Poecilochaetidae

Poecilochaetidae[1]
Poecilochaetus serpens.
Poecilochaetus serpens.
Classificação científica
Reino: Animalia[1]
Sub-reino: Bilateria[1]
Infrarreino: Protostomia[1]
Superfilo: Lophozoa[1]
Filo: Annelida[1]
Classe: Polychaeta[1]
Subclasse: Sedentaria[1]
Infraclasse: Canalipalpata[1]
Ordem: Spionida[1]
Subordem: Spioniformia[2]
Família: Poecilochaetidae[1]
Resumo dos táxons reconhecidos
Gênero Poecilochaetus Claparède in Ehlers, 1875[1][3]
  • Poecilochaetus anterospinus Magalhães, Bailey-Brock & Santos, 2015[4][3]
  • Poecilochaetus australis Nonato, 1963[4][3]
  • Espécie Poecilochaetus bermudensis Hartman, 1965[4][3]
  • Poecilochaetus bifurcatus Imajima, 1989[4][3]
  • Poecilochaetus clavatus Imajima, 1989[4][3]
  • Poecilochaetus elongatus Imajima, 1989[4][3]
  • Poecilochaetus exmouthensis Hartmann-Schröder, 1980[4][3]
  • Poecilochaetus fauchaldi Pilato & Cantone, 1976[4][3]
  • Poecilochaetus fulgoris Claparède in Ehlers, 1875[4][3]
  • Poecilochaetus gallardoi Pilato & Cantone, 1976[4]
  • Poecilochaetus granulatus Imajima, 1989[4][3]
  • Poecilochaetus hystricosus Mackie, 1990[4][3]
  • Poecilochaetus ishikariensis Imajima, 1989[4][3]
  • Poecilochaetus japonicus Kitamori, 1965[4][3]
  • Poecilochaetus johnsoni Hartman, 1939[4][3]
  • Poecilochaetus koshikiensis Miura, 1988[4][3]
  • Poecilochaetus magnus Imajima, 1989[4][3]
  • Poecilochaetus martini Brantley, 2009[4][3]
  • Poecilochaetus modestus Rullier, 1965[4][3]
  • Poecilochaetus multibranchiatus Leon-Gonzalez, 1992[4][3]
  • Poecilochaetus paratropicus Gallardo, 1968[4][3]
  • Poecilochaetus perequensis Santos & Mackie, 2008[4][3]
  • Poecilochaetus polycirratus Santos & Mackie, 2008[4][3]
  • Poecilochaetus serpens Allen, 1904[1][3]
  • Poecilochaetus serpens honiarae Gibbs, 1971[5][3]
  • Poecilochaetus spinulosus Mackie, 1990[4][3]
  • Poecilochaetus tokyoensis Imajima, 1989[4][3]
  • Poecilochaetus trachyderma Read, 1986[4][3]
  • Poecilochaetus tricirratus Mackie, 1990[4][3]
  • Poecilochaetus trilobatus Imajima, 1989[4][3]
  • Poecilochaetus tropicus Okuda, 1935[4][3]
  • Poecilochaetus vietnamita Gallardo, 1968[4][3]
  • Poecilochaetus vitjazi Levenstein, 1962[4][3]

Poecilochaetidae (poikílos em grego significa diverso e chaeta é um termo para cerda, ou seja, cerdas diversas) é uma família de animais anelídeos poliquetas espioniformes marinhos[6] tubícolas.[7] Estes organismos são caracterizados por terem um par palpos sulcados, cerdas dos segmentos anteriores dirigidas para a frente, formando uma "gaiola", protegendo a cabeça, diferentes tipos de cerdas ao longo do corpo e uma projeção cefálica mediana.[6][8][3]

Morfologia

Os peciloquetídeos são vermes com até 90 mm de comprimento e muito finos, com menos de 2 mm de largura.[9] São translúcidos, de forma que a região anterior pode ser avermelhada, devido ao sangue circulante, e a anterior é escura, devido à coloração do intestino.[9]

Sendo do grupo dos anelídeos poliquetas, seu corpo possui três regiões principais: a cabeça, o tronco e o pigídio.[9][10] A cabeça é formada por duas partes o prostômio, que é a mais anterior, e o peristômio, a mais posterior, onde fica a boca.[9][10] O tronco é formado por vários segmentos repetidos.[9][10] E o pigídio é a extremidade posterior, onde fica o ânus.[9][10]

