Perdiz-ruiva

Perdiz-ruiva


Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Galliformes
Família: Phasianidae
Género: Galloperdix [en]
Espécie: G. spadicea
Nome binomial
Galloperdix spadicea
(Gmelin, JF, 1789)

Perdiz-ruiva (Galloperdix spadicea)[1] é uma espécie da família Phasianidae e é endêmica da Índia. Habita florestas e é bastante reservada, apesar de seu tamanho. Possui um chamado característico e é difícil de ser avistada, exceto por breves segundos quando levanta voo do sub-bosque. Tem aparência avermelhada e lembra uma perdiz de cauda longa. A pele nua ao redor dos olhos é vermelha, e as pernas de machos e fêmeas possuem um ou dois esporões.

Taxonomia

A perdiz-ruiva foi formalmente descrita em 1789 pelo naturalista alemão Johann Friedrich Gmelin em sua edição revisada e ampliada do Systema Naturae de Lineu. Ele a classificou junto com aves semelhantes no gênero Tetrao [en] e criou o nome binomial Tetrao spadiceus.[2] Gmelin baseou sua descrição em "La perdrix rouge de Madagascar" de Pierre Sonnerat.[3] Ele indicou a localidade-tipo como Madagascar, o que é um erro, pois a espécie é encontrada na Índia.[4] Atualmente, a perdiz-ruiva é classificada com a perdiz-pintada e a perdiz do Sri Lanka no gênero Galloperdix [en], introduzido em 1845 pelo zoólogo inglês Edward Blyth.[5][6] O nome do gênero combina as palavras latinas gallus, que significa "galo de quintal", e perdix, que significa "perdiz". O epíteto específico spadicea vem do latim spadix, spadicis, significando "castanho" ou "cor de tâmara".[7]

Três subespécies são reconhecidas:[6]

  • G. s. spadicea (Gmelin, JF, 1789) – oeste do Nepal e norte e centro da Índia
  • G. s. caurina Blanford, 1898 – Cordilheira Aravalli [en] do sul de Rajastão (oeste da Índia)
  • G. s. stewarti Baker, ECS, 1919 – centro e sul de Querala (sul da Índia)

Na coloração, as fêmeas exibem variação clinal, tornando-se mais escuras em direção ao sul de sua distribuição.[8] O nome em marata, registrado como Kokee-tree, provavelmente tem origem onomatopeica.[9]

Descrição

De coloração geral marrom-avermelhada, esta ave grande, semelhante a uma perdiz, tem cauda relativamente longa. As partes superiores são marrons com barras escuras, enquanto a face e o pescoço são mais acinzentados no macho. A parte inferior é ruiva com marcações escuras, e ambos os sexos possuem uma área de pele facial vermelha e pernas vermelhas com um ou dois esporões (raramente três ou quatro,[10] enquanto as fêmeas podem não ter nenhum).[11] Os filhotes emplumados têm cabeça marrom-canela sem marcas, uma faixa marrom-escura ao longo do dorso, delimitada por listras cremes com bordas finas de marrom-escuro.[12] O macho da subespécie distinta de Querala, G. s. stewarti, apresenta plumagem totalmente castanha, incluindo as penas da cabeça.[13] Ambos os sexos têm penas longas no píleo que podem ser erguidas em forma de crista.[14]

Distribuição e habitat

A espécie é encontrada em matagais, florestas decíduas secas e úmidas, frequentemente em áreas montanhosas. Ocorre ao sul do Ganges por toda a Índia. Prefere locais com bom sub-bosque, incluindo aqueles formados pela planta invasora Lantana.[13]

Comportamento e ecologia

A perdiz-ruiva geralmente forrageia em pequenos grupos de três a cinco indivíduos. Ao caminhar, às vezes mantém a cauda erguida verticalmente, como galinhas domésticas. É silenciosa durante o dia, mas emite chamados nas manhãs e noites. Alimenta-se de sementes caídas, frutos silvestres, moluscos e insetos, além de engolir pequenas pedras para auxiliar na digestão. Quando assustada, geralmente voa por uma curta distância e permanece em territórios bem definidos ao longo do ano. Pernoita em árvores.[13]

Os chamados incluem um distinto ker-wick...kerwick... e notas ásperas como karr...karrr.... O nome em marata, Kokatri, tem origem onomatopeica.[13]

A temporada de reprodução ocorre de janeiro a junho, principalmente antes das chuvas. É uma ave que nidifica no solo, pondo de 3 a 5 ovos em uma depressão rasa. Os machos são monogâmicos, o que geralmente indica maior investimento nos cuidados parentais, mas não incubam. Observou-se machos distraindo predadores quando fêmeas com filhotes estão por perto.[15]

