Italiano do Norte

Norte-Italiano
Falado(a) em: —
Região: —
Total de falantes: —
Família: Indo-europeia
 Itálica
  Românica
   Italo-Ocidental
    Ocidental
     Galo-ibérica
      Galo-românica/ítalo-românica
       Norte-Italiano
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: ---
Fronteiras linguísticas segundo Def. 1[1][2][3]
Fronteira linguística segundo Def. 2, Línea Massa-Senigallia
Fronteiras linguísticas segundo Def. 3
Os substratos: os povos antigos
O superstrato: o Reino Lombardo de Rotário (636-652)

O italiano do Norte é um grupo sociolinguístico que pertence às línguas românicas. São faladas no norte da Itália e em algumas regiões vizinhas (Ticino na Suíça, Ístria na Croácia, na Eslovênia, Mônaco, sudeste da França e San Marino).

As definições do “italiano do Norte” são contraditórias, como é contraditório o mesmo nome do grupo:

  • Def. 1: O “italiano setentrional” é um grupo de dialetos da língua italiana, segundo a linguística românica tradicional (ver por ex. Gian Battista Pellegrini[4] e Jacques Allières[5]). No entanto, para que esta definição seja válida é preciso entender por língua italiana, como nas obras do linguista alemão Gerhard Rohlfs,[6][7] o conjunto dos dialetos românicos da Itália (e até da Córsega), entre os quais destaca o idioma italiano literário e oficial, que provem do dialeto florentino de Dante, Boccaccio e Petrarca. Segundo a terminologia de Pellegrini , cf. o mapa Def. 1, o galo-itálico é um sub-grupo do “italiano setentrional” (dialectos com substrato linguístico gaulês e liguriano antigo). Pierre Bec, no seu manual,[8] afirma que tivera que existir algum tipo de unidade diacrônica entre as línguas reto-românicas e o grupo do Italiano do Norte.[9] Nesse sentido, Bec, ainda sendo da escola tradicional, pode ser considerado um precursor dos estudos do linguista australiano Geoffrey Hull.
  • Def. 2: A “língua padana” ou “língua cisalpina” é uma língua românica independente, diferente do italiano, segundo certos lingüistas como Heinrich Schmid,[10] Andrea Schorta[11] e, sobretudo, Geoffrey Hull.[12][13]
  • Def. 3: O galo-itálico é um grupo de línguas independentes, veja-se a classificação de Ethnologue . Esta opinião é escassamente aceitada pelos linguistas tradicionais, para os quais é como dizer que cada dialeto do italiano do Norte é uma língua diferente; uma possível exceção é o piamontês graças ao seu dinamismo particular. Também o Livro Vermelho das Línguas Ameaçadas da Unesco reconhece a independência destas línguas.

Distribuição geográfica

O domínio linguístico do italiano do Norte corresponde mais ou menos à Itália do Norte ou Padânia.

O limite meridional, entre o italiano do Norte e o italiano em sentido estreito, corresponde à linha La Spezia-Rimini, ou com mais precisão geográfica, a linha Massa-Senigallia. A separação entre as línguas românicas marcada por esta linha as divide em dois grandes grupos: a România ocidental (inclusive o italiano setentrional) e a România oriental (inclusive o Italiano do Centro-Sur). O grupo galoitálico é ao mesmo tempo, separado de outros grupos do Nordeste (Veneto, Trentino, Friuli, Tirol do Sur) por uma linha que corre ao este de Bolzano e pela costa oriental do lago de Garda ao norte de Mântua e o rio Pó.

O limite setentrional, entre o italiano do Norte (e o reto-românico) e outras línguas (românicas, germânicas ou eslavas), corresponde às fronteiras políticas entre os vários povos germânicos dominantes depois das migrações dos povos bárbaros, isto é entre lombardos, visigodos, burgúndios e bávaros, que estão refletidas no superstrato linguístico das línguas românicas atuais:

Para o norte, o italiano do Norte (e o reto-românico) lidam com o alto alemão suíço, derivado do idioma dos alamanos e ao alto alemão bávaro, derivado do idioma dos bávaros e falado atualmente em (Áustria e em Tirol). Nesta zona, Romania submersa, houve substituição linguística dos idiomas românicos.

Para o leste, o italiano do Norte (e o friulano reto-românico) lindam atualmente com duas línguas do grupo eslavo: esloveno e croata.

