rainha Ginga intensificou os seus ataques aos presídios portugueses: mobilizou os seus aliados no Libolo que, apoiados pelo seu lugar-tenente Jinga Amona e comandados pelo quissama Angolomem-a-Caita, intensificaram os ataques contra os presídios portugueses.[96] Jinga Amona logrou matar em combate o capitão-mor do presídio de Ambaca Francisco da Fonseca Saraiva.[76] Um reforço de 300 homens vindos do Brasil, entre os quais se contavam 100 soldados africanos, desembarcou em Quicombo a 12 de Abril mas foi massacrado pelos imbangalas de Quissama.[76]

Em Luanda, o director Hendrick van Redinckhoven negociou com a Rainha Ginga um aumento do fornecimento de escravos mas isto fez com que a comida na cidade escasseasse de tal forma que van Redinckhoven viu-se obrigado a vender armas e munições aos portugueses em troca de alimentos, o que desagradou ao conselho de directores da Companhia, nos Países Baixos.[95] O Conselho decidira reduzir o fornecimento de alimentos à colónia para cortar nas despesas e obrigá-la a tornar-se auto-suficiente, encorajando os soldados a tornarem-se agricultores ao concluírem os seus contractos mas isto falhou, pois poucos queriam estabelecer-se em Angola e os que o fizeram desconheciam as práticas de agricultura local.[95] Chegados a fins de 1644, os holandeses já pouco tinham com que alimentar a sua guarnição, o que levou a agitação entre as tropas.[95]
O governador Pedro César de Meneses foi sucedido no cargo por Francisco de Souto-Maior, que alcançou as costas de Angola em Outubro de 1645 com um reforço de 260 soldados.[95] O conselho de directores da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais tinha avisado van Redinckhoven da preparação de uma expedição portuguesa de socorro a Angola, mas o director ignorou os avisos.[95] De forma a eludir a vigilância dos holandeses, Francisco de Souto-Maior desembarcou em Suto, perto de Cabo Ledo, a sul de Luanda, e marchou as suas tropas para Massangano divididas em três destacamentos.[97][95] Foi recebido triunfalmente na vila à chegada.[98]
Os holandeses quebraram novamente a trégua com os portugueses pois o novo director em Luanda, Cornélio Ouwman mandara atacá-los preventivamente depois de saber do desembarque de tropas em Cabo Ledo.[95] O governador Souto-Maior comentou após este caso que "não temo todo o poder da Holanda! O flamengo há de me temer a mim!"[98] No entanto, decidiu focar-se em combater a Rainha Ginga primeiro.[95] Com a ajuda do rei D. Filipe do Dongo e dos Imbangalas, os portugueses derrotaram a Rainha Ginga na Batalha de Xila em Março de 1646, com 346 soldados europeus e mais de 20,000 guerreiros africanos, entre arqueiros ambundos, mercenários imbangalas e empacasseiros.[98][99][100] A Rainha Ginga logrou fugir uma vez mais, mas a sua irmã, Bárbara, foi capturada, juntamente como grande quantidade de correspondência entre o trem de bagagem das suas tropas, que revelou aos portugueses a espionagem que a sua irmã Engrácia fazia em Luanda.[99] Não obstante esta derrota, a Rainha Ginga repudiou as negociações de paz.[100]
Francisco de Souto-Maior morreu vítima de uma doença a 19 de Maio, quando se preparava para levar a cabo uma campanha contra os holandeses.[101] Foi substituído por um conselho formado por Bartolomeu de Vasconcelos da Cunha, António Teixeira de Mendonça e João Zuzarte de Andrade, que decidiram empregar os escassos recursos disponíveis de forma diferente.[101][95] Dado que as provisões em Massangano começavam a escassear, António Teixeira de Mendonça chefiou uma expedição militar aos Dembos para abrir um caminho para o mar, mas foram rechaçados pelos holandeses perto do rio Lucala.[101] Nos dois anos seguintes, os portugueses, isolados no interior, sofreram grandes penúrias e em 1647 foram derrotados na Batalha de Combi pelos holandeses coligados com o Congo e a Rainha Ginga.[99][95] Um destacamento holandês comandado por Thijmen Pietersen, coligado com as tropas da Rainha Ginga, infligiram uma nova derrota aos portugueses em Agosto de 1648, que aniquilou de vez o potencial militar luso em Angola.[95] A Rainha Ginga avançou então para um assédio aos presídios portugueses de Massangano, Ambaca e Muxima.[102] O apoio do rei D. Filipe do Dongo e dos seus milhares de guerreiros permitiram aos portugueses resistir.[103]