Esquema de Poecilochaetidae (adaptado de Beesley, Ross e Glasby, 2000)

A cabeça é pequena e as cerdas dos primeiros segmentos se projetam em direção anterior, formando uma "gaiola" cefálica.[6][8][3] O prostômio é um lobo esférico pequeno ou alongado.[3] Dele saem os órgãos nucais que, em geral, são três lobos alongados, em sentido posterior.[6][8][3] Além disso, geralmente, há dois pares de olhos no prostômio.[6][8][3] O peristômio é constituído, basicamente, pelos lábios[6][8] e dele sai um par de palpos sulcados bastante longos.[6][8][3] Há uma projeção peristomial mediana ventral, chamada de tentáculo ventral ou tubérculo facial, que pode ser considerada uma característica única deste grupo.[9]

No tronco, os segmentos são mais largos do que longos.[3] Seus parapódios são birremes.[6][8] Estes possuem lobos com a forma de um ou de um pino de boliche, mais largos na base, com ponta digitiforme.[6] As cerdas são todas simples[6][8] e a sua variedade de formas ao longo do corpo é o que dá nome ao grupo:[9] poikílos significa diverso e chaeta é um termo para cerda, ou seja, cerdas diversas. Já foram classificados 14 tipos de cerdas, divididos em formas espinhosas e capilares, por exemplo, cerdas espinhosas ocorrem entre os segmentos 2 e 7, enquanto que cerdas plumosas capilares ocorrem entre o 13 e 23.[9]

As brânquias, se presentes, são estruturas parapodiais, na forma de lobos filiformes ou ramificados, ocorrendo, aproximadamente, a partir do segmento 17.[9]

Sua excreção é feita por estruturas chamadas metanefrídios, as quais, a partir do segmento 16, também apresentam a função de liberar gametas, sendo chamadas, então, de mixonefrídeos.[9]

O pigídio apresenta muitos cirros,[6][8][3] o ânus é dorsal.[9]

Diversidade

São conhecidas ao menos 32 espécies de peciloquetídeos ao redor do mundo.[8][3][4]

Sua maioria vive em ambientes marinhos quentes e rasos, em profundidades menores que 150 m. Entretanto, algumas espécies foram encontradas abaixo de 500 m.[3] Há registros de animais da espécie Poecilocaethus vitjazi a mais de 10 mil metros de profundidade.[3]

No Brasil, há registro de animais da família nos estados do Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.[11] As espécies identificadas foram: Poecilochaetus australis, P. perequensis, P. polycirratus e P. serpens,[11] sendo as três primeiras foram descritas a partir de animais brasileiros.[12][13]

Não são conhecidos fósseis de Peocilochaetidae.[9]

Hábitos

São animais bentônicos encontrados em sedimentos finos e moles (não consolidados).[8]

Vivem entocados[3] dentro de tubos escavados no substrato, que podem ter forma de U ou ser ramificados.[7] Esses tubos são recobertos por muco e há um fluxo interno de água, mantido pelo movimento dos parapódios.[7]

Alimentam-se com o auxílio de seus palpos.[14] Podem ser suspensívoros, consumindo pequenas algas e diatomáceas, ou comedores de depósito, selecionando a matéria sobre o substrato.[14]

São animais dioicos, ou seja, há machos e fêmeas.[8][9] Pressupõe-se que sua fertilização seja externa, mas tal evento ainda não foi observado diretamente.[8][9] Os óvulos apresentam envelopes alveolados e os espermatozoides possuem a cabeça esférica.[8][9] O estágio larval é planctônico e de longa duração.[8][9]

Taxonomia & Filogenia

Poecilochaetidae é uma família que possui apenas um gênero, Poecilochaetus,[3][15][1] do qual são reconhecidas 31 espécies e uma subespécie.[3] No entanto, muitas espécies foram descritas baseadas em fragmentos anteriores apenas.[6]

Anteriormente, Poecilochaetus, o único gênero atual de Poecilochaetidae, estava incluso na família Disomidae (atual Trochochaetidae) junto de Disoma (atual Trochochaeta).[3] Esta classificação foi aceita por muito tempo.[3]

