Mitranes I

 Nota: Para outros significados, veja Mitranes.
Mitranes I
Sátrapa da Armênia
Reinado331-317 a.C.
Antecessor(a)Orontes II
Sucessor(a)Orontes III
Dados pessoais
Descendência
Orontes III (?)
Dinastiaorôntida
PaiOrontes II (?)

Mitranes I (Μιθράνης, Mithránēs), Mitrenes I (em grego: Μιθρηνης, Mithrēnēs) ou Mitrines I (Μιθρινης, Mithrinēs) foi um sátrapa da Armênia da dinastia orôntida, que comandou o país de 331 até 317 a.C..

Nome

Mirranes (Μιρράνης, Mirránēs) ou Mitranes (Μιθράνης, Mithránēs) são as formas gregas do persa médio Mirã (Mihrān),[1] que derivou do persa antigo Mitrana (*Miθrāna-).[2] Foi citado em armênio como Mirã (Միհրան, Mihran) e Merã (Մեհրան / Մէհրան, Mehran)[3] e em georgiano como Miriã (მირიან).[1] Em sua forma georgiana, foi latinizado como Meribanes pelo historiador Amiano Marcelino.[4][5]

Vida

Mitranes era supostamente filho de Orontes II.[6] Nos últimos anos do Império Aquemênida, foi nomeado sátrapa da Lídia. Em 334 a.C., ao ser derrotado por Alexandre, o Grande (r. 336–323 a.C.) em Sárdis, aceitou segui-lo em sua campanha contra Dario III (r. 336–330 a.C.) e lutou ao lado dos macedônios na Batalha de Gaugamela. Após a batalha, Mitranes foi feito sátrapa da Armênia por Alexandre.[7][8][9] Orontes II também lutou em Gaugamela, porém ao lado dos iranianos, e supostamente morreu, mas seu destino foi contestado por Diodoro Sículo e Polieno, que mencionam certo homônimo como sátrapa da Armênia durante a Segunda Guerra dos Diádocos;[10] Diodoro acrescenta que este Orontes era amigo de Peucestas.[11]

Andrew Burn, Edward Anson e Waldemar Heckel concordam que o sátrapa citado pelos autores clássicos é Orontes II[12][13] e Anson e Heckel afirmam que Mitranes pode ter morrido numa tentativa malsucedida de arrancar a Armênia de Orontes. Heckel afirmou que muito provavelmente a Armênia, que foi contornada pelo exército macedônio, nunca fez parte do império de Alexandre.[14] Anson, por outro lado, considerou provável que em algum momento após a Batalha de Gaugamela Orontes tenha feito a sua submissão a Alexandre, que mais tarde o colocou no comando da Grande Armênia. N. G. L. Hammond interpretou as fontes como indicando que a Armênia já estava submissa quando Mitranes foi enviado da Babilônia para lá no final de 331 a.C., que Mitranes assumiu o controle como sátrapa governando em nome do novo regime macedônio e que foi deixado como sátrapa em 323 a.C., quando Pérdicas permitiu que algumas satrapias permanecessem sob os sátrapas existentes; em 317 a.C., Mitranes não era mais sátrapa, mas foi substituído por Orontes III.[15]

Referências

  1. 1 2 Rapp 2014, p. 225.
  2. ↑ Tavernier 2007, p. 250.
  3. ↑ Ačaṙyan 1942–1962, p. 332.
  4. ↑ Rapp 2003, p. 293–295.
  5. ↑ Toumanoff 1963, p. 83–84, 377.
  6. ↑ Toumanoff 1963, p. 280.
  7. ↑ Arriano, III.16.
  8. ↑ Cúrcio, V.1.44.
  9. ↑ Diodoro Sículo, XVII.64.6.
  10. ↑ Polieno, IV.8.3.
  11. ↑ Diodoro Sículo, XIX.23.3.
  12. ↑ Burn 1985, p. 384.
  13. ↑ Anson 2014, p. 50.
  14. ↑ Heckel 2006, p. 185.
  15. ↑ Hammond 1996, p. 130–137.

Bibliografia

Fontes primárias

  • Diodoro Sículo. Biblioteca histórica 🔗 
  • Polieno. Estratagemas na guerra 🔗 

Fontes secundárias

  • Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Միհրան». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã 
  • Anson, Edward (2014). «The funeral games begin». Alexander's Heirs: The Age of the Successors. Hoboquém, Nova Jérsei: Wiley Blackwell. ISBN 978-1-4443-3962-8 
  • Burn, A. R. (1985). «Persia and the Greeks». In: Gershevitch, Ilya. The Cambridge History of Iran, Volume 2: The Median and Achaemenian Periods. Cambridge: Cambridge University Press. pp. 292–391. ISBN 0-521-20091-1 
  • Hammond, N. G. L. (1996). «Alexander and Armenia». Phoenix. 50 (2): 130–137. doi:10.2307/1192698 
  • Heckel, Waldemar (2006). «Orontes [2]». Who's who in the age of Alexander the Great: prosopography of Alexander's empire. Hoboken, Nova Jérsei: Blackwell Publishing. ISBN 978-1-4051-1210-9 
  • Rapp, Stephen H. (2003). Studies In Medieval Georgian Historiography: Early Texts And Eurasian Contexts. Lovaina: Peeters Publishings. ISBN 90-429-1318-5 
  • Rapp, Stephen H. Jr. (2014). The Sasanian World through Georgian Eyes: Caucasia and the Iranian Commonwealth in Late Antique Georgian Literature. Farnham: Ashgate Publishing, Ltd. ISBN 1472425529 
  • Tavernier, Jan (2007). «4.2.1113. *Miθrāna-». Iranica in the Achaemenid Period (ca. 550–330 B.C.): Lexicon of Old Iranian Proper Names and Loanwords, Attested in Non-Iranian Texts. Dudley, Massachussetes: Peeters Publishers 
  • Toumanoff, Cyril (1963). Studies in Christian Caucasian History. Washington: Georgetown University Press