Johannes Magnus

Johannes Magnus
Nascimento19 de março de 1488
Linköping Cathedral Congregation
Morte22 de março de 1544 (56 anos)
Roma
CidadaniaSuécia
EtniaSuecos
Irmão(ã)(s)Olaus Magnus
Ocupaçãohistoriador, padre, teólogo, arcebispo católico
ReligiãoIgreja Católica

Johannes Magnus – nascido em 1488 em Linköping, falecido em 1544 em Roma – foi um teólogo e historiador sueco. Foi o último arcebispo católico da Suécia (1523-1526), e ficou conhecido pela sua obra Historia de omnibus Gothorum Sueonumque regibus (”História de todos os reis dos Godos e dos Suíones”), uma narrativa fantasiosa e engrandecedora da história da Suécia, do seu povo e dos seus reis, verdadeiros ou imaginários. Este seu trabalho literário estava baseado no mito medieval da Suécia como o berço dos povos, de onde os Godos – associados imaginariamente aos Gotas (Götar, Göter ou Gautar) da parte central do país – teriam partido e conquistado o mundo.[1][2][3][4]

Biografia

Johannes Magnus estudou na Alemanha, França e Itália, e durante algum tempo foi agente diplomático do regente da Suécia, Sten Sture, o Moço, na cúria pontifícia. Em 1523, Johannes retornou como emissário papal para a Escandinávia pelo Papa Adriano VI, seu antigo professor na Universidade de Leuven. Em 1523, ele investigou a disputa entre o novo rei sueco, Gustav I Vasa, e o Arcebispo Trolle de Uppsala, que foi acusado de apoiar a reivindicação do Rei Cristiano II da Dinamarca ao trono sueco. Após exilar Trolle, Gustavo I o elegeu arcebispo de Uppsala.[6][7]

O Papa Clemente VII não aceitou a nomeação, deixando Magnus apenas como administrador em 1534 enquanto investigava a deposição. Apesar de Gustavo Vasa ignorar o papa e manter Magnus no cargo, ele logo entrou em conflito com as tentativas iniciais de reforma de Gustavo I.[6][7][8]

Com a passagem da Suécia do catolicismo para o protestantismo, Johannes Magnus acabou por ter de deixar definitivamente o país em 1526, ainda durante o reinado de Gustavo Vasa (1523-1560).[4][9][10][1]

Em 6 de junho de 1533, Johannes foi confirmado pela Santa Sé como Arcebispo de Uppsala e ordenado em 28 de julho, em Roma, pelo bispo Lorenzo Santarelli.

Os irmãos Magnus viveram em Danzig, Polônia, e, a partir de 1541, em Roma.[11] Johannes nunca voltou a viver na Suécia.[6] Faleceu em Roma, após 20 anos no exílio, e foi sepultado na Basílica de São Pedro.[7][11]

Obra

Gothorum Sveonumque Historia

A Historia de omnibus Gothorum Sueonumque regibus (História de todos os reis dos Godos e dos Suíones) é uma obra sobre a história sueca, que foi escrita durante o exílio de Johannes Magnus em Roma e impressa postumamente na mesma cidade de Roma em 1554 pelo seu irmão, o eclesiástico e escritor Olaus Magnus.[1][2] Olaus enviou o livro para a Suécia com uma dedicatória aos duques Érico, João, Magno e Carlos, filhos do rei Gustavo Vasa. Posteriormente, foi republicado várias vezes. Apareceu em uma tradução sueca por Ericus Schroderus pela primeira vez em 1620. É uma fonte pouco confiável para o início da história sueca.[6][7][12] Johannes Magnus fez uso criativo da Getica de Jordanes e de Saxo Grammaticus para retratar a história do povo sueco, de seus reis e dos "godos no exterior". Ele afirma que Magogue, filho de Jafé e neto de Noé, foi o primeiro rei da Suécia. Os primeiros 16 volumes são retomados no período antes de 1000 d.C. em uma estranha mistura de contos de escritores anteriores e sua própria ficção, supostamente derivada de registros rúnicos em Uppsala no Younger Futhark, que ele alegou ter servido aos godos como um alfabeto para cerca de dois milênios antes de Cristo.

