Priprioca

Priprioca
Cyperus articulatus
Cyperus articulatus

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante [1]
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Poales
Família: Cyperaceae
Género: Cyperus
Espécie: C. articulatus
Nome binomial
Cyperus articulatus
L.
Sinónimos[2]
Lista
    • Chlorocyperus articulatus (L.) Rikli
    • Chlorocyperus cordobensis Palla
    • Cyperus articulatus Benth.
    • Cyperus articulatus var. articulatus
    • Cyperus articulatus var. conglomeratus Britton
    • Cyperus articulatus var. erythrostachys Graebn.
    • Cyperus articulatus var. fistulosus Kük.
    • Cyperus articulatus f. longispiculosus Kük.
    • Cyperus articulatus var. multiflorus Kük.
    • Cyperus articulatus var. nodosus (Humb. & Bonpl. ex Willd.) Kük.
    • Cyperus autumnalis Pursh
    • Cyperus borbonicus Steud.
    • Cyperus cordobensis (Palla) Hicken
    • Cyperus corymbosus var. pangorei Rottb.
    • Cyperus corymbosus var. subnodosus (Nees & Meyen) Kük. ex Osten
    • Cyperus corymbosus var. subnodosus (Nees & Meyen) Kük.
    • Cyperus fistulosus Ehrenb. ex Boeckeler
    • Cyperus gymnos Schult.
    • Cyperus interceptus Steud.
    • Cyperus niloticus Forssk.
    • Cyperus nodosus Humb. & Bonpl. ex Willd.
    • Cyperus nodosus var. aphyllus Boeckeler
    • Cyperus nodosus var. subnodosus (Nees & Meyen) Boeckeler
    • Cyperus pertenuis Roxb.
    • Cyperus subarticulatus Nees & Meyen
    • Cyperus subnodosus Nees & Meyen
    • Papyrus pangorei Nees

A priprioca (do guarani: Piri-Piri, científico Cyperus articulatus) também conhecida por piripirioca, é uma erva aromática e medicinal da família ciperácea, natural da Amazônia.

Parente do junco e do papiro, suas raízes liberam uma fragrância leve, amadeirada e picante com notas florais. Seu óleo essencial tem cor avermelhada e é bastante valorizado na indústria farmacêutica e cosmética.[3]

É uma das essências tradicionais (perfume) da região amazônica, muito comercializada na feira do Mercado do Ver-o-peso na cidade brasileira de Belém (estado do Pará).[4]

Características

É considerada invasora e seu parentesco com a Tiririca provoca um receio quanto ao seu cultivo. No entanto a priprioca é menos prolífera e competitiva do que a sua parente, uma vez que não se alastra sem identificar condições favoráveis.

Composição e uso

Suas fibras e o caule rizoma são utilizados no artesanato, pois além do perfume exuberante, os produtos são resistentes ao mofo, relacionado às propriedades antifúngicas do óleo essencial. Dentre seus principais componentes temos o limoneno, cineol, miternal, espatulenol e óxido-cariofileno – lembrando que este óleo é muito complexo e por esta razão nenhum elemento assume um papel majoritário frente os demais.

É muito popular na região norte do Brasil; além de comercializada na maior feira da América Latina,[4][5][6] na banca de cheiro das erveiras do Mercado do Ver-o-peso, é o principal ingrediente do Banho de Cheiro encantado, usado na comemoração da festa junina e do reveion no estado do Pará.[7] Prática ritualística que ocorre desde o século XIX, ao qual se atribui o poder de atrair a felicidade, reatar amores e, abrir as portas da prosperidade ao se banhar.[8]

Também presente no Cheiro de Papel, produzido com a infusão de essências vegetais, comercializado no cesto de palha da Vendedora de cheiro, usados para aromatizar roupas guardadas em gavetas e armários.[8] Uma combinação de raízes e paus aromáticos ralados; os ingredientes mais conhecidos são: arruda, cipó-catinga, patexuli, japana, cumaru, alecrim, baunilha, manjerona, açucena, casca preciosa, louro amarelo, jasmim, alfazema e, priprioca.[8]

Reações adversas (colaterais)

Pode ser prejudicial para mulheres grávidas, podendo inclusive provocar aborto.[9][referência precisa ser revista]

Segundo o folclore brasileiro, originário de uma lenda indígena, Piri-Piri era um importante guerreiro que vivia em uma aldeia na selva amazônica. Conta-se que ele exalava um cheiro maravilhoso, capaz de atrair as índias da tribo. Ele também tinha o poder de desaparecer, quando em perigo, ou para se livrar das garotas que as perseguiam.

Certa vez, a filha do Pajé da tribo desesperadamente apaixonada por Piri-Piri, pediu ao seu pai, Supi, para lhe ensinar um feitiço que capturarasse Piri-Piri. Para atendê-la, o pajé mandou que ela amarrasse os pés de Piri-Piri com seus cabelos em uma noite de lua cheia. Pressentindo o perigo, Piri-Piri desapareceu em uma nuvem, para não mais retornar. No lugar onde o índio fora visto pela última vez, brotou uma planta, que também exalava o magnífico aroma de Piri-Piri. Em homenagem ao índio, essa planta foi nomeada de piripirioca, nome que mais tarde foi abreviado para priprioca. [10]

Referências

  1. ↑ Gupta, A.K., Mahamane, A., Diop, F.N., Beentje, H.J., Ben Saad, S., Daoud-Bouattour, A., Ghrabi, Z. & Muller, S. 2017. Cyperus articulatus. The IUCN Red List of Threatened Species 2017: e.T164147A85693033. http://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2017-1.RLTS.T164147A85693033.en. Downloaded on 12 September 2017.
  2. ↑ «The Plant List». 2013. Consultado em 12 de setembro de 2017
  3. ↑ Natura. «Perfumes baseados em Priprioca». Consultado em 22 de novembro de 2011. Arquivado do original em 3 de abril de 2009
  4. 1 2 «Reforma do Ver-o-Peso é urgente e necessária ao turismo e cultura de Belém». Rede Pará. Consultado em 3 de março de 2021
  5. ↑ Daniel Ribeiro. «Mercado Ver-o-Peso, em Belém, ganha vida de madrugada». UOL Viagem. Consultado em 11 de agosto de 2013
  6. ↑ Mayara Maciel (3 de junho de 2015). «Plantas Aromáticas do Ver-o-Peso». Museu Goeldi. Consultado em 11 de julho de 2015
  7. ↑ admin (13 de julho de 2017). «Priprioca: tipicamente brasileira, considerada como a raiz que vale ouro». Coisas da Roça. Consultado em 25 de novembro de 2021
  8. 1 2 3 Fernandes, Caroline (2008). Tema Identidade. «História de vendedoras: arte e visualidade no Brasil» (PDF). Encontro da Associação Nacional de História (Anpuh Rio). Revista Brasileira de História da Anpuh-Rio: 7. Consultado em 25 de novembro de 2021
  9. ↑ Oleosessenciais.org. «Óleo Essencial da Priprioca» [ligação inativa]
  10. ↑ Luís da Câmara Cascudo (1954). Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro