Observatório de Perth

Observatório de Perth

Domo do telescópio de 61 cm no Observatório de Bickley

Características
Organização
Perth Observatory Volunteer Group
Localização
Código IAU
319 (original); 322, 323 (Bickley)
Tipo
observatório astronómico (en)
monumento histórico
Abertura
Inauguração
Estatuto patrimonial
State Registered Place (d)
Altitude
390 m
Localização
City of Kalamunda (en)
Austrália
Coordenadas
Website
Telescópios
Telescópio astrográfico Howard Grubb
Refrator 13 pol. (330 mm), f/15
Telescópio Lowell (Boller & Chivens)
Refletor 24 pol. (610 mm), f/13
Telescópio Calver
Refletor 12,5 pol. (317 mm)
Meade LX200
Refletor 16 pol. (406 mm)
Celestron
Refletor 14 pol. (355 mm)

O Observatório de Perth (em inglês: Perth Observatory) é o nome de dois observatórios astronômicos localizados na Austrália Ocidental, Austrália, com história e missão institucional contínua desde 1896. O observatório original foi fundado naquele ano no Monte Eliza, em West Perth, com vista panorâmica sobre a cidade de Perth (código MPC 319).[1] Devido à expansão urbana e à crescente poluição luminosa, o observatório foi transferido em 1965 para Bickley, na Cordilheira Darling, cerca de 24 quilômetros a leste de Perth (códigos MPC 322 e 323).[2]

O observatório de Bickley é reconhecido como o mais antigo em operação contínua da Austrália.[3] Em 2005, foi inscrito no Registro Estadual do Patrimônio da Austrália Ocidental. Desde junho de 2015, é operado pelo Perth Observatory Volunteer Group em parceria com o Departamento de Parques e Vida Selvagem do governo estadual.[2] O portal da UNESCO para o Patrimônio da Astronomia também reconhece o sítio como de relevância para a história da astronomia mundial.[4]

Observatório original (1896–1965)

Fundação e construção

Cerimônia de colocação da pedra fundamental do Observatório de Perth, em 29 de setembro de 1896, presidida pelo premier John Forrest.

A ideia de um observatório para Perth foi proposta em 1891 pelo premier da Austrália Ocidental John Forrest, mas não obteve financiamento imediato. Em 1895, Forrest consultou o astrônomo governamental da Austrália do Sul, Sir Charles Todd, que recomendou seu próprio assistente, William Ernest Cooke, para o cargo. Cooke foi nomeado primeiro astrônomo governamental da Austrália Ocidental em 1 de fevereiro de 1896 e enviado por Forrest em viagem à Europa para estudar designs de observatórios e supervisionar a fabricação dos instrumentos; visitou Paris, Nice, Estrasburgo e Bruxelas, além do astrônomo de Sua Majestade no Cabo da Boa Esperança.[5]

A pedra fundamental do observatório foi lançada por Forrest em 29 de setembro de 1896, em cerimônia cívica de destaque. O projeto arquitetônico foi executado pelo arquiteto governamental George Temple-Poole, numa combinação ousada de estilos arquitetônicos australianos. O domo para o telescópio astrográfico foi projetado pelo fabricante irlandês Sir Howard Grubb, de Dublin. A pedra fundamental foi desenhada pelo próprio Cooke com as posições exatas dos planetas no zodíaco no momento de sua colocação. A construção foi concluída ao custo de £6.622 — mais que o dobro do orçamento inicial — e o complexo foi oficialmente inaugurado por John Forrest em 1900.[6] O complexo era composto pelo edifício principal de escritórios, o Edifício do Círculo de Trânsito (que abrigava o telescópio meridiano Troughton & Simms de 6 polegadas, chegado em 1898) e o domo do telescópio astrográfico Howard Grubb de 13 polegadas (chegado em 1899), ambos totalmente comissionados em outubro de 1901.[5]

William Ernest Cooke (1896–1912)

Equipe do Observatório de Perth em 1900.