Restauração de Angola 1648-1656
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Luanda foi recuperada por uma frota de 11 navios e 1100 homens comandada por Salvador Correia de Sá, ao fim de operações militares que duraram de 14 a 18 de Agosto, tendo os holandeses capitulado oficialmente a 21, após fraca resitência.[104][105] A rápida reconquista de Luanda por Salvador Correia de Sá deveu-se à "sua táctica desassombrada e perturbadora, pela falta de comando do inimigo e pelo carácter vincadamente mercenário das suas tropas, indignadas com maus pagamentos".[106]
Ainda em 1648 Salvador Correia de Sá reconquistou para a Coroa Portuguesa todos os sobas que se afirmavam leais à Holanda, iniciou a pacificação de outros que ainda se mantinham hostis aos portugueses e assinou uma paz com o Reino de Cassange.[107] Não aceitou, porém, selar a paz com a Rainha Ginga pois esta exigia a devolução da sua irmã, D. Bárbara.[107]
Regressados os exércitos de duras campanhas em Sumbe e nas Ilhas dos Mabus, que duraram de 1648 a 1649, Salvador Correia de Sá enviou em 1651 uma nova expedição de 400 homens e milhares de auxiliares africanos, comandados pelo capitão-mor Jorge da Silva, ao dembo Ambuíla, cujos sobas atacavam europeus, caravanas de mercadores e davam guarida a escravos fugidos.[108] Disto resultou a construção de uma fortaleza de pau-a-pique, rodeada por grandes trincheiras, na margem esquerda do rio Dande.[108] Em Janeiro de 1649 foi também enviada uma expedição em cinco barcos longos a pacificar os sobas nas margens do Cuanza que espoliavam a navegação fluvial, estabelecendo-se a normalidade.[109]
Incapaz de avançar contra Luanda devido às tropas portuguesas que guarneciam as margens do rio Dande, a 13 de Abril de 1649 o rei D. Garcia II assinou capitulações com Salvador Correia de Sá, nas quais se incluíam a vassalagem e o pagamento de tributo a Portugal, a entrega da Ilha de Luanda e dos sobados de Nambuangongo e Ambuíla, nos Dembos e direitos de exploração das minas em Pemba.[107] Em 1655, a rainha Ginga enviou uma embaixada e, a 12 de Outubro de 1656 foram seladas as pazes entre Portugal e Matamba.[110]
A derrota do Congo, Dongo e Matamba 1656-1683

O rei D. Garcia II albergava no seu exército numerosos escravos fugidos de Luanda, cobrava elevados impostos aos comerciantes portugueses nas travessias dos rios, hostilizava os padres Capuchinhos associados à Propaganda Fide no seu reino e não cumpria o estipulado no acordo de paz, recusavando-se a pagar o tributo de 900 motetes ou cestos de fazendas e encontrava-se em guerra civil com os seus súbditos, nomeadamente o príncipe do Sonho e o marquês de Pemba.[55][111] O governador Luís Martins de Sousa Chichorro pediu a D. João IV autorização para declarar guerra ao Congo mas o rei não consentia, pelo que o governador instou o rei a cumprir as estipulações de paz a 19 de Abril mas não obteve resposta.[111][112]
Chegado a Luanda um apelo de socorro enviando pelo marquês de Pemba, a 9 de Junho de 1657 o governador Sousa Chichorro reuniu com as autoridades camarárias e eclesiásticas de Luanda e propôs declarar, pela segunda vez, a guerra ao Congo.[55][111] D. João IV tinha entretanto falecido e D. Luísa de Gusmão, que assumira a regência, aprovou.[55]
Por então o Congo encontrava-se já em declínio e a capital, São Salvador, reduzida a 500 fogos.[111] Comandado por Diogo Gomes de Morales, o exército português partiu de Massangano para o Congo, tendo sido reforçado em Camulemba; atravessou o rio Bengo e o Dande e inflingiram uma derrota ao marquês de Manilumbo.[111] Até ali haviam chegado os portugueses na campanha de 1622-1623.[111] Dali os portugueses entraram em Bamba e acamparam na banza do seu duque mas agora os soldados recusaram-se a atravessar o rio Loge, que acreditavam ser o mítico "rio do esquecimento" e que quem o atravessasse não seria mais visto, para além de que o marquês de Pemba já havia sido decapitado.[55] Quando chegou a Luanda uma mensagem de D. Garcia prometendo pagar o tributo, o governador mandou o exército regressar.[111][113]
