Phyllis Latour

Phyllis Latour
ApelidosPippa
Genevieve
Nascimento
Morte
7 de outubro de 2023 (102 anos)

Prémios
Serviço militar
PaísFrança
ServiçoSpecial Operations Executive
Anos de serviço1941–1944
Patenteoficial de seção
ConflitosSegunda Guerra Mundial

Phyllis "Pippa" Latour (MBE) (Durban, 8 de abril de 1921 – Auckland, 7 de outubro de 2023) foi uma agente nascida na África do Sul que atuou, durante a Segunda Guerra Mundial, na organização clandestina britânica Special Operations Executive (SOE) na França. O objetivo da SOE era realizar espionagem, sabotagem e reconhecimento na Europa ocupada contra as potências do Eixo, especialmente a Alemanha Nazista. Na França, seus agentes se aliavam a grupos da Resistência Francesa, fornecendo armas e equipamentos lançados de paraquedas a partir da Inglaterra. Latour trabalhou como operadora de rádio na Normandia de 1º de maio até agosto de 1944.

Biografia

Pippa nasceu em 1921, em Durban, na África do Sul. Seu pai, Philippe, era um médico francês casado com Louise, uma cidadã britânica que vivia no país. Três meses depois, ele morreu durante conflitos locais na África Equatorial Francesa, e sua mãe se casou novamente três anos depois. Seu padrasto era piloto de corridas. Existem relatos contraditórios sobre a morte da mãe de Phyllis.[1] Segundo algumas versões, Louise dirigia um carro de corrida do marido quando o veículo apresentou falha e ela morreu ao colidir com uma barreira. No entanto, em sua autobiografia publicada em 2024, Latour rejeita essa história, chamando-a de “pura bobagem” e afirmando que sua mãe morreu de uma hemorragia em um consultório médico. De qualquer forma, após a morte da mãe, Phyllis foi morar com um primo de seu pai em Jadotville, no Congo Belga.[2]

Mais tarde, aos 16 anos, foi enviada para um internato no Quênia.[3]

WAAF e Special Operations Executive

Latour mudou-se para a Inglaterra em maio de 1939[3] e ingressou na Women’s Auxiliary Air Force (WAAF) em novembro de 1941 como mecânica de estruturas de aeronaves. Por falar francês fluentemente, foi rapidamente recrutada pela SOE como agente e passou por um treinamento físico e mental rigoroso. Ela decidiu ingressar na organização como forma de vingança: o pai de sua madrinha havia sido morto pelos nazistas, e a própria madrinha tirou a própria vida após ser presa. Entrou oficialmente na SOE em 1º de novembro de 1943, recebendo o posto honorário de oficial de seção.[4]

Em 1º de maio de 1944, Latour foi lançada de paraquedas na região de Orne, na Normandia, para atuar no circuito chamado “Scientist”, usando o codinome Genevieve. Trabalhou como operadora de rádio ao lado de Claude de Baissac, organizador da rede, e de sua irmã Lise, que atuava como mensageira e assistente. Os irmãos de Baissac eram considerados agentes altamente dedicados, mas difíceis de lidar. Lise descreveu Latour como muito corajosa e disposta, porém desorganizada. Eles ficaram impressionados com a pouca experiência e a imaturidade dela, e Lise passou a supervisioná-la de perto para protegê-la, e também proteger a própria operação. Isso era essencial, já que atuavam na Normandia, região que logo se tornaria palco do Dia D, a invasão aliada da França. A área era fortemente militarizada pelos alemães, tornando o trabalho extremamente perigoso.[5][6]

De baixa estatura, Latour se fazia passar por uma adolescente cuja família havia se mudado para a região para fugir dos bombardeios aliados. Ela percorria a área de bicicleta, vendendo sabão e conversando com soldados alemães. Ao mesmo tempo, codificava e transmitia mensagens da rede para o quartel-general da SOE. Para isso, utilizava códigos únicos impressos em um pedaço de seda que escondia enrolado em uma agulha de tricô, inserida em um cadarço achatado que usava para prender o cabelo. As mensagens eram transmitidas em código Morse.[1]