A primeira tarefa de Cooke ao chegar a Perth foi determinar com precisão a latitude e longitude exatas da colônia — trabalho fundamental para o estabelecimento de um padrão de tempo confiável. Antes de sua chegada, os relógios da colônia podiam variar em até meia hora. Cooke estabeleceu um eficiente serviço de tempo padrão para a Austrália Ocidental: os sinais eram transmitidos diariamente por telégrafo para toda a rede ferroviária e para o público. Uma bola de tempo era solta ao meio-dia no Round House em Fremantle e na Hay Street em Perth; a partir de 1902, um canhão passou a disparar ao meio-dia em Perth e em Fremantle como sinal de tempo, prática que perdurou até 1955 — o canhão ainda se encontra no terreno do observatório original.[4] Cooke estabeleceu também um eficiente Bureau do Tempo, foi o primeiro a traçar a rota de um ciclone tropical sobre o estado e instituiu alertas que reduziram os riscos para a navegação e a indústria da pesca de pérolas. Até 1908, acumulou o cargo de meteorologista governamental, quando os serviços meteorológicos foram transferidos ao governo federal.[5]

Em 1901, o observatório participou das observações do Grande Cometa de 1901 (C/1901 G1), visível exclusivamente do Hemisfério Sul naquele ano.[2]

Catálogo Astrográfico e Carte du Ciel

Em 1887, uma conferência internacional em Paris reuniu mais de 50 astrônomos de todo o mundo com o objetivo de fotografar e catalogar a posição de milhões de estrelas — projeto que ficou conhecido como Catálogo Astrográfico (Astrographic Catalogue, AC) e Carte du Ciel (Mapa do Céu). Vinte observatórios ao redor do mundo participaram, cada um responsável por uma zona de declinação específica, usando telescópios-padrão de 13 polegadas fabricados pelos irmãos Henry em Paris ou por Howard Grubb em Dublin.[7]

A zona entre −32° e −40° havia sido atribuída ao Observatório do Rio de Janeiro, mas como o trabalho no Rio não havia avançado até 1900, a tarefa foi transferida ao Observatório de Perth. A primeira placa foi tirada em 4 de novembro de 1901. O trabalho era de escala colossal: cada placa cobria 2°×2° do céu em exposições de 6 minutos (para o AC) ou três exposições de 20 minutos (para a Carte du Ciel), e as medições manuais das posições estelares eram realizadas por "computadores" — denominação dada na época a pessoas treinadas para executar cálculos repetitivos. Em Perth, 11 mulheres trabalharam nessa função entre 1908 e 1918.[7] Seis volumes foram publicados até 1916, com o restante publicado entre 1948 e 1952 com assistência do Observatório Real de Edimburgo. Os catálogos Edimburgo/Perth, completados sob Spigl entre 1949 e 1953, registraram as posições de 139.000 estrelas.[6]

Em 1907, Cooke publicou o Catalogue of 420 Standard Stars, que recebeu amplo reconhecimento internacional — o Astrônomo Real britânico aconselhou outros observatórios a seguir os métodos do Observatório de Perth. Uma conferência internacional em Paris em 1909 adotou as propostas de Cooke para um programa mais eficiente de mapeamento estelar.[5] Cooke deixou o cargo em 1912 para assumir o posto de astrônomo governamental de Nova Gales do Sul.

Harold Curlewis (1912–1940)

Com a saída de Cooke, o governo estadual manteve Curlewis apenas como astrônomo governamental interino por oito anos, ameaçando inclusive fechar o observatório ou transferi-lo ao governo federal — proposta recusada pela Commonwealth. Somente em 1920, Curlewis foi efetivado no cargo. Em 1929, escreveu sobre as vantagens do sítio do Monte Eliza, observando que os ventos predominantes sopravam sobre a extensão do King's Park, preservando as condições de observação astronômica apesar da proximidade com a cidade.[8]

O período mais notável de Curlewis foi a participação do observatório na expedição de Wallal de 1922, organizada para observar o eclipse solar total de 21 de setembro de 1922 em Wallal Downs, estação de gado remota a cerca de 320 km ao sul de Broome, na costa da Austrália Ocidental. O objetivo central era testar a relatividade geral de Albert Einstein, verificando se a luz de estrelas distantes se curvava ao passar próximo ao Sol durante a totalidade do eclipse. A expedição foi liderada pelo diretor do Observatório Lick da Califórnia, William Wallace Campbell, e contou com astrônomos dos Estados Unidos, Canadá, Índia e Austrália — incluindo membros do Observatório de Perth, que levaram o telescópio Calver de 12,5 polegadas do observatório. A expedição observou 140 estrelas durante a totalidade com erro de menos de 1%, e Campbell telegrafou a Einstein com a confirmação plena das previsões da relatividade geral.[9]

