Igreja de Santa Maria do Mar

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| Fundação | |
| Diocese | |
| Dedicado | |
| Estilo |
Catalan Gothic (en) |
| Arquiteto |
Berenguer de Montagut (en) |
| Abertura | |
| Religião | |
| Estatuto patrimonial |
Bem de Interesse Cultural da Catalunha (d) Bem de Interesse Cultural () |
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| Localização |
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A Igreja de Santa Maria do Mar (em catalão e castelhano: Santa María del Mar) é um templo gótico de Barcelona, Espanha, situada no bairro da Ribera, junto à praça de Fossar de les Moreres. É uma das principais igrejas góticas da Catalunha.
Nesta igreja encontra-se a lápide sepulcral de Pedro de Coimbra, Condestável de Portugal e rei de Aragão por um breve período, entre 1463 e 1466
História
Estudos recentes da historiadora Jordina Sales permitiram sustentar a hipótese de que a Barcelona romana dispunha de uma arena ou anfiteatro neste local.[1]
Em 998 documenta-se a igreja de Santa Maria das Areias (Santa Maria de les Arenes), construída sobre uma necrópole paleocristã dos séculos MMXXVI-MMXXVI, o que pressupõe a existência de um primeiro templo, onde a tradição situa a descoberta das relíquias de Santa Eulália de Barcelona pelo bispo Frodoí em 887.[2][3] Durante as escavações de 1966, encontraram-se um total de 102 sepultamentos escavados em areia e distribuídos em diversas orientações, com predomínio de noroeste a sudoeste. Apresentavam-se em forma de tégula (caixas ou em coberturas de duas águas), ânforas, e alguns em caixas de madeira, que já tinham desaparecido mas das quais se conservavam restos de madeiras carbonizadas e de pregos. Por cima documentou-se um estrato de terra argilosa que parecia cobrir a necrópole a modo de túmulo.[3]
Em 1005 aparece o nome de Santa Maria do Mar, e quatro anos depois aparece como paróquia da Vilanova de la Mar, bairro extramuros em expansão, habitado por armadores, mercadores e descarregadores do porto (os bastaixos). Em 1966 encontraram-se alguns restos deste templo: uma parede orientada em sentido transversal ao presbitério de 12,75 m de comprimento e uma largura de 0,55 m feita com silhares de tamanho desigual em fiadas horizontais, e a parte mais larga com obra de alvenaria e pedras esculpidas aproveitadas de outras obras. No centro abria-se um portal de 1,27 m de largura com montantes de pedra e um degrau, e noutra zona existia parte de um arco de volta perfeita, emparedado numa reforma posterior.[3]
A 2 de março de 1329, Ramon Despuig e Berenguer de Montagut assinaram o contrato das obras e a primeira pedra do templo gótico foi colocada a 25 de março pelo rei Afonso o Benigno, como indicam as lápides do portal das Moreras.[4][5] Um facto destacável, que ainda perdura, é que se estabeleceu que a obra deveria pertencer exclusivamente aos paroquianos, únicos responsáveis materiais pelo templo. Parece que na construção participou ativamente toda a população da Ribera, já que foram eles que a custearam, quer com o seu dinheiro, quer com o seu trabalho. Este facto está em clara contraposição à Catedral de Barcelona que por aquelas mesmas datas também se estava a construir e que estava associada à monarquia, à nobreza e ao alto clero. Cabe destacar a intervenção, especialmente, dos descarregadores do cais da Ribera, chamados bastaixos, os quais carregavam as enormes pedras destinadas à construção da igreja desde a pedreira real de Montjuïc e desde as praias, onde estavam os barcos que as tinham trazido para Barcelona. Carregavam as pedras uma a uma às costas, até à própria praça do Born. A igreja homenageia os bastaixos que ajudaram a construí-la representando-os nos capitéis e nos relevos de bronze das portas.
Os muros, as capelas laterais e a fachada estavam terminados por volta de 1360. No ano de 1368 o rei Pedro o Cerimonioso autoriza a extração de pedra de Montjuïc, e posteriormente serviria de fiador de empréstimos. Em 1379, prestes a terminar-se o quarto tramo das abóbadas, incendiou-se o andaime e as pedras sofreram danos importantes. Finalmente, a 3 de novembro de 1383 foi colocada a última chave de abóbada e a 15 de agosto do ano seguinte celebrava-se a primeira missa.[6]
O terramoto de 1428 provocou o desmoronamento da rosácea e cerca de trinta mortos pela queda de pedras. Pouco depois, porém, assinou-se um contrato com os mestres de obras Pere Joan, Andreu Escuder, Bernat Nadal e Bartomeu Mas para construir uma nova, de estilo gótico flamejante, que ficou terminada em 1459 e um ano depois acabou-se de instalar os vidros, obra de Antoine de Lonhy.[7]
A 1 de agosto de 1708 casaram-se em Santa Maria do Mar o Arquiduque Carlos e Isabel Cristina de Brunsvique-Wolfenbüttel.[8]
Das duas torres que flanqueiam a fachada, a de poente data de 1496, quando foi terminada por Pere Oliva. A torre de levante não foi coroada até 1902,[4] mas desde 1674 tinha servido de torre do relógio. O projeto do altar barroco e do presbitério é do ano de 1771, obra do carpinteiro Deodat Casanovas com a escultura de Salvador Gurri. Entre 1833 e 1834 edificou-se a capela do Santíssimo, obra do arquiteto Francesc Vila.[9][10]
Em 1923, o papa Pio XI concedeu-lhe o título de basílica menor, a terceira de Barcelona depois da Catedral e da Basílica da Mercê.[11] Em 1931 foi declarada monumento histórico-artístico, e a 19 e 20 de julho de 1936, foi incendiada e destruiu-se toda a decoração interior, que já tinha sofrido danos durante o cerco de 1713-1714, tal como as abóbadas.
A restauração começou no ano de 1966 e construiu-se um novo presbitério, com um altar-mor que substituía o anterior barroco, destruído em 1936, e uma cripta.[3] No extremo sudoeste da escavação estendiam-se diversas sepulturas construídas com paredes de pedras e alvenaria dos séculos XVII-XVIII. Estas tinham sido limpas de despojos e desprovidas das suas lápides no momento de construir o novo presbitério.[3] Também existiam dois grandes pilares feitos de argamassa de cal e pedra, um dos quais serviu de fundamentação do altar-mor.[3]
Entre os anos 1980 e 1990, a Generalitat de Catalunya restaurou coberturas, vitrais e chaves de abóbada.




