Jaritataca

Jaritataca

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animal
Filo: Cordados
Classe: Mamíferos
Ordem: Carnivora
Família: Mefitídeos
Género: Conepatus
Espécie: C. semistriatus
Nome binomial
Conepatus semistriatus[2]
Boddaert, 1785
Distribuição geográfica
Distribuição da jaritataca
Distribuição da jaritataca

A jaritataca, ou doninha-fedorenta[3] (português europeu) também chamada jaguacacaca, jaguaritaca, jaratacaca, jaratataca, jaritacaca, jeratataca, jeritataca, maratataca, maritacaca, maritafede, maritataca, tacaca, marical ou cangambá (nome científico: Conepatus semistriatus)[4][5] é um pequeno mamífero carnívoro da família dos mefitídeos (Mephitidae). Pode ser encontrada desde o sul do México até a região centro-sul da América do Sul. No Brasil, ocorre da região Nordeste. É comum nos cerrados, campos, caatinga, matagal de floresta seca e, ocasionalmente, florestas tropicais. A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) a classificou como espécie pouco preocupante (LC) em 2016. Apesar disso, se sabe que atropelamentos, a fragmentação e perda de habitat, predação por cães, uso de pesticida, comércio de pele e caça para subsistência (como medicamento e alimento) são ameaças à manutenção da espécie.

São animais pequenos, com cerca de 40 centímetros de corpo e 20 de cauda, pesando de 1,6 a 4 quilos. Sua cabeça é arredondada, o focinho é longo e sem pelo, o corpo é compacto e as patas dianteiras são negras e com garras longas. Sua cauda é volumosa e com coloração negra perto da base e branca na porção distal. Tem como arma de defesa a secreção de um líquido de odor bastante desagradável, que é produzido por uma glândula anal. Notívagos, solitários e onívoros, se alimentam principalmente de carcaças, frutos, insetos e outros invertebrados e pequenos vertebrados como anfíbios e serpentes, sendo imunes ao seu veneno. Unem-se ao sexo oposto apenas durante o período de reprodução. A gestação dura cerca de 60 dias, podendo nascer de 4 a 5 filhotes.

Etimologia

Quase todos os seus nomes populares derivam ou são presumidos como tendo derivado do tupi: jaritataca, jaguacacaca,[6] jeratataca,[7] jeritataca,[8] jaritataca (jarutacáca em 1627),[9] jaguaritaca (jaguoarecaqua ou jaguarecaca em 1587[10]),[11] maritacaca, maritataca, maratataca, tacaca (biarataca em 1584; mariatacaca em 1590; maratacaca em 1594; miarataca em 1610),[12] maritafede (marita(taca) + fede (v. feder))[13] derivam de *yagwara'taka ou *yarata'kaka, que deve advir de mbiara'taka (ou mbiarata'kaka);[14] [15] jaratacaca (jarataquaqua em 1618; jaratacaca desde 1696)[16] e jaratataca têm etimologia obscura;[17] cangambá é de origem incerta, [18] mas pode advir de a'kãga am'bá, "cabeça oca, estonteado".[19]

Descrição

São animais pequenos, com cerca de 40 centímetros de corpo e 20 de cauda, pesando de 1,6 a 4 quilos. Têm a coloração preta ou marrom-escura, com uma listra branca saindo da cabeça antes de bifurcar no dorso e seguir paralela até a base da cauda. Sua cabeça é arredondada, o focinho é longo e sem pelo, o corpo é compacto e as patas dianteiras são negras e com garras longas. Sua cauda é volumosa e com coloração negra perto da base e branca na porção distal. Tem como arma de defesa a secreção de um líquido de odor bastante desagradável, que é produzido por uma glândula anal.[20][21][22]

Distribuição e habitat

A jaritataca pode ser encontrada desde o sul do México[23][24] até a região centro-sul da América do Sul. No Brasil, ocorre da região Nordeste.[22] É comum nos cerrados, campos, caatinga, matagal de floresta seca e, ocasionalmente, florestas tropicais como a Mata Atlântica.[25] Apresenta tolerância a ambientes perturbados, além de ser encontrada em áreas agrícolas como canaviais e eucaliptos.[20]

