Lodícula
A lodícula (do latim lodicula, "pequena manta" ou "cobertor") é uma estrutura botânica fundamental e altamente especializada, exclusiva das flores das plantas da família Poaceae (anteriormente conhecidas como gramíneas). Embora sejam frequentemente descritas como brácteas escamosas, a sua origem morfológica remete para uma redução evolutiva do perianto, sendo consideradas homólogas às pétalas ou sépalas de outras angiospermas. Estas estruturas apresentam-se geralmente em pares — por vezes três — e localizam-se na base do ovário, estando protegidas pelas brácteas externas conhecidas como lema e pálea.[1]
Do ponto de vista funcional, a lodícula desempenha um papel mecânico crucial durante a antese (o momento da abertura da flor). Quando a planta atinge a maturidade reprodutiva, as lodículas absorvem água rapidamente através de um processo osmótico, frequentemente impulsionado pelo movimento de iões de potássio, o que as faz inchar e aumentar de volume. Este turgor exerce uma pressão física que força o afastamento da lema e da pálea, expondo os órgãos reprodutores — como os estames e os estigmas plumosos — ao meio externo para facilitar a polinização anemófila (pelo vento).
Embora sejam estruturas minúsculas e muitas vezes translúcidas, a morfologia das lodículas é um importante caráter taxonómico na identificação de géneros e espécies de gramíneas, como o trigo (Triticum). Em algumas espécies, podem apresentar estomas e feixes vasculares, o que reforça a sua natureza foliar ancestral. Após a polinização, estas estruturas perdem o turgor e murcham, permitindo que as brácteas se fechem novamente para proteger o desenvolvimento do fruto, tipicamente um cariopse.
Referências
- ↑ Coimbra, Universidade de. «Glossário de Termos Botânicos». uc.pt. Consultado em 10 de março de 2026