Maria Júdice da Costa
| Maria Júdice da Costa | |
|---|---|
![]() Retrato de Maria Júdice da Costa, publicado na Ilustração Portuguesa de 7 de Março de 1910 | |
| Nascimento | Maria Bárbara Bicker Júdice da Costa 12 de junho de 1870 |
| Morte | São Mamede, Lisboa |
| Nacionalidade | Portugal |
| Alma mater | Conservatório de Música de Lisboa |
| Ocupação | Cantora lírica |
Maria Bárbara Bicker Júdice da Costa, mais conhecida pelo nome artístico de Maria Júdice (Santa Catarina, Lisboa, 12 de Junho de 1870 — São Mamede, Lisboa, 16 de Maio de 1960), foi uma cantora lírica portuguesa.
Biografia
Nascimento e formação
Nasceu na freguesia de Santa Catarina, cidade de Lisboa[1] em 12 de Junho de 1870, filha de António Maria Júdice Bicker da Costa, oficial do Ministério da Fazenda e originário de uma família algarvia, da freguesia e concelho de Lagoa, e de Maria Amélia de Resende, natural de Setúbal (freguesia de Santa Maria da Graça).[2][3][4]
Mostrou os seus dotes musicais desde a infância, tendo cantado em público pela primeira vez aos seis anos, numa festa infantil na vila de Portimão, onde recitou a obra A Judia de Tomás Ribeiro com grande sucesso.[4]
Aos nove anos, matriculou-se no curso de piano do Conservatório de Música de Lisboa, embora tenha mudado depois para o de canto, por exortação do maestro Melchior Oliver.[5][1] Durante 10 anos, estudou canto e declamação com o ator João Rosa e demonstrou grande talento para o canto, tendo recebido prémios todos os anos em que esteve naquele curso. Foi a primeira aluna a sair já preparada para seguir uma carreira como cantora lírica.[4] No final do curso, cantou na ópera La Cenerentola para cerca de 500 pessoas, onde foi muito aplaudida.[4]
Carreira artística
Aos 17 anos, cantou ao público pela primeira vez, num evento da imprensa a favor das vítimas do desastre do Teatro Baquet.[4] Actuou depois num concerto promovido pelo governo durante a visita do Rei da Suécia a Portugal, onde cantou a cavatina da ópera Semiramis.[4] O monarca ficou tão admirado com a tenra idade de Maria Júdice, que a chamou depois à tribuna real, tendo sido igualmente elogiada pela rainha D. Amélia de Orleães.[4] Participou depois em vários concertos de beneficiência, sempre com muito sucesso.[4]
Fez a sua estreia profissional em 31 de Janeiro de 1890, aos vinte anos, no Teatro Nacional de São Carlos, cantando na ópera La Gioconda de Amilcare Ponchielli, onde foi muito aclamada.[1] Em junho de 1890, partiu para Itália, em conjunto com a sua irmã Hortênsia, para melhorar o seu canto lírico.[1]
Em 1896, esteve na cidade de Lagos, para actuar durante dois dias no teatro Gil Vicente.[1] Viajou por toda a Europa e em diversas nações americanas como soprano dramático, tendo estado por exemplo em São Petersburgo.[1] Fez uma audição privada para o Czar e a corte da Rússia, pela qual recebeu vários presentes.[1] Foi considerada uma das melhores intérpretes das óperas de Richard Wagner, especialmente no papel de Bunilda na peça A Valquíria.[1]
Durante 20 anos, foi casada com com o tenor italiano Guglielmo Caruson, tendo tido dois filhos e uma filha, Brunilde Júdice, que também se destacou como actriz, tendo por algumas vezes contracenado com a sua mãe no teatro e no cinema.[1]
Na década de 1920, actuou em teatro declamado em Lisboa, onde atingiu um grande sucesso junto do público, tendo tido a sua estreia na peça Os sedutores (1921), da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro. Em 1922, rumou ao Brasil com a companhia de Lucinda Simões para interpretar A Casaca Encarnada, de Vitoriano Braga, em que contracenou com a filha, Brunilde.[5][1]
Também foi actriz de cinema em vários filmes: como Rita Preciosa em Amor de Perdição (1921), de Georges Pallu, e em dois filmes de Rino Lupo, Mulheres da Beira (1923), no papel de madre superiora, e Fátima Milagrosa (1928), como marquesa de Unhais.[5][1]
A partir de 1933, exerceu como professora de canto, tendo interpretado, nesse ano, zarzuelas e óperas em três novas gloriosas temporadas no Teatro Nacional de São Carlos.[5][1]
Em 1939, Maria Júdice da Costa partiu para Itália a bordo do paquete Saturnia, para se alojar na Casa di Riposo per Musicisti, criada por Giuseppe Verdi em Milão.[1]
Falecimento
Regressou depois a Portugal, onde faleceu vítima de miocardite a 16 de Maio de 1960, em sua casa, na Rua Rodrigo da Fonseca, n.º 93, 3.º esquerdo, freguesia de São Mamede, em Lisboa, aos 89 anos.[6][1]
Homenagens
Maria Júdice da Costa foi uma das artistas homenageadas na exposição Mulheres Algarvias do Teatro e do Cinema, no Centro Cultural de Lagos, onde foram apresentadas algumas fotografias suas, cedidas pelo Museu do Teatro.[1] Recebeu o título de sócia honorária da Academia Musical de Lisboa.[4]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 MARREIROS, 2015:365-366
- ↑ «Livro de registo de batismos da paróquia de Santa Catarina - Lisboa (1870-1874)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 9 e 9v, assento 160
- ↑ «Livro de registo de reconhecimentos da paróquia de Santa Catarina - Lisboa (1892-1893)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 4 e 4v, assento 6
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 «Maria Judice da Costa». A Illstração Portugueza. Lisboa. 31 de Março de 1890. p. 7. 12 páginas. Consultado em 22 de Janeiro de 2019
- 1 2 3 4 «Maria Júdice da Costa - Soprano lírico». Meloteca. 8 de março de 2018. Consultado em 30 de março de 2026
- ↑ «Livro de registo de óbitos da 7.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1960-01-01 - 1960-07-03)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 114v, assento 226
Bibliografia
- MARREIROS, Glória Maria (2015). Algarvios pelo coração, algarvios por nascimento. Lisboa: Edições Colibri. 432 páginas. ISBN 978-989-689-519-8