Em 1557, durante o mandato do governador João Fernandes Vieira, deu-se a conversão do rei de Cassange, Kasanje ka Kinguri, que adoptou o nome Pascoal Machado mas, fora os portugueses que residiam no reino, mais nenhum dos seus súbditos aceitou seguir os ritos cristãos.[114] No ano seguinte, destacou-se a pacificação do soba Angolomem-a-Caita, em 1658, com um exército de cerca de 400 homens e milhares de auxiliares do rei D. Filipe do Dongo e do jaga Cabuco, sob o comando geral de Bartolomeu Vasconcelos da Cunha.[115] Na região de Axila, no distrito de Massangano, o soba ordenou a retirada para refúgios fortificados e a campanha transformou-se numa demorada operação de cercos.[115] Ao fim de seis meses, os sitiados renderam-se.[115]
Uma nova missão religiosa ao Cassange em 1660 não logrou frutos.[114] O missionário Giovanni Cavazzi da Montecuccolo instou as autoridades do Cassange a proibir o infanticídio, o canibalismo, os sacrifícios humanos e a expulsar os curandeiros tradicionais mas, fora banir o canibalismo em tempo de paz apenas, a elite imbangala recusou-se.[114] O rei Pascoal Machado disse a Cavazzi que "conquistámos estas províncias da Ganguela e outras sem este vosso Zambi chamado Deus e sem ele faremos o mesmo de futuro tal como antes fizemos no passado."[114]
A Batalha de Ambuíla

O rei D. Garcia não deu seguimento às suas promessas e faleceu em 1660. O seu sucessor D. António I soube através de Jesuítas que D. João IV não ratificara a cláusula do Tratado de 1649 reduzindo-o a seu vassalo pois considerava-o um "irmão-de-armas", portanto repudiou o pagamento de tributo e exigiu a devolução da Ilha de Luanda.[116] Também entrou em contacto com Espanha para tentar firmar uma aliança militar e obter o apoio de uma armada para atacar os portugueses.[117]
Em inícios de 1664, o duque de Oando refugiou-se em Ambuíla, cujo soba era vassalo de Portugal e pediu auxílio militar a Luanda. Em fins deste ano, deu-se uma crise sucessória nos Dembos e o rei D. António expulsou de Bamba-Ambuíla a regente D. Isabel, bem como o soba de Ambuíla, que pediram ajuda aos portugueses.[118] Eles forneceram às autoridades de Luanda cartas que revelavam estar o rei do Congo a preparar-se para bloquear as estradas e fomentar uma rebelião em território português.[118] De seguida o governador André Vidal de Negreiros declarou guerra ao Congo.[119]
Na batalha de Ambuíla, travada no vale de Ulanga, tanto os portugueses como o Congo demonstraram total capacidade militar.[119] A vantagem do equipamento mais pesado e da maior experiência estava, porém, do lado das tropas portuguesas pois encontravam-se em campanha desde 1648 praticamente sem interrupção juntamente com os imbangalas seus aliados, pelo que sobre o exército do Congo recaiu uma pesada derrota, não obstante a sua superioridade numérica, tendo o rei D. António tombado em combate ao liderar em pessoa um ataque frontal contra o quadrado português.[119][120] O exército português regressou a Luanda em triunfo com a cabeça do rei D. António, que foi enterrada na Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, ao passo que a sua coroa e ceptro foram enviados para Portugal como troféus de guerra.[121][120]
A batalha de Ambuíla é das mais famosas batalhas da história de África ocidental e central.[120] Teve repercussões profundas, pois agravou a guerra-civil no Congo, que duraria mais cinco décadas.
Intervenção no Congo, 1670
Em 1670, o conde do Sonho D. Estevão da Silva depôs o rei Rafael do Congo e este apelou a Luanda por ajuda militar. O governador, Francisco de Távora, enviou para o Sonho o exército luso-africano, composto por mosqueteiros, cavaleiros, mercenários imbangalas e auxiliares ambundos, e na Batalha do Ambriz, em Junho, lograram uma vitória.