Classificação e tabela comparativa

Em realidade, não há muita discrepância sobre a classificação das línguas ou dos dialectos do “italiano do Norte” (Ethnologue: Galo-itálico), senão sobre seu estatuto de língua ou línguas independentes com respeito ao que Rohlfs e Pellegrini entendem por “língua italiana”, que compreende também o corso. O mesmo vale para os substratos e o superestrato único (vejam-se pelas duas questões as referências iniciais, 1 - 13). Para não ofuscar a descrição com questões de língua contra dialeto, empregar-se-á na tabela o termo neutro idioma. Portanto, o grupo pode classificar-se assim:

Classificação Idioma : Código ISO 639-3 Superstrato Substrato Frase Território central Mapas
Grupo (sub-grupo) Latim lat - - (Illa) Claudit semper fenestram antequam cenet. - -
- Italiano[14] ita Longobardo Etrusco (Ella) chiude sempre la finestra prima di cenare. - -
- Toscano[15] - " " Lei la 'hiude sempre la finestra pria di'ccenà. - -
(Galo-itálico) Mapa: Liguriano[16] lij " Liguriano antigo Lê a særa sénpre o barcón primma de çenâ. Ligúria;[17] Mônaco,[18]
- Liguriano tabarquino - " " Lé a sère fissu u barcun primma de çenò. Sardenha[19]
- Piemontês pms " Gaulês cisalpino.[20] Chila a sara sempe la fnestra dnans ëd fai sin-a/siné. Piemonte[21]
((Lombardo)) Lombardo ocidental[22] lmo[23] " " (Lee) la sara semper su la fenèstra primma de sena. Lombardia;[24] Suíça.[25]
- Lombardo oriental - " " (Lé) la sèra sèmper sö la finèstra prima de senà. Lombardia;[26] Trentino[27] -
(Emiliano-romanholo) Emiliano[28] egl " " (Lî) la sèra sänper la fnèstra prémma ed dsnèr. Emília;[29] Toscana.[30]
- Romanholo[31] rgn -[32] " Lìa chìud sèmpr la fnestra prema'de cnè. Romanha;[33] San Marino.
(Vêneto) Mapa: ; Vêneto[34] vec " Venético antigo (Eła) ła sàra/sèra senpre el balcón vanti senàr/dixnàr. Vêneto;[35] Brasil[36] [37]
Reto-românico Ladino[38] lld " Rético (Ela) la sera semper la fenestra inant zenar. - -
- Romanche roh "[39] " Ella clauda/sèrra adina la fanestra avant ch'ella tschainia. - -
- Friulano fur " Céltico[40] Jê e siere simpri il barcon prin di cenâ. - -
Istriota Istriota[41] ist - " Gila insiera senpro lo balcon preîma da senà. Ístria[42]
- Ocitano oci Visigodo - (Ela) barra totjorn la fenèstra abans de sopar. -
- Português por - - (Ela) fecha sempre a janela antes de jantar. -

Vitalidade

Estas línguas locais são faladas hoje nas suas áreas respectivas por um número menor de pessoas que o Italiano, com a parcial exceção da região do Vêneto, onde um pouco menos de metade da população local fala a língua local correntemente.[43] A literatura escrita continua a prosperar nas diferentes variedades e essas mesmas línguas ainda são faladas pela diáspora em países com comunidades de imigrantes italianos, como no Brasil (Talian) e na Argentina.

