Milton Dias
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| O Paysandu na tarde da vitória sobre o Peñarol Milton Dias é o penúltimo agachado | ||
| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | Milton Dias | |
| Data de nascimento | ||
| Local de nascimento | Brasil | |
| Nacionalidade | brasileiro | |
| Data da morte | junho de 2007 | |
| Local da morte | Valencia, Venezuela | |
| Clubes de juventude | ||
| 1963 | Botafogo | |
| Clubes profissionais | ||
| Anos | Clubes | Jogos e gol(o)s |
| 1964–1965 1965–1967 1966 1967 1967 1971 1972 1980–1983 |
Paysandu Peñarol → Fénix (emp.) Fluminense Bangu Valencia Estudiantes de Mérida Deportivo Galicia Portuguesa Zamora |
9 (3)[1] |
Milton Dias foi um futebolista brasileiro nascido no Espírito Santo.[2] Destacou-se como jogador do Paysandu, sobretudo na recordada partida em que o clube paraense venceu por 3–0 o Peñarol em 1965, acabando por ser comprado pela própria equipe uruguaia,[3][4] na época uma das mais fortes do mundo e na qual marcara um gol e fornecera uma assistência naquela partida.[5] [6][7]
Posteriormente, destacou-se no futebol da Venezuela, país onde radicou-se após encerrar a carreira em 1983 e no qual morreu em junho de 2007, na cidade de Valencia.[8]
Era negro,[5] não devendo ser confundido com outro atacante chamado Milton Dias, mulato, que atuou na década de 1960 por São Paulo e Athletico Paranaense e que morreu em 16 de dezembro de 2006.[9]
Carreira
Paysandu
Milton Dias veio ao Paysandu proveniente das categorias de base do Botafogo, onde estava em 1963.[2] Em 13 de setembro de 1964, marcou seu primeiro gol pela equipe paraense, em empate em 2–2 contra o Avante, pelo estadual daquele ano.[10] Em 14 de outubro, estreou no clássico Re-Pa, em amistoso pelo Torneio Quadrangular Interestadual. Escalado na meia-esquerda, marcou o único gol da partida.[11] O clube, porém, terminaria o estadual fora da finalíssima, decidida entre os rivais Remo e Tuna Luso.[12]
O Campeonato Paraense de Futebol de 1965 começou apenas em 20 de junho.[13] O primeiro semestre foi ocupado com amistosos, com Milton Dias chegando a marcar em dois clássicos com a Tuna (duas vitórias por 2–1, em fevereiro e março). O "Papão" também disputou e venceu, em abril, o Torneio Quadrangular Internacional, a reunir Fast, Fortaleza e Transvaal. Milton Dias foi o artilheiro da competição, com quatro gols,[14] três deles na vitória de 3–1 sobre o Transvaal.[10] No mesmo mês, voltou a marcar no Re-Pa, em derrota de 3–2 pelo "Torneio da Paz". Estava atuando como centroavante.[15]
No Estadual, atuou normalmente na ponta-direita, em ataque que completava com Milton Marabá, Edson Piola, Vila e Ércio.[13] Em meio à competição, houve novo Re-Pa para marcar a estreia do veterano Castilho como goleiro do Paysandu. O arquirrival venceu por 3–0, em 1 de julho.[15] Porém, dezoito dias depois, em 19 de julho, os alviazuis aplicariam o mesmo placar sobre o Peñarol.[10]
Até lá, o Paysandu havia jogado três partidas pelo Estadual, ganhando-as todas por goleada - 4–0 no Júlio César, 6–1 no Liberato de Castro e 5–1 no Combatentes. Milton Dias foi titular em todas elas, mas não chegou a marcar em nenhuma.[13] Contra os uruguaios, contudo, realizou o que foi considerado o "jogo da sua vida".[3] O adversário era uma equipe das mais poderosas mundialmente na época,[16][17][18] mantendo uma invencibilidade de treze partidas, com recentes vitórias contra brasileiros naquele ano sobre Santos (3–2, após derrota de 5–4, e 2–1, todos pela Taça Libertadores da América de 1965) e Fluminense (3–1 em amistoso no Maracanã).[19]