O nematoide amplamente distribuído Heterakis gallinae foi registrado na espécie em cativeiro,[16] enquanto carrapatos da família Ixodidae foram notados em estado selvagem.[17] Uma espécie de helminto, Lerouxinema lerouxi, foi descrita tendo a perdiz-ruiva como hospedeiro-tipo.[18] Fungos queratinofílicos, como Ctenomyces serratus [en], também foram registrados na espécie.[19]

Referências

  1. 1 2 BirdLife International (2016). «Galloperdix spadicea». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2016: e.T22679131A92803652. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T22679131A92803652.enAcessível livremente. Consultado em 13 de novembro de 2021
  2. ↑ Gmelin, Johann Friedrich (1789). Systema naturae per regna tria naturae : secundum classes, ordines, genera, species, cum characteribus, differentiis, synonymis, locis (em latim). 1, Parte 2 13ª ed. Lipsiae [Leipzig]: Georg. Emanuel. Beer. p. 759
  3. ↑ Sonnerat, Pierre (1782). Voyage aux Indes orientales et a la Chine, fait par ordre du Roi, depuis 1774 jusqu'en 1781 (em francês). 2. Paris: Chez l'Auteur. p. 169
  4. ↑ Check-List of Birds of the World. 2. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. 1934. p. 106
  5. ↑ Blyth, Edward (1845). «On the Leiotrichane Birds of the Subhemalayas by B.H. Hodgson, Esq.: with some additions and annotations, — a Synopsis of the Indian Pari, — and of the Indian Fringillidae, By E. Blyth». Journal of the Asiatic Society of Bengal. 13, Parte 2 (156): 933-944 [936 nota] Embora a página de título indique 1844, o artigo foi publicado em 1845.
  6. 1 2 «Pheasants, partridges, francolins». IOC World Bird List Version 11.2. International Ornithologists' Union. Julho de 2021. Consultado em 25 de novembro de 2021
  7. ↑ Jobling, James A. (2010). The Helm Dictionary of Scientific Bird Names. Londres: Christopher Helm. pp. 170, 360. ISBN 978-1-4081-2501-4
  8. ↑ Rasmussen PC; JC Anderton (2005). Birds of South Asia: The Ripley Guide. Volume 2. [S.l.]: Smithsonian Institution and Lynx Edicions. p. 128
  9. ↑ Baker, EC Stuart (1920). «The game birds of India, Burma and Ceylon, Part 29». J. Bombay Nat. Hist. Soc. 27 (1): 1–24
  10. ↑ Sharpe, CF (1895). «The spurs of the red spurfowl». J. Bombay Nat. Hist. Soc. 9 (4): 487
  11. ↑ Blanford WT (1898). The Fauna of British India, Including Ceylon and Burma. Birds. Volume 4. [S.l.]: Taylor and Francis, London. pp. 106–108
  12. ↑ Abdulali, Humayun (1968). «The chick of the Red Spurfowl Galloperdix spadicea (Gmelin)». J. Bombay Nat. Hist. Soc. 65 (3): 774–775
  13. 1 2 3 4 Ali, S; SD Ripley (1980). Handbook of the birds of India and Pakistan. Volume 2 2ª ed. [S.l.]: Oxford University Press. pp. 66–69
  14. ↑ Abdulali, Humayun (1952). «An unrecorded feature of Spurfowl (Galloperdix)». J. Bombay Nat. Hist. Soc. 50 (3): 661–662
  15. ↑ Tehsin, Raza H (1986). «Red Spurfowl (Galloperdix spadicea caurina)». J. Bombay Nat. Hist. Soc. 83 (3): 663
  16. ↑ Baylis HA (1936). The Fauna of British India, Including Ceylon and Burma. Nematoda. Volume 1. [S.l.]: Taylor and Francis, London. pp. 112–113
  17. ↑ Rajagopalan PK, Sreenivasan MA, Anderson CR (1978). «Ixodid ticks of red spurfowls (Galloperdix spadicea spadicea) in the KFD area, Karnataka State». Indian Journal of Medical Research. 68: 949–953. PMID 220191
  18. ↑ Singh, SN (1949). «Studies on the Helminth Parasites of Birds in Hyderabad State. Nematoda IV». Journal of Helminthology. 23 (1–2): 39–56. doi:10.1017/S0022149X00032363
  19. ↑ Pugh GJF (1966). «Fungi on birds in India». J. Indian Bot. Soc. 45: 296–303