Contexto

O crescimento das cidades, ligado ao comércio e à indústria artesanal, teve outras consequências, como o aparecimento do intelectual ou pessoa que tem por ofício escrever ou ensinar.[13] A cultura já não estava refugiada nos mosteiros, nem os manuscritos são guardados como tesouros: chega às cidades, onde se movem as pessoas, as ideias e os livros. O movimento é fácil porque se utiliza o latim como veículo de cultura, que professores e alunos falam e escrevem. Ao mesmo tempo, alguns monges escandalizam-se com a efervescência da cidade.[14]
Arquitetura
Arquitetonicamente, Santa Maria do Mar é uma igreja de três naves de altura quase igual (as laterais são apenas um pouco mais baixas que a central) e sem transepto, unificando o espaço numa igreja-salão típica do gótico catalão. As abóbadas são sustentadas por esbeltas colunas octogonais. Um deambulatório ocupa o lado oeste da igreja.
Bibliografia
- FALCONES, Ildefonso (2007). A Catedral do Mar. Brasil: Editora Rocco. 592 páginas. ISBN 9788532522085
- FALCONES, Ildefonso (2018). Os Herdeiros da Terra. Brasil: Suma de Letras. 880 páginas. ISBN 9789896653101
Ligações externas
- ↑ Permanyer, Lluís (20 de março de 2011). «La Arena de Barcino» (PDF). Vivir en Barcelona. La Vanguardia: 1-3
- ↑ Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadasGEC - 1 2 3 4 5 6 «Carta Arqueològica de Barcelona». Consultado em 2024 Verifique data em:
|acessodata=(ajuda) - 1 2 Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadasipac - ↑ Esculies, Joan; Adell, Joan-Albert (12 de abril de 2019). «La història de la construcció de Santa Maria del Mar en 4 punts». Sapiens
- ↑ «Tota l'esplendor de Santa Maria del Mar, a la pantalla». Institut de Cultura. Ajuntament de Barcelona. 28 de abril de 2020. Consultado em 19 de setembro de 2020. Cópia arquivada em 14 de abril de 2021
- ↑ Vila-Grau 1985.
- ↑ León Sanz 2007, p. 109.
- ↑ «Antonio Armenteras. Joseph Corminas. Il·lustre Obra de l'Església Parroquial de Santa Maria del Mar». C-XIV Obreria C-114/1833-51. AHCB. 12 de abril de 1833
- ↑ Garganté Llanes 2007, p. 73.
- ↑ Valentí Serra, Fra. «Explicação do títol de basílica (IV)» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 11 de janeiro de 2012
- ↑ Pladevall, Antoni (dir.). L'art gòtic a Catalunya (três volumes). Barcelona: Enciclopèdia Catalana, 2002
- ↑ Le Goff, J. Los intelectuales en la Edad Media. Eudeba: Buenos Aires. 1965., pp- 11-12.
- ↑ Le Goff. Obra citada. P. 81.