Na Batalha de Quitombo em Outubro, porém, os portugueses foram rechaçados pelas tropas do conde do Sonho, agora equipadas com armas de fogo fornecidas por holandeses que frequentavam o seu porto.
A Conquista do Dongo e do Libolo
No Dongo, D. Filipe de Sousa falecera em 1664 e sucedera-lhe o filho D. João Hari.[122] O rei do Dongo disputava terras que eram reclamadas por portugueses e após o desaire sofrido pelo exército português no Sonho, o rei de Matamba D. António Carrasco e o rei de Libolo persuadiram D. João Hari a revoltar-se contra os portugueses, cortar as comunicações entre Luanda e o reino de Cassanje e atacar caravanas de mercadores.[123][124] D. João enviou também emissários para vários reinos vizinhos com vista a uni-los sob o seu estandarte.[123]
O governador de Angola, Francisco de Távora, reagiu com celeridade, solicitando reforços ao Brasil português. Rapidamente despachou para a fortaleza de Ambaca um pequeno contingente avançado sob o comando de Luís Lopes de Sequeira, que antes tinha-se distinguido na Batalha de Ambuíla.
Os portugueses saíram de Ambaca em direcção a Pungo Andongo a 2 de Agosto, constantemente assediados por guerreiros africanos, que escaramuçavam com os europeus, procurando impedi-los de se aproximarem da capital.[125] Sequeira conseguiu, no entanto, alcançar o povoado e acampar nas imediações.[126] Após um cerco de três meses, o comandante português decidiu conquistar Pungo Andongo por assalto quando chegaram notícias que o Reino de Matamba preparava-se para vir em socorro dos sitiados e, a 18 de Novembro de 1671, a povoação foi conquistada.[127][128] O rei D. João Hari fugiu para Hako mas foi entregue às autoridades portuguesas pelo soba Gunza Ambambe, que se tornara um vassalo de Portugal para se proteger de ataques do Cassange.[69] Toda a família real do Dongo foi, assim, capturada e enviada para o Brasil, dissolvendo-se o reino.[127][128] A conquista do Dongo pôs fim à guerra-civil que durara desde a morte de Angola Ambandi em 1624 e a fortaleza que os portugueses construíram em Pungo Andongo passou a marcar a fronteira leste do território português.[69]
Ao longo de todo o ano de 1679, Luís Lopes de Sequeira distinguiu-se na conduta da campanha contra o reino do Libolo, a sul do Cuanza e submeteu ao domínio de Luanda todos os sobas da região.[129]
A Submissão da Matamba

A rainha Ginga faleceu em 1663 e sucedeu-lhe no trono a irmã, D. Bárbara, defensora do cristianismo mas o seu marido, D. António Carrasco Jinga Amona defendia a tradição imbangala.[130] António Carrasco Jinga Amona usurpou o trono e cometeu várias atrocidades contra diversos rivais políticos.[131] A sua brutalidade horrorizou D. Barbára, que fugiu da capital e faleceu em 1666, recaíndo as suspeitas da sua morte sobre Jinga Amona.[130][131] D. António Carrasco foi, porém, deposto em 1674 e executado pelo seu rival Francisco Guterres Angola Canini, que se coroou rei de Matamba com o apoio do governador português de Angola, João da Silva Sousa.[131]
O governador, porém, pretendia desenvolver as relações comerciais com o Império Lunda mais para o interior de África para leste e para isso favoreceu as relações com o reino de Cassange, por cujo território as caravanas de mercadores portugueses teriam de passar.[131] Francisco Guterres invadiu portanto o Cassange, tentou colocar no trono um fantoche e pilhou as caravanas dos portugueses.[132]
Quando chegaram a Luanda notícias de Cassange, um clamor levantou-se na cidade, exigindo uma reacção.[108] Em Agosto de 1681, o governador João da Silva e Sousa declarou guerra a Matamba e começou a reunir um grande exército, entre soldados portugueses de infantaria, cavalaria e auxiliares de sobas avassalados, comandado por Luís Lopes de Sequeira, o Mulato dos Prodígios, que antes se destinguira na Batalha de Ambuíla e na conquista de Pungo Andongo. Ao saber dos preparativos portugueses, o rei Francisco Guterres enviou uma embaixada a solicitar perdão mas como não se propunha a indemnizar os portugueses pelos bens espoliados nem a compensar as despesas já feitas com a movimentação das tropas, o governador despediu o intermediário.[133]