Em 1920 e 1921, Curlewis colaborou com o astrônomo governamental da Austrália do Sul, George Dodwell, na determinação de posições para demarcação da fronteira entre a Austrália Ocidental e a Austrália do Sul em Deakin. Em 1921, o mesmo grupo viajou a bordo do navio estadual MV Bambra até Wyndham, sendo guiado por M. P. Durack até um ponto na estação Rosewood próximo a Argyle Downs, próximo ao 129° meridiano leste, usando sinais de rádio sem fio para determinação precisa de tempo. Essas determinações levaram, em 1968, à formação do Surveyor Generals Corner — o ponto de encontro das fronteiras da Austrália Ocidental, do Território do Norte e da Austrália do Sul, onde existe um trecho de aproximadamente 127 metros "lateral" na fronteira entre a Austrália Ocidental e o Território do Norte.[6]

Hyman Spigl (1940–1962)

Hyman Solomon Spigl, terceiro astrônomo governamental, assumiu o cargo em 1940 com formação em topografia. Reconstruiu o observatório após os cortes severos da Segunda Guerra Mundial, revitalizando o serviço de tempo e os serviços de sismologia. Completou os catálogos astrográficos em andamento e, entre 1949 e 1953, publicou em conjunto com o Observatório Real de Edimburgo os catálogos que registraram posições de 139.000 estrelas. Reiniciou as publicações para a Royal Astronomical Society. Por meio de uma bolsa da National Science Foundation americana, iniciou a restauração do círculo de trânsito meridiano de 150 mm (6 polegadas) do observatório para reiniciar observações meridianas — projeto que não concluiu antes de sua morte, mas cujo instrumento, agora totalmente restaurado, está exposto no saguão do Observatório de Bickley.[10]

Em 1957, o observatório aderiu ao Project Moonwatch, programa internacional para rastrear os primeiros satélites artificiais. Durante o Ano Internacional da Geofísica (1957–1958), instalou uma câmera de lua Markowitz no telescópio astrográfico. Spigl lecionou por muitos anos topografia na Universidade da Austrália Ocidental e esteve envolvido com a Astronomical Society of Western Australia. Em 1958, recebeu uma bolsa Gledden da Universidade da Austrália Ocidental e passou 12 meses em observatórios nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Europa, buscando um novo local para o observatório em função do Relatório Stephenson-Hepburn de 1955, que determinara a relocação do sítio. Spigl faleceu em 20 de agosto de 1962 sem ter concluído o processo de transferência.[6]

Observatório de Bickley (1965–presente)

Bertrand Harris e a transferência para Bickley

O edifício original do Observatório de Perth no Monte Eliza, West Perth, ainda preservado atualmente.

Com a morte de Spigl em 1962, Bertrand Harris (1925–1974), assistente desde 1957, assumiu como quarto astrônomo governamental e teve de enfrentar imediatamente a relocação. A poluição luminosa e atmosférica da cidade havia tornado as condições de observação no Monte Eliza inadequadas para pesquisa científica. O terreno do observatório original deu lugar ao que seriam inicialmente cinco blocos de escritórios governamentais — mas apenas um foi construído, o Dumas House. O domo do telescópio astrográfico original foi demolido em 1964; a casa do astrônomo-chefe sobreviveu e é hoje ocupada pelo National Trust.[2]

A derrubada da vegetação no novo terreno florestal estadual em Bickley, na Cordilheira Darling, iniciou-se em fevereiro de 1964. As escavações começaram em maio de 1964 e as obras prosseguiram ao longo de 1965, com a equipe se instalando em 19 de dezembro de 1965. O novo observatório foi inaugurado oficialmente em 30 de setembro de 1966 — 70 anos e um dia após a colocação da pedra fundamental do observatório original — pelo premier David Brand, ao custo de A$600.000.[6] O monitoramento sísmico, que havia sido operado pelo observatório desde 1923 com um sismógrafo Milne-Shaw, foi transferido com a relocação para o Observatório Geofísico de Mundaring, sob controle do governo federal.[10]

O telescópio astrográfico Howard Grubb original, transportado intacto com montagem e domo da instalação anterior, foi restaurado e reativado em 29 de março de 1968, passando a tirar placas de segunda época para estudos de movimento próprio estelar.[11] Harris reiniciou os tours públicos em 23 de outubro de 1966 e manteve os serviços de tempo, marés e informação astronômica para a Austrália Ocidental.

