Maedhros

Maedhros, o Alto
Personagem de O Silmarillion
Informações gerais
Criado(a) porJ. R. R. Tolkien
Informações pessoais
NascimentoDepois de 1190 AA
Morte587 PE
ResidênciaTirion

Himring

Amon Ereb
Características físicas
RaçaElfos (Noldor)
SexoMasculino
EstaturaMuito alta
Cor do cabeloVermelho escuro
Família e relacionamentos
FamíliaFilho Fëanor e Nerdanel

Irmão de Maglor, Celegorm, Caranthir, Curufin, Amrod, Amras

Tio de Celebrimbor
Informações profissionais
TítuloPríncipe dos Noldor

Senhor da Casa de Fëanor

Rei dos Noldor (1497 AA - 5 PE)

Senhor de Himring (7 PE - 472 PE)
EquipamentoEspada
ConexõesCasa de Fëanor, União de Maedhros

Maedhros é uma personagem fictícia de O Silmarillion, de J. R. R. Tolkien. Também apelidado de Maedhros, o Alto, foi um príncipe dos Noldor e o mais velho dos sete filhos de Fëanor. Posteriormente, tornou-se chefe da Casa de seu pai, tendo liderado a Casa de Fëanor contra Morgoth durante séculos. Contudo, o Juramento que ele e seus irmãos prestaram com vista a recuperar as silmarils prendeu-o e acabou por levar à sua queda.

Era famoso pela sua habilidade como guerreiro e diplomata.

Maedhros é um dos personagens mais marcantes de O Silmarillion, inspirando artistas como John Howe, Elena Kukanova, Alan Lee e Ted Nasmith, sendo ainda mencionado em obras como Os Contos Inacabados e Os Filhos de Húrin.

História

No Reino Abençoado

Maedhros nasceu em Valinor, provavelmente em Tirion, a Fëanor e Nerdanel no período a que se chama Meio-dia de Valinor. Após o banimento de Fëanor de Tirion, ele e os seus irmãos acompanharam o pai para o exílio em Formenos. Quando Morgoth matou Finwë, seu avô e Rei dos Noldor, e roubou as amadas silmarils de Fëanor, os sete filhos fizeram o terrível Juramento de Fëanor para recuperar as jóias.

Mais tarde, Maedhros foi com o seu pai para Alqualondë, onde eclodiu a Primeira Matança de Elfo por Elfo, na qual ele participou. Quando Fëanor partiu de Valinor sem o exército de Fingolfin, Maedhros julgou que ele planeava retornar para trazer a outra hoste, já que esperava reencontrar-se com Fingon, seu primo e amigo. Mas ao descobrir que, na verdade, Fëanor iria abandoná-los para impedir que Fingolfin os seguisse, amargurou-se e, sozinho entre os seus irmãos, recusou-se a ajudar na queima dos navios-cisne.[1]

No Exílio

Após desembarcarem na Terra Média, os Noldor foram atacados por um exército de Orcs, sucedendo-se a Dagor-nuin-Giliath ("Batalha sob as Estrelas", porque o Sol e Lua ainda não haviam sido criados). Ora Fëanor foi morto nessa batalha, e Maedhros herdou o direito ao trono no exílio. [2]

Pouco depois da Dagor-nuin-Giliath, Morgoth enviou uma embaixada e, fingindo rendição, ofereceu condições que incluíam a possibilidade de entregar uma silmaril. Mas Maedhros não confiava em Morgoth e, impulsionado pelo Juramento, foi ao encontro da embaixada com mais forças do que o acordado. Contudo, Morgoth também esperava traição e, por isso, enviou mais tropas, entre as quais estavam Balrogs. Quando as duas hostes se encontraram, os Elfos foram rapidamente mortos e Maedhros acabou capturado. Morgoth então anunciou aos Elfos que, se eles desistissem da guerra contra ele, Maedhros seria libertado. Mas os Elfos sabiam que Morgoth não honraria sua palavra e não enviaram resposta. Assim, Morgoth pendurou Maedhros pelo pulso da mão direita num precipício das Thangorodrim com uma faixa de aço inquebrável. Maedhros ali foi cativo por volta de trinta anos.[3]

