Implicatura
Em pragmática, uma subdisciplina da linguística, uma implicatura é algo que o falante sugere ou implica com uma enunciação, mesmo que não seja expresso literalmente. As implicaturas podem auxiliar na comunicação de forma mais eficiente do que dizer explicitamente tudo o que queremos comunicar.[1] O filósofo H.P. Grice cunhou o termo em 1975. Grice distinguiu implicaturas conversacionais, que surgem porque se espera que os falantes respeitem as regras gerais da conversação, e implicaturas convencionais, que estão ligadas a certas palavras como "mas" ou "portanto".[2] Considere, por exemplo, a seguinte troca de palavras:
- A (para um pedestre): Estou sem gasolina.
- B: Tem um posto de gasolina ali na esquina.
Aqui, B não diz, mas implica conversacionalmente, que o posto de gasolina está aberto, porque, caso contrário, sua fala não seria relevante no contexto.[3][4] As implicaturas conversacionais são classicamente vistas como contrastantes com as implicações: elas não são consequências necessárias ou lógicas do que é dito, mas são derrogáveis (canceláveis).[5][6] Portanto, B poderia continuar sem contradição:
- B: Mas infelizmente está fechado hoje.
Um exemplo de implicatura convencional é "Donovan é pobre mas feliz", onde a palavra "mas" implica um sentido de contraste entre ser pobre e ser feliz.[7]
Linguistas posteriores introduziram e refinaram diferentes definições do termo, levando a ideias um tanto diferentes sobre quais partes da informação transmitida por um enunciado são de fato implicaturas e quais não são.[8][9]
Referências
- ↑ Davis (2019), section 14
- ↑ Grice (1975):24–26
- ↑ Grice (1975):32
- ↑ Blackburn (1996):189
- ↑ Blome-Tillmann (2013):1, 3
- ↑ Carston (1998):1
- ↑ Bach (1999):327
- ↑ Sperber & Wilson (1995):176–183, 193–202
- ↑ Carston (1998)
Bibliografia
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