Orides Fontela
| Orides Fontela | |
|---|---|
| Nome completo | Orides de Lourdes Teixeira Fontela |
| Nascimento | 24 de abril de 1940 |
| Morte | |
| Nacionalidade | brasileira |
| Educação | Universidade de São Paulo |
| Ocupação | poetisa |
Orides de Lourdes Teixeira Fontela (São João da Boa Vista, 24 de abril de 1940 – Campos do Jordão, 2 de novembro de 1998), conhecida como Orides Fontela, foi uma filósofa e poeta. Sua obra é reconhecida por críticos literários como uma das mais significativas da poesia nacional na segunda metade do século XX.[1]
Biografia
Orides Fontela nasceu em São João da Boa Vista, município de São Paulo, em 24 de abril de 1940.
Em 1956, aos 16 anos, publicou seus primeiros poemas no jornal O Município, periódico de sua cidade natal.
Em 1967, dois de seus poemas apareceram no Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo.
Em 1968, concluiu o curso de Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Sua obra foi analisada e elogiada por intelectuais como Antonio Candido, Davi Arrigucci, Augusto Massi, Marilena Chauí, Olgária Matos, Nelly Novaes Coelho e Alcides Villaça, entre outros.
Orides falecu em Campos de Jordão, em 2 de novembro de 1998, aos 58 anos, vítima de insuficiência cardiopulmonar decorrente de tuberculose, na Fundação Sanatório São Paulo.
Em 2016, suas cinzas foram trasladadas para São João da Boa Vista, sua cidade natal.[2][3][4][5]
Carreira literária
O reconhecimento inicial da poeta ocorreu em 1965, quando Davi Arrigucci Jr., professor de teoria literária da Universidade de São Paulo (USP), leu o poema Elegia no jornal O Município, de São João da Boa Vista.[6]
A estreia de Orides Fontela ocorreu em 1969, com Transposição, publicado pelo Instituto de Cultura Hispânica da USP. Nos anos seguintes, lançou títulos como Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986), Trevo (1988) e Teia (1996), consolidando sua presença na poesia brasileira contemporânea.[2]
Sua obra ganhou circulação internacional. Em francês, foram publicados Trèfle (1998) e Rosace (2000), traduzidos por Emmanuel Jaffelin e Márcio de Lima Dantas, pela editora L'Harmattan, em Paris. Em espanhol, saiu Poesia completa (2018), traduzida por Joan Navarro e publicada pela Edicions de 1984, em Barcelona. Em inglês, foi lançado One Impossible Step: Selected Poems (2023), traduzido por Chris Daniels e publicado pela Nightboat Books, nos Estados Unidos.[7]
Posteriormente, sua produção foi reunida em edições de maior fôlego: Poesia Reunida (1969-1996), publicada pela Cosac Naify em 2006, e Poesia completa - Orides Fontela, lançada pela Hedra em 2015.[6]
Além dos livros, Fontela participou de coletâneas e entrevistas, como o volume Artes e ofício da poesia (1991) e a entrevista “Sexo e destino”, concedida a Augusto Massi, José Maria Cançado e Flávio Quintiliano, publicada na revista Leia em 1989.[8]
Obras
- Transposição. Instituto de Cultura Hispânica da USP (1969)[6]
- Helianto. Duas Cidades (1973)[6]
- Alba. Roswitha Kempf Editores (1983)[6]
- Rosácea. Roswitha Kempf Editores (1986)[6]
- Trevo. Claro Enigma, Duas Cidades (1969-1988)[6]
- Teia. Geração Editorial (1996)[6]
- Trèfle. L'Harmattan (1998)
- "Orides Fontela". Depoimento em Artes e ofício da poesia (1991)
- "Sexo e destino". Entrevista na revista Leia (1989)
- Rosace. L'Harmattan (2000)
- Poesia Reunida (1969-1996). Cosac Naify (2006)[6]
- Poesia completa - Orides Fontela. Hedra Editora (2015)[6]
- Poesia completa. Edicions de 1984 (2018)
- One Impossible Step: Selected Poems. Nightboat Books (2023)
Traduções
França
- Trèfle. Tradução de Emmanuel Jaffelin e Márcio de Lima Dantas. L’Harmattan, 1998.
- Rosace. Tradução de Emmanuel Jaffelin e Márcio de Lima Dantas. L’Harmattan, 2000.