Na Batalha de Catole, os portugueses foram emboscados e Luís Lopes de Sequeira vitimado na acção por uma seta mas lograram contra-atacar a tempo e rechaçar os seus inimigos.[134][131] D. Francisco Guterres também morreu em combate e sucedeu-lhe a irmã D. Verónica Guterres, que assinou um pacto de vassalagem a Portugal dois anos mais tarde, para todos os efeitos pondo fim às guerras angolanas.[131][135]
Consequências

As campanhas de 1579 a 1683 tiveram um impacto profundo. O Reino do Congo sofreu uma grave depressão demográfica devido à guerra e guerra-civil, bem como o Reino do Dongo, que foi anexado por Portugal, juntamente com o Libolo, tendo muitos sobas passado para a tutela portuguesa. O Reino do Dongo foi o primeiro reino africano a ser conquistado pelos europeus.[136] As depredações dos imbangalas canibais em particular deixaram uma marca profunda na memória popular do povo congo.[137]
A Batalha de Ambuíla em 1665, a conquista do Dongo em 1671, do Libolo em 1679 e a Batalha de Catole em 1681, protagonizadas pelo capitão-mor Luís Lopes de Sequeira, deixaram em aberto o caminho para a gradual expansão portuguesa a norte do Planalto Central.[138] A Coroa Portuguesa impôs uma política de paz e de comércio tal como fora o plano no tempo de Paulo Dias de Novais pelo que, após a vassalização da Matamba, os conflitos na região decresceram muito.[136]
A prioridade de Portugal em Angola passou a ser a concorrência comercial das potências rivais de Inglaterra, França e Holanda, cujos mercadores se instalaram no Sonho e em Cabinda.
Ver também
Referências
- ↑ "O controle dos sobas garantia a penetração no interior e o avanço da “conquista” e, ao mesmo tempo, fortalecia os exércitos lusitanos, pois os sobas aliados tinham obrigação de dar passagem, alojamento e alimentação às tropas portuguesas, serem “amigos dos amigos e inmigos dos inimigos”, de ceder pessoas de sua jurisdição para compor as tropas da “conquista”, a chamada “GUERRA PRETA”. Ao lado dos generais portugueses, lutavam africanos designados por seus sobas em sinal de obediência. As guerras em Angola não existiriam sem a maciça participação dos africanos, que atuavam como soldados, carregadores, guias na densa mata, coletores de alimentos, já que a fome era um grande problema dos exércitos em Angola. Além do braço para a guerra, os africanos combatentes utilizavam seus conhecimentos tribais na preparação para a luta, as estratégias próprias para aquela geografia e suas próprias armas (machadinhas, arcabuzes, lanças)." in Mariana Bracks Fonseca: "Rainha nzinga mbandi, imbangalas e portugueses: as guerras nos kilombos de Angola no século XVII" in Cad. Pesq. Cdhis, Uberlândia, v.23, n.2, jul./dez. 2010, pp. 392-393.
- 1 2 "Entre 1630 e 1635, ao longo dos 5 anos de mandato do governador português que se seguiu, Manuel Pereira Coutinho, Njinga Mbandi efectuou diligências notáveis junto das principais chefias africanas incompatibilizadas com os portugueses, conseguindo, passado esse lustre, liderar a maior coligação de Estados angolanos do século XVII. Essa coligação suscitaria a simpatiza dos Holandeses e manter-se-ia intacta até à expulsão destes de Angola em 1648. Formada inicialmente pelo Ndongo, pela Matamba e pelo Kasanje, veio depois a congregar os sobados da Kissama, a sul do Kuanza, e também alguns a norte do Kuanza, os chamados Dembos. Mas atraiu também a simpatia dos Ntotila que reinaram no Kongo durante esse período: D. Garcia Afonso I (1624-1626), D. Ambrósio I (1526-1631), D. Álvaro IV (1631-1636), D. Álvaro Vi (1636-1641) e D. Garcia Afonso II (1641-1663)." in Pinto, 2019, p. 341.