Os paraenses, porém, já venciam por 1–0 quando Milton Dias, aos 43 minutos do primeiro tempo, recebeu de Edson Piola e acertou um chute cruzado no alto de Ladislao Mazurkiewicz,[5] completando para o gol vazio após o colega ter atraído a marcação - em outras fontes, o passe teria sido de Pau Preto.[20] Aos 37 minutos da etapa complementar, Milton lançou bola para o próprio Pau Preto, deixado frente a frente com Mazurkiewicz, marcar o terceiro gol.[5] A vitória por 3–0 repercutiu bastante além de Belém do Pará; no Rio de Janeiro, o Jornal dos Sports descreveu o gol de Milton Dias como "espetacular";[2] Nelson Rodrigues escreveu uma crônica sobre a partida para O Globo;[5] e o Botafogo tentou reaver o passe de Milton Dias, de imediato desejado pelo Peñarol, cujo treinador Roque Máspoli insistia na contratação do capixaba,[2] requerida por telegrama.[3] Três dias depois, ele chegou a figurar em novo bom resultado contra os uruguaios, que só aos 42 minutos do segundo tempo conseguiram empatar em 1–1 contra um combinado entre Paysandu e Tuna; nessa ocasião, entrou no decorrer da partida, substituindo o tunante Mário.[20]
Milton Dias jogou mais uma partida pelo Estadual, precisamente no Re-Pa, realizado em 1 de agosto. O "Papão", que asseguraria o título já em novembro, dessa vez venceu por 1–0.[13] Cerca de dez dias depois, a venda do jogador aos aurinegros estava anunciada,[2] em transferência que seria comparada à de Iarley pelo Boca Juniors em função dos duelos pela Taça Libertadores da América de 2003. Abílio Couceiro, então diretor de futebol alviazul em 1965, descreveria que "levei o Milton Dias na loja masculina mais chique de Belém, embonequei ele, dei um brilho no dente dele e o levei para o Rio de Janeiro, onde o empresário uruguaio estava esperando".[3] A contratação foi acertada em 12 mil dólares.[2]
Não houve hesitação do Paysandu em vendê-lo pois Milton era visto como um jogador mediano que terminara "craque de um jogo só", embora na história: o triunfo inspirou até marchinha que terminaria mais popular como cântico do que o hino oficial do clube.[3][20] O clube também manteve hábito de buscar talentos nos juvenis de times cariocas, trazendo dos aspirantes do Vasco da Gama os ídolos Robilotta (no fim de 1965) e Bené (no início do ano seguinte), que se converteriam na mais efetiva dupla ofensiva da história do time e do futebol paraense.[21][22]
Peñarol

Encantado com o desempenho de Milton Dias naquele amistoso, o treinador aurinegro Roque Máspoli via nele uma alternativa viável ao desfalque do artilheiro Alberto Spencer, que se ausentaria continuamente por compromissos com a seleção equatoriana nas eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1966. O brasileiro chegou a Montevidéu mediante assinatura de um contrato de dois anos, com luvas em 7 milhões de cruzeiros e salários de 200 mil cruzeiros mensais, além de casa e alimentação. Máspoli havia reiterado o desejo pelo jogador mesmo após ser comunicado de tratativas feitas em paralelo pelo representante do clube com outros brasileiros na época.[2]