Catálogos meridianos de Perth

Em 1967, Harris supervisionou a instalação de um telescópio de círculo meridiano no observatório, parte de uma expedição de astrônomos do Observatório de Hamburgo (Alemanha), que trabalhou de 1967 a 1971 no programa internacional Southern Reference Stars (SRS). Em 1967, Harris também colaborou com a Universidade da Austrália Ocidental na instalação de um telescópio de 410 mm (16 polegadas) para uso conjunto. Em 1968, o Observatório Lowell de Flagstaff, Arizona, instalou no observatório um telescópio Boller & Chivens de 610 mm (24 polegadas) como parte do International Planetary Patrol Program da NASA, voltado à fotografia de Marte, Júpiter e Vênus.[6]

Em 1970, Harris criou uma seção meridiana dedicada para continuar o trabalho após a partida dos alemães. O resultado foi o Perth 70 (1974–76), com as posições precisas de 24.900 estrelas — o maior e mais preciso catálogo meridional do Hemisfério Sul até então. Harris organizou o Simpósio UAI n° 61 em Perth em 1973, dedicado a "Novos Problemas em Astrometria", e faleceu em 23 de dezembro de 1974, aos 49 anos.[12]

Iwan Nikoloff (1921–2015), quinto astrônomo governamental (1974–1985), nasceu na Bulgária e emigrou para a Austrália em 1964 quando o país vivia sob a Cortina de Ferro. Sob sua direção, o Perth 75 foi publicado em 1982, catalogando 2.549 estrelas do programa FK4 e FK4 Suplementar, fornecendo informações cruciais do Hemisfério Sul para a construção do referencial fundamental FK5. O Perth 83, completado em 1988, encerrou a série. Nikoloff foi membro fundador da Astronomical Society of Australia e membro das Comissões 8 (Astrometria) e 1 (Astronomia Fundamental) da União Astronômica Internacional (UAI). Aposentou-se em 4 de janeiro de 1985 e faleceu em 8 de abril de 2015.[6]

Michael Candy: cometas, asteroides e anéis de Urano

Michael Philip Candy (1928–1994), sexto astrônomo governamental e primeiro Diretor, chegou ao observatório em 12 de maio de 1969 após recusar o cargo de diretor da British Astronomical Association para emigrar à Austrália. Havia se formado no HM Nautical Almanac Office britânico, experiência que seria fundamental para as contribuições astrométricas do observatório. Em novembro de 1969, assumiu o telescópio astrográfico de Nikoloff.[6]

Candy havia descoberto em 1960 o Cometa Candy (1960n) e foi o primeiro astrônomo a descobrir e calcular a órbita de um cometa a partir de apenas duas observações em menos de 60 horas. Em Perth, rapidamente posicionou o observatório na vanguarda da astrometria cometária austral: em 1972, era o 9° do mundo em produção de posições cometárias. Introduziu novas técnicas de processamento de placas fotográficas que aumentaram a magnitude limite das observações de 14 para 19, recuperou cinco cometas e levou o observatório a 2° lugar mundial entre 1973 e 1977 e 4° entre 1978 e 1984. Por essas contribuições, recebeu a Medalha Merlin da British Astronomical Association em 1975. Sob sua direção, o observatório descobriu mais de 100 novos asteroides — com 29 deles creditados ao observatório pelo Minor Planet Center entre 1970 e 1999, com o primeiro, o 2993 Wendy, descoberto em 1970.[6][13]

Em 1987, o governo estadual impôs os cortes mais drásticos da história do observatório, com 50% do pessoal redistribuído e uma seção inteira encerrada. O clamor das comunidades científica e amadora foi fundamental para evitar o fechamento total da instituição.[10] Candy continuou trabalhando no observatório após sua aposentadoria compulsória em projetos que incluíam o estudo do binário eclipsante FO Hydra, o desenvolvimento de um telescópio caçador de cometas, uma nova teoria sobre as origens e evolução dos cometas, a análise do cometa perdido Gale e a comparação de um cometa sul-australiano de 1979 com um cometa de 1770.[10] Tornou-se vice-presidente da Comissão 6 da UAI em 1979 e seu presidente entre 1982 e 1985, e membro da Comissão 20 (Posições e Movimentos de Planetas Menores, Satélites e Cometas) até 1988. Foi conselheiro da Astronomical Society of Australia (1988–1990) e da Royal Society of Western Australia (1988–1990), e presidente desta última em 1989. O asteroide 3015 Candy foi nomeado em sua homenagem em 1980. Aposentou-se em 24 de dezembro de 1993 e faleceu em 2 de novembro de 1994.[14]