- ↑ "...upon his death she took the title of queen and began to rule in her own name. Njinga's succession triggered a civil war that pitted her faction, descended from Dembo a Pe, primarily against the faction of Hari a Kiluanje with its base and Mpungu a Ndongo, who along with Mubanga, had supported the initial Portuguese-Imbangala invasion and swore vassalage to Portugal in its aftermath." in Thornton, John K: A History of West Central Africa, 2020, Cambridge University Press, p. 151.
- ↑ "Before securing an audience with the Portuguese, Nzinga accepted the Catholic baptism. This was an act of political expediency that helped to establish Nzinga as the legitimate leader of Ndongo as supported by the Portuguese. Her brother died under suspicious circumstances in 1623 and by 1624 Nzinga subsequently seized power in Ndongo ruling from 1624-1663." Hettie V. Williams: "Queen Nzinga (Njinga Mbande)" in Encyclopedia of African American History Volume 3, 2010, pp. 82-84.
- ↑ Joseph C. Miller, "Nzinga of Matamba in a New Perspective" in The Journal of African History, Vol. 16, No. 2 (1975), pp. 201-216, p. 212.
- ↑ "This was na epic narrative of the wars of conquest undertaken by the Portuguese against King N'Gola. Cadornega followed the model of Portuguese chronicles of Asian and Brazilian conquest." in Antonella Romano, Borbála Zsuzsanna Török, L. Kontler, Silvia Sebastiani: Negotiating Knowledge in Early Modern Empires: A Decentered View, 2014, Palgrave Macmillan.
- ↑ Ralph Delgado, História de Angola volume I, Banco de Angola, 1973-1978, pp. 260-261.
- ↑ Delgado, I, 1973-1978, p. 262.
- 1 2 3 4 "Ndongo." in Appiah, Kwame Anthony & Gates Jr, Henry Louis: Encyclopedia of Africa, Oxford University Press, 2010, pp. 223-224.
- 1 2 3 Sweet, James H., in Mancall, Peter C: The Atlantic World and Virginia, 1550-1624,The Omohundro Institute of Early American History and Culture and University of North Carolina Press, 2007, p. 208.
- ↑ "Tinha por regimento que procedesse por via de paz e amizade" in Delgado, I 1973, p. 288.
- 1 2 Pinto, 205, p. 260.
- ↑ "In 1575 Paulo Dias de Novais returned to Ndongo with a royal grant from Portugal to create a colony on the coast, south of the Kwanza. He offered his services to Ndongo and fought for Ndongo in several campaigns against rebels." in John K. Thornton: "Ndongo, Kingdom of" in Encyclopedia of African History, volume 1, 2005, Routledge, p. 1079.
- ↑ Pinto 2015, p. 263.
- ↑ "In 1575 Paulo Dias de Novais returned to Ndongo with a royal grant from Portugal to create a colony on the coast, south of the Kwanza. He offered his services to Ndongo and fought for Ndongo in several campaigns against rebels." in John K. Thornton: "Ndongo, Kingdom of" in Encyclopedia of African History, volume 1, 2005, Routledge, p. 1079.
- ↑ Pinto, 2015, p. 267.
- ↑ "Os Portugueses andavam seguros pelo Reino como se andassem em Portugal, não havendo quem levantasse os olhos para um europeu, por saberem a amizade dispensada, pelo rei, ao governador, que este retribuía com socorros e atenções; e a tal apogeu chegaram essas boas relações que Ngola Kiluangi, pedindo, a Paulo Dias, um capitão para a sua capital, de portugueses e crioulos de São Tomé, com o qual corressem no negócio da justiça, viu realizado o seu desejo, com o envio de Pedro da Fonseca, parente do governador, acompanhado por vinte homens." Delgado, I, 1973, p. 288.
- 1 2 Anthony Disney: "Portuguese Expansion, 1400-1800: Encounters, Negotiations and Interactions" in Diogo Ramada Curto, Francisco Bethencourt: Portuguese Oceanic Expansion, Cambridge University Press, 2007, p. 299.
- ↑ Anthony Disney: "Portuguese Expansion, 1400-1800: Encounters, Negotiations and Interactions" in Diogo Ramada Curto, Francisco Bethencourt: Portuguese Oceanic Expansion, Cambridge University Press, 2007, p. 299.
- 1 2 3 Monteiro, Joachim John (1875). Angola and the River Congo. Macmillan. p. 5.
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Ralph Delgado: História de Angola, 1º Volume, Edição do Banco de Angola pp. 288-400
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 Pinto, 2019, pp. 256-306.
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