Comportamento

As jaritatacas são animais notívagos e solitários. Onívoros, se alimentam principalmente de carcaças, frutos, insetos e outros invertebrados e pequenos vertebrados como anfíbios e serpentes, sendo imune ao seu veneno. Unem-se ao sexo oposto apenas durante o período de reprodução. A gestação dura cerca de 60 dias, podendo nascer de 4 a 5 filhotes.[20][21]

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classificou a jaritataca como espécie pouco preocupante (LC) em 2016.[1] Apesar disso, se sabe que atropelamentos, a fragmentação e perda de habitat, predação por cães, uso de pesticida, comércio de pele e caça para subsistência (como medicamento e alimento) são ameaças à manutenção da espécie.[20]

Galeria

Referências

  1. 1 2 Cuarón, A.D.; Helgen, K.; Reid, F. (2016). «Striped Hog-nosed Skunk - Conepatus semistriatus». Lista Vermelha da IUCN. União Internacional para Conservação da Natureza (UICN). p. e.T41633A45210987. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-1.RLTS.T41633A45210987.en. Consultado em 21 de julho de 2021
  2. ↑ Wozencraft, W.C. (2005). «Conepatus semistriatus». In: Wilson, D. E.; Reeder, D. M. Mammal Species of the World 3.ª ed. Baltimore, Marilândia: Imprensa da Universidade Johns Hopkins. p. 621. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494
  3. ↑ EDUCAÇÃO, CLEO ASSESSORIA E EDITORA EM (22 de junho de 2022). «REVISTA CIENTIFICA EM EDUCAÇÃO - CLEO ASSESSORIA E EDITORA EM EDUCAÇÃO 1 EDIÇÃO - 2022». dx.doi.org. Consultado em 29 de setembro de 2023
  4. ↑ «Jaritataca». Michaelis. Consultado em 21 de julho de 2021
  5. ↑ Ferreira, A. B. H. (1986). Novo Dicionário da Língua Portuguesa 2.ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. p. 984
  6. ↑ Houaiss, verbete jaguacacaca
  7. ↑ Houaiss, verbete jeratataca
  8. ↑ Houaiss, verbete jeritataca
  9. ↑ Houaiss, verbete jaritacaca
  10. ↑ Sousa, Gabriel Soares de (1987). Tratado descritivo do Brasil em 1587. São Paulo: Ed. Nacional/ Brasília: INL. ISBN 85-04-00217-9.
  11. ↑ Houaiss, verbete jaguaritaca
  12. ↑ Houaiss, verbete maritacaca, maritataca, maratataca e tacaca
  13. ↑ Houaiss, verbete matirafede
  14. ↑ Houaiss, verbete jaritataca
  15. ↑ Navarro, E. A. (2013). Dicionário de Tupi Antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo: Global. p. 161-162
  16. ↑ Houaiss, verbete jaratacaca
  17. ↑ Houaiss, verbete jaratataca
  18. ↑ Houaiss, verbete cangambá
  19. ↑ Ferreira, A. B. H. (1986). Novo Dicionário da Língua Portuguesa 2.ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. p. 335
  20. 1 2 3 4 «Jaritataca». Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente. Consultado em 21 de julho de 2021
  21. 1 2 Ferreira, A. B. H. (1986). Novo Dicionário da Língua Portuguesa 2.ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. p. 984
  22. 1 2 Navarro, E. A. (2013). Dicionário de Tupi Antigo: a língua indígena clássica do Brasilː a Língua Indígena Clássica do Brasil. São Paulo: Global. p. 161-162; 165
  23. ↑ Dias, Douglas de Matos. «Spatiotemporal ecology of the striped hog-nosed skunk Conepatus semistriatus (Carnivora, Mephitidae) in a seasonally dry forest of northeastern Brazil». Brill Academic Publishers
  24. ↑ Gitana Nunes Cavalcanti; Luis Diego Alfaro-Alvarado; Rodrigues Guimaraes; Henrique Flavio. «Home range and activity patterns of Conepatus semistriatus (Carnivora, Mephitidae) in Emas National Park, Brazil». Brill Academic Publishers
  25. ↑ Emmons, Louis H. (1997). Neotropical Rainforest Mammals, A Field Guide. Chicago: Imprensa da Universidade de Chicago