Entretanto, o exército de Fingolfin, traído por Fëanor e abandonado em Valinor, chegara finalmente a Beleriand. O povo de Fingolfin, furioso pela traição de Fëanor, não foi bem recebido pelo exército de Fëanor por vergonha, e os dois grupos permaneceram amargamente divididos.[4] No entanto, Fingon decidiu partir sozinho na esperança de resgatar o primo, porque embora Fingon não soubesse da objeção de Maedhros à queima dos navios, os dois haviam sido grandes amigos antes da traição de Fëanor, e Fingon desejava tanto sanar a divisão entre as duas hostes quanto reavê-lo. Assim, numa ousada operação de resgate, Fingon, ajudado por Thorondor, o Rei das Águias, salvou-o do tormento, mas foi forçado a cortar a mão de Maedhros para libertá-lo.[5]

Maedhros recuperou-se rapidamente, mas nunca esqueceu o seu tormento, o que o levou a tornar-se um espadachim ainda mais mortal com a mão esquerda do que alguma vez fora com a direita. Em gratidão pelo seu resgate e em expiação pela traição de Fëanor, Maedhros renunciou a todos os direitos como herdeiro de Finwë e nomeou o seu tio Fingolfin, pai de Fingon, Rei dos Noldor.[6] Os irmãos de Maedhros ressentiram-se com isso, mas ele defendeu abertamente essa decisão como sendo correta, já que Fingolfin era o filho mais velho descendente de Finwë e, portanto, o próximo na linha de sucessão.

Vendo que os seus irmãos eram capazes de começar desavenças com o povo de Fingolfin, e desejando que qualquer ataque de Morgoth recaísse primeiro sobre si, Maedhros deslocou-os a todos para leste e, mais tarde, governou as terras ao redor do Monte de Himring, que ficou conhecida como a Marca de Maedhros[7]. Aliado a Fingolfin, ele venceu a batalha de Dagor Aglareb[8] e, graças à sua estratégia ousada durante a Dagor Bragollach, Himring permaneceu de pé enquanto muitos outros reinos élficos caíram, impedindo que as forças de Morgoth entrassem em Beleriand através da Marca.[9]

Maedhros e o seu irmão Maglor foram ainda os únicos dos filhos de Fëanor a comparecer à Mereth Aderthad, a Festa da Reunião.[10]

Ao saber que Beren e Lúthien haviam libertado uma silmaril da coroa de Morgoth, Maedhros ganhou esperança e reuniu os seus irmãos, unindo-se a outras Casas Élficas para criar a União de Maedhros, uma aliança para sitiar a fortaleza de Morgoth[11]. No entanto, não houve apoio de Thingol ou Nargothrond, devido aos feitos de Celegorm e Curufin, irmãos de Maedhros[12]. A União e o cerco foram completamente destruídos após a derrota na Nirnaeth Arnoediad, Himring foi ocupada por Orcs e Maedhros e os seus irmãos fugiram para sul, refugiando-se na colina de Amon Ereb[13].

Eventualmente, Maedhros soube que Dior, filho de Beren e Lúthien, herdara a silmaril que eles haviam recuperado de Morgoth. Ainda movido pelo Juramento, ele foi convencido pelo seu irmão Celegorm a atacar Doriath. Durante a batalha, Celegorm, Caranthir e Curufin foram mortos, assim como Dior, rei de Doriath. Os filhos de Dior, Eluréd e Elurín, foram capturados e abandonados pelos servos de Celegorm na floresta, e Maedhros lamentou amargamente esse ato e procurou-os por muito tempo, ainda que não os tenha encontrado[14]. Depois de saber que Elwing, filha de Dior, tinha sobrevivido, ele e os seus irmãos sobreviventes desceram com um exército sobre os remanescentes do povo de Doriath que viviam nos Portos de Sirion. Aí mataram muitos Elfos e capturaram os filhos de Elwing, Elrond e Elros, no saque, mas Elwing escapou com a silmaril, saltando de um penhasco para o oceano. Desolados com o peso do Juramento e com os atos em que participaram para cumpri-lo, Maedhros e Maglor, o seu último irmão sobrevivente, acolheram os filhos de Elwing sob a sua proteção.[15]

Após a Guerra da Ira, Maedhros e Maglor roubaram as duas silmarils restantes que haviam sido tiradas de Morgoth pelos Valar. Mas, devido às maldades cometidas pelos irmãos para recuperar as jóias, as silmarils queimaram as mãos de Maglor e Maedhros. Incapaz de suportar o sofrimento, Maedhros lançou-se a si mesmo e à silmaril que carregava num fosso de fogo na Terra.[16]

Desconhece-se se lhe foi concedido reencarnar ou se, tendo recusado deixar os Salões de Mandos, ali permanecerá, ao lado do pai, até ao Fim do Mundo.