Descoberta dos anéis de Urano (1977)

Em março de 1977, o Observatório de Perth sediou o Dr. Bob Millis, do Observatório Lowell, que havia viajado até Perth para observar a ocultação estelar da estrela SAO 158687 por Urano em 10 de março de 1977. Usando o telescópio Lowell de 24 polegadas instalado no observatório, Millis e o astrônomo de Perth Dr. Peter Birch registraram cinco ocultações da estrela antes e depois da ocultação principal pelo disco de Urano — causadas pelos anéis do planeta. Os dados foram essenciais para confirmar a descoberta feita simultaneamente pelo Observatório Aéreo Kuiper (KAO) da NASA. Os resultados foram publicados na revista Nature (Millis, Wasserman & Birch, 1977), estabelecendo que Urano possui pelo menos cinco anéis — a primeira evidência de que outro planeta além de Saturno possuía sistema de anéis.[15]

Cometa Halley

Durante o retorno do Cometa Halley em 1985–86, o Observatório de Perth produziu 10% de todas as posições astrométricas terrestres do cometa — a maior contribuição individual de um único observatório no mundo. Em 1986, em colaboração com a Universidade de Maryland e o Observatório Lowell, o observatório descobriu jatos de CN nas imagens do Halley.[6] O observatório publicou as comunicações sobre posições de cometas e planetas menores nos boletins Communication No. 2, 3, 4 e 5 (1986).[10]

James Biggs, exoplanetas e supernovas

James D. Biggs assumiu o cargo de diretor em maio de 1994. Em 1993, iniciou-se a Perth Automated Supernova Search, utilizando o telescópio Lowell automatizado com CCD resfriado a nitrogênio líquido; o programa descobriu 30 supernovas até seu encerramento em 2011.[11]

Em 1995, o observatório tornou-se membro fundador do consórcio PLANET (Probing Lensing Anomalies with a Network of Telescopes), uma rede de telescópios distribuídos ao redor do Hemisfério Sul para monitoramento contínuo de eventos de microlente gravitacional.[16] Em janeiro de 1996, no centenário de sua fundação, o observatório foi transferido para o Department of Conservation and Land Management (atual Departamento de Parques e Vida Selvagem).[10]

Em julho de 2005, o sistema OGLE detectou o evento de microlente OGLE-2005-BLG-390, ativando os telescópios da rede PLANET — incluindo o de Perth — para monitoramento intensivo. Ao longo de duas semanas de observações, foi detectado um pico revelando a presença de um planeta. O resultado foi anunciado em 25 de janeiro de 2006, com o membro Andrew Williams do Observatório de Perth como coautor. O planeta, designado OGLE-2005-BLG-390Lb, possui entre 3 e 10 massas terrestres e orbita uma anã vermelha a cerca de 21.500 ano-luz do Sol, próximo ao centro da Via Láctea — tornando-se na época o exoplaneta rochoso/gelado de menor massa detectado fora do Sistema Solar.[16] Em 2012, o consórcio PLANET publicou um artigo estatístico na revista Nature concluindo que planetas de massa terrestre são comuns em torno de estrelas da Via Láctea.[11]

Era recente e modelo comunitário

Ralph Martin sucedeu Biggs em 2010 como oitavo e último diretor. Em 22 de janeiro de 2013, o governo da Austrália Ocidental anunciou o encerramento de todos os programas de pesquisa.[17] Em junho de 2015, o Perth Observatory Volunteer Group assinou acordo de parceria para gerir o observatório. A instituição opera atualmente com apenas três funcionários em tempo parcial e cerca de 120 voluntários. No ano de 2022–23, o observatório alcançou 14.992 pessoas em seus programas, realizou 179 tours noturnos com 5.810 visitantes, atendeu 771 estudantes escolares e conduziu 26 eventos fora do sítio em toda a Austrália Ocidental. Os 162 voluntários registrados contribuíram 20.560 horas de trabalho voluntário.[18]

O observatório publicou o Western Australian Astronomy Almanac nos anos 2000, precedido pelo Astronomical Data (1965–1990) e pelo Astronomical Handbook (1989–1992).[10]

