Max Bernhard Weinstein

Max Bernhard Weinstein
Nascimento
Kaunas, Governadoria de Vilna, Império Russo
Morte
25 de março de 1918 (65 anos)

NacionalidadeAlemão
OcupaçãoFísico, filósofo
Principais trabalhosCrítico da teoria da relatividade; estudos sobre pandeísmo
Carreira científica
InstituiçõesUniversidade de Berlim
Campo(s)Física, filosofia

Max Bernhard Weinstein (1 de setembro de 1852 em Kaunas,[1] Governadoria de Vilna – 25 de março de 1918) foi um físico e filósofo alemão. Ele é mais conhecido por ser um opositor da teoria da relatividade de Albert Einstein e por ter escrito um amplo exame de várias teorias teológicas, incluindo uma discussão extensa sobre o pandeísmo.

Nascido em uma família judia em Kovno (então Império Russo[2][3]), Weinstein traduziu o Tratado sobre Eletricidade e Magnetismo de James Clerk Maxwell para o alemão em 1883,[4] e lecionou cursos sobre eletrodinâmica na Universidade de Berlim.[4]

Enquanto lecionava no Instituto de Física da Universidade de Berlim, Weinstein associou-se a Max Planck, Emil du Bois-Reymond, Hermann von Helmholtz, Ernst Pringsheim Sr., Wilhelm Wien, Carl A. Paalzow da Technische Hochschule em Berlim-Charlottenburg, August Kundt, Werner von Siemens, ao teólogo Adolph von Siemens, ao historiador Theodor Mommsen e ao filólogo germânico Wilhelm Scherer.[5]

Crítica à teoria da relatividade de Einstein

Weinstein esteve entre os primeiros físicos a rejeitar e criticar a teoria da relatividade de Albert Einstein, argumentando que "a relatividade geral havia removido a gravidade de sua posição isolada anterior e a transformado em um 'poder mundial' controlando todas as leis da natureza", e alertando que "a física e a matemática teriam que ser revisadas".[6] Foram os escritos de Weinstein e seu impacto na condução do sentimento público contra as teorias de Einstein que levaram o astrônomo Wilhelm Foerster a convencer Einstein a escrever uma explicação mais acessível dessas ideias.[6] No entanto, um comentarista afirma que os resumos de Weinstein sobre a física relativista eram "exercícios tediosos de álgebra".[7]

Weinstein argumentou contra a relatividade em seu livro Die Physik der bewegten Materie und die Relativitätstheorie, publicado em 1913.[8]

Escritos filosóficos

Além de seu trabalho em física, Weinstein escreveu diversas obras filosóficas. Welt- und Lebensanschauungen, Hervorgegangen aus Religion, Philosophie und Naturerkenntnis ("Visões de Mundo e da Vida, Emergentes da Religião, Filosofia e Percepção da Natureza") (1910) examinou as origens e o desenvolvimento de muitas áreas filosóficas, incluindo o exame mais amplo e abrangente da teoria teológica do pandeísmo escrito até aquele momento. Uma crítica que revisou o trabalho de Weinstein neste campo considerou o termo pandeísmo como uma combinação 'feia' de grego e latim,[9] embora Weinstein não tenha cunhado o termo, nem tenha afirmado tê-lo feito. O revisor critica ainda as amplas afirmações de Weinstein de que filósofos históricos como Scotus Erigena, Anselmo de Cantuária, Nicolau de Cusa, Giordano Bruno, Mendelssohn e Lessing eram todos pandeístas ou inclinavam-se ao pandeísmo.[9]

Filosoficamente, Weinstein era atraído pelo que chamava de monismo psíquico ou espiritual, que ele acreditava ser comparável ao panteísmo de Espinosa, e no qual a essência de todos os fenômenos poderia ser encontrada inteiramente na mente.[10] Embora não visse alternativa para a eventual morte térmica do Universo, Weinstein sugeriu que existia uma 'energia psíquica' fundamental, da qual um mundo de entropia máxima consistiria em última análise.[10] Weinstein escreveu:

A partir desta premissa, Weinstein raciocinou que o mundo deve ter tanto um início quanto um fim, e que uma força sobrenatural deve tê-lo iniciado e, portanto, poderia também provocar o seu fim:

Embora rejeitasse formulações teístas sobre tais coisas, Weinstein considerava a origem do Universo tão problemática que escreveu: "Tanto quanto posso ver, apenas o panteísmo spinozista, entre todas as filosofias, pode levar a uma solução satisfatória."[10]