Johannes Magnus inventou uma lista de reis da Suécia com seis «Erik» antes de Érico VI (Érico, o Vitorioso), onde ele começou a enumerar esses reis, tal como Jordanes, a partir de Berik. Inventou igualmente seis reis com o nome «Karl» antes de Carlos VII (Karl Sverkersson). Foi assim que os filhos de Gustav I Vasa puderam se intitular como Érico XIV e Carlos IX. Embora a obra descreva esses reis «Erik» e «Karl» fictícios em termos geralmente positivos, ela também inclui alguns tiranos inventados com nomes semelhantes a Gustav.[13][1][4]

A obra é extremamente patriótica e sugere que a Dinamarca era habitada por condenados exilados da Suécia, uma acusação que gerou uma forte refutação do tribunal dinamarquês.[4]

Um marco no goticismo sueco e europeu, o trabalho de Johannes provou ser fundamental no nascimento de várias declinações do Nordicismo, argumentando que a humanidade se originou do Norte e imbuindo este ponto cardeal de poderosos significados políticos e proféticos.[14]

Cronologia

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 «Johannes Magnus». Bonniers Compact Lexikon (em sueco). Estocolmo: Bonnier lexikon. 1999. p. 496. 1301 páginas. ISBN 91-632-0161-5
  2. 1 2 Bo Lindberg. «Johannes Magnus» (em sueco). Nationalencyklopedin – Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 6 de março de 2026
  3. ↑ Muceniecks, André Szczawlinska (2017). «Reações à reforma luterana no Norte: as diversas faces da heresia e heterodoxia na História de Gentibus Septentrionalibus, de Olaus Magnus (XVIs)» (PDF). PLURA, Revista de Estudos de Religião. 8 (2). São Paulo: Associação Brasileira para Pesquisa e História das Religiões. pp. 19–53. ISSN 2179-0019. Consultado em 6 de março de 2026. Gustav Trolle, antes arcebispo, foi exilado e substituído por Johannes Magnus... Johannes Magnus (sueco: Johan Månsson, 1488-1544) e seu irmão mais novo Olaus Magnus (sueco: Olof Månsson, 1490-1557), alinhados com Roma, partiram em exílio… Os irmãos passaram de 1537 até o final de suas vidas em Roma; ambos acabaram finalmente por obter a posição de arcebispos católico-romanos de Uppsala... Ambos escreveram obras de pretensões históricas; a Historia metropolitanae ecclesiae Upsaliensis e a Historia de omnibus gothorum sueonumque regibus, de Johannes... Johannes faleceu em 1544; suas obras foram impressas postumamente em Roma em 1547 e 1554, respectivamente, por seu irmão Olaus – que as completou – sendo traduzidas para o sueco apenas após 1620. Fazendo extenso uso da Getica de Jordanes e da Gesta Danorum de Saxo Grammaticus, Johannes construiu a imagem dos suecos enquanto sucessores dos godos da antiguidade, sendo fundamental para o posterior “Goticismo” sueco…
  4. 1 2 3 4 Sten Lindroth. «Johannes Magnus» (em sueco). Svenskt biografiskt lexikon (Riksarkivet) - Dicionário Biográfico Sueco (Arquivo Nacional Sueco)
  5. ↑ Sten Lindroth. «Johannes Magnus» (em sueco). Svenskt biografiskt lexikon (Riksarkivet) - Dicionário Biográfico Sueco (Arquivo Nacional Sueco). J framstår som en lidelsefull man, vilken drev sin ståndpunkt till dess yttersta konsekvenser; samma anda präglar också hans litterära verk.
  6. 1 2 3 4 «Johannes Magnus | Swedish Historian, Diplomat, Poet | Britannica». www.britannica.com (em inglês). Consultado em 17 de dezembro de 2024
  7. 1 2 3 4 «MAGNUS, Iohannes - Enciclopedia». Treccani (em italiano). Consultado em 17 de dezembro de 2024
  8. ↑ «Johannes Magnus». Lex (em dinamarquês). 3 de outubro de 2024. Consultado em 17 de dezembro de 2024
  9. ↑ Lagerqvist, Lars O. (1976). «Gustav Vasa (1521-1560)». Sverige och dess regenter under 1000 år (em sueco). Estocolmo: Bonnier. p. 146. 399 páginas. ISBN 91-0-075007-7
  10. ↑ Gunnarsson, Gunnar (2007). «Johannes Magnus». Norstedts uppslagsbok. illustrerad encyklopedi i ett band med världsatlas (em sueco). Estocolmo: Norstedt. p. 585. ISBN 9789113017136
  11. 1 2 «Archbishop Johan (Joannes Magni) Mansson (Gothus) [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 17 de dezembro de 2024
  12. ↑ «Erik». Nordisk Familjebok. Runeberg.org. 1907
  13. ↑ «Erik». Nordisk Familjebok. Runeberg.org. 1907
  14. ↑ Salvadori, Pierre-Ange (2021). Le Nord de la Renaissance: La carte, l'humanisme suédois et la genèse de l'Arctique. Paris: Classiques Garnier. doi:10.15122/isbn.978-2-406-10702-6

Ligações externas

Precedido por
Gustav Trolle
Arcebispo de Uppsala
1523 – 1531
Sucedido por
Laurentius Petri Nericius