Ipriflavona

A ipriflavona (7-isopropoxi-isoflavona) é um composto flavonoide sintético derivado da daidzeína, uma isoflavona natural encontrada principalmente na soja. Classificada como um agente antirreabsortivo, é utilizada no tratamento e prevenção de patologias ósseas, destacando-se pela sua capacidade de modular o metabolismo do tecido ósseo sem apresentar os efeitos estrogénicos sistémicos típicos das terapias de substituição hormonal convencionais.[1][2][3][4][5]

Mecanismo de Ação

Embora o seu mecanismo exato ainda seja alvo de estudos, sabe-se que a ipriflavona atua diretamente no equilíbrio entre a formação e a degradação óssea. As suas principais funções incluem:

  • Inibição da Reabsorção: Reduz a atividade e a formação de osteoclastos (células responsáveis pela degradação da matriz óssea).
  • Estímulo à Calcificação: Promove a incorporação de cálcio nos ossos, auxiliando na manutenção da densidade mineral óssea (DMO).
  • Modulação Hormonal: Em alguns tecidos, pode potenciar a resposta a estímulos estrogénicos, como o aumento da libertação de calcitonina.

Indicações Terapêuticas

A ipriflavona é indicada primariamente para:

  • Osteoporose: Especialmente na variante pós-menopáusica e senil, visando reduzir o risco de fraturas e a perda de massa óssea.
  • Doença de Paget: Em doses mais elevadas (até 1.200 mg/dia), é utilizada para controlar a remodelação óssea desordenada.
  • Prevenção de Perda Óssea Iatrogénica: Estudos avaliam a sua eficácia em osteoporose induzida por corticosteroides (como a dexametasona).

Farmacocinética e Posologia

O composto sofre uma extensa metabolização hepática, resultando em vários metabolitos ativos. Cerca de 40% da dose é eliminada por via urinária e o restante por via biliar. A administração deve ser feita preferencialmente com alimentos, o que aumenta significativamente a sua biodisponibilidade. A dose usual recomendada é de 200 mg, três vezes ao dia.

Efeitos Colaterais e Contraindicações

Embora seja geralmente bem tolerada, podem ocorrer efeitos adversos como:

  • Distúrbios Gastrointestinais: Náuseas, diarreia, gastralgia e hiperacidez.
  • Linfocitopenia: Alguns estudos clínicos observaram uma redução na contagem de linfócitos em mulheres após uso prolongado, exigindo monitorização hematológica regular.

Contraindicações: É contraindicada em casos de hipersensibilidade ao fármaco. Deve-se ter cautela em pacientes com insuficiência renal severa, sendo necessária a redução da dose.

Interações Medicamentosas

A ipriflavona pode inibir o metabolismo de certos fármacos, como a teofilina, elevando as suas concentrações plasmáticas e aumentando o risco de toxicidade (convulsões, palpitações e vómitos).

Referências

  1. ↑ Portugal, RCAAP-Repositórios Científicos de Acesso Aberto de. «RCAAP - Avaliação do alendronato de sódio, atorvastatina cálcica, ipriflavona e óleo de...». RCAAP - Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal. Consultado em 28 de fevereiro de 2026
  2. ↑ Portugal, RCAAP-Repositórios Científicos de Acesso Aberto de. «RCAAP - Efeitos de alendronato de sódio, atorvastatina cálcica e ipriflavona, isoladame...». RCAAP - Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (em inglês). Consultado em 28 de fevereiro de 2026
  3. ↑ https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/77808/2/33849.pdf
  4. ↑ https://www.apn.org.pt/documentos/2021/Nutricias/6.pdf
  5. ↑ https://www.chemwhat.pt/ipriflavone-cas-35212-22-7/