Ela foi revistada várias vezes e chegou a ser interrogada, mas os alemães nunca suspeitaram do acessório em seu cabelo, permitindo que fosse liberada. Ao todo, Latour enviou 135 mensagens codificadas, que ajudaram a orientar bombardeios contra alvos inimigos.[7] Durante sua missão, escapou por pouco de situações perigosas. Em certa ocasião, enquanto transmitia uma mensagem, dois soldados alemães entraram no local procurando comida. Com calma, ela fechou o equipamento de rádio fingindo que era uma mala que estava arrumando e disse que estava com escarlatina, doença que se espalhava pela região. Afirmou que precisava deixar o vilarejo, e os soldados saíram rapidamente.[8]

No início de agosto, o exército americano chegou ao vilarejo onde ela atuava. Desconfiados, mantiveram-na detida por cinco horas até confirmarem que era uma agente da SOE. Pouco depois, retornou à Inglaterra com sua missão concluída.[9][10]

Pós-Segunda Guerra

Após a guerra, Latour casou-se com um engenheiro de sobrenome Doyle e viveu no Quênia, em Fiji e na Austrália. Posteriormente, fixou residência em Auckland, na Nova Zelândia.[11] Em abril de 2021, completou 100 anos e era a última agente feminina sobrevivente entre as 39 que atuaram na França durante a guerra. Ela não comentou suas atividades durante o conflito com a família até o ano 2000, quando seus filhos descobriram sua história ao ler sobre ela na internet.[9]

Morte

Phyllis Latour faleceu em 7 de outubro de 2023, aos 102 anos.[12][13]

Honrarias e condecorações

Em setembro de 1945, Latour foi nomeada Membro da Ordem do Império Britânico por seus serviços prestados na França durante a ocupação alemã.[14] Em 29 de novembro de 2014, foi condecorada pelo governo francês como Cavaleira da Legião de Honra, por ocasião do 70º aniversário da Batalha da Normandia.[15]

Referências

  1. 1 2 Field, Michael (25 de novembro de 2014). «Pippa's astonishing story recognised». Stuff. Consultado em 9 de abril de 2026
  2. ↑ Latour 2024, ebook loc. 421.
  3. 1 2 «Phyllis Latour: The secret life of a WW2 heroine revealed». BBC News. 13 de outubro de 2023. Consultado em 9 de abril de 2026
  4. ↑ Escott, Beryl E (2010). The Heroines of SOE. Stroud, Gloucestershire: The History Press. p. 190. ISBN 9780752487298
  5. ↑ Rose, Sarah (2020). D-Day Girls. New York: Broadway Books. pp. 257–260. ISBN 9780451495105
  6. ↑ Escott 2010, pp. 190-192.
  7. ↑ Finkle, Dana (15 de junho de 2021). «Phyllis Latour Doyle: Profiles in Sewing History». Threads. Consultado em 9 de abril de 2026
  8. ↑ BBC News (13 de outubro de 2023). «Phyllis Latour: The secret life of a WW2 heroine revealed». BBC News
  9. 1 2 Jones, Liane (1990). A Quiet Courage: Women Agents in the French Resistance. London: Transworld Publishers. ISBN 0-593-01663-7
  10. ↑ Escott 2010, p. 193.
  11. ↑ Field, Michael (23 de novembro de 2014). «World War II top spy living in Auckland». Stuff. Consultado em 9 de abril de 2026
  12. ↑ Jack, Amberleigh (11 de outubro de 2023). «Decorated WWII special ops agent has died in West Auckland, aged 102». Stuff. Consultado em 9 de abril de 2026
  13. ↑ Smith, Michael (13 de outubro de 2023). «Phyllis Latour obituary». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 9 de abril de 2026
  14. ↑ «No. 37250». The London Gazette (3rd supplement). 4 de setembro de 1945. p. 4434
  15. ↑ «WWII heroine Pippa Doyle receives France's highest honour – WAR HISTORY ONLINE». WAR HISTORY ONLINE. Consultado em 9 de abril de 2026. Cópia arquivada em 30 de março de 2015

Bibliography

  • Latour, Pippa (2024). The Last Secret Agent. Auckland, NZ: Allen and Unwin. ISBN 978-1-99100-656-1 
  • Squadron Leader Beryl E. Escott, Mission Improbable: A salute to the RAF women of SOE in wartime France, London, Patrick Stevens Limited, 1991. ISBN 1-85260-289-9