No entanto, mais tarde, descreveu-se a família Poecilochaetidae baseado em estudos comparativos das larvas dos dois gêneros citados, Poecilochaetus e "Disoma".[3][16] O status de família foi mantido pela maioria dos estudos posteriores.[3]

Estudos morfológicos indicam que Poecilochaetidae é um grupo monofilético. Algumas evidências morfológicas de sua monofilia seriam os lobos parapodiais com formato de pinos de boliche e as cerdas plumadas.[6] Esse estudos morfológicos também indicam Trochochaetidae como seu grupo-irmão.[3] Estudos moleculares sugerem o mesmo.[3]

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 «ITIS Standard Report Page: Poecilochaetidae». www.itis.gov. Consultado em 20 de junho de 2020
  2. ↑ Read, G.; Fauchald, K. (Ed.) (2020). World Polychaeta database. «Spionida». World Register of Marine Species. Consultado em 26 de junho de 2020
  3. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 Purschke, Günter; Schmidt-Rhaesa, Andreas; Böggemann, Markus; Westheide, Wilfried (24 de fevereiro de 2020). «Seção 7.4.2 Poecilochaetidae Hannerz, 1956». Pleistoannelida, Sedentaria II (em inglês). [S.l.]: Walter de Gruyter GmbH & Co KG
  4. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 Read, G.; Fauchald, K. (Ed.) (2020). World Polychaeta database. «Poecilochaetus Claparède in Ehlers, 1875». World Register of Marine Species. Consultado em 20 de junho de 2020
  5. ↑ Read, G.; Fauchald, K. (Ed.) (2020). World Polychaeta database. «Poecilochaetus serpens Allen, 1904». World Register of Marine Species. Consultado em 22 de junho de 2020
  6. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Fauchald, Kristian; Rouse, Greg (abril de 1997). «Polychaete systematics: Past and present». Zoologica Scripta (em inglês). 26 (2): 111. ISSN 0300-3256. doi:10.1111/j.1463-6409.1997.tb00411.x
  7. 1 2 3 Allen, E J (1904). «The anatomy of Poecilochaetus, Claparède». Londres: J. and A. Churchill. Quarterly journal of microscopical science. Series: new (48): 83 – via BioStor
  8. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Beesley, Pamela L.; Ross, Graham J. B.; Glasby, Christopher J. (2000). Polychaetes & Allies: The Southern Synthesis. Col: Fauna of Australia (em inglês). 4A Polychaeta, Myzostomida, Pogonophora, Echiura, Sipuncula. [S.l.]: Csiro Publishing. p. 196-197
  9. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 Rouse, Gregory; Pleijel, Fredrik (11 de outubro de 2001). Polychaetes (em inglês). [S.l.]: OUP Oxford. p. 18, 266-268
  10. 1 2 3 4 Brusca, Richard C.; Brusca, Gary J. (2018). Invertebrados 3ª ed. [S.l.]: Guanabara Koogan
  11. 1 2 Amaral, A. C. Z.; Nallin, S. A. H.; Steiner, T. M.; Forroni, T. D. O.; Gomes-Filho, D. (2010). Catálogo das espécies de Annelida Polychaeta do Brasil (PDF). Campinas: Unicamp. p. 123-124
  12. ↑ Nonato, Edmundo 1963. Poecilochaetus australis sp. nov. (Annelida, Polychaeta). Neotropica, 9(28): 17-26
  13. ↑ Santos, C.S.G.; Mackie, A.S.Y. 2008. New species of Poecilochaetus Claparède, 1875 (Polychaeta, Spionida, Poecilochaetidae) from Paranaguá Bay, southeastern Brazil. Zootaxa 1790(*): 53–68,
  14. 1 2 Fauchald, Kristian; Jumars, Peter A. (1979). «The diet of worms: a study of polychaete feeding guilds» (PDF). Oceanography and marine Biology annual review: 237
  15. ↑ Read, G.; Fauchald, K. (Ed.) (2020). World Polychaeta database. «Poecilochaetidae Hannerz, 1956.». World Register of Marine Species. Consultado em 20 de junho de 2020
  16. ↑ Hannerz, Lennart. (1956). Larval development of the polychaete families Spionidae Sars, Disomidae Mesnil, and Poecilochaetidae n. fam. in the Gullmar Fjord (Sweden). Zoologiska bidrag från Uppsala. 31: 1-204