Ver também

Referências

  1. ↑ Ali, Linguistic atlas of Italy
  2. ↑ «Linguistic cartography of Italy by Padova University». Consultado em 15 de maio de 2010. Arquivado do original em 6 de maio de 2008
  3. ↑ «Italian dialects by Pellegrini». Consultado em 15 de maio de 2010. Arquivado do original em 12 de outubro de 2009
  4. ↑ Pellegrini, G.B. (1975) “I cinque sistemi dell'italoromanzo”, Saggi di linguistica italiana (Turin: Boringhieri), pp. 55-87
  5. ↑ Allières, Jacques (2001), Manuel de linguistique romane, coll. Bibliothèque de grammaire et de linguistique, París: Honoré Champion
  6. ↑ Rohlfs, Gerhard (1937) La struttura linguistica dell’Italia, Leipzig: s.n.
  7. ↑ Rohlfs, Gerhard 1966-69 Grammatica storica della lingua italiana e dei suoi dialetti. (3 vol: Fonetica. Morfologia. Sintassi e formazione delle Parole), Einaudi, Torino.
  8. ↑ Bec, Pierre (collab. Octave NANDRIS, Žarko MULJAČIĆ) (1970-71), Manuel pratique de philologie romane, París: Picard, 2 vol.
  9. ↑ Ibid, tome 2 : français, roumain, sarde, dalmante - index des 2 tomes, Picard, 1971, - réédit. 2000, ISBN 978-2708402300, p. 316: Ao mesmo tempo inovador e arcaizante em relação ao galo-italiano, o reto-friulano deve ser de todos modos integrado dentro do conjunto galo-românico [...] cisalpino, do qual constitui [...] uma área marginal e conservadora. [...] desde o ponto de vista diacrônico, e uma certa unidade, sobretudo entre a Reto-românia e a Cisalpinia pode ser considerado segura. ("À la fois novateur et archaïsant par rapport au gallo-italien, le réto-friulan doit être de toute façon intégré dans l'ensemble gallo-roman [...] cisalpin, dont il constitue [...] une aire 'marginale et conservatrice. [...] vue en diachronie, une certaine unité peut être assurée, surtout entre Raetoromania et Cisalpinia").
  10. ↑ Schmid, Heinrich (1956) Über Randgebiete und Sprachgrenzen", Voz Romanica, XV, pp. 79-80
  11. ↑ Schorta, Andrea (1959) "Il rumantsch - grischun sco favella neolatina", Annalas da la Società Retorumantscha, LXXII, pp 44-63).
  12. ↑ Hull, Geoffrey (1989) Polyglot Italy:Languages, Dialects, Peoples, CIS Educational, Melbourne
  13. ↑ Hull, Geoffrey (1982) The linguistic unity of Northern Italy and Rhaetia, tese de doutorado, University of Western Sydney
  14. ↑ Florentino antigo ou "clássico".
  15. ↑ Florentino moderno.
  16. ↑ Incluso o monegasco.
  17. ↑ Ligúria: Todas as províncias. Também: Piemonte: parte da província de Alessandria; Emília: parte das províncias de Placência e Parma; França: na zona fronteiriça entre França e Itália e entre ligur e occitano: roiasco (inclusive o brigasco), que se fala no alto vale do Roya (dialeto de transição para o occitano); Córsega, Bonifacio e um tempo nas outras cidades da costa.
  18. ↑ Mônaco: Língua co-oficial
  19. ↑ Ilhas de San Pietro e Sant'Antioco
  20. ↑ Também Liguriano antigo.
  21. ↑ Piemonte: Todas as províncias, mas a fronteira linguística non coincide com a política.
  22. ↑ Lombardo occidental também ínsubre
  23. ↑ Todo o lombardo.
  24. ↑ Lombardia ocidental: todas as províncias ao oeste do rio Adda e a norte do rio Pó; Pavia parte septentrional; Sondrio parte ocidental. Também: Piemonte: nas províncias de Novara e Verbania (de transição).
  25. ↑ Toda a "Suíça italiana": Cantão de Ticino, quatro vales meridionais do Cantão dos Grisões
  26. ↑ Lombardo oriental também oróbico: Lombardia oriental: todas as províncias ao leste do rio Adda; Sondrio parte oriental; com características orientais atenuadas: Cremona
  27. ↑ Trentino: sul-oeste.
  28. ↑ Bolonha.
  29. ↑ Emília: todas as províncias desde Piacenza até Bolonha. Também: Lombardia: Pavia e Mantua (com características de transição ao lombardo
  30. ↑ Toscana: província de Massa-Carrara
  31. ↑ Fano, Marcas,
  32. ↑ O superstrato - o adstrato - do romanholo é o Grego bizantino
  33. ↑ Romanha. Também: Marcas: na parte norte.
  34. ↑ Incluso o triestino e o talian brasileiro.
  35. ↑ Vêneto: todas as províncias. Também: Trentino oriental; Trieste; Ístria e outras partes da Eslovênia e da Croácia
  36. ↑ O talian brasileiro.
  37. ↑ BR-RS Reg. 4.
  38. ↑ Val di Non, Trento.
  39. ↑ Posteriormente o alto-alemão suiço.
  40. ↑ Os Carnii, mais diferente do dos galos mais ocidentais.
  41. ↑ A classificação do istriota é difícil e controvertida. Se considera geralmente um tipo particular de vêneto, um dialeto diferente do vêneto o, em fim, uma língua intermédia entre o vêneto e a dálmata.
  42. ↑ Rovinj, istr. Rovèigno, it. Rovigno, na costa sul da Ístria, na Croácia.
  43. ↑ (IT)