Personagem e análise

Maedhros herdou o cabelo vermelho escuro do seu avô materno Mahtan, e usava um aro de cobre na cabeça. Era ainda descrito como sendo um dos mais altos Elfos que existiram, apesar de se poder associar o seu cognome, "o Alto", aos feitos posteriores ou à nobreza de espírito que reteve mesmo preso ao Juramento e à tragédia que sempre o seguiu, já que para Tolkien a altura sempre é interligada à grandeza da linhagem, do status ou de caráter.

Maedhros tinha um espírito feroz, endurecido pelo tormento infligido por Morgoth nas Thangorodrim, mas era mais moderado do que o seu pai. Era um espadachim excepcionalmente habilidoso, apesar da perda da mão direita, e era conhecido pela sua aparência bonita e elegante. Era também conhecido pela sua habilidade diplomática, pois conseguiu manter a paz entre a Casa de Fëanor e o resto dos seus parentes durante centenas de anos, apesar da natureza impetuosa e inflamada da maioria dos seus irmãos.

Em última análise, é uma personagem complexa e trágica, cuja natureza nobre foi ofuscada pelo terrível juramento que fez de perseguir Morgoth e as silmarils. Apesar das suas tentativas de unir os Noldor e promover a paz, Maedhros foi forçado a cometer atos hediondos, incluindo matanças de parentes, por lealdade ao seu juramento e ao seu pai moribundo, o que levou a uma profunda angústia pessoal e destruição. A sua história é frequentemente vista como a profunda tragédia de uma figura heróica destruída por palavras precipitadas e um destino cruel.

Etimologia

Maedhros vem da língua fictícia sindarin, sendo composto de maed ("bem-formado") + ross ("ruivo"), elementos "sindarizados" dos seus nomes Maitimo e Russandol (ambos explicados abaixo). Assim, corretamente grafado, o seu nome deveria ser Maedros.

Numa fase anterior da língua noldorin, diz-se que o nome Maidhros/Maedhros significa "brilho pálido", sendo formado pela junção de maidh ("pálido", "fulvo") e do arcaico rhoss ("faísca", "brilho de metal").

Outros nomes

Por ter nascido em Valinor e os seus parentes falarem a língua fictícia quenya, os primeiros nomes de Maedhros têm essa origem.

O seu "nome de pai", ou seja, o nome dado pelo pai à nascença ou após alguns anos, era Nelyafinwë ("terceiro Finwë"), com o diminutivo sendo Nelyo, já que o seu avô e o seu pai partilhavam o nome Finwë. Nelya é um adjetivo do quenya que significa "terceiro".

O seu "nome de mãe" era Maitimo ("o bem-formado"), porque ele era conhecido pela sua beleza física.

Os seus irmãos e outros parentes deram-lhe o epessë Russandol ("cabeça de cobre"), em referência ao cabelo ruivo escuro que herdara do seu avô Mahtan. Tal é claramente derivado de russa ("ruivo"). Em relação a este nome, é também notável que Maedhros usasse uma coroa de cobre.

Após perder a mão direita, recebeu também o epessë em noldorin de Erchamui ("maneta"), o mesmo apelido que Beren.

Fragmento de O Silmarillion

«Maedhros realizou feitos de inultrapassável coragem e os Orcs fugiam diante da sua cara, pois, desde o seu tormento nas Thangorodrim, o seu espírito ardia como um fogo branco e ele parecia ter regressado de entre os mortos.»[17]

Genealogia

Bibliografia

  1. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. p. 95
  2. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. pp. 112–114
  3. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. pp. 114–115
  4. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. p. 115
  5. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. pp. 116–117
  6. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. p. 117
  7. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. p. 119
  8. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. p. 122
  9. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. pp. 163–164
  10. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. p. 120
  11. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. p. 201
  12. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. p. 202
  13. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. pp. 206–209
  14. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. p. 253
  15. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. pp. 263–264
  16. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. p. 270
  17. ↑ Tolkien, J. R. R. (2009). O Silmarillion. Mem Martins: Publicações Europa-América. p. 164
  1. ↑ (Tolkien 1977, “Sobre os Anéis de Poder e a Terceira Era": Árvore genealógica I: “A casa de Finwë e a descendência noldorin de Elrond e Elros”)
  2. ↑ (Tolkien 1977, “Sobre os Anéis de Poder e a Terceira Era": Árvore genealógica II: “Os descendentes de Olwë e Elwë”)
  3. ↑ (Tolkien 1955, Apêndice A: Anais dos Reis e Governantes, I Os Reis Númenóreanos)
  4. ↑ (Tolkien 1996, "The Shibboleth of Fëanor")
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