Milton Dias estreou em 19 de agosto de 1965 pelo Peñarol,[23] sendo na ocasião titular no empate amistoso em 1–1 no estádio Saroldi contra o River Plate uruguaio.[24] No mesmo mês, jogou mais duas vezes, marcando gols em ambas: na rodada inaugural do Campeonato Uruguaio de Futebol de 1965 (1–0 no Rampla Juniors) e em amistoso com o Central de San José (6–0). Porém, só voltaria a entrar em campo em 13 de novembro.[23]
Na reestreia, já pela 13ª rodada, Milton Dias pôde marcar: foi em vitória de 3–1 sobre o Colón uruguaio, no que também foi seu último gol.[23] O Peñarol terminaria campeão ao fim daquela temporada com Milton Dias,[25] mas sem que ele vingasse pelo clube.[3][26] A alternativa mais assídua aos desfalques de Spencer terminou sendo o argentino Miguel Reznik,[19] que já havia participado daquele amistoso em Belém do Pará.[5]
Milton participou ao todo de três partidas daquele título (a última, pela 18ª rodada, derrotado de 1–0 pelo Fénix) e fez ainda em 1965 sua última partida pelo Peñarol: foi em amistoso em 29 de dezembro, em Cáli, contra o River Plate argentino, vencedor por 3–2.[23] Nela, substituiu Spencer no intervalo.[27] O brasileiro ainda integrou o elenco campeão da Taça Libertadores da América de 1966, mas sem entrar em campo,[20][28] sendo eventualmente emprestado ao Fénix.[3]
Pós-Peñarol
Em junho de 1967, Milton, ainda com 21 anos de idade, voltou ao Rio de Janeiro para acertar com o Fluminense.[29] Possuía o próprio passe e veio para testes.[30] Porém, suas atuações foram avaliadas como negativas pelo treinador argentino Alfredo González,[31] embora tenha marcado um gol nas duas partidas em que atuou pelo "Tricolor", contra equipes modestas.[32] Dali fez testes no Bangu.[33]
Milton Dias faria sucesso no futebol da Venezuela, onde chegou no início da década de 1970, defendendo Valencia, Estudiantes de Mérida, Deportivo Galicia, Portuguesa e Zamora. No Valencia, foi campeão venezuelano em 1971,[34] na primeira vez que o clube obteve o título.[35] Em 1972, integrou o elenco do Estudiantes na primeira temporada deste clube na primeira divisão, ao lado de outros dois brasileiros, Cassiano e Edgar Pereira.[36] Em 1980, foi juntamente com outros brasileiros (Ademir de Jesus Lobo, Artinho d'Almeida Lima e Jairo Machado) campeão da Copa Venezuela com o Zamora, no que foi o primeiro título profissional do clube e da cidade de Barinas, com a data da conquista virando "o dia do futebol barinês".[37][38]
O jogador parou de jogar em 1983, no Zamora. Radicou-se na Venezuela e lá morreu na cidade de Valencia, em 11 de junho de 2007.[34]
Títulos
- Paysandu
- Peñarol
- Valencia
- Campeonato Venezuelano: 1971
- Zamora
- Copa Venezuela: 1980
Referências
- 1 2 «Milton Días». 1891 BD. Consultado em 20 de fevereiro de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 Penarol Compra Milton Dias Do Paissandu De Belém (13 de agosto de 1965). Jornal dos Sports n. 11217, p. 3
- 1 2 3 4 5 6 7 AQUINO, Leonardo (23 de julho de 2005). «Paysandu y Peñarol ... la historia que los relaciona». Balípodo. Consultado em 22 de maio de 2018
- ↑ MELO, Nickson (18 de julho de 2025). «"Até o Peñarol veio aqui pra padecer", Paysandu lança documentário sobre vitória histórica». Globo Esporte. Consultado em 21 de julho de 2025
- 1 2 3 4 5 6 DA COSTA, Ferreira (2002). 1965 - Paysandu 3 x 0 Peñarol. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 70-71
- ↑ MAIA, Caio (18 de julho de 2025). «Paysandu produz documentário que celebra 60 anos da histórica vitória sobre o Peñarol». O Liberal. Consultado em 21 de julho de 2025