Patrimônio e instrumentação

Em 19 de julho de 2005, o Observatório de Bickley foi inscrito no Registro Estadual do Patrimônio da Austrália Ocidental como o mais antigo observatório em operação contínua da Austrália.[3] O portal da UNESCO para o Patrimônio da Astronomia inclui o sítio entre os observatórios de relevância histórica mundial.[4]

O acervo inclui o telescópio astrográfico Howard Grubb original (13 polegadas, f/15, fabricado em Dublin em 1897), o telescópio Lowell de 24 polegadas (Boller & Chivens 610 mm), o telescópio Calver de 12,5 polegadas (chegado em 1911, usado na expedição de Wallal em 1922), o círculo de trânsito meridiano de 150 mm restaurado (exposto no saguão), o sismógrafo Milne-Shaw histórico, relógios e cronômetros de precisão e extensa documentação arquivística. O asteroide 3953 Perth foi nomeado em homenagem ao observatório.[19]

Astrônomos governamentais

N° Nome Período Contribuição principal
1 William Ernest Cooke (1863–1947) 1896–1912 Fundação; serviço de tempo; meteorologia; Catálogo Astrográfico; Catalogue of 420 Standard Stars
2 Harold Curlewis 1912 (interino) / 1920–1940 Expedição de Wallal (1922); demarcação de fronteiras WA/SA/NT
3 Hyman Spigl 1940–1962 Reconstrução pós-guerra; catálogos Edimburgo/Perth (139.000 estrelas); Ano Internacional da Geofísica; Project Moonwatch
4 Bertrand Harris (1925–1974) 1962–1974 Transferência para Bickley; Perth 70; Simpósio UAI 61; telescópio UWA e Lowell
5 Iwan Nikoloff (1921–2015) 1974–1985 Perth 75 e Perth 83; catálogos FK4/FK5 do Hemisfério Sul
6 (1° Diretor) Michael Candy (1928–1994) 1984–1993 Astrometria de cometas; >100 asteroides; anéis de Urano (1977); Cometa Halley; Medalha Merlin
7 James Biggs 1994–2010 Consórcio PLANET; exoplaneta OGLE-2005-BLG-390Lb; 30 supernovas
8 Ralph Martin 2010–2013 Último Diretor com pesquisa ativa

Referências

  1. ↑ «About The Perth Observatory». Perth Observatory. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  2. 1 2 3 4 «Our History». Perth Observatory. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  3. 1 2 «Perth Observatory». Heritage Council, State Heritage Office. 19 de julho de 2005. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  4. 1 2 3 «Perth Observatory, Australia». UNESCO Portal to the Heritage of Astronomy. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  5. 1 2 3 4 «Cooke, William Ernest (1863–1947)». Australian Dictionary of Biography. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  6. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 «WA Government Astronomers». Perth Observatory. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  7. 1 2 «The Astrographic Catalogue at Perth». Perth Observatory. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  8. ↑ H. B. Curlewis (20 de julho de 1929). «The Perth Observatory». Civil Service Journal: 73–74
  9. ↑ «The Wallal Expedition of 1922: Historical Background». University of Western Australia. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  10. 1 2 3 4 5 6 7 «Perth Observatory». Wikipedia (en). Consultado em 17 de janeiro de 2026
  11. 1 2 3 «Astronomical Research». Perth Observatory. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  12. ↑ «Harris, Bertrand John (1925–1974)». Australian Dictionary of Biography. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  13. ↑ «Minor Planet Discoverers (by number)». Minor Planet Center. 24 de fevereiro de 2016. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  14. ↑ «Obituary – Candy, Michael-Philip – 1928–1994». Journal of the British Astronomical Association. 105. 56 páginas. 1995. Bibcode:1995JBAA..105...56.
  15. ↑ R. L. Millis; L. H. Wasserman; P. V. Birch (1977). «Detection of rings around Uranus». Nature. 267: 330–331. doi:10.1038/267330a0
  16. 1 2 «Gravity Reveals First Cool Rocky/icy Exoplanet». ESO. 25 de janeiro de 2006. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  17. ↑ «Research programs to be cut at Perth Observatory». ABC News. 22 de janeiro de 2013. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  18. ↑ «Perth Observatory Volunteer Group – Annual Report 2022–23» (PDF). Perth Observatory Volunteer Group. Consultado em 17 de janeiro de 2026
  19. ↑ L. D. Schmadel (2007). Dictionary of Minor Planet Names. [S.l.]: Springer. p. 337. ISBN 978-3-540-00238-3. doi:10.1007/978-3-540-29925-7_3941

Ligações externas