Espanha
- Poesia completa. Tradução de Joan Navarro. Barcelona: Edicions de 1984, 2018.
Estados Unidos
- One Impossible Step: Selected Poems. Tradução de Chris Daniels. Nightboat Books, 2023.
Prêmios
- 1983 - São Paulo - Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro Alba, concedido pela Câmara Brasileira do Livro.[9]
- 1996 - São Paulo - Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo livro Teia, reunião de toda sua obra produzida até então. [9]
- 2007 - Belo Horizonte - Comenda Ordem do Mérito Cultural, na categoria Grã-Cruz, concedida pelo Ministério da Cultura (Brasil). A homenagem foi recebida por Maria Helena Teixeira de Oliveira, prima da poeta, em cerimônia no Palácio das Artes, na cidade de Belo Horizonte.[5]
Documentários
- Orides: A um passo do pássaro (2000) - dirigido por Ivan Marques e exibido pela TV Cultura, reúne entrevistas feitas com a poeta na década de 1990 e comentários de críticos como Davi Arrigucci Júnior.[10][11]
- Orides, onde ninguém mais (2018) - longa-metragem dirigido por David Ribeiro que retrata sua trajetória, com depoimentos de amigos, familiares e pesquisadores, incluindo o biógrafo Gustavo de Castro, amigos próximos, como Dora Avânzi e Gerda Schröeder, e o editor responsável pela popularização da sua obra, Luís Fernando Emediato.[12]
Biografia O enigma Orides
Em 2015, Gustavo de Castro, jornalista e professor doutor da Unb, publicou a biografia O enigma Orides, que inclui 22 poemas inéditos descobertos pelo autor, sob a guarda de Silvio Rodrigues, amigo e ex-advogado da poeta.[13]
Homenagens
- 2016 - Memorial Orides Fontela (São João da Boa Vista, São Paulo). A cidade de São João da Boa Vista homenageou a poeta com a criação do Memorial Orides Fontela, na biblioteca da UNIFAE. O espaço reúne prêmios, objetos pessoais e as cinzas da autora, fruto de uma parceria entre a Academia de Letras de São João da Boa Vista, o Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino e a Prefeitura Municipal.[14]
- 2026 - Flip 2026 (Paraty, Rio de Janeiro). Orides Fontela foi escolhida como autora homenageada da 24.ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a ser realizada entre 22 e 26 de julho de 2026.[6]
Direitos autorais
A Editora Hedra detém os direitos das obras de Orides Fontela.[6]
Referências
- ↑ «As várias faces de Orides Fontela». São Paulo Review. 17 de janeiro de 2016. Consultado em 10 de fevereiro de 2026
- 1 2 «Orides Fontela Cronologia». www.mulheresdesaojoao.com.br. Consultado em 10 de fevereiro de 2026
- ↑ Cruz, Edson (31 de julho de 2018). «Leituras de Orides Fontela». Revista Medium. Consultado em 10 de fevereiro de 2026
- ↑ FONTELA, Orides; Matos, Nathan (2019). «A possibilidade do impossível em Orides Fontela». Orides Fontela — toda palavra é crueldade (PDF). Belo Horizonte: Moinhos. pp. 13–18. ISBN 9788545557654
- 1 2 «Orides Fontela, Bio-bibliografia». Jornal de Poesia. Consultado em 24 de novembro de 2010
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Boehm, Camila (10 de fevereiro de 2026). «Flip anuncia Orides Fontela como autora homenageada de 2026». Agência Brasil. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ Sobota, Guilherme (9 de fevereiro de 2026). «Orides Fontela será a homenageada da Flip 2026». PublishNews. Consultado em 11 de fevereiro de 2026
- ↑ Massi, Augusto (1991). «Artes e oficios da poesia». Porto Alegre: Artes e Ofícios/Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Consultado em 10 de fevereiro de 2026
- 1 2 «Você conhece Orides Fontela?». SP Leituras. 28 de março de 2014. Consultado em 10 de fevereiro de 2026
- ↑ «A um passo do pássaro, TV Cultura»
- ↑ Adilson Miguel (27 de novembro de 2016), A um passo do pássaro, consultado em 10 de fevereiro de 2026
- ↑ «"Orides, onde ninguém mais", de David Ribeiro | Flipoços 2019». Instituto Moreira Salles. Consultado em 10 de fevereiro de 2026
- ↑ «Artigo Folha de S. Paulo»
- ↑ «Memorial Orides Fontela»