- ↑ FERNANDES, Magno (18 de julho de 2025). «Documentário celebra 60 anos que o Paysandu fez o Peñarol "padecer"». Diário do Pará. Consultado em 21 de julho de 2025
- ↑ «Milton Dias, ex-Fluminense, morre aos 63 anos na Venezuela». UOL Esporte. 11 de junho de 2007. Consultado em 29 de julho de 2023
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- 1 2 3 «Paysandu». Futebol80. Consultado em 22 de maio de 2018
- ↑ DA COSTA, Ferreira (2015). 1964. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 94-96
- ↑ DA COSTA, Ferreira (2013). 1964 - Remo perde para o Liberato, se recupera, e conquista o título. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 139-141
- 1 2 3 4 DA COSTA, Ferreira (2013). 1965 - Paysandu traz Castilho e dá um passeio no certame: É Campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 142-145
- ↑ DA COSTA, Ferreira (2002). 1965 - Campeão Invicto do Torneio Internacional. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 69
- 1 2 DA COSTA, Ferreira (2015). 1965. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 96-100
- ↑ «Há 47 anos, Paysandu vencia o time imbatível do Peñarol do Uruguai». Globo Esporte. 18 de julho de 2012. Consultado em 19 de julho de 2017
- ↑ SANTOS, Ronaldo (18 de julho de 2013). «Há 48 anos, Paysandu escrevia na história a grande vitória sobre o Peñarol». Paysandu. Consultado em 19 de julho de 2017
- ↑ SANTOS, Ronaldo (18 de julho de 2014). «Há 49 anos o Paysandu vencia o poderoso Peñarol-URU». Paysandu. Consultado em 19 de julho de 2017
- 1 2 1965 - Copa Uruguaya, Vice Campeón Copa Libertadores (2011). Club Atlético Peñarol 120. Montevidéu: Ediciones El Galeón, pp. 122-123
- 1 2 3 4 BRANDÃO, Caio (18 de julho de 2020). «Há 55 anos, uma vitória inesquecível ao futebol paraense: o Paysandu fez padecer o supertime do Peñarol». Trivela. Consultado em 28 de junho de 2023
- ↑ DA COSTA, Ferreira (2013). Bené - O Furacão da Curuzu. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 55-61
- ↑ DA COSTA, Ferreira (2013). Robilota - Arrancou aplausos das duas grandes torcidas. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 255-256
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- ↑ 12 de junho de 2007. «Falleció ex carbonero Milton Días». La Red 21. Consultado em 22 de maio de 2018
- ↑ «Há 54 anos, Paysandu goleava o Penãrol mas ficava com prejuízo duplo no futebol». O Liberal. 18 de julho de 2019. Consultado em 24 de janeiro de 2025
- ↑ «Peñarol 2 3 River Plate (Arg)». 1891 BD. Consultado em 20 de fevereiro de 2026
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- ↑ González é observador no amistoso (17 de junho de 1967). Jornal dos Sports n. 11876, p. 3
- ↑ Ponteiro em experiência (22 de junho de 1967). Jornal dos Sports n. 11881, p. 3
- ↑ Gonzalez viu o Flu bem frágil na direita (27 de junho de 1967). Jornal dos Sports n. 11886, p. 2
- ↑ Ricardo de Freitas Lima. «Milton - 1967». Fluzão. Consultado em 22 de maio de 2018
- ↑ Bangu joga sem Fidélis e Cabral (10 de julho de 1967). Jornal dos Sports n. 11908, p. 3
- 1 2 «Milton Dias, ex-Fluminense, morre aos 63 anos na Venezuela». UOL. 11 de junho de 2007. Consultado em 22 de maio de 2018
- ↑ «El Valencia FC fue el Campeón del fútbol profesional venezolano en el año 1971». One Football. 27 de novembro de 2024. Consultado em 24 de janeiro de 2025
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- ↑ AGUILAR ÁNGULO, Luis Edgardo (7 de maio de 2009). «El 7 de mayo es el día del fútbol barinés». Barinas.net. Consultado em 22 de maio de 2018