Obras

  • Handbuch der physikalischen Maassbestimmungen. Zweiter Band. Einheiten und Dimensionen, Messungen für Längen, Massen, Volumina und Dichtigkeiten, Julius Springer, Berlim 1888
  • Die philosophischen Grundlagen der Wissenschaften. Vorlesungen gehalten an der Universität Berlin …, B. G. Teubner, Leipzig e Berlim 1906
  • Welt- und Lebensanschauungen hervorgegangen aus Religion, Philosophie und Naturerkenntnis, Johann Ambrosius Barth, Leipzig 1910
  • Die Physik der bewegten Materie und die Relativitätstheorie, Barth, Leipzig 1913
  • Kräfte und Spannungen. Das Gravitations- und Strahlenfeld, Friedr. Vieweg & Sohn, Braunschweig 1914

Referências

  1. ↑ Berlin im Jahr 1852 (Berlim em 1852): "Max Bernhard Weinstein wird in Kowno (Kaunas/Litauen) geboren. Weinstein war seit 1886 Privatdozent für Physik und Geographie an der Berliner Universität." Tradução: "Max Bernard Weinstein nasceu em Kovno (Kaunas / Lituânia). Weinstein era, desde 1886, professor particular (Privatdozent) de física e geografia na Universidade de Berlim."
  2. ↑ Helge Kragh (2019). «Max Weinstein: Physics, Philosophy, Pandeism». arXiv:1901.11299Acessível livremente [physics.hist-ph]
  3. ↑ The Symbolic Universe: Geometry and Physics 1890-1930, página 104, por Jeremy Gray. 1999.
  4. 1 2 The Historical Development of Quantum Theory, página 33, por Jagdish Mehra e Helmut Rechenberg, 2000.
  5. ↑ Review of theology & philosophy - Volume 7, página 576, por Allan Menzies. 1912.
  6. 1 2 Einstein's Jury: The Race to Test Relativity, página 102, por Jeffrey Crelinsten. 2006.
  7. ↑ Peter Galison, Science and Society: The History of Modern Physical Science in the Twentieth Century, p. 288, 2001.
  8. ↑ «The Case Against Relativity» (PDF). Nature. 92: 577. 1914
  9. 1 2 Otto Kirn, revisor, Welt- und Lebensanschauungen, Hervorgegangen aus Religion, Philosophie und Naturerkenntnis ("Visões de Mundo e da Vida, Emergentes da Religião, Filosofia e Natureza") em Emil Schürer, Adolf von Harnack, editores, Theologische Literaturzeitung ("Jornal de Literatura Teológica"), Volume 35, coluna 827 (1910): "Dem Verfasser hat anscheinend die Einteilung: religiöse, rationale und naturwissenschaftlich fundierte Weltanschauungen vorgeschwebt; er hat sie dann aber seinem Material gegenüber schwer durchführbar gefunden und durch die mitgeteilte ersetzt, die das Prinzip der Einteilung nur noch dunkel durchschimmern läßt. Damit hängt wohl auch das vom Verfasser gebildete unschöne griechisch-lateinische Mischwort des ,Pandeismus' zusammen. Nach S. 228 versteht er darunter im Unterschied von dem mehr metaphysisch gearteten Pantheismus einen ,gesteigerten und vereinheitlichten Animismus', also eine populäre Art religiöser Weltdeutung. Prhagt man lieh dies ein, so erstaunt man über die weite Ausdehnung, die dem Begriff in der Folge gegeben wird. Nach S. 284 ist Scotus Erigena ein ganzer, nach S. 300 Anselm von Canterbury ein ,halber Pandeist'; aber auch bei Nikolaus Cusanus und Giordano Bruno, ja selbst bei Mendelssohn und Lessing wird eine Art von Pandeismus gefunden (S. 306. 321. 346.)." Tradução: "O autor aparentemente pretendia dividir as filosofias religiosa, racional e com base científica, mas achou seu material avassalador, resultando em um esforço que só pode brilhar através do princípio da classificação de forma obscura. Esta é provavelmente também a origem da feia palavra composta greco-latina, 'Pandeísmo'. Na página 228, ele entende a diferença do tipo mais metafísico de panteísmo, um animismo unificado aprimorado que é uma visão de mundo religiosa popular. Ao lembrar deste empréstimo, ficamos impressionados com a vasta extensão dada ao termo. De acordo com a página 284, Scotus Erigena é um inteiro, na p. 300 Anselmo de Cantuária é 'meio pandeísta'; mas também Nicolau de Cusa e Giordano Bruno, e até mesmo em Mendelssohn e Lessing, um tipo de pandeísmo é encontrado (p. 306 321 346.)".
  10. 1 2 3 4 5 Entropic Creation: Religious Contexts of Thermodynamics and Cosmology, página 131-132, por Helge Kragh. 2008. ISBN 0-7546-6414-7.

Ligações externas