Mtetwa
Os mtétuas (também grafado mtetwa e mthethwa) foram uma chefatura, composta por comunidades angunes que, no século XVIII ocupavam o território sul-africano entre os rios Mfolozi e Tugela, na região conhecida como Cuazulo-Natal[1].
Dingiswayo foi o seu chefe mais célebre, iniciou a união dos povos nguni, permitindo que os chefes de cada comunidade linhageira continuassem no seu posto, mas com a obrigação de pagarem tributo em gado. Nos tempos de Dingiswayo, acirraram-se as disputas entre os mtétuas e os anduandués, sobretudo pelo controle de terras, gado e do comércio de marfim e gado com o litoral. Dingiswayo alicerçou o seu poder através da organização de um exército por grupos de jovens da mesma idade, e estabeleceu relações comerciais com a baía de Maputo e com as linhagens e chefaturas na região[2]. Nesse movimento, algumas chefaturas afastaram-se, tendo-se iniciado, por exemplo, o povoamento de Essuatíni pelos povos suázis.
Provavelmente, na década de 1790, nasceu entre os zulus Shaka (ou "Tchaka"), filho ilegítimo de Senzanganakhona, um herdeiro do trono. Este jovem, que foi banido, junto com sua mãe da chefatura dos zulus, depois dos ritos de iniciação, alistou-se no exército de Dingiswayo, onde se tornou um comandante. Em 1816, o pai de Shaka morre e este decide tomar o poder pela força. Começa desta maneira a segunda fase da união dos angunes naquilo que se chamou o Império Zulu. Em 1818, durante a Guerra Ndwandwe–Zulu, morre Dingiswayo e Shaka assume o poder, assimilando os mtétuas aos zulus e continuando a conquista dos anduandués.
Referências
- ↑ "O Império Zulu" capítulo VII do livro "História de Moçambique" no site Macua.org acessado a 6 de setembro de 2009
- ↑ SILVA, Evander Ruthieri (2023). Entre o escudo e a azagaia: uma história política do Reino Zulu no século XIX. Rio de Janeiro: